ISSN: 1646-3137  
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Relatorio sobre os jovens e a Internet. Representação, utilização e apropriação
RELATÓRIO FINAL


"OS JOVENS E A INTERNET:

REPRESENTAÇÃO, UTILIZAÇÃO, APROPRIAÇÃO"


17/07/02

Investigação realizada pelo Instituto de Estudos Jornalísticos

Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra (Portugal)

em colaboração com

Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ-Portugal),

Université Catholique de Louvain (Bélgica),

Université de Sherbrooke (Québec-Canada),

Université de Montreal (Québec-Canada),

Universidad de Granada e Universidad de Huelva (Espanha)

Clemi - Centre de Liaison des Moyens d'Information et de l'Enseignement (França),

Università Cattolica di Milano (Itália),


Coordenador da investigação em Portugal

José Carlos Abrantes, Universidade de Coimbra (Portugal)


Coordenador da investigação internacional

Jacques Piètte, Université de Sherbrooke (Québec-Canada),


Colaboração

Isabel Ventura e Elsa Augusto Rodrigues

Esta investigação foi financiada, na componente nacional,

pelo Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Instituto de Inovação Educacional


Agradeço a todos os que contribuíram para esta investigação, nomeadamente

* os colegas Évelyne Bévort e Isabelle Breda (Clemi), Thierry De Smedt (Université Catholique de Louvain-Bélgica), Jacques Piette et Christian-Marie Pons (Université de Sherbrooke (Québec-Canada), Luc Giroux (Université de Montréal-Canada), Pier Cesare Rivoltella (Università Cattolica di Milano - Italia), e Mariano Sanchez e Juan Miguel Aguedad (Universidad de Granada e Universidad de Huelva-Espanha);


* Às Dras Isabel Ventura e Elsa Augusto Rodrigues que tiveram um contributo decisivo na análise e interpretação dos dados;


* À Presidente do Instituto de Inovação Educacional, Dra Maria Emília Brederode Santos * Ao Director do Serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, Dr Manuel Carmelo Rosa e ao Director Adjunto, Dr Cardoso Alves;


* À Directora do Instituto de Estudos Jornalísticos (IEJ), Professora Doutora Isabel Vargues * Ao Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras, Professor Doutor Francisco Oliveira * Á Dra Manuela Santos e senhor Carlos Duarte do IEJ;


* Ao Dr Mário Mesquita que me incitou a apanhar as rotas de Coimbra e de Louvain-la-Neuve, dois pontos fulcrais deste trabalho;


* Ao Professor Doutor Rui Cádima, Director do Observatório da Comunicação;


* Aoa Drs Luís Queirós e António Berger,da Marktest;


* Aos Drs António Granado e Gustavo Cardoso pela indicação de algumas fontes úteis;


* Às Dras Cristina Ponte e Anabela de Sousa Lopes por alguns comentários a parte do texto e, pela mesma razão, ao Dr. Telmo Gonçalves;


* Aos alunos que responderam ao inquérito e aos que foram entrevistados;


* A Manuel Esperança, Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária José Gomes Ferreira, Lisboa

* A Jaime Pires, Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Camões, Lisboa

* Ao Conselho Executivo da Escola Marquesa de Alorna, Lisboa

* A Manuel Gouveia, Vice-Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária José Falcão, Coimbra

* Ao Conselho Executivo da Escola E,B 2,3 Martim de Freitas, Coimbra

* A Maria Augusta Jorge Mendes, Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria, Coimbra

* Ao Dr Helder Santos, Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica Silva Gaio

* Ao Dr. Paulo Martins da Escola Infanta D. Maria

* À Dra Maria Margarida Campos, da Escola Silva Gaio;


* Às Escolas envolvidas e que não puderam depois ser incluídas na análise, nomeadamente Dr José Maria Teixeira, Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Diogo de Gouveia * À Drª Teresa Félix da Escola Secundária de Moura * Ao Conselho Executivo da Escola Secundária de Miranda do Douro * Ao Dr Fernando Gomes, Vice-Presidente do Conselho Executivo Escola Secundária Camilo Castelo Branco de Vila Real * À Drª Maria Alice Rocha, Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Morgado de Mateus de Vila Real * À Escola Básica do 2º e 3º ciclo Mário Beirão, de Beja;


* À Dra Teresa Spranger, da Escola Maria Veleda, bem como ao Conselho Executivo e grupo de alunos dessa escola.



INDÍCE


1. O QUE É A INVESTIGAÇÃO "OS JOVENS E A INTERNET”? página 6


2. CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO página 10

2.1. A Internet em Portugal e na União Europeia 11

2.2. As escolas onde foi realizada a investigação 14


3. REPRESENTAÇÃO página 22

3.1. O que pensam os jovens da Internet 23

3.2. O que pensam os jovens sobre a tecnologia da Internet 27

3.3. O que pensam os jovens dos conteúdos da Internet 30

3.4. O que pensam os jovens da Internet (comparação com os livros, a televisão e a escola) 37

3.5. O que pensam os jovens sobre o futuro da Internet 39


4. UTILIZAÇÃO página 45

4.1.UTILIZAÇÃO GERAL
4.1.1. Quantos jovens utilizaram a Internet? 46

4.1.2. Com que frequência a utilizaram? 46

4.1.3. Em que local a utilizaram pela primeira vez? 47

4.1.4. De quando data a primeira utilização? 50

4.1.5. O que fazem os jovens quando estão na Internet? 51

4.1.6. Que conteúdos escolhem? 54

4.1.7. Como navegam os jovens? 57

4.1.8. Quais são as fontes de informação que usam para as consultas? 65

4.1.9. Que convivialidade? 69

Síntese-Utilização 71

4.2. UTILIZAÇÃO EM CASA página 73

4.2.1. Quantos jovens tem acesso a Internet em casa? 74

4.2.2. Quem são os jovens que têm acesso à Internet em casa? 75

4.2.3. Desde quando têm esse acesso e qual o tipo de ligação? 75

4.2.4. Com que frequência se servem e quantas horas passam na Internet? 78

4.2.5. Que fazem os jovens na Internet? 81

4.2.6. Que conteúdos visitam? 82

4.2.7. Como navegam? 83

4.2.8 Quais são as fontes de informação que usam para as consultas? 84

4.2.9. Qual a atitude dos pais? 85

4.2.10. Com quem utilizam a Internet? 88

4.2.11. Qual o local de consulta, em casa? 89

4.2.12. Quem utiliza mais a Internet? 90

4.2.13. Quais são as motivações de utilização? 90

4.2.14. Quais são as repercussões desta nova prática? 91

4.2.15. Fazem-se amigos na Internet? 96

Síntese-Utilização em casa 97


4.3.UTILIZAÇÃO NA ESCOLA página 101

4.3.1. Quantos adolescentes já usaram a Internet na escola? 102

4.3.2. Com que frequência se utiliza a Internet na escola? 105

4.3.3. Em que contextos se utiliza a Internet na escola? 107

4.3.4. Quais são as motivações da utilização da Internet na escola? 109

Síntese-Utilização na escola 112


5. CONCLUSÕES DA INVESTIGAÇÃO EM PORTUGAL página 114


6. COMPARAÇÃO INTERNACIONAL página 126


7. ANEXOS 142 Entrevistas página 143 Inquérito 202 Guide pour la conduite des entrevues 223


“Internet est un réseau de communication planétaire, mais sa pratique, sa réalité en pleine évolution sont, (…), les produits de l’action humaine dans des conditions historiques données.”


Manuel Castells


1. O que é a investigação "Os jovens e a Internet"?


1.1.1. Em Outubro de 1998 o Instituto de Estudos Jornalísticos (IEJ) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra participou numa reunião realizada no Centre de Liaison des Moyens d’Information et de l’Enseignement (Clemi), em Paris, sobre o projecto de investigação "Os jovens e a Internet." A investigação, que nascera na Universidade de Sherbrooke, no Canadá, estava a ser alargada a outros países francófonos: França, Bélgica e Suíça.

A presença de Portugal levantou a questão da eventual extensão da investigação a alguns países latinos (Portugal, Itália e Espanha) tendo os elementos presentes (Jacques Piétte, da Universidade de Sherbrooke/Canadá), Évelyne Bévort, do Clemi/França e Thierry De Smedt, da Universidade Católica de Louvain/Bélgica) acordado nessa extensão.

1.1.2. Em Maio de 1999 veio a realizar-se nova reunião, em Paris, em que estiveram presentes, além do autor deste documento, os mesmos participantes, bem como o investigador italiano, Pier Cesare Rivoltelle, da Universidade Cattolica di Milano, e ainda dois investigadores da suíça francófona. O investigador espanhol, Mariano Sanchez, da Universidade de Granada, não esteve presente mas veio posteriormente a ter contactos, no Canadá, com a equipa orientadora da investigação.


1.1.3. O objectivo do projecto foi o de traçar um retrato dos jovens face ao desenvolvimento da Internet. Esse retrato inclui uma componente nacional e uma outra componente internacional, comparativa, dada a participação de vários países.


1.1.4. A investigação foi conduzida por três questões centrais:


• Qual a representação que os jovens têm da Internet? Importa avaliar a imagem da Internet, quer os jovens sejam utilizadores, quer não. A investigação procurou medir o impacto do discurso social, escolar ou familiar na representação que o jovem tem da Internet e nos seus modos de utilização.


• Qual a utilização efectiva que os jovens fazem da Internet? Tratou-se de verificar as condições concretas de utilização (frequência, duração, lugar, enquadramento, condições de acesso, etc) bem como determinar as modalidades e tipos de utilização.


• Como é que se verifica a apropriação da Internet, pelos jovens? Trata-se de precisar o grau e tipo de integração nos hábitos de vida dos jovens. Em que medida, por exemplo, o acesso à Internet modifica, enriquece ou altera comportamentos sociais, modos de aprendizagem, hábitos de consumo mediático e cultural, expectativas.


1.1.5. Um dos elementos de recolha de dados foi um inquérito cuja matriz tinha sido trabalhada inicialmente no Canadá e já então havia sido aplicada a cerca de mil alunos canadianos. Esta matriz foi discutida na reunião de Maio de 1999, tendo sido feitas algumas adaptações e modificações para ter em conta especificidades de cada país. A versão final, enviada por Jacques Piette a todos os investigadores, foi traduzida em português (Documento 2. Inquérito). Uma versão foi depois testada com um grupo de jovens da Escola Maria Veleda, antes de ser aplicada no terreno.

1.1.6. A investigação foi realizada em escolas de Lisboa, Coimbra, Vila Real, Miranda do Douro, Beja e Moura. No entanto, embora os questionários tenham sido passados em todas essas localidades no meses iniciais do ano 2000 (em Janeiro e Fevereiro) , apenas foi possível, para a análise, ter em conta os dados de Lisboa e Coimbra pois, nos outros países, escolheram-se apenas duas cidades para a análise da situação.

Depois de ponderação, optou-se por Lisboa e Coimbra pois uma das obrigações comuns a todos os países era a de não fazer incidir o estudo em escolas com uma integração das tecnologias extremamente avançadas nem em escolas de potencial tecnológico muito fraco. A opção escolhida, embora discutível, procurou olhar para aquilo que considerámos então como pólos aceitáveis para uma investigação que não pode considerar-se, uma investigação quantitativa com pretensões de representatividade nacional. Esta escolha pode explicar alguns dados que poderão estar inflacionados, dado a análise se ter situado apenas em Lisboa e Coimbra.


1.1.7. Os alunos deviam ser escolhidos entre os que tivessem entre 12 e 17 anos, o que, no caso português, implicou a escolha de turmas do 7º, 8º, 9º e 10º, 11º anos. Constituíram-se assim 5 níveis

Nível 1 – 13 anos

Nível 2 – 14 anos

Nível 3 – 15 anos

Nível 4 – 16 anos

Nível 5 – 17 anos

Ficaram assim de fora os jovens de 18 anos ano isto dada também a exigência de comparação internacional.


1.1.8. Outro instrumento de investigação utilizado destinado a captar, de forma mais fina, a realidade que se pretendeu investigar, foi a entrevista semi-estruturada com alguns dos alunos que responderam aos inquéritos. Nos anexos encontra-se um guia para a realização das entrevistas que foi preparado por Jacques Piette e utilizado por todos.


1.1.9. Os dados quantitativos dos inquéritos de todos os países foram tratados na Universidade de Sherbrooke com evidentes vantagens de economia de custos e de aplicação de critérios comuns.


Esses dados, bem com os dados qualititativos, foram depois objecto de análise e interpretação em cada país. A Universidade de Sherbrooke enviou também a todas as equipas documentos para normalisar a pesquisa (instruções de preenchimento dos inquéritos, a já referida sugestão de guião para as entrevistas, bem como uma lista de entrevistados segundo certos critérios).


1.1.10. Importa ainda precisar que a investigação que apresentamos não se refere à observação de práticas dos jovens mas sim às praticas declaradas pelos jovens, no inquérito e nas entrevistas.






2. CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO



2.1. A Internet em Portugal no ano 2000

2.2. As escolas onde foi realizada a investigação


2.1. A Internet em Portugal e na União Europeia


Os indicadores estatísticos publicados pelo Observatório das Ciências e das Tecnologias em Março de 2002 dão 14% de lares equipados com computadores em 1997, 27% em 2000 e 39% em 2001. Também nas ligações à internet a percentagem de utilizadores seria de 2% em 1996, 6% em 1997 mas em 2000 a percentagem de utilizadores sobe para 22% e em 2001 seriam já 30% (Mata, 2002). Estes números parecem querer dizer que uma expansão continuada da utilização das tecnologias da informação e da internet, em particular, se verifica no ano em que o trabalho de campo se realiza.


Se compararmos com a União Europeia (embora em 2001, por não dispormos de dados para 2000) vemos que apenas um dos países que entrou na investigação – a Bélgica – ultrapassa a média da União Europeia, na percentagem da população que utiliza a Internet, sendo que a França iguala essa média. Também se reproduzem, no interior da União Europeia, as desigualdades Norte-Sul apontadas a nível mundial.



Utilização da Internet na União Europeia, 2001

% da população que utiliza


%

Dinamarca

71,2

Bélgica

49,o

União Europeia

40,6

França

40,6

Espanha

36,6

Itália

35,4

Portugal

30,3


Fonte, Eurobarómetro, Flash 103, Junho 2001


Tabela 1

Já para a Internet que se utiliza em casa os dados disponíveis apontam em geral para a mesma tendência, embora Espanha e Portugal se equivalham na consulta doméstica.



Utilização da Internet em casa na União Europeia, 2001

% da população que utiliza


%

Suécia

55,o

União Europeia

30,9

Belgica

49,o

França

22,0

Itália

30,3

Espanha

18,7

Portugal

18,7


Fonte, Eurobarómetro, Flash 103, Junho 2001


Tabela 2


Os dado de utilização de que dispomos são bastante mais elevados para a consulta domiciliária pois os jovens que declaram usar Internet em casa ultrapassam os 40%. Lembremos que tratámos dados apenas em escolas de Lisboa e Coimbra, escolas com algum equipamento informático, sendo provavelmente também a sua localização no interior das cidades explicativa de um predomínio de classes medias, mais estáveis economicamente e, por isso, mais predispostas a investigar no computador e na internet como equipamento doméstico. No entanto, nas entrevistas, ouvimos alguns casos de jovens com famílias operárias ou de serviços pouco qualificados revelarem terem já computador e, nalguns casos, terem mesmo acesso à internet ou terem uma expectativa forte de a vir a ter em breve. Trata-se de um sector que revela uma expansão fortíssima: basta acentuar que os utilizadores da internet, em 1999, seriam 2% e em 2001 seriam já 30%. Por outro lado, se analisarmos a evolução de utilização segundo os escalões etários, podemos perceber que 54% dos jovens entre os 15 e os 19 anos utilizavam a internet em 200o (subindo para 72% em 2001). Na faixa dos 40-49 anos apenas 10% utilizava em 2000 ou apenas 4% dos mais de 50 sabiam o que era utilizar a internet nesse ano. Nas entrevistas foi-nos possível verificar ser muito grande a pressão que os jovens que não dispõem de internet em casa faziam sobre as famílias para estas se equiparem, quase sempre com argumentos de necessidade para os estudos . Isto quer dizer que pode pôr-se como hipótese que o crescimento de utilização da Internet no domicílio se esteja a verificar sobretudo nos lares com jovens, sendo por isso o crescimento geral do país bastante menor do que o que se revela na faixa etária dos jovens estudantes.


Evolução dos utilizadores da Internet em Portugal

por escalão etário

% da população que utiliza


2000

2001

15-19 anos

54

72

20-24 anos

45

58

25-29 anos

34

45

30-39 anos

17

26

40-49 anos

10

16

+ de 50

4

7

Total

22

30


Fonte, Mata, 2002


Tabela 3

2.2. As escolas

Uma das dificuldades que a investigação encontrou foi a de não poder fazer a investigação a partir de uma única escola, pois, quse sempre os escalões étários abrangidos estavam dispersos por mais do que uma escola. Excepção foi a Escola José Gomes Ferreira.


1.2.1. As escolas de Lisboa


1.2.1.1. Escola Secundária José Gomes Ferreira de Lisboa


No início chamou-se Escola Secundária de Benfica. Por exigência da população da zona, abriu as portas antes da completa execução do projecto. Corria o ano de 1980 e a escola inaugurou sem a cantina, ginásio e laboratórios.


A escola tinha, no ano lectivo de 1999-2000, 126 professores para 1052 alunos.


Da situação inicial de falta de recursos passou-se para um panorama considerado razoável pelo presidente do Conselho Executivo: 52 computadores, oito dos quais com ligação à internet. Os computadores estão à disposição dos alunos no CRE (Centro de Recursos Educativos), que conta igualmente com aparelhos de reprodução de música e biblioteca. A divulgação das potencialidades da sala é feita no início de cada ano lectivo através dos directores de turma. Os limites da utilização são ditados pelo bom senso. A prioridade são sempre os trabalhos escolares, mas caso não haja ninguém à espera de lugar podem fazer-se visitas aos locais virtuais, das 8:50 às 12:15 e das 13:15 às 17:15, todos os dias da semana, sempre sob o olhar atento da vigilante, que controla os acessos. A liberdade termina nas páginas cujos conteúdos possam ser considerados perigosos: a pornografia, por exemplo.

A instituição tem uma baixa taxa de retenções e Manuel Esperança, o Presidente do Conselho Executivo, caracteriza a comunidade estudantil como pertencente à classe média-alta.

Ratio computadores por aluno: 1 052:52= 20 alunos por computador

Ratio computadores com acesso à internet por aluno: 1 o52: 8 = 132 alunos por computador


1.2.1.2. Escola Ensino Básico 2,3 Marquesa de Alorna


Esta escola situa-se em Lisboa, no Bairro Azul e acolhe alunos sobretudo das freguesias de S.Sebastião da Pedreira, Nª Senhora de Fátima e Campolide.

Esta escola teve um papel histórico na implementação dos Centros de Recursos, tendo sido criado nos meados dos anos 80.

O CRE está aberto todos os dias úteis, das 9.00 às 17.00 encerrando apenas no mês de Agosto. Todos os utilizadores têm acesso à Internet nas horas de funcionamento do CRE, em diversos postos. A utilização deste serviço é feita por períodos máximos de uma hora, sempre que haja utilizadores em espera. As funcionárias devem ser informadas previamente da utilização da Internet para desenvolvimento de projectos com grupos de alunos e professores, actividade que merece prioridade.



1.2.1.3. Escola Secundária Camões de Lisboa


A sala de informática, baptizada como “Sala Minerva”, do Centro de Recursos, da Escola Secundária de Camões fica virada para o pátio, no primeiro piso do edíficio. Tem treze computadores, todos com acesso à internet. Os 1 100 alunos, inscritos em 1999/2000, podiam frequentar a sala das 09:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:30; se preferissem podiam ainda optar pelo horário nocturno, estando a sala aberta um total de onze horas e meia de funcionamento.

A par deste espaço, os alunos da Escola Secundária de Camões, fundada em 1906, podiam aceder livremente à internet nos dois computadores que estão na biblioteca.

Fora destes dois espaços, os alunos podiam navegar na rede sempre que o professor o permitisse, pois havia computadores com ligação à internet espalhados por várias salas do estabelecimento, reservadas a disciplinas específicas. O acesso à net através dos computadores disponíveis nos laboratórios de matemática, física, biologia, geografia e salas de línguas está reservados para projectos específicos ou para consultas e utilização durante as aulas. O total de computadores disponível aos alunos era de 58 computadores, 32 dos quais dispunham de ligação à internet.

A maioria do corpo docente, constituído por 185 professores, tinha mais de 45 anos.

As regras de utilização da Sala Minerva estão fixadas no painel interior. As prioridades de ocupação são as “aulas de disciplinas que não têm sala de computadores própria”, seguido de “projectos” e “trabalhos de grupo”, terminando com os “trabalhos individuais”. Adelina Percatado, docente da escola, garante que a escola tem vindo, gradualmente, a resolver este problema, tendo como resultado a ocorrência esporádica de “aulas na sala Minerva”.

Aqui, os alunos podem aceder livremente à ‘internet’, imprimir documentos, fazer trabalhos, sempre sob o olhar atento da funcionária, que garante que os frequentadores da sala colocam muitas questões.

Para aceder aos computadores os utilizadores têm que “preencher uma ficha de utilizador e levantar o cartão que lhe dá acesso ao computador”, pode ler-se no regulamento da sala. O acesso está condicionado a uma hora diária “excepto em casos devidamente justificados” e o computador deve ser partilhado por dois alunos.

Ratio computadores por aluno: 1 100:58= 19 alunos por computador

Ratio computadores com acesso à internet por aluno: 1 100:32= 34 alunos por computador


1.2.2. As escolas de Coimbra

1.2.2.1. Escola do Ensino Básico 2, 3 Martim de Freitas de Coimbra


Dos seus trinta anos de existência, a escola EB 2/3 Martim de Freitas conta apenas com 17 nas actuais instalações. Os provisórios pavilhões pré-fabricados onde o estabelecimento acabou por funcionar durante treze anos foram demolidos e o actual edifício recebeu a escola em 1984.

Filipe Xavier, presidente do conselho executivo desde esse ano, descreve a escola como tendo uma “comunidade estudantil heterogénea”, salientando que, em média, a escola recebe cerca de cinco a seis estudantes de instituições de solidariedade social, ao passo que outras escolas recebem apenas um. Numa escola com 1015 alunos, “há cerca da 200 alunos a receber apoio dos serviços de Acção Social Escolar”, lembra para contrariar a tendência de se achar que a escola recebe apenas estudantes com um poder de compra razoável.

Em 1999, a instituição já tinha página na internet em 1999, se bem que ainda em fase de construção. Para os alunos, dispunha de 15 computadores com ligação à internet.

Ao integrar a Rede Nacional de Bibliotecas Escolares a escola permitiu ver os seus recursos aumentar e a clássica biblioteca ser transformada num verdadeiro Centro de Recursos, com uma televisão, um vídeo-gravador, uma aparelhagem e livros em prateleiras sem vidros ou portas a impedir o livre acesso aos mesmos. Na sala de informática, que comunica com o centro de recursos, há dez computadores que podem ser utilizados pelos alunos entre as 08:30 e as 18:15. As regras estão afixadas na porta, e a supervisora garante que os utilizadores as cumprem, pois a disposição das secretárias – em U e todas encostadas às paredes – permite que os écrãs estejam sob constante vigilância por parte de quem estiver na vigilância.

Contudo, uma das regras parece ser mais difícil de controlar: “não é permitido o uso de linguagem menos própria nas salas de conversação ou nos ‘e-mails’”, pode ler-se. Filipe Xavier, presidente do Conselho Executivo (CE) explica que há regras que servem mais como aviso, admitindo que é quase impossível assegurar o cumprimento integral daquela norma, mas que serve de prevenção. De resto, e a acrescentar à lista das proibições apenas o acesso a páginas de conteúdos considerados potencialmente perigosos, mas à parte isso tudo é permitido após assinar a folha de presença. Não há limite de uso, pode ficar-se o tempo que se quiser, excepto quando há alguém à espera. É possível imprimir a preto e branco e a cores.

Ratio computadores com acesso à internet por aluno: 1 015 : 15 = 68 alunos por computador


1.2.2.2. Escola Secundária José Falcão de Coimbra


“Foi a primeira escola de Coimbra a ter o sistema informatizado”, diz Jorge Paiva, presidente do Conselho Executivo (CE), com orgulho. Mas para que a inovação funcionasse, começou por dar formação a professores e funcionários, e lembra que teve que enfrentar algumas resistências. É que 90% do corpo docente está no topo da carreira e Jorge Paiva compreende que, por vezes, pode ser complicado mudar os métodos de quem trabalha, da mesma maneira, há trinta anos.

Ainda assim, dos 170 professores alguns utilizam a ‘internet’ como recurso pedagógico, segundo o presidente do CE.

Em 1999, a Escola José Falcão contava com 1050 alunos no serviço diurno.

Com 78 anos de existência, este estabelecimento de ensino caracteriza-se por uma comunidade estudantil sobretudo urbana e uma pequena percentagem oriunda dos arredores rurais da cidade, cujas escolas nem sempre têm as opções pretendidas pelos alunos. Alguns alunos chegam a pedir transferência não por não disporem da opção pretendida na escola mais próxima, mas porque pretendem ingressar na Universidade de Coimbra e julgam ter mais possibilidades de melhor se adaptarem se estudarem na cidade, segundo Jorge Paiva.

Assim sendo, a população estudantil é, segundo as palavras do presidente do CE, heterogénea: “tanto temos filhos de professores catedráticos, como de licenciados, ou mesmo de pais sem estudos superiores”.

No ano lectivo a que nos reportamos, a escola dispunha de 26 computadores, 50% dos quais têm acesso à internet. Apenas 11 estavam ao dispor dos alunos. Estes podiam aceder à rede, num horário alargado – incluindo à noite – pois a escola tem um acordo com um servidor que lhe permite o acesso sem limite de horas, por 60 mil escudos, anualmente. Embora não haja limite de horas para cada utilizador, impera a lei do ‘bom senso’: se houver alguém à espera, o aluno que estiver a ‘navegar’ há mais tempo terá que ceder o lugar. Os computadores estão distribuídos por várias salas da escola, sendo que dois estão no laboratório de informática, quatro na sala de estudo, três na biblioteca e dois na sala de comunicação, sendo que estes últimos servem unicamente a equipa que redige o jornal da escola.

As limitações no acesso reduzem-se às páginas cujos conteúdos possam ser considerados perigoso. Em qualquer um dos locais de acesso há um adulto que supervisiona, por isso, o acesso é controlado e, segundo Jorge Paiva, é difícil escapar às regras. De resto, a escola solicitou ao servidor um barramento que impede que se efectuem ‘downloads’ de contéudos cujo valor seja acrescentado. Isto implica que a limitação no acesso é determinada em função de dois factores: a decisão do supervisor e a filtragem do próprio servidor. Na sala de estudo, onde existe o maior número de computadores com acesso à internet, para além do funcionário, existe igualmente um professor de apoio, que não só controla as actividades dos alunos, como também esclarece possíveis dúvidas. Na sala é possível não só aceder à internet, como fazer trabalhos escolares em programas do ‘Office’ e é permitido imprimir a preto e branco.

Ratio computadores por aluno: 1 050:11= 95 alunos por computador


1.2.2.3. Escola Ensino Básico 2,3 do Poeta Silva Gaio*


A Escola EB 2,3 do Poeta Silva Gaio, em Coimbra, caracteriza-se por ter uma população escolar predominantemente proveniente de famílias de nível cultural baixo, pelo que a maioria dos alunos se apresenta na escola sem ter adquirido as competências básicas para o seu nível etário. Por outro lado, e concomitantemente, uma boa percentagem de alunos não sente motivação para o trabalho escolar pelo que se geram situações de algum insucesso e alguma desmotivação também pela parte dos professores que não se sentem acompanhados pelos pais e /ou encarregados de educação na sua luta diária pela formação destes jovens. Surgem casos de indisciplina, por vezes mesmo agressões entre alunos e desrespeito frequente pelos professores.

No ano lectivo de 1999/2000 frequentaram a escola 239 alunos do 2º Ciclo e 562 do 3º Ciclo, ou seja, 801 alunos apoiados por 131 professores.


A maioria dos alunos não tem computador em casa devido às dificuldades económicas e/ou à falta de interesse cultural dos pais. No entanto, o Programa “A Internet na Escola” tem despertado grande entusiasmo à maioria destes jovens. Este programa tem sido dinamizado por Maria Margarida Campos através do Clube Intern@utas.sg. Qualquer aluno pode pertencer ao clube bastando para isso requerer o cartão respectivo. Esse cartão serve apenas para controlar a actividade dos alunos na Sala da Internet, uma pequena sala apetrechada com 2 computadores ligados à Internet que funcionou ao longo de todo o horário escolar e que foi apoiada sempre por uma professora que ajudou os alunos a pesquisar, dentro dos seus conhecimentos. O acesso à sala é permitido a todos os alunos, mesmo sem cartão, sendo no entanto inscritos para o receberem, caso o não tenham ainda. É possível aqui fazer qualquer tipo de pesquisa, excepto navegar em sites tipo Playboy ou fazer jogos não educativos. Muitos alunos criaram aqui o seu primeiro ‘e-mail’ e/ou fizeram pesquisas para os seus trabalhos. Sem possibilidades de imprimir aqui os seus trabalhos, gravavam-nos numa disquete e imprimiam-nos na Biblioteca.

Além desta Sala, os alunos tiveram ao seu dispor 2 computadores com ligação à internet na Biblioteca, que funcionaram dentro do horário da Biblioteca e um outro também com ligação à internet e a um televisor, na Sala/Laboratório de Física e Química de que os professores se servem para as suas aulas.

Os professores dispuseram de um computador com ligação à internet, na sua sala. Porém, a maioria dos professores continua sem compreender a importância deste recurso na Escola. São ainda poucos os professores que leccionam aulas na Sala de Informática, apetrechada na altura com 10 computadores ligados à Internet.

Ratio computadores com acesso à internet por aluno: 801: 14= 57 alunos por computador


* Adaptado de um texto de uma professora da escola, Maria Margarida Campos.


1.2.2.4. Escola Secundária Infanta D. Maria de Coimbra*


Condições de acesso à Internet em 1999/2000:

A Escola Secundária Infanta D. Maria é uma escola situada no centro da cidade, sendo quase todos os seus alunos residentes nessa área. A maior parte é das classes média e média alta, tendo um significativo acesso a meios de informação e cultura. Grande parte destes alunos são filhos de quadros médios, médicos, professores do ensino básico, secundário e superior.

No ano lectivo em causa, a Escola tinha aproximadamente 1100 alunos;

Todos os computadores a que os alunos têm acesso estão ligados à Internet;

O acesso estava disponível aos alunos em 3 salas de aula de informática + Centro de Recursos havendo 33 computadores com acesso, assim distribuídos:

Os computadores das salas 17 e 18 estiveram também disponíveis para livre acesso à Internet no seguinte horário semanal:

Sala 17: 2ª feira, todo o dia; 3ª e 4ª feira de manhã; 5ª feira, todo o dia;

Sala 18: 3ª e 4ª feira de tarde, 6ª feira de tarde.

Ratio computadores com acesso à internet por aluno: 1 100:33= 33 alunos por computador


* Adaptado de um texto de um professora da escola, Paulo Martins.











3. REPRESENTAÇÃO






Este aspecto da investigação procurou verificar quais as representações que os jovens têm da Internet. Mesmo os jovens que usam pouco constróem as suas representações sobre a Internet: o que é, como funciona, como os colegas e amigos a utilizam, que efeitos pensa que terá. Podemos dizer que procurámos saber qual o “espírito da Internet” existente nos jovens inquiridos (Flichy, 2001: 10). Para isso utilizámos não apenas os dados quantitativos como também as opiniões expressas nas entrevistas.


3.1. O que pensam os jovens da Internet


Setenta e nove por cento dos jovens inquiridos concorda com a ideia de que a Internet é revolucionária e destes, 48% afirma estar completamente de acordo com essa ideia. Apenas 7% dos jovens afirma discordar da afirmação.

Durante as entrevistas, alguns jovens justificam este carácter revolucionário com a proximidade que a Internet permite face a outras pessoas e com a espontaneidade de acesso à informação. Importa precisar que a qualificação de revolucionária talvez não fosse muito adequada pois no modo de pensar dos jovens, este qualificativo introduzirá um universo de referência muito diversificado, conteúdos semânticos muito contrastados e nem sempre compatíveis com a ideia do romantismo ou da profunda alteração de estruturas que a revolução sugere para as gerações mais velhas. A Internet, sendo revolucionária para os jovens inquiridos, não põe a vida do avesso: antes a faz continuar de modos aqui e além mágicos, extraordinários, imprevisíveis.



A Internet é Revolucionária?

(Opinião; percentagem)

Discorda

7

Discorda Totalmente

3

Discorda em parte

5

Concorda

79

Concorda Parcialmente

31

Totalmente de Acordo

48

Tabela 4


É entre os que não possuem qualquer ligação à ‘Web’ no lar que a ideia da revolução é menos partilhada embora com pouca diferença (85% para os que têm Internet, 79% para os que não têm).


A Internet é Revolucionária?

(Opinião; percentagem segundo posse de acesso à Internet no lar)

 

Com Internet

Sem Internet

Discorda

4

11

Discorda Totalmente

1

5

Discorda em parte

3

6

Concorda

85

79

Concorda Parcialmente

34

26

Totalmente de Acordo

51

52


Tabela 5




São os jovens que dispõem de uma ligação à Internet quem mais afirma estar “parcialmente de acordo” com o carácter revolucionário da Internet – 34% dos alunos que exprimem esta ideia tem uma ligação no lar.

A opinião que exprime o total acordo com o carácter revolucionário da Internet não regista grandes alterações entre quem possui e quem não possui uma ligação à Internet.


Não se pode passar sem a Internet?

(Opinião; percentagem total, segundo género, segundo posse de Internet no lar e faixa etária)


Total

Raparigas

Rapazes

C/ Internet

S/ Internet

Discorda

45

44

46

50

43

Discorda Totalmente

21

20

21

19

22

Discorda em parte

24

24

25

31

21

Concorda

45

46

44

43

51

Concorda Parcialmente

29

30

29

27

32

Totalmente de Acordo

16

17

14

16

19

Tabela 6




Total

+ Velhos

* Novos

Discorda

45

41

47

Discorda Totalmente

21

20

21

Discorda em parte

24

22

26

Concorda

45

52

41

Concorda Parcialmente

29

33

27

Totalmente de Acordo

16

19

14

Tabela 6a



Mas, se o aspecto revolucionário da ‘Web’ reúne o consenso de grande parte dos inquiridos, 45% acha que, após experimentar não se pode passar sem ela, sendo igual em número os que pensam exactamente o contrário. Ou seja, cerca de metade dos jovens inquiridos rendem-se ao potencial inovador da Internet mas um numero igual considera, mesmo assim, que pode passar sem ela.

De salientar que a afirmação Não se pode passar sem a Internet pode ter uma interpretação pejorativa, uma vez que tem uma dimensão de dependência, sem a qual o adicto não pode viver, condicionando, eventualmente, as respostas de alguns dos adolescentes nada inclinados para caucionarem tal dependência.


Dos que concordam com a ideia de que é impossível passar sem a ‘Web’, 29% estão parcialmente de acordo. O grande grupo dos que transmite a ideia com toda a certeza, isto é, estão “totalmente de acordo”, são, sem dúvida os utilizadores frequentes (36%), enquanto que os ocasionais se ficam pelos 13% e os regulares pelos 11%. Estes resultados fazem-nos reflectir acerca dos efeitos que os cibernautas regulares sentem em relação à sua própria utilização da Internet. De facto, quanto mais se usa a Internet mais se parece ter a consciência da imprescindibilidade da rede.


Também os mais velhos estão mais no campo da concordância do que os mais novos. Terão estes mais consciência de que há medida que se utiliza um utensílio técnico mais este integra o nosso ser social?


Nas entrevistas, existem também depoimentos contraditórios pois alguns jovens utilizadores, com e sem ligação em casa, confessavam que tinham ideia de que a Rede seria completamente “viciante”, por ser algo tão agradável. Mas, por outro lado, alguns confessavam que a ideia de deixar de poder utilizar a Internet não era muito agradável, embora não a considerassem “viciante”, pois conseguiam passar alguns dias sem a utilizar.



A Internet é uma perda de tempo?

(Opinião; percentagem total, segundo perfil de utilizador e posse de Internet no lar)


Total

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Sem Net

C/ Net

Discorda

86

94

86

84

94

86

Discorda Totalmente

66

67

69

75

72

70

Discorda em parte

21

26

17

9

22

17

Concorda

8

3

6

9

3

8

Concorda Parcialmente

5

2

6

6

2

7

Totalmente de Acordo

2

1


2

1

1

Tabela 7

Quanto à utilidade da Rede, 86% dos inquiridos discordam da ideia de que a Internet seja uma perda de tempo (sendo que destes, 66% declaram mesmo estar “totalmente contra”). Apenas 8% concordam que o tempo passado na Internet não é útil e desses, uma percentagem mínima de 2% diz “concordar completamente” com a ideia de que navegar na Rede é um desperdício de tempo. Ou seja, os jovens inquiridos não se sentem a perder tempo quando estão ocupados com a Internet. A Internet parece ser uma extensão da vida e, nessa medida, uma aplicação proveitosa do tempo que se lhe dedica.

Assinale-se que entre os que têm Internet em casa é maior a percentagem dos que consideram perder tempo (8% contra 3% nos que não dispõem de Internet). Possível explicação: a maior disponibilidade dos primeiros permite-lhes uma maior divagação nas utilizações aumentando assim esta sensação de desperdício de tempo.


3.2. O que pensam os jovens sobre a tecnologia da Internet



É fácil aprender a utilizar a Internet?

(Opinião; percentagem total e segundo género)

 

 

Discorda

11

Discorda Totalmente

2

Discorda em parte

9

Concorda

74

Concorda Parcialmente

45

Totalmente de Acordo

29

Tabela 8


Quase três quartos (74%) dos jovens inquiridos estão convictos que é fácil aprender a usar a Internet. Só 11% dos inquiridos estão em desacordo com a afirmação da aprendizagem fácil.


No entanto, a convicção da facilidade do uso deve relativizar-se, uma vez que apenas 29% destes estão totalmente de acordo com a afirmação, enquanto 45% afirmam estar “parcialmente de acordo”. Esta hesitação em concordar totalmente na facilidade de uso poderá residir no facto de 44% dos adolescentes julgarem ser necessário saber informática e 63% considerarem o conhecimento da língua inglesa essencial para as navegações na ‘rede’.


Para utilizar a Internet é preciso saber inglês?

(Opinião; percentagem total, segundo género)


Total

Raparigas

Rapazes

Discorda

28

30

24

Discorda Totalmente

8

9

7

Discorda em parte

20

21

18

Concorda

63

61

67

Concorda Parcialmente

47

46

48

Totalmente de Acordo

17

15

19

Tabela 9


63% dos jovens inquiridos considera ser preciso saber inglês para navegar na Internet. Apenas 28% dos jovens inquiridos considera que a falta de conhecimento desta língua não é impeditiva da utilização.

Quanto ao conhecimento da língua inglesa, verifica-se que a grande maioria (entre 76 e 78%) assegura ter bastantes, ou mesmo muitos, conhecimentos de inglês oral e escrito. Embora as raparigas sejam mais contidas e apresentem índices mais baixos no que diz respeito à auto-avaliação do conhecimento da língua: 29% dos rapazes afirma “falar muito bem inglês” - a percentagem das raparigas fica-se pelos 19%. O mesmo se verifica na leitura: 27% das raparigas garantem “ler inglês muito bem”, nos rapazes a percentagem sobe aos 42%. Serão as raparigas mais exigentes na auto-avaliação ou corresponderão estes dados a uma real diferença? Verificamos também que as respostas que indicam um bom conhecimento da língua, mas com algo ainda a melhorar, traduzidas pela expressão “bastante bem” têm percentagens de respostas de indivíduos do sexo feminino mais elevadas: 50% das raparigas contra 37% dos rapazes a dizer o mesmo. A percentagem de jovens a dizer que não lêem ou falam inglês é muito reduzida pois apenas 2% afirma nada ler de inglês, e 12% dizem ler apenas um pouco). A língua dos principais sítios utilizados é, sem dúvida, o inglês, com 85% dos inquiridos a admitir navegar em ‘sites’ cuja língua é o inglês, com apenas 3% a afirmarem nunca o fazer.

Os alunos mais velhos afirmam ter mais conhecimentos da língua e são também eles que estão mais de acordo com a ideia de que o inglês é essencial para se poder navegar na Internet.


Para utilizar a Internet é preciso saber informática?

(Opinião; percentagem total, segundo género)

 

 

* Velhos

* Novos

Discorda

45

55

38

Discorda Totalmente

13

15

12

Discorda em parte

31

40

26

Concorda

44

40

47

Concorda Parcialmente

32

32

33

Totalmente de Acordo

12

9

14

Tabela 10


O mesmo já não é tão visível no que diz respeito à necessidade de saber informática para poder utilizar a ‘Web’, pois 45 por cento acham que não é preciso saber informática e 44 por cento acham que sim. A idade parece jogar como factor de tranquilização pois são os mais novos que estão mais de acordo com a necessidade destes conhecimentos.



Para utilizar a Internet é preciso saber informática?

(Opinião; percentagem total, segundo género)

 

 

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Discorda

45

42

56

46

Discorda Totalmente

13

12

15

19

Discorda em parte

31

30

41

27

Concorda

44

52

35

46

Concorda Parcialmente

32

41

24

30

Totalmente de Acordo

12

11

10

16

Tabela 11


Os cibernautas muito frequentes dividem-se também entre a afirmação de ser preciso e não ser preciso saber informática.

São os cibernautas ocasionais que apresentam os índices mais altos de respostas que implicam o conhecimento de informática. A regularidade na utilização parece ser o estado de espírito que mais se coaduna com uma utilização independente dos saberes sobre informática.


Aqui também deveremos compreender que, por vezes, a necessidade de conhecimentos referida pode ser muito ligeira. De facto, alguns entrevistados mencionam que as necessidades de conhecimento se referem unicamente a utilizar o rato e o teclado.


3.3. O que pensam os jovens dos conteúdos da Internet


Sessenta e nove por cento dos adolescentes assegura confiar nos conteúdos da Internet. Isto significa que a Rede é vista pela maioria dos jovens como uma fonte segura de informação, o que foi confirmado nas entrevistas. Este pode ser um dos elementos importantes para elaborar uma estratégia de educação para os media centrada na Internet.


Nas entrevistas, os jovens, partindo frequentemente de uma posição de confiança, chegavam, instantes depois, a matizar a confiança inicial. Alguns entrevistados lembram que as páginas têm diferentes graus de credibilidade. Em geral, mencionam as páginas pessoais como sendo as menos credíveis e as páginas oficiais de jornais e instituições aquelas em que confiam mais. Talvez a pensar nisso, 45% afirmem estar “parcialmente de acordo” e somente 25% afiancem confiar “totalmente” nas informações encontradas.


Segundo os resultados do inquérito, quanto mais se navega mais se confia na informação. Confie-se parcial ou totalmente nos conteúdos da ‘net’, os cibernautas que mais navegam confiam sempre mais nos conteúdos ‘on-line’ do que os outros, embora não se verifiquem fortes disparidades percentuais.


Confio no que encontro na Internet?

(Opinião; percentagem total, segundo distribuição geográfica e género)</P>

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Discorda

17

15

18

14

20

Discorda Totalmente

3

1

5

3

3

Discorda em parte

14

14

13

11

17

Concorda

69

69

70

71

67

Concorda Parcialmente

45

46

43

47

41

Totalmente de Acordo

25

23

27

24

26

Tabela 12


As raparigas inquiridas parecem revelar maior credibilidade em relação ao que encontram na Internet do que os rapazes (71% das raparigas confiam contra 67% dos rapazes).


É também entre os jovens que não possuem ligação à Internet que o índice de confiança é mais alto (30% diz estar totalmente de acordo, enquanto a percentagem dos que possui ligação no lar se fica pelos 23%).



É preciso controlar os conteúdos da Internet?

(Opinião; percentagem total, segundo distribuição geográfica e género)


 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Discorda

35

29

41

23

51

Discorda Totalmente

17

12

23

9

29

Discorda em parte

17

17

18

14

22

Concorda

56

58

53

67

40

Concorda Parcialmente

26

26

26

28

24

Totalmente de Acordo

30

32

28

40

16

Tabela 13


56% dos inquiridos concordam com a perspectiva de se controlarem os conteúdos da Internet. Dos 56% que admitem alguma forma de censura à ‘net’, 30% não demonstram qualquer hesitação e afirmam estar “totalmente de acordo”.


Nas entrevistas alguns jovens lembram que o que se considera conteúdos “potencialmente perigosos” está também disponível noutros suportes, como as revistas e os jornais. Talvez por isso, a percentagem dos que apenas está “parcialmente de acordo” com o controlo efectivo das informações que percorrem a Rede atinja os 26% e os que “discordam totalmente” com qualquer forma de controlo sejam na ordem dos 17%, com uma forte incidência na cidade de Coimbra. Em qualquer dos casos: parcial ou totalmente em desacordo, é na cidade de Coimbra que encontramos as mais elevadas percentagens dos desacordos: 41% dos estudantes de Coimbra “discorda totalmente” deste controlo, em Lisboa a percentagem fica-se pelos 29%. No entanto, nos resultados das respostas que indicam uma aceitação de alguma forma de controlo não se registam diferenças significativas entre os jovens inquiridos em Lisboa e Coimbra.

As raparigas estão mais de acordo com esse controlo pois 40% a ele adere contra apenas 16% dos rapazes.

Durante as entrevistas foi também visível alguma indefinição relativamente à entidade a quem caberia gerir esse controlo no caso de ele ser instituído.



É preciso controlar os conteúdos da Internet?

(Opinião; percentagem segundo perfil de utilizador)


Ocasional

Frequente

Mt. Frequente

Discorda

33

39

41

Discorda Totalmente

12

17

26

Discorda em parte

21

21

15

Concorda

58

51

48

Concorda Parcialmente

24

24

30

Totalmente de Acordo

33

28

19

Tabela 14


São os utilizadores ocasionais os que concordam em maior número (58%) com a necessidade de contrôle da Internet. Os navegadores muito frequentes concordam com formas de controle, mas apresentam resultados mais elevados nas respostas que deixam algum espaço de manobra: as que falam em posições “parciais”. Trinta por cento dos que responderam estar “parcialmente de acordo” com o contrôle são utilizadores muito frequentes, enquanto os ocasionais e os regulares se ficam pelos 24%.

Nas posições globais verificamos serem os utilizadores ocasionais quem mais se manifesta pela necessidade de controle (58%), seguidos pelos utilizadores frequentes (51%) e muito frequentes (48%). Verificamos também que se 58% dos inquiridos concordam com esse controle e 33% manifestam a sua discordância. Trata-se de um terreno em que se chocam as representações da Internet como expressão de liberdade e a necessidade de protecção dos mais novos, dos mais “fracos” ou dos mais sensíveis. Por outras palavras: a Internet foi concebida como uma tecnologia de comunicação livre - e os jovens inquiridos têm alguma percepção desse pressuposto - mas não resulta disso que sejamos , enfim, livres graças à Internet (Castells, 2001: 10).

Durante as entrevistas, os jovens manifestaram especial preocupação pelos sítios racistas, não dando tanta importância aos sítios pornográficos. Muitos dos entrevistados alegavam a necessidade de controlo, não por eles, dizem, mas devido aos mais novos, não manifestando qualquer receio em relação à si próprios. Sabemos, no entanto, como na recolha de opinião muitas vezes os problemas sentidos pelo inquiridos são transferidos para outrém.



A Internet melhora a comunicação entre as pessoas?

(Opinião; percentagem total)


Total

Discorda

7

Discorda Totalmente

2

Discorda em parte

5

Concorda

87

Concorda Parcialmente

29

Totalmente de Acordo

58

Tabela 15


A visão que os jovens têm sobre os efeitos que a Internet pode ter na comunicação interpessoal não parece oferecer grandes dúvidas: 87% dos inquiridos concordam que a Rede pode ser um contributo para melhorar a comunicação entre as pessoas.


Durante as entrevistas, alguns salientaram o facto de ser mais barato e mais fácil falar com os amigos ou familiares que estavam longe. Outros lembraram que tinham conhecido alguns amigos, que frequentavam o mesmo estabelecimento escolar, devido à Internet. Esta utilização para comunicação com os que estão perto foi mesmo referida mais frequentemente, sendo assim um elemento de reflexão que contraria a ideia de comunicação mundial frequentemente associada à Internet.


De qualquer forma, 58% dos jovens “concorda plenamente” que a ‘Web’ é um factor positivo para a comunicação entre as pessoas. Somente 7% dos estudantes afirma discordar desta ideia. Não se verificam grandes disparidades na análise segundo o sexo, nem segundo a faixa etária. Curiosamente, também não se verificam grandes diferenças percentuais nas respostas dos alunos consoante têm ou não acesso à Rede no lar.



Quando se utiliza a Internet falamos menos com os outros?

(Opinião; percentagem total, segundo perfil de utilizador e segundo posse de ligação no lar)


Total

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Sem Net

C/ Net

Discorda

60

53

62

73

51

73

Discorda Totalmente

36

31

41

48

28

51

Discorda em parte

24

23

21

25

24

22

Concorda

28

32

26

20

33

21

Concorda Parcialmente

20

24

20

14

23

17

Totalmente de Acordo

8

8

6

6

10

4

Tabela 16


A maioria dos inquiridos (60%) acha que o uso da Internet não faz com que se fale menos com os outros. Mesmo assim, 28% dos inquiridos acha que tal se verifica. No entanto, a maior utilização parece fazer decrescer esse temor pois os utilizadores ocasionais são os que têm níveis de discordância menores (53%), aumentando a discordância nos utilizadores regulares (62%) e nos muito frequentes (73%). Quem tem Internet no domicílio, bem como os utilizadores mais frequentes, são os que sustentam maioritariamente esta boa harmonia entre a utilização e a convivialidade. Mas vinte e oito por cento dos jovens está de acordo com a ideia de que os cibernautas se tornam menos comunicadores. São sobretudo os que não possuem uma ligação à ‘Web’ no domicílio que asssim julgam.


Durante as entrevistas, alguns jovens lembram que algumas vezes se comentam os conteúdos das páginas visitadas com os familiares. Alguns salientavam mesmo a navegação partilhada com os pais e com os irmãos.



A Internet é antes de mais um meio de diversão?

(Opinião; percentagem total, segundo perfil de utilizador e segundo faixa etária)



Total

Ocasional

Regular

Mt. Fre-

quente

* Velhos

* Novos

Discorda

19

23

17

19

23

16

Discorda Totalmente

4

3

4

2

4

3

Discorda em parte

15

19

13

16

17

13

Concorda

73

73

73

72

72

75

Concorda Parcialmente

48

50

47

41

48

48

Totalmente de Acordo

25

23

26

31

23

27

Tabela 17


Segundo os resultados do inquérito, a Internet é antes de mais, um meio de diversão. Setenta e três por cento dos jovens concorda com a afirmação, apesar de somente 25% deles estarem “totalmente de acordo”.

São sobretudo os mais velhos que discordam que a Internet é, antes de mais, uma forma de diversão. Embora estes também apresentem os resultados mais elevados na opção que diz estar de acordo, as diferenças entre mais velhos e mais novos são mais elevadas entre os que discordam. Aparentemente, o perfil de utilizador não é determinante para a opinião do cibernauta. Para 23% dos utilizadores ocasionais a Internet é, prioritariamente um meio de diversão, para 31% dos cibernautas muito frequentes também.

A Internet é uma ameaça ao português?

(Opinião; percentagem total, segundo género)

 

 

Raparigas

Rapazes

Discorda

66

61

72

Discorda Totalmente

39

36

43

Discorda em parte

27

25

29

Concorda

21

24

18

Concorda Parcialmente

17

20

13

Totalmente de Acordo

4

3

5

Tabela 18


Segundo os resultados do inquérito, a maioria dos jovens não vê a Internet como uma ameaça à língua portuguesa. Sessenta e seis por cento dos inquiridos refere não concordar com a ideia transmitida pela afirmação e desses, 39% afirma mesmo “discordar totalmente”. A percentagem análoga dos jovens que “concordam totalmente” com a ameaça fica-se pelos 4%, enquanto 13% dos inquiridos preferem não se manifestar.


De referir que alguns entrevistados apontavam as novas formas da linguagem “das teclas” como algo sobre o qual se deveria estar atento, mas não utilizando a palavra “ameaça”. Durante as entrevistas, alguns estudantes explicavam que seria provável que um determinado número de cibernautas pudesse, tendencialmente, passar para a linguagem oral ou escrita, a linguagem que habitualmente usa ao teclar, prejudicando assim, a língua do país. É, portanto, nas comunicações em linha, como os programas que permitem conversar com outros utilizadores em directo, que a ameça parece existir para os entrevistados.

Há, porém, uma outra perspectiva, que é a de haver uma grande densidade de conteúdos na língua inglesa confirmada aliás pela utilização maciça de paginas ‘Web’ em inglês. São as raparigas quem mais manifesta o seu receio, com 24% a manifestar o seu acordo com a ideia da ameaça (contra 18% dos rapazes).


Navego por sítios em inglês?

(Opinião; percentagem total, segundo género e faixa etária)

 

 

Raparigas

Rapazes

* Velhos


* Novos

Não

13

14

12

10

15

Nunca

3

3

4

3

3

Raramente

10

11

8

7

12

Sim

85

84

85

90

81

Ocasionalmente

24

21

25

27

21

Regularmente

34

37

31

37

31

Mt. Frequentemente

27

26

29

27

28

Tabela 19


Os jovens navegam com frequência, além do português, noutras línguas: 85% dos inquiridos admitiu visitar páginas em inglês, dos quais 27% reconheceu fazê-lo “muito frequentemente”. Apenas 3% garantem nunca o fazer. No entanto, os jovens viajam noutras línguas além do inglês: 43% apontam o francês, 26% o espanhol, e 4% o português (a mesma percentagem que o japonês, que apenas é mencionado por rapazes, e o italiano). Há ainda 14% dos inquiridos a mencionarem o alemão. São os alunos mais novos que preferem os sítios em francês (50% nasceram depois de 1985 e 36% antes de 1984), enquanto que 33% dos mais velhos apontam o espanhol e apenas 19% dos mais novos manifesta o mesmo interesse. Os cibernautas do sexo masculino dizem visitar mais sítios em inglês, bem como os mais velhos – em consonância com os resultados da pergunta relativa aos conhecimentos de inglês, à qual, os rapazes indicam dominar melhor a língua do que as raparigas.


3.4. O que pensam os jovens da Internet

(comparação com os livros, a televisão e a escola).


Os jovens não são particularmente desconfiados em relação aos conteúdos encontrados na Internet. Sessenta e nove por cento admite confiar nas informações encontradas e 50% discorda que os livros sejam meios mais eficazes para fazer pesquisas; 63% dos inquiridos garante ser mais agradável aprender com a Internet do que com os livros.


Comparativamente à Internet,

os livros são mais eficazes para fazer pesquisa?

(Opinião; percentagem total, segundo distribuição geográfica e género)


 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Discorda

50

43

57

57

54

Discorda Totalmente

16

12

22

12

23

Discorda em parte

34

32

36

35

31

Concorda

35

40

30

39

30

Concorda Parcialmente

27

30

23

30

22

Totalmente de Acordo

9

10

7

9

8

Tabela 20


50% dos inquiridos discorda que os livros sejam mais eficazes para fazer pesquisas do que a Internet. Ou seja a internet seria igualmente eficaz para a pesquisa (embora só 35% afirme esta concordância, sendo os restantes 15% de não respostas ou não sabe).


Os elevados resultados em Coimbra (indicando discordância em relação à maior utilidade dos livros para pesquisa) podem estar relacionados com o facto de ser em Coimbra que há um maior número de utilizações da Internet em contexto de sala de aula – portanto, para pesquisa. Dessa forma, os alunos podem ter não só a experiência de navegação arbitrária, mas sim com um objectivo, podendo testar as capacidades de pesquisa da ‘Web’, bem como a qualidade das mesmas.

As raparigas parecem ser mais prudentes que os rapazes, pois os resultados indicam que elas recusam mais a ideia de que a pesquisa na Internet é mais eficaz, comparativamente aos livros, do que os rapazes. Contudo, os resultados oferecem diversas leituras: se são maioritariamente os rapazes a “discordar totalmente” que os livros sejam mais eficazes que a Internet para fazer uma pesquisa, já são as raparigas que apresentam os resultados mais elevados na resposta que indica uma concordância parcial.


É mais agradável aprender com os livros

do que com a Internet?

(Opinião; percentagem total)



Discorda

28

Discorda Totalmente

7

Discorda em parte

20

Concorda

63

Concorda Parcialmente

31

Totalmente de Acordo

32


Tabela 21


63% dos jovens concorda ser mais agradável aprender com os livros. Apesar de toda a sedução da tecnologia os jovens ainda ligam a aprendizagem ao seu objecto secular, o livro.


2.5. O que pensam os jovens sobre o futuro da Internet


Aos jovens entrevistados não lhes custa a acreditar que a Rede se tornará tão natural quanto o telefone ou a televisão, num futuro próximo: essa é a opinião de 87% dos inquiridos, dos quais, 64% estão totalmente de acordo com a afirmação. No entanto, a maioria assume uma posição realista pois apenas 33% encara com facilidade a hipótese da televisão desaparecer com a massificação do acesso à Internet.


Os jovens, durante as entrevistas, mencionaram não ter hábitos de consumo ‘on-line. Muitos sublinharam mesmo que para comprar tinham que ver e tocar o produto. Apesar disso os inquiridos consideram que as compras em directo serão muito frequentes: 71% concorda que, no futuro, quase tudo se comprará via Internet. Talvez por manifestarem alguma desconfiança em relação aos produtos que não podem tocar, 45% afirma estar parcialmente de acordo com esta afirmação. Embora muito aproximadas, as percentagens mais elevadas relativamente à concordância sobre este uso da Internet, verificam-se nos resultados dos alunos mais velhos, e, os números vão aumentando consoante o nível de escolaridade vai subindo. Também não se verificam grandes alterações entre utilizadores ocasionais e frequentes, apesar de serem os cibernautas muito frequentes os que detêm as percentagens mais elevadas.




A Internet vai substituir a televisão?

(Opinião; percentagem total, segundo género e perfil de utilizador)

 

 

Ocasional

Frequente

Mt. Frequente

Discorda

53

58

54

38

Discorda Totalmente

23

24

23

17

Discorda em parte

30

34

31

21

Concorda

33

31

33

43

Concorda Parcialmente

23

23

21

30

Totalmente de Acordo

10

9

12

16

Tabela 22


Para 53% dos inquiridos a Internet não irá substituir a televisão. A utilização da Internet poderá até ser tão natural quanto ver televisão – segundo 87% dos inquiridos, dos quais 64% não têm qualquer dúvida, mas dificilmente a irá substituir: pelo menos, essa é a opinião de 53% dos inquiridos, 30% dos quais manifestam o seu total desacordo pela ideia da substituição da televisão pela Internet - apenas 10% dos inquiridos concorda plenamente com a afirmação.

72% das raparigas afirma estar totalmente de acordo com a ideia de que a Internet será tão natural quanto o telefone ou a televisão, ao passo que a percentagem dos rapazes a sustentar o mesmo é de 58%. É também entre os que possuem um computador (70%) que o acordo é mais elevado (os que não têm PC e concordam totalmente ficam-se pelos 55%).

São os cibernautas frequentes que consideram que a Internet, no futuro, substituirá televisão: 16% concorda plenamente, e 9% dos ocasionais expressa a mesma opinião. Não se verificam grandes disparidades entre quem tem Internet e quem não tem.



A Internet vai substituir a escola?

(Opinião; percentagem total, segundo perfil de utilizador)


Total

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Discorda

71

74

69

64

Discorda Totalmente

52

56

51

48

Discorda em parte

19

19

18

16

Concorda

17

14

18

20

Concorda Parcialmente

7

7

6

10

Totalmente de Acordo

10

7

13

10

Tabela 23


Mas se os jovens já exprimem uma certa dificuldade em aceitar a antevisão da eliminação da televisão, quando se fala em escola, os número sobem ainda mais: 71% dos inquiridos acha que a Internet não vai substituir a escola. Apenas 17% dos alunos concordam que a Internet venha a tomar o lugar da escola, dos quais 10% afirma estar completamente de acordo (a percentagem mais elevada provém dos inquiridos do sexo masculino: 16%, contra 5% das raparigas) e dos alunos mais novos: 13% contra 4% dos mais velhos.


Os entrevistados evocam sobretudo as dificuldades de auto-organização e disciplina que poderiam dominar os alunos no ensino ‘on-line’, para além de apontarem o professor como uma chave fundamental e insubstituível no processo de aprendizagem. Outros ainda mencionam o convívio que a escola proporciona e que, na sua opinião, a Internet não conseguirá nunca fazer equivaler.


Os alunos dos níveis de escolaridade mais avançados apresentam os resultados mais elevados nas opções que indicam repúdio pela substituição da escola pela Rede. Os que frequentam mais a Rede aceitam com mais facilidade a substituição da escola pela Internet, (10% nos frequentes e 13% nos regulares, que sustentam estar completamente de acordo na substituição da escola pela Internet).


Futuramente, para trabalhar,

será necessário dominar a Internet?

(Opinião; percentagem total, segundo género perfil de utilizador)

 

 

Raparigas

Rapazes

Mais Velhos

Mais Novos

Discorda

15

14

17

13

17

Discorda Totalmente

5

4

8

3

7

Discorda em parte

10

10

9

10

10

Concorda

73

75

71

79

69

Concorda Parcialmente

39

39

40

38

40

Totalmente de Acordo

34

36

31

41

29

Tabela 24



A necessidade de dominar a Internet para poder trabalhar futuramente é algo que merece o consenso de 73% dos inquiridos. Embora 11% não se pronunciem, apenas 15% discordam da ideia de que é imperativo saber utilizar a ‘Web’ para trabalhar. Cinco por cento discorda mesmo totalmente, mas a percentagem dos que concorda sem qualquer margem de dúvida atinge os 34%. São as raparigas, do grupo dos mais velhos, quem mais reitera a necessidade de aprender a utilizar a Rede. Será porque é corrente entre as raparigas a ideia de que têm sempre que saber mais, dominar mais linguagens, conhecer mais domínios para poderem competir socialmente?


Durante as entrevistas, alguns jovens lembravam que, apesar de reconhecerem a importância da ‘Web’, não consideravam imperativo o seu domínio para determinadas áreas de trabalho.


SÍNTESE-REPRESENTAÇÃO


Que representações são então mais correntes no jovens inquiridos?


* A Internet é revolucionária (79%);


* Depois de experimentar há jovens que não podem passar sem Internet (45%), mas há um número exactamente igual que vive bem sem ela (45%);


* 86% discorda que a Internet seja um perda de tempo;


* A Internet é fácil de aprender (74%);


* O inglês é considerado necessário para a net (63%);


* As opiniões dividem-se sobre a necessidade de conhecer a informática (45% acha que não, 44% acha que sim);


* É fácil aprender a usar a Internet (75%);


Os jovens inquiridos


* confiam nos conteúdos da Internet (69%);


* concordam com a perspectiva de se controlarem os conteúdos da Internet (56%);


* concordam que a Internet pode ser um contributo para melhorar a comunicação entre as pessoas (87%);


* acham que o uso da Internet não implica que falemos menos com os outros (60%);


* consideram a Internet como um meio de diversão (73%);



* visitam páginas em inglês (85%);


* 50% dos inquiridos discorda que os livros sejam mais eficazes para fazer pesquisas do que a Internet. Ou seja a internet seria igualmente eficaz para a pesquisa (embora só 35% afirme esta concordância, sendo os restantes 15% de não respostas ou não sabe).

* concordam que é mais agradável aprender com os livros do que com a Internet (63%);


* acreditam que a Internet se tornará, no futuro, tão natural como a televisão e o telefone (87%);


* acreditam que, no futuro, as compras pela Internet serão muito frequentes (71%);


* não pensam que a Internet vá substituir, no futuro, a televisão (53%);


* discordam que a Internet possa vir a substituir a escola, no futuro (71%);


* estão de acordo (73%) que, para poder trabalhar, futuramente, seja preciso dominar a Internet.









4. UTILIZAÇÃO


4.1. Utilização geral

4.1.1. Quantos jovens utilizaram a Internet?

4.1.2. Com que frequência a utilizaram?

4.1.3. Em que local a utilizaram pela primeira vez?

4.1.4. De quando data a primeira utilização?

      1. O que fazem os jovens quando estão na Internet?

      2. Que conteúdos escolhem?

      3. Como navegam os jovens?

      4. Quais são as fontes de informação que usam para as consultas?

      5. Que convivialidade?



4.1. Utilização geral

4.1.1.Quantos jovens utilizaram a Internet?


Quantos jovens utilizaram a Internet?


 

 

Raparigas

Rapazes

Utilizaram

85

81

89

1/2 vezes

22

25

21

Várias vezes

62

27

34

Não utilizaram

15

19

11

Nunca viram

4

4

4

Já viram

11

14

7


Tabela 25



Cerca de 85% dos jovens inquiridos já tinha utilizado a Internet no momento da investigação. No entanto 15 em cada cem inquiridos nunca tinha utilizado. Os rapazes usam mais do que as raparigas.

Os que têm computador em casa são mais numerosos entre os utilizadores (86% contra 74%).

O nível em que aparecem mais utilizadores é o nível quatro, correspondente ao 10º ano de escolaridade (92%).

Em Coimbra e Lisboa o nº de utilizadores é semelhante (84% e 85%, respectivamente).


4.1.2. Com que frequência a utilizaram?


Como se pode ver ainda da tabela anterior, a maioria dos que utiliza já utilizou a Internet várias vezes (62%).



4.1.3. Qual o primeiro local de acesso?



Primeiro Local de Acesso

(Local; percentagem total)

Escola

41

Casa

20

Casa de amigo

19

Trabalho dos pais

5

Não se lembra

5

Loja de Informática

3

Membro da família

3

Biblioteca

2

Noutro lado

1

Ciber-café

1

Tabela 26



O local do primeiro contacto com a Internet foi, para 41% dos jovens inquiridos, o estabelecimento escolar. A escola é assim um local de democratização para o acesso à Internet. Este facto ilustra bem a importância deste papel democratizador da escola, devendo os responsáveis pela decisão política incrementar o acesso, para todos, desta tecnologia.

Isso não significa que esse contacto tenha sido num contexto de aula, pois o número de alunos que indica a sala de aula como local de acesso é bastante reduzido (21%). Daqui se pode também concluir que os pontos de acesso não deveriam limitar-se a centros de recurso, bibliotecas, mediatecas ou quaisquer outras salas especializadas, mas que deveria encarar-se a existência de pontos de acesso no interior das salas de aula. Aliás, para uma diversificação das actividades no interior das salas de aula esta estratégia parece ser necessária e justificada.

A seguir à escola, o segundo local mencionado mais vezes é o domicílio: 20% dos alunos apontam o lar como primeiro local de acesso. Quase em ex aequo com o domicílio aparece a casa de um amigo, que é citada por 19% dos inquiridos. Bastante mais distante está o trabalho dos pais, que é mencionado como primeiro local de contacto com o mundo virtual apenas por 5% dos adolescentes.


A família joga também um papel considerável pois entre a casa dos pais, o seu local de trabalho, os familiares mais próximos acumulam-se 28% dos primeiros contactos, a que ainda poderá ser legítimo acrescentar os contactos em casa de amigos, nestas idades ainda muito determinados pelas relações familiares e de vizinhança, o que elevaria o total para os 47%, se estes estes contactos em volta da família fossem tidos em conta.


Os locais que oferecem o serviço de acesso à Rede mediante pagamento não parecem ser muito procurados pelos adolescentes; segundo os resultados, os locais onde o acesso à Internet é um serviço que está disponível mediante pagamento apresentam valores bastante baixos, como são os casos, dos 'ciber-cafés' e das lojas com acesso à Internet, o primeiro com 1%, e o segundo com 3%.

Não deixa de ser muito baixo o número de alunos que refere as bibliotecas como locais de primeira consulta (2%).


É em Coimbra (45%) que os alunos mais referem a escola como primeiro local de contacto (Lisboa, 37%).

A percentagem mais elevada de jovens que indica o lar como o primeiro local de acesso é de 23% e reporta aos alunos de Lisboa (Coimbra, 17%).

Em qualquer das cidades, o estabelecimento de ensino obtém sempre a percentagem mais elevada dos primeiros contactos.


Primeiro Local de Acesso

(Local; percentagem segundo géneros)

 

Raparigas

Rapazes

Escola

43

38

Casa

21

18

Casa de amigo

18

21

Trabalho dos pais

5

6

Biblioteca

2

1

Loja de Informática

1

5

Membro da família

3

4

Ciber-café

1

1

Noutro lado

0

2

Não se lembra

5

4



Tabela 27


Embora não se verifiquem grandes alterações segundo os géneros, as raparigas mencionam em maior número que os rapazes, como locais de consulta, a escola, o lar e as bibliotecas, enquanto os rapazes estão em maior número no que diz respeito à casa de um amigo, ao trabalho dos pais, no contacto em casa de outros familiares, na loja de informática.


4.1.4. De quando data a primeira utilização?


De quando data a primeira utilização?



Total

Raparigas

Rapazes

Menos de 1 mês


13

17

9

Entre 1 e 6 meses


14

18

10

Entre 6 meses e 1 ano


19

22

16

Entre 1 ano e 2 anos


31

28

36

Mais de 2 anos


19

12

28



Tabela 28


50% dos utilizadores já contactou a Internet há mais de um ano, tendo 19% mesmo uma ligação antiga de mais de 2 anos. Lembremos que o inquérito foi preenchido nos meses de Janeiro e Fevereiro do ano 2000.


As raparigas aparecem como utilizadoras mais recentes, os rapazes como utilizadores mais antigos (64% dos rapazes têm um contacto que data de 1 ano ou mais contra 40% das raparigas). Estas representam 35% dos contactos verificados nos 6 meses anteriores ao inquérito, estes apenas 19%.


4.1.5. O que fazem os jovens quando estão na Internet?


O que fazem no Mundo Virtual

(Actividade; percentagem total: Sim e Não)

 

Sim

Não



Visita sítios

94

5


Procura inf. de interesse pessoal

92

7


Motores de busca

91

7


Procura Imagens

89

10


Comunica com outros utilizadores

77

22


Procura inf. para trabalhos escolares

75

24


Vê vídeos/ Ouve música

68

31


Envia mensagens por correio electrónico

65

34


Faz 'download' de Jogos de vídeo

49

48


Deixa comentários nos sítios que visita

33

66


Jogos em directo

29

69


Responde a sondagens e questionários

27

71


Clica nas mensagens publicitárias

21

76


Participa em grupos de discussão

20

78


Desenha páginas 'Web'

19

79


Compra on-line

14

85


Tabela 29


Visitar sites (94%), procurar informações de interesse pessoal (92%), utilizar os motores de busca (91%), procurar imagens (89%) são as actividades preferidas pelos jovens.

A procura de informação para facilitar e/ou complementar as tarefas escolares é a sexta actividade mais escolhida (75%), ficando abaixo de actividades como a procura de imagens e a comunicação em directo com outros utilizadores.

Os jovens utilizam a Internet sobretudo para interesse pessoal, deixando a faceta de instrumento pedagógico para segundo plano.

As escolhas relacionadas com o interesse ou dever escolar atingem os 75% dos inquiridos. É em Lisboa que a percentagem é mais elevada, chegando a atingir os 81% enquanto que em Coimbra se fica pelos 69%. Contudo, o valor percentual mais elevado de alunos que assegura procurar informações para trabalhos escolares, com “muita frequência” está em Coimbra, com 16%, contra os 11% de Lisboa.

Mais uma vez, são os alunos mais velhos quem mais utiliza a Internet como utensílio pedagógico. Não é, portanto, de estranhar que seja no quinto nível de escolaridade que se verifique uma maior percentagem de estudantes a recorrer à ‘Web’ para encontrar informação para os seus trabalhos escolares. Como se pode verificar na tabela 18, segue-se ver videos e ouvir música (75%), enviar mensagens (65%), fazer downloads de jogos video (49%), e deixar comentários nos sítios visitados (33%); as respostas a sondagens e questionários também parecem não reunir muitos adeptos (27%), participação em grupos de discussão (20%), a criação de páginas ‘Web’ (19%). São as compras ‘on-line’ que apresentam os valores mais baixos (14%)

Tanto rapazes como raparigas, de Lisboa ou de Coimbra, dos cinco níveis escolares, visitam sítios 'Web' com regularidade, não se verificando grandes diferenças. No entanto, detecta-se que há uma ligeira alteração quando consideramos a variável “idade”. Com efeito, são os adolescentes mais velhos, ou seja com 15 ou mais anos, que afiançam aceder a sítios ‘Web’ com “muita frequência” – apenas 1% dos estudantes mais velhos indica aceder “raramente” a sítios ‘Web’.


O que fazem no Mundo Virtual

(Actividade; percentagem segundo posse de ligação à Internet no lar)


Sem Internet no lar

Com Internet no lar

Visita Sites

96

94

Procura inf. de Interesse Pessoal

87

95

Procura imagens

91

89

Motores de Busca

89

92

Procura inf. trabalhos Escolares

67

80

Vê vídeos ou ouve música

58

71

Comunica em directo

55

86

Envia mensagens por 'e-mail'

40

78

Download de jogos ou vídeos

38

52

Joga em directo

18

32

Responde a Inquéritos e Sondagens

18

31

Deixa comentários nos sites

31

34

Clico nas mensagens publicitárias

25

18

Participa em Grupos de Discussão

11

24

Cria páginas ‘Web’

13

21

Compras on-line

13

15



Tabela 30


Como se pode verificar pela tabela 4, não se registam grandes diferenças nos hábitos de navegação dos alunos que possuem ligação à Internet no domicílio e os que não têm acesso à ‘Web’ no lar. Contudo, há determinadas práticas que os primeiros fazem com mais frequência do que os que navegam fora do lar. Talvez relacionado com o facto de algumas escolas não permitirem a comunicação em directo, as disparidades são mais visíveis sobretudo ao nível das conversas em directo – os famosos ‘chats’ - e também no envio de correio electrónico. No primeiro caso, a diferença atinge os 31% (86% para os que têm net em casa, contra 55% para os que não têm) e no caso do ‘e-mail’ os 38% (78% versus 40%).

Há, porém, actividades em que a distinção é mínima – é o caso da visita a ‘sites’, prática comum a mais de 90% em ambos os casos. Interessante é também o facto de a procura de informações para a realização de trabalhos escolares ser predominante nas respostas dos alunos que podem ‘navegar’ no lar. Uma vez que a utilização da Internet como recurso pedagógico, parece ainda não ter sido adoptada por um grande número de docentes (os alunos que indicam jamais ter navegado na Internet num contexto de aula representam 44% dos inquiridos e os que apontam os docentes como fonte de endereços de páginas electrónicas atingem apenas os 25%), os resultados parecem estar em consonância com os dados relativos à utilização na escola.



4.1.6. Que conteúdos escolhem?


Os sítios favoritos

(sítio; percentagem total)


Sim

Não

Artes e Espectáculo

75

23

Jogos

64

34

Comunicação em Linha

63

35

Actualidade e Informação

63

36

Informática e Internet

59

38

Ciências e Tecnologias

54

43

Desporto

50

48

Lazer

40

57

Exploração Geográfica

38

59

Ciências Humanas

34

63

Educação

31

66

Referências e Anuários

26

71

Outros

19

13

Comércio e Economia

10

88

Instituições e Política

9

88

Tabela 31


São as páginas relativas às artes e espectáculos que detêm a preferência dos jovens inquiridos pois 75% das respostas incidem nesta opção.


Com uma diferença de 11 pontos percentuais aparecem os sítios ‘on-line’ relativos a jogos (64%) e, com menos um ponto, os jovens votam na comunicação em linha, e nos ‘sites’ de actualidade e informação.


Os estudantes mais velhos apresentam índices mais elevados nas visitas das páginas, quando comparados com os mais novos. Os rapazes preferem as páginas de desporto, de informática e de jogos, as raparigas as de música.


Os sítios favoritos

(sítios; percentagem segundo género)




Rapariga

Rapaz

Informática e Internet

43

73


Desporto

27

72


Referências e Anuários

20

31


Jogos

40

85


Música

42

25


Tabela 32


Curiosas também são as preferências em função do género. As preferências das raparigas parecem corroborar as teorias dos papéis sociais do género, que dividem os gostos em função do sexo. As páginas de jogos (85%), informática e Internet (73%), juntamente com as de desporto (72%) são claramente preferidas pelos jovens do sexo masculino (nos casos do desporto e dos jogos a diferença chega a atingir os 45 pontos percentuais, e na informática e Internet o interesse feminino sobe, para colocar a disparidade entre os géneros nos 30 pontos - ainda assim, uma percentagem elevada). Por outro lado, as páginas relativas à música recebem mais visitas de jovens raparigas do que de rapazes – a diferença situa-se nos 17 pontos.


Na área dos temas menos escolhidos – referências e anuários – verificamos que, a percentagem de rapazes que escolhe esse tema, é superior em 11% à das raparigas com a mesma resposta.


Os sítios favoritos

(sítios; total; percentagem segundo faixa etária)

 

Total

+ Velhos

+ Novos

Artes e Espectáculo

75

87

67

Comunicação em Linha

63

76

53

Actualidade e Informação

63

72

55

Ciências e Tecnologia

54

67

44

Educação

31

41

24

Jogos

64

57

69


Tabela 33


São os alunos mais velhos quem mais escolhe as páginas de ciência e tecnologia, actualidade e informação, artes e espectáculo, educação e comunicação em linha. Apenas nas páginas de jogos, o interesse dos mais novos parece ser maior: 69% contra 57% dos alunos mais velhos.


São os utilizadores “frequentes” quem mais troca dois dedos de conversa ‘on-line’, através do 'chat': 72%, contra os 57% dos cibernautas regulares. No entanto, não se verificam disparidades percentuais entre os géneros, uma vez que a percentagem feminina é de 62% e a masculina tem mais 1% (63%). Igualmente semelhantes são os resultados segundo a distribuição geográfica: 65% vivem em Lisboa e 59% residem em Coimbra.

Os jovens mais velhos admitem frequentar salas de conversação em directo mais frequentemente que os seus colegas mais novos (33%-23%).


O cibernauta que viaja em busca de jogos não deixa de fazer a sua actividade favorita por não ter ligação à Internet no domicílio: 67% dos que assinalaram esta opção não têm ligação em casa, contra os 62% que têm Internet. São os rapazes quem prefere claramente a diversão pelos jogos (85% dos rapazes afirma esta preferência, apenas 40% nas raparigas), contudo, não se verificam diferenças acentuadas em função da distribuição geográfica; a actividade é assinalada tanto pelos alunos de Lisboa (63%), como pelos de Coimbra (66%).


O mesmo se verifica no caso dos cibernautas que pesquisam temas de Instituição e Política: os estudantes de Coimbra representam 10% dos inquiridos que escolhem este tema, os de Lisboa 8%. Os rapazes lideram (11%), contra os 7% das raparigas que diz o mesmo. Quatorze por cento dos que afiançam visitar este tipo de páginas nasceram durante ou antes 1984, ou seja, tem mais de 14 anos – apenas 5% terão nascido após 1985. A procura deste tema verifica-se sobretudo entre os cibernautas que possuem uma ligação à ‘Web’ em casa: 11% - apenas 4% dos que indicam este tema não possuem um acesso no domicílio.


Setenta e dois por cento dos inquiridos que indicaram visitar páginas relacionadas com desporto são do sexo masculino – as raparigas representam 27%. Em termos de percentagens globais (51%), os navegadores que preferem estas páginas pertencem ao grupo dos mais novos, mas em termos comparativos entre género e faixa etária, em simultâneo, são os rapazes mais velhos (78%) que preferem estas páginas. No grupo das raparigas são as mais novas (30%) que confessam o mesmo interesse.


Os cibernautas frequentes (37%) elegem igualmente as páginas de ciências – os utilizadores regulares representam 32%. As percentagens assemelham-se segundo o sexo: (rapazes 34%, raparigas 35%), e segundo as idades (os mais velhos 39%, e os mais novos 31%); no entanto, é em Lisboa (39%) que mais se verificam as respostas positivas, embora em Coimbra a percentagem também não seja de desprezar, atingindo os 28%.


4.1.7. Como navegam os jovens?


4.1.7.1. Que auxiliares?


A maioria dos jovens inquiridos (91%) recorre aos motores de busca para encontrar a página pretendida. Os jovens cibernautas exploram igualmente a utilização dos ‘links’ ou optam por escrever directamente o endereço virtual da página. Isto, de alguma forma, induz a ideia que os cibernautas têm uma forma metódica e organizada de navegação, escolhendo com algum critério as páginas que visita. Existem também fortes possibilidades de voltar regularmente ao sítio visitado uma vez que para escrever directamente o endereço tem que o ter decorado ou tê-lo anotado em algum lugar, o que indicia uma navegação com objectivos definidos (sabe qual a página que vai visitar e sabe o endereço). Apesar disso, e contraditoriamente, o recurso aos marcadores atinge apenas uma pequena percentagem dos utilizadores (37%) e cinge-se sobretudo ao grupo dos estudantes que possui uma ligação à Internet no domicílio. Os utilizadores fora do domícilio não poderão deixar marcadores com a mesma facilidade dada a utilização colectiva dos computadores pelo menos nos locais institucionais.

Não se detectam grandes disparidades nos comportamentos de navegação consoante os géneros (embora as raparigas apresentem sempre valores mais baixos quando comparados com os valores dos rapazes), faixa etária ou distribuição geográfica. Os hábitos de ‘navegação’ mais correntes são comuns à maior parte dos jovens portugueses inquiridos.


Modos de Navegação

(sítios; percentagem)

 

Sim

Através de Motores de Busca

91

Clicando nas palavras e imagens

86

Escreve o endereço

85

Tenta adivinhar os endereços

58

Utiliza Marcadores

37

Tabela 34


Segundo os resultados do inquérito, 91% dos jovens inquiridos utilizam sobretudo os motores de busca para navegar na Rede. Semelhante sucesso fazem o clicar nas palavras e imagens e a escrita directa do endereço na barra de endereços: duas formas de navegação que reúnem um consenso que se traduz em 86 e 85%, respectivamente, das escolhas. Os marcadores são a ferramenta menos utilizada, com 37% dos jovens a apontar esta opção. Imaginar os endereços das páginas que se pretende visitar também é prática comum, atingindo os 58%.


Modos de Navegação

(sítios; percentagem segundo posse de Ligação à Internet no Lar)

 

C/ Net

S/Net

Através de Motores de Busca

80

90

Clicando nas palavras e imagens

84

91

Escreve o endereço

82

88

Tenta adivinhar os endereços

24

43

Utiliza Marcadores

49

62

Tabela 35


O uso dos marcadores como forma de navegação é mais frequente entre os estudantes de Coimbra (41%) - enquanto os de Lisboa atingem apenas os 33% -, e entre os indivíduos do sexo masculino (43% contra 30% das raparigas). São os utilizadores "muito frequentes", com acesso à Internet em casa, quem mais assegura recorrer a este utensílio - 46%, a percentagem dos utilizadores regulares que sustentam o mesmo fica-se pelos 31%. São os alunos mais velhos quem refere mais utilizar este utensílio (41% contra os 33% dos nascidos após 1985, que indicam a mesma resposta).


Modos de Navegação

(sítios; percentagem segundo faixa etária)

 

Mais Velhos

Mais Novos

Através de Motores de Busca

88

84

Clicando nas palavras e imagens

91

84

Escreve o endereço

90

81

Tenta adivinhar os endereços

41

33

Utiliza Marcadores

61

56

Tabela 36


A faixa etária não parece influenciar os hábitos de navegação: os valores obtidos são muito aproximados, sendo que a diferença mais acentuada verifica-se relativamente aos alunos que declaram escrever o endereço virtual directamente na barra de endereços - (90% dos que menciona fazê-lo é do grupo dos estudantes mais velhos e 81% dos mais novos).



Modos de Navegação

(sítios; percentagem segundo género)


Rapariga

Rapaz

Através de Motores de Busca

82

89

Clicando nas palavras e imagens

84

90

Escreve o endereço

87

84

Tenta adivinhar os endereços

30

43

Utiliza Marcadores

56

60

Tabela 37


Também no que se refere a hábitos de navegação entre rapazes e raparigas, os contrastes não são significativos: a diferença menos acentuada é relativa à escrita directa do endereço na barra de endereços, cujo diferencial percentual é de 3%. O valor mais elevado é no adivinhar os endereços: aqui os rapazes marcam um uso mais livre.

Embora, na generalidade, os valores sejam muito aproximados, o certo é que são as jovens do sexo feminino quem menos utiliza estes auxiliares de navegação. Relativamente à idade de cada género, o que se verifica é que os rapazes acompanham a tendência verificada na análise global, isto é: os rapazes mais velhos atingem sempre percentagens superiores do que os mais novos relativamente à utilização, no entanto, a tendência inverte-se no caso das raparigas - a maioria dos resultados revela que são as mais novas (nascidas após 1985) que utilizam mais qualquer que seja o recurso de navegação - por exemplo: 62% afirma tentar encontrar as páginas que pretende, tentando adivinhar o endereço das mesmas; a percentagem das raparigas nascidas antes de 1984 que diz o mesmo fica-se pelos 49%. O mesmo se passa quando falamos da utilização dos motores de busca: continuam a ser as raparigas nascidas após o ano de 1985 quem lidera a tabela (85%), embora com uma margem não significativa, uma vez que as nascidas antes de 1984, com a mesma resposta, atingem os 82%. Ou seja, a utilização repetida parece ter dois sentidos diferentes: no caso dos rapazes, aumenta a sua apetência pelos auxiliares, no caso das raparigas esta apetência parece diminuir, embora de forma ligeira.


4.1.7.2. Visita única ou repetida?


Oitenta e sete por cento dos jovens inquiridos afirma voltar às páginas que visitara anteriormente, revelando a possibilidade de fidelizar os jovens cibernautas às páginas virtuais. Destes, 21% dizem fazê-lo "muito frequentemente", enquanto que 34% dizem fazê-lo apenas "ocasionalmente".


Quem volta às páginas ‘Web’


 

Sim

Não

 

Sim

Não

Com Internet

88

10

Regulares

85

13


Sem Internet

84

15

Frequentes

89

7


Tabela 38


A percentagem mais elevada dos que regressam às páginas visitadas situa-se em Lisboa (93% - em Coimbra o valor fica-se pelos 79%). São, maioritariamente, os rapazes (89%) quem garante voltar às páginas visitadas, embora 85% das raparigas digam o mesmo, não se verificando, portanto, uma disparidade percentual acentuada. Nas diferentes variáveis, as diferenças situam-se entre os 4 e 5%, aproximadamente: 88% dos que podem aceder à 'Web' em casa, afiançam voltar às páginas visitadas, enquanto 84% dos que não possuem acesso à Rede no lar dizem o mesmo. São os rapazes mais velhos (96%) quem assegura voltar a escrever o mesmo endereço mais do que uma vez, enquanto que no caso feminino, são as raparigas mais novas (85%) que afiança o mesmo.



4.1.7.3. Com ou sem impressão de documentos?


O número de jovens cibernautas que imprime documentos 'Web' fica-se pelos 54%, com a maior percentagem a cair nos alunos de Lisboa, que apresentam resultados na ordem dos 59%, enquanto que os de Coimbra se ficam pelos 48%. São as raparigas (60%) quem mais tem por hábito imprimir conteúdos consultados na Rede – apenas 48% dos rapazes inquiridos afirmam imprimir páginas da Web’. São também os alunos mais velhos quem mais recorre ao suporte papel: 60% dos inquiridos afirma passar o conteúdo consultado ‘on-line’ para o papel, ao passo que os alunos nascidos após 1985 se ficam pelos 49%.

Treze por cento dos estudantes afirma "nunca" imprimir documentos consultados na Rede. As raparigas, que representam a maioria dos alunos que imprime documentos consultados na Internet, constituem igualmente a maior fatia (14%) - embora com um diferencial percentual apenas de 2%) -dos alunos que garantem "jamais" imprimir conteúdos da 'Web'.

E embora todos estabelecimentos de ensino abrangidos pelo estudo permitissem imprimir gratuitamente documentos, são os jovens que possuem ligação à 'net' no lar que apresentam os valores mais elevados de documentos impressos: 65% contra 29% dos estudantes que, sem ligação no domicílio, também imprime documentos da Rede.



Quem Imprime documentos 'Web'

Cidade

Género

Internet

Faixa Etária

Lisboa

59

Raparigas

60

Com Internet

65

Antes de 1984

60

Coimbra

48

Rapazes

48

Sem Internet

29

Depois de 1985

49


Tabela 39




4.1.7.4. Navegar sozinho ou com companhia?


A grande maioria dos jovens navega sozinho pela Internet pois 82% dos jovens inquiridos afirma não ter qualquer companhia enquanto está ‘on-line’. Os amigos são a companhia de 46% dos inquiridos (talvez porque 39% dos inquiridos afirma ‘surfar’ na Rede em casa dos amigos). Os irmãos aparecem numa percentagem reduzida (38%), mas quem detém a menor fatia são os pais, com 28%.


Com quem utilizam a Internet?

 

Sim

Não

Lisboa

Coimbra

Com os irmãos

38

42

40

36

Com os amigos

46

43

38

57

Com os Pais

28

60

28

28

Sozinho

82

6

79

85

Tabela 40


É em Lisboa que os estudantes declaram mais ‘navegar’ na companhia dos irmãos, embora com apenas um diferencial de 4% relativamente aos estudantes de Coimbra: 40% dos estudantes de Lisboa confessam partilhar a rede com o irmão ou com a irmã, em Coimbra o número atinge os 36%. Rapazes e raparigas dividem irmamente a ligação, mas o mesmo não se passa conforme as idades.

É em Coimbra (57%) que os jovens mais partilham com os amigos a sua ligação à Rede, em Lisboa o número atinge os 38%. E é em Lisboa que os alunos mais afiançam “nunca” partilhar com um amigo a sua ligação à Web’ (16%, enquanto que o número desce 4 % em Coimbra).



Com quem utilizam a Internet?

 ;

Raparigas

Rapazes

Mais Velhos

Mais Novos

Com os irmãos

39

38

44

34

Com os amigos

42

51

47

45

Com os Pais

25

31

25

30

Sozinho

78

85

91

75

Tabela 41


Quarenta e quatro por cento dos jovens mais velhos partilha a sua ligação ‘on-line’ com os irmãos. Os alunos mais jovens partilham-na tendencialmente com os pais – 30% dos estudantes nascidos depois de 1985 afiançam navegar na companhia dos progenitores, - para os mais velhos, a percentagem desce 5%.

A partilha com os pais é igual em ambas as cidades, mas não passa dos 28%, bastante abaixo do valor mais baixo dos estudantes que declararam partilhar a ligação com os irmãos.


Com quem utilizam a Internet?

 

Ocasional

Regular

Frequente


Com os irmãos

27

46

39

Com os amigos

54

48

46

Com os Pais

12

29

36

Sozinho

69

85

92

Tabela 42


É o utilizador ‘regular’ quem mais partilha a sua ligação com os irmãos, ao passo que o cibernauta ‘frequente’ a divide mais com os pais. Relativamente aos níveis escolares, verifica-se que à medida que se vai subindo de nível os valores sobem, corroborando as percentagens que indicam que os estudantes mais velhos partilham mais as suas ligações com os irmãos.

Quase tão elevado quanto a percentagem de alunos que partilha a sua ligação com os pais (28%), é a percentagem de estudantes que assegura nunca o fazer (26%). A maior incidência está nos indivíduos do sexo feminino (31%), enquanto que os rapazes se ficam pelos 21%


Eu e a Internet

Claramente superior são as margens percentuais obtidas pelas opções “amigos” e “sozinho”. Segundo os resultados do inquérito a ‘navegação’ pela ‘Web’ é uma actividade solitária. A esmagadora maioria (82%) dos inquiridos assegura utilizar a Internet completamente sozinho; 56% garantem fazê-lo “muito frequentemente”, enquanto 4% dizem “nunca” ter surfado sem a companhia de alguém, em casa. Apesar da diferença não ser muita, são os rapazes quem mais afirma utilizar a Internet sem companhia: 85%, as raparigas ficam-se pelos 78%. É entre os alunos mais velhos que se encontram os valores mais elevados de utilização da Internet solitária: 91%, contra os 75% que declaram o mesmo, mas que nasceram durante ou após 1985. Ao que tudo indica, à medida que crescem vão ganhando mais autonomia.


Com quem utilizam a Internet?


1

2

3

4

5

Sozinho

61

76

83

98

92

Amigos

41

48

45

47

50

Tabela 43



Isto é facilmente verificável pelos resultados segundo os níveis de escolaridade: no primeiro nível temos 61% dos alunos a garantir utilizar a net’ sozinho, ao passo que no quinto nível, temos 92% a garantir o mesmo. Um aumento de 31%, que é gradual se analisarmos todos os níveis de ensino, apenas com o nível 4 a ultrapassar o valor apresentado pelo último nível de escolaridade. Como podemos verificar através da análise da tabela, a tendência de aumento significativo não é visível para quem faz da navegação um acto social. Entre o primeiro e o último nível de escolaridade o diferencial é de 9%, bem longe dos 30% das respostas dos cibernautas solitários.



São também os utilizadores mais frequentes que preferem as navegações por conta própria: 92% navegam sozinho, a percentagem do utilizador ocasional que afirma o mesmo chega aos 69%. Curioso, é que são os mesmos utilizadores mais frequentes que garantem que a Internet não dificulta a comunicação entre as pessoas: 73% dos que discordam da ideia utilizam a Internet com muita regularidade. Perante isto, podemos então concluir que, muito provavelmente, os jovens cibernautas navegam sozinhos não por se estarem a isolar, mas porque, eventualmente, não terão com quem partilhar a ligação.


4.1.8.Quais as fontes de informação que usam para as consultas?



O círculo de amigos constitui a grande fonte de informação sobre sítios na Internet para 79% dos inquiridos. A televisão e a rádio são fonte para 70% dos jovens entrevistados, enquanto 63% mencionam as revistas e os jornais. Bastante mais atrás, com 58%, estão os outros sítios 'on-line'.


Os programas de comunicação em linha com outros utilizadores, como o ‘Internet Relay Chat’ (IRC) apresentam valores modestos, na ordem dos 7%. Aparentemente, os adolescentes que comunicam com outros utilizadores fazem-no unicamente para comunicar e não para pedir informação adicional sobre determinados temas ou para trocar informações acerca dos modos de navegação.



Principais fontes de endereços ‘Web’

(Fontes; percentagem)

 

Sim

Amigos

79

Televisão ou Rádio

70

Revistas e Jornais

63

Outros Sítios 'Web'

58

Irmãs e Irmãos

34

Pais

27

Motores de Busca

26

Professores

25

Publicidade

15

Outros

11

IRC/ Chat

7

Tabela 44


Segundo os resultados do inquérito, a rede familiar dá também um significativo contributo para a descoberta de novas páginas na Internet – se aos 34% que mencionam os irmãos juntarmos os 27% que indicam os pais como fonte de referências (61%, somando pais e irmãos).

Para que se possa compreender melhor estes valores, vale a pena lembrar que 47% dos inquiridos não têm irmãos; 36% têm apenas um irmão e somente 7% têm dois irmãos.

Por outro lado, para se compreender o baixo valor relativamente aos pais, é importante recordar que estamos perante 17% de famílias monoparentais e cerca de 3% de jovens que vivem ora com um dos progenitores, ora com outro. Acrescente-se que apenas 6% identificam os pais como os principais utilizadores do computador e somente 29% asseguram que o computador é utilizado tanto por pais como pelo(s) filho(s). Números relativamente baixos que sobem um pouco no interesse demonstrado pelos pais em saber que fazem os filhos enquanto estão ‘on-line’: 46% dos jovens afirma que os pais pretendem saber o que eles estão a fazer na ‘Web’ . Apenas 9% dizem que os pais utilizam a Internet em casa, enquanto 18% declaram que o acesso à Rede serve tanto pais como filhos.


Principais fontes de endereços ‘Web’

(Fontes; percentagens segundo distribuição geográfica e sexo)


Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes



Amigos

81

77

83

76

Televisão e Rádio

70

71

70

70


Revistas e Jornais

60

68

58

68


Outros Sítios

54

63

52

64


Motores de Busca

31

21

36

19


IRC

15

 

 

13


Pais

24

31

23

31


Irmãos

36

32

34

35


Professores

19

32

22

27


Tabela 45



Com 25% de menções enquanto fontes de referência estão os professores, o que os coloca em 8º lugar na lista das fontes de endereços. Estes números estão em consonância com os dados que indicam que o número de docentes que utiliza a Rede como recurso pedagógico ainda é bastante reduzido, pelo que não é de estranhar que os professores ainda, só raramente, tenham por hábito indicar endereços 'Web' para consulta.

Os professores são a fonte de 32% dos estudantes de Coimbra e de apenas 19% em Lisboa. São os rapazes quem os refere em maior número (27%, contra 22% das raparigas) e são os alunos do quinto nível quem mais aponta os docentes como fonte de endereços 'Web' (35%), longe dos escassos 20% do nível 4, por exemplo.

Como os adolescentes que possuem uma ligação à Internet em casa são quem mais menciona a rede familiar como fonte, é natural que os que não tenham qualquer ligação no lar mencionem mais os professores: 35% não têm ligação no domicílio, ao passo que 22% têm. No caso do círculo familiar, verifica-se que é mais comum nos estudantes que têm acesso à Rede no lar, com 35% dos inquiridos a mencionar os pais como fonte de endereços de páginas electrónicas, ao passo que apenas 9% dos estudantes que não têm ligação no domicílio aponta os progenitores como fonte.

Os jornais e revistas são referidos mais pelos inquiridos do sexo masculino (68%) do que pelos do sexo feminino (58%). O mesmo não se verifica no que diz respeito à televisão, onde a percentagem de 70% é igual para ambos os casos. Os alunos nascidos antes de 1984, portanto os mais velhos, mencionam com mais frequência, quer jornais e revistas, quer a televisão como fonte de sítios visitados.


Principais fontes de endereços ‘Web’

(Fontes; percentagens segundo distribuição geográfica e sexo)


1984

1985

S/ Internet

C/ Internet

Televisão e Rádio

76

66

65

74

Revistas e Jornais

74

55

67

66

Outros Sítios

67

52

56

62

Motores de Busca

27

25

 

27

IRC

7

8

 

9

Pais

27

28

9

35

Irmãos

34

34

20

40

Professores

28

23

35

22

Amigos

90

71

82

82

Tabela 46


A análise dos dados obtidos através do inquérito revela que as grandes disparidades entre os que apontam a família como fonte e os que não o fazem, incidem sobretudo na distribuição geográfica, com Coimbra a liderar no caso dos estudantes que indicam os pais como fonte, ao passo que é em Lisboa que os irmãos parecem desempenhar um papel mais importante (embora seja na capital que há menor percentagem de alunos com irmãos e a percentagem mais elevada de famílias monoparentais). Em ambos os casos as diferenças percentuais são escassas. Os resultados obtidos em função do género também são muito aproximados, assim como em função da faixa etária, sendo que a variável mais significativa parece ser a posse de uma ligação à 'Web' no lar. Tanto para os que mencionam os os pais, como para o caso dos que apontam os irmãos como fontes, são os adolescentes com Internet em casa que lideram a tabela (com margens de 20% no caso dos irmãos e de 26% no caso dos pais).


4.1.9. Que convivialidade?


Setenta e um por cento dos inquiridos diz já ter feito novos amigos através da Internet. Vinte e quatro por cento afirmam nunca ter encontrado amigos ‘on-line’.


Alguns entrevistados admitiam que nunca teriam conhecido alguns colegas de escola se não tivesse sido a Internet. Quando questionados acerca da origem dos amigos ‘on-line’, muitos referiam que tinham conhecido essencialmente pessoas a residir em Portugal e a maior parte de zonas próximas da região onde moram.




Quem já fez amigos através da ‘Net’

(Fontes; percentagens totais e segundo distribuição geográfica e sexo)

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes


Sim

71

71

71

76

67

Não

24

22

26

20

27

Tabela 47


Não se verificam quaisquer diferenças segundo distribuição geográfica pois em Lisboa e em Coimbra o valor é igual. De resto, segundo os dados do inquérito, as amizades virtuais e a criação de novos amigos através da Rede não variam muito quer em termos de distribuição geográfica, quer em função dos géneros: tanto os rapazes como as raparigas apresentam valores elevados no que diz respeito à criação de novos amigos através da 'net': 76% das raparigas já fizeram novos amigos através da ‘Web’ e 67% dos rapazes também.



Quem já fez amigos através da ‘Net’

(Fontes; percentagens totais e segundo distribuição geográfica e sexo)


Sem Internet

Com Internet

Regular

Frequente

Sim

51

80

61

88

Não

44

17

34

9

Tabela 48


Como seria de esperar, do grupo em que a resposta é afirmativa 80% têm ligação em casa. Os jovens que tinham acesso à Rede no lar e que não fizeram novos amigos ficam-se pelos 17%. São também os que utilizam menos a Internet que não fazem amigos através dela.

Apenas 9% dos que declararam "não" à pergunta é que dizem navegar "com muita frequência” na Rede, ao passo que no grupo dos que criou novas amizades, esse número atinge os 88%.




















    1. UTILIZAÇÃO EM CASA


      1. Quantos jovens têm acesso à Internet em casa?

      2. Quem são os jovens que têm acesso à Internet em casa?

      3. Desde quando têm esse acesso e qual o tipo de ligação?

      4. Com que frequência se servem e quantas horas por semana passam na Internet?

      5. Que fazem os jovens na Internet?

      6. Que conteúdos visitam?

      7. Como navegam?

      8. Quais são as fontes de informação que usam para as consultas?

      9. Qual a atitude dos pais?

      10. Com quem utilizam a Internet?

      11. Qual o local de consulta, em casa?

      12. Quem utiliza mais a Internet?

      13. Quais são as motivações de utilização?

      14. Quais são as repercussões desta nova prática?

      15. Fazem-se amigos na Internet?


    1. UTILIZAÇÃO EM CASA


4.2.1. Quantos jovens têm acesso à Internet em casa?


Quarenta e cinco por cento dos jovens inquiridos afirma ter acesso à Internet em casa. Oito por cento dos jovens referem ainda que têm dois domicílios e que ambos estão equipados com uma ligação à Internet. Contudo, a maior percentagem recai sobre os estudantes que indicam não ter qualquer ligação à Internet: 50% dos inquiridos estão nessa condição.

Temos então, que cerca de metade dos inquiridos tem possibilidade de navegar, sozinho ou acompanhado, no seu próprio lar, para além da escola.

Estes dados revelam alguma distância em relação aos dados de utilização no país.



Jovens Com e Sem Acesso à Internet no lar

(Posse de ligação à Internet; número de Domicílios, com ou sem acesso; percentagem total, segundo distribuição geográfica, segundo géneros e segundo faixa etária)

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

+ Velhos

+ Novos

Sem Internet

50

47

54

54

46

51

50

1 Domicíl/ Sem Net

42

36

49

45

39

43

42

2 ou + Dom/ Sem Net

8

11

4

9

7

8

8

Com Internet

45

48

41

41

49

48

43

1 Domicílio/ C/ Net

37

40

34

35

39

39

36

2 ou + Dom./ C/ Net

8

8

7

6

10

8

7

Tabela 49


4.2.2 Quem são os jovens que têm acesso à Internet em casa?


48% dos jovens inquiridos com Internet no lar habita em Lisboa e 41% em Coimbra.

Diferença semelhante encontramos na análise da variável género: segundo o inquérito, é mais comum os rapazes terem uma ligação à Internet em casa (49%), do que as raparigas (41%).

Como seria de esperar, são os utilizadores muito frequentes que mais dizem possuir uma ligação à ‘Web’ no lar. As percentagens não deixam grande margem para dúvidas: 84% dos utilizadores muito frequentes afirmam ter acesso à Internet em casa, enquanto que a percentagem para o utilizador ocasional se fica pelos 18%.

Nos que vivem em dois domicílios e que ambos possuem uma ligação à ‘Web’ temos que 16% são cibernautas muito frequentes, e apenas 3% dos cibernautas ocasionais estão na mesma situação.

Embora a margem não seja muita, verifica-se igualmente que é entre os estudantes mais velhos que se recolhem mais respostas que indicam acesso à Internet no lar.


4.2.3. Desde quando têm esse acesso e qual o tipo de ligação?


Trinta e nove por cento dos jovens inquiridos possui uma ligação à Internet, em casa, há mais de um ano. 20% afirma possuir internet desde há um a seis meses e 16% referem que o acesso existente no lar está disponível de há seis meses a um ano para cá.


Em casa, tenho Internet há....

(Tempo de posse de ligação à Internet no lar; percentagem total, segundo distribuição geográfica, segundo géneros e segundo perfil de utilizador)


 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Menos de um mês

8

10

5

7

9

De um a 6 meses

20

17

24

22

17

De 6 meses a um ano

16

18

13

15

16

Mais de um ano

39

37

42

37

41

Já não temos Net em casa

1

 

2

1

1

Tabela 50



 

 

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Menos de um mês

8

25

5

4

De um a 6 meses

20

25

20

19

De 6 meses a um ano

16

6

24

12

Mais de um ano

39

22

37

54

Já não temos Net em casa

1

6

 

 


Tabela 50a


Os cibernautas que dispunham de uma ligação à Internet há mais de um ano residem maioritariamente em Coimbra, bem como a maior parte dos estudantes que indica possuir ligação entre um a seis meses.

Os rapazes dispõem de um acesso à Internet em casa há mais tempo que as raparigas: 41% dos inquiridos do sexo masculino possuem uma ligaçã;o há mais de um ano, as raparigas que afirmam o mesmo são apenas 37%.

Os utilizadores ocasionais indicam em maior número os últimos meses como data de acesso à ‘Web’, atingindo os 25%. No entanto, os cibernautas ocasionais que mencionam ter acesso à ‘Web’ há mais de um ano chegam aos 22%.


A ligação que tenho em casa, tem ou não limite de horas?

(Com ou sem limite de horas; percentagem total, segundo distribuição geográfica, segundo géneros e segundo faixa etária e perfil de utilizador)

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Sem limite de horas

44

48

39

40

48

Com limite de horas

14

16

12

16

12

Tabela 51


 

 

+Velhos

+Novos

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Sem limite de horas

44

56

36

48

13

44

Com limite de horas

14

15

13

15

10

23

Tabela 51a


Quarenta e quatro por cento dos inquiridos indica que a sua ligação não tem limite de horas de acesso à Internet, permitindo-lhes uma ligação ilimitada pelo mesmo valor. Uma percentagem quase semelhante de jovens (42%) não se pronuncia acerca da questão. Uma das explicações poderá residir no facto de estes desconhecerem se a sua ligação possibilita ou não um acesso ilimitado.

De recordar, que já em 1999, o panorama relativamente aos servidores era semelhante ao actual: de um lado, os servidores de acesso pago, a maioria já sem limite de horas. Do outro, os servidores de acesso gratuito, que permitem a ligação pagando única e exclusivamente o acesso telefónico.

De resto, o ano de 1999 foi o ano do ‘boom’ de servidores gratuitos, impulsionando, dessa forma, o acesso à Internet. Curioso, é verificar que são os utilizadores ocasionais (embora com uma pequena margem) quem mais afirma que o seu servidor não tem qualquer limite de horas. Paralelamente, são os cibernautas que mais navega na Rede que dizem utilizar servidores cujo acesso à ‘Web’ é limitado. Uma explicação poderá estar no facto de os servidores gratuitos não permitirem uma velocidade de troca de dados tão rápida quanto os de acesso pago, e que os utilizadores muito frequentes prefiram ter de pagar o acesso, para além das chamadas telefónicas para ter um serviço rápido e eficiente do que um acesso com algumas deficiências.

Os mais velhos e os do sexo masculino apresentam os resultados mais elevados quanto à utilização de servidores gratuitos.


4.2.4. Com que frequência se servem e quantas horas por semana passam na Internet?


* Setenta e sete por cento dos jovens afirma servir-se da ligação à Internet que tem no lar. Doze por cento referiu não utilizar a ligação disponível, dos quais, 3% assegurou não o fazer em circunstância alguma e 9% raramente.


Utilizo a Internet em casa

(para alunos que possuem uma ligação)

(Resposta; percentagem total, segundo distribuição geográfica)

 

 

Lisboa

Coimbra

Não

12

9

16

Nunca

3

4

2

Raramente

9

6

13

Sim

77

79

75

Ocasionalmente

16

17

16

Regularmente

20

26

12

Mt. Frequentemente

41

36

47

Tabela 52


É, sobretudo na cidade de Coimbra que encontramos o maior número de jovens com respostas negativas relativamente à utilização da ‘Web’ no domicílio. Esta tendência apenas se inverte na percentagem da resposta “nunca”, à qual, o maior número de respostas recai sobre os residentes da cidade de Lisboa. Em contrapartida, é na capital que se registam o maior número de respostas que indicam a utilização (ocasional ou regular) do acesso à Rede, disponível no lar. Apenas na resposta “muito frequentemente” o maior número incide sobre os alunos de Coimbra.

Curiosamente, as raparigas (embora por pequenas margens) dizem utilizar mais a Internet em casa, do que os rapazes, bem como os mais velhos, que garantem fazer uso da ligação de que dispõem no domicílio, com mais frequência do que os mais novos.


Quanto tempo passo na Internet, durante a semana?

(Duração da ligação; percentagem total, segundo distribuição geográfica e perfil de utilizador)

 

 

Lisboa

Coimbra

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Menos de meia hora

39

36

43

77

39

29

Entre 1/2 e 1 hora

28

29

26

12

35

28

Entre 1 a 2 horas

17

19

14

4

14

26

Mais de 2 horas

5

3

9

 

1

13

Tabela 53


Durante a semana, 39% dos jovens que usam a Internet em casa navega menos de meia hora. Apenas 5% se mantêm na ‘net’ mais de duas horas, e 11% preferem não se pronunciar acerca deste assunto.

Vinte e oito por cento dos jovens mantem-se ligado entre meia hora a uma hora, em dias de semana. Em média, as raparigas afirmam ficar mais tempo na Internet do que os rapazes, por exemplo, há 18% das raparigas a afirmarem navegar entre uma a duas horas (16% os rapazes). Embora com uma margem reduzida, não deixa de ser significativo, uma vez que nos índices que indicam menos tempo de ligação, os rapazes lideram a tabela. São os alunos mais novos, quem tende a ficar mais tempo a navegar: 18% dos que se mantêm ligado entre uma a duas horas pertencem ao grupo dos mais novos, enquanto os seus colegas mais velhos atingem os 15%. Paralelamente, os mais velhos lideram a tabela nos acessos com menos de meia hora.

Como seria de esperar, à medida que consideramos a duração da ligação, verificamos que os cibernautas regulares e frequentes são os que garantem manter-se mais tempo ‘on-line’, durante a semana.


Quanto tempo passo na Internet, durante o fim-de-semana?

(Duração da ligação; percentagem segundo género e faixa etária)


Raparigas

Rapazes

Mais Velhos

Mais Novos

Menos de meia hora

18

12

16

14

Entre 1/2 e uma hora

24

17

22

20

Entre uma a duas horas

28

27

30

25

Mais de duas horas

17

34

25

25

Tabela 54


Mas se durante a semana, o acesso parece ser contido, o mesmo já não se pode referir do fim-de-semana, altura pela qual os jovens se podem dedicar mais às actividades de lazer – e lembremo-nos que, para grande parte dos jovens inquiridos, navegar na Rede é encarado como uma actividade de lazer.

Vinte e oito por cento dos jovens que usam a Internet em casa indica estar entre uma a duas horas na rede durante o fim de semana, e 25% dizem mesmo estar mais de duas horas ligado. Doze por cento dos inquiridos deixam a resposta em branco.

São os rapazes que apresentam os resultados mais elevados, no que diz respeito às respostas que indicam períodos mais longos de navegação (34% dos rapazes afirmam estar mais de duas horas on-line, 17% das raparigas dizem o mesmo). Contudo, o diferencial percentual entre os sexos, na resposta “entre uma a duas horas” – que já é um período de navegação considerável” – é de apenas 1%.


Quanto tempo passo na Internet, durante o fim-de-semana?

(Duração da ligação; percentagem segundo distribuição geográfica e perfil de utilizador)

 

 

Lisboa

Coimbra

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Menos de meia hora

15

13

19

42

15

7

Entre 1/2 e uma hora

21

20

21

27

30

10

Entre uma a duas horas

28

28

27

12

33

31

Mais de duas horas

25

25

25

8

13

47

Tabela 55


Não se registam grandes diferenças segundo o local de habitação, sendo que apenas no caso dos alunos que indicam estar menos de meia hora ligados se detecta uma maior percentagem em Coimbra (19%), enquanto em Lisboa se fica pelos 13%. No entanto, quando toca a respostas que indicam grande utilização da Rede as percentagens são muito semelhantes, quando não mesmo iguais.

42% dos utilizadores ocasionais mencionam estar ligados menos de meia hora, durante o fim-de-semana; 47% dos cibernautas muito frequentes garantem estar mais de duas horas ‘on-line.


4.2.5. Que fazem os jovens na Internet?

O que faço na Internet?

(Actividade; percentagem segundo posse de Internet no lar)


Sem Net

Com Net

Visita Sites

96

94

Procura inf. de Interesse Pessoal

87

95

Procura imagens

91

89

Motores de Busca

89

92

Procura inf. Trabalhos Escolares

67

80

Vê vídeos ou ouve música

58

71

Comunica em directo

55

86

Envia mensagens por 'e-mail'

40

78

Download de jogos ou vídeos

38

52

Joga em directo

18

32

Responde a Inquéritos e Sondagens

18

31

Deixa comentários nos sites

31

34

Clico nas mensagens publicitárias

25

18

Participa em Grupos de Discussão

11

24

Cria páginas Web

13

21

Compras on-line

13

15

Tabela 56


As grandes diferenças no que diz respeito às actividades realizadas pelos alunos que têm ou não Internet no lar verificam-se sobretudo ao nível das tarefas que permitem comunicar como a utilização de programas de conversa em directo (chat), que apresenta um diferencial percentual na ordem dos 31%, e o envio de correio electrónico, que atinge uma diferença de 38% entre os alunos consoante dispõem de uma ligação à Internet em casa, ou não.

A procura de informações para a realização de trabalhos escolares, ouvir música ou ver vídeos, transferir jogos para o computador pessoal e participar em grupos de discussão são, igualmente, actividades mais praticadas por quem tem ligação à Rede no domicílio.


4.2.6. Que conteúdos visitam?


Os cibernautas que têm a possibilidade de aceder à Rede no lar preferem os sítios ‘Web’ ligados às artes e espectáculo, reunindo estes 80% das preferências. A percentagem dos que não dispõe de ligação no lar desce aos 65% e não é o tema favorito, embora seja o segundo mais votado, logo a seguir aos jogos.


Sítios Visitados

(Tipo de sítio; percentagem segundo posse de Internet no lar)

 

Sem Net

Com Net

Exploração Geográfica

33

41

Informática e Internet

55

61

Ciências e Tecnologia

40

60

Ciências Humanas

20

38

Lazer

38

40

Actualidade e Informação

55

66

Artes e Espectáculo

65

80

Desporto

51

50

Comércio e Economia

5

10

Educação

29

33

Instituições e Política

4

11

Referências e Anuários

16

29

Jogos

67

62

Comunicação em Linha

45

69

Música

29

31

Pornografia/erotismo

14

10

Tabela 57



O segundo tema mais votado pelos cibernautas com Internet no lar é a comunicação em linha.

Os locais virtuais de música, desporto, educação e lazer apresentam resultados quase iguais, independentemente de serem muito votados ou não.

4.2.7. Como navegam?


Não se registam grandes diferenças relativamente aos modos de navegação consoante a posse ou não de uma ligação à Internet em casa. Maioritariamente, qualquer que seja a condição do jovem (possuidor ou não) o modo mais utilizado para navegar é o recurso aos motores de busca: 91% dos estudantes com ligação no lar escolhem este como o modo mais comum de navegação, 84% dos jovens que não possuem Internet em casa dizem o mesmo.


Modos de Navegação

(sítios; percentagem segundo posse de Ligação à Internet no Lar)

 

Sem Net

Com Net

Através de Motores de Busca

84

91

Clicando nas palavras e nas imagens

80

90

Escreve o endereço

82

88

Tenta adivinhar os endereços

49

62

Utiliza Marcadores

24

43

Tabela 58


As ligações que se encontram nas páginas que visitamos e que podem induzir a uma navegação menos organizada e metódica (uma vez que dentro de cada ligação iremos encontrar mais ligações) é o segundo método mais votado pelos cibernautas com acesso à ‘Web’ no domicílio.

A escrita directa do endereço, que indicia um interesse não casual no tema – alguém nos terá falado desta página e pode ter indicado o endereço – é o terceiro modo de navegação mais corrente entre os cibernautas que dispõem de uma ligação em casa, e o terceiro para os que têm que navegar fora do lar.

Apesar de a diferença não ser muita, não deixa de ser interessante verificar que todos os auxiliares de navegação, sem excepção, são mais utilizados por quem tem Internet em casa. E, se estes auxiliares representam alguma desenvoltura, alguma mais valia na utilização, então temos que reconhecer que a vantagem pende para os que têm Internet em casa.

Quem volta às páginas ‘Web’

(percentagem segundo posse de Ligação à Internet no Lar)

 

Sim

Não

Com Internet

88

10

Sem Internet

84

15

Tabela 59


Quanto à fidelização dos cibernautas, a diferença é miníma: 4% para os que indicam que têm o hábito de voltar às páginas, e 5% no caso dos que asseguram não regressar às páginas que visitam. Este hábito não parece sofrer alterações segundo a posse de Internet no lar – quando o cibernauta quer voltar ao sítio que visitou anteriormente, tanto o faz no computador de casa, como noutro qualquer.

4.2.8 Quais são as fontes de informação?


Com Internet no lar ou não, as principais fontes de endereços ‘Web’ são os amigos. No caso dos cibernautas com acesso à Rede no lar são a televisão e a rádio, para os utilizadores que não dispõem de uma ligação à ‘Web’ no domicílio, a principal fonte são os jornais e revistas, logo seguidas da televisão e da rádio. A terceira fonte mais mencionada por estes cibernautas é a própria Internet, através de outros sítios.

Principais fontes de endereços ‘Web’

(Fontes; percentagens segundo distribuição geográfica e sexo)


S/ Net

C/ Net

Amigos

82

82

Televisão e Rádio

65

74

Revistas e Jornais

67

66

Outros Sítios

56

62

Motores de Busca

 

27

IRC

 

9

Pais

9

35

Irmãos

20

40

Professores

35

22

Tabela 60


Os jovens que possuem ligação à ‘Web’ em casa, mencionam igualmente os motores de busca e o ‘Internet Relay Chat’ como fontes de endereços de páginas electrónicas.

O círculo familiar apresenta grandes diferenças percentuais enquanto fonte de endereços, consoante se trata de um utilizador com acesso à Rede em casa ou não. A distância percentual pode dever-se ao facto de, no caso, de posse de ligação à Net em casa, os pais também serem utilizadores e como tal partilharem interesses comuns com os seus filhos e vice-versa.


Nas entrevistas, alguns estudantes admitiam partilhar a ligação com um dos progenitores ou com os irmãos.


4.2.9. Qual a atitude dos pais?


Quarenta e dois por cento dos jovens admitem que os pais lhes impõem um limite de navegação na Rede, mas 44% dos jovens garante que os progenitores não interferem com o tempo dispendido na ‘Web’. Em contrapartida, 14% dos inquiridos não se manifestam.

Durante as entrevistas alguns jovens afirmaram que os pais alegavam o alto custo como um travão para ligar o computador de casa à Internet, outros justificavam as navegações breves com o preço. Este poderá ser um dos factores pelos quais os pais impõem um limite para estar ‘on-line’, quem sabe até, se não mais forte do que o aspecto educativo.


Os pais impõem limite de tempo para utilizar a Internet?

(Resposta; percentagens segundo distribuição geográfica, género, faixa etária e perfil de utilizador)

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Sim

42

45

38

47

37

Não

44

38

52

40

49

Tabela 61



 

 

+Velhos

+ Novos

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Sim

42

41

43

35

46

46

Não

44

51

40

58

42

47

Tabela 61a



É entre os alunos de Lisboa que se verificam as maiores percentagens de respostas a indicar que os pais exercem algum controlo no tempo que os estudantes passam ‘on-line’, a registar 45% de respostas positivas, enquanto que em Coimbra a percentagem cai para os 38%.

São as raparigas que mais referem ser alvo de uma imposição de limite para estar na Rede comparativamente com os rapazes, registando uma diferença de 10%.

Relativamente à faixa etária, e como já não seria de estranhar, 51% dos alunos mais velhos refere não sofrer qualquer imposição de limite para estar na Internet, ao passo que entre os mais novos, a percentagem cai para 40%.

Os pais dos utilizadores regulares e frequentes têm tendência para tentar refrear o entusiasmo do cibernauta, enquanto que os estudantes que navegam ocasionalmente registam as percentagens mais altas de respostas negativas relativas ao controlo dos pais. Estes resultados podem significar que a frequência e o tempo que se passa ‘on-line’ não é, à partida, determinado pelos pais, mas sim que os pais têm mais atenção quando detectam que os filhos passam muito tempo no Mundo Virtual.


Os pais querem saber o que é que eu estou a fazer na Internet?

(Resposta; percentagens segundo distribuição geográfica, género, faixa etária e perfil de utilizador)


 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Não

42

43

41

43

42

Nunca

16

17

14

17

15

Raramente

26

26

27

26

27

Sim

46

43

51

47

46

Ocasionalmente

25

23

27

20

30

Regularmente

14

9

20

16

11

Mt. Frequentemente

8

12

4

11

4


Tabela 62


 

 

+Velhos

+ Novos

Ocasional

Regular

Mt. Frequente

Não

42

46

40

58

41

43

Nunca

16

16

15

27

15

14

Raramente

26

29

25

31

25

29

Sim

46

48

45

31

51

53

Ocasionalmente

25

33

19

19

29

25

Regularmente

14

11

15

8

11

19

Mt. Frequentemente

8

4

11

4

10

8


Tabela 62a


Segundo o inquérito, 46% dos pais dos inquiridos querem saber o que os seus filhos estão a fazer enquanto estão ligados à Net. Desses, 25% fá-lo ocasionalmente e 8% fá-lo muito frequentemente. No entanto, a percentagem das respostas negativas, que indicam que os pais não procuram saber o que os filhos fazem durante as suas navegações chega aos 42%, dos quais, 16% correspondem às respostas dos alunos que asseguram que os pais nunca tentam saber o que fazem na Rede.

Os alunos de Coimbra registam percentagens mais elevadas no que diz respeito ao interesse dos pais pelas actividades dos cibernautas. O mesmo se passa com as raparigas, que apesar de registarem o maior número de respostas negativas, isto é, que indicam que os progenitores não tentam saber o que fazem durante a navegação, também apresentam os resultados mais elevados, excepto na resposta que indica um interesse ocasional dos pais, pelos conteúdos visitados pelos seus filhos durante as ligações. No entanto, as percentagens sobem quase abruptamente quando falamos das respostas que reportam a um interesse regular ou muito frequente pelas actividades que os filhos desenvolvem durante as sua navegação.

Embora os cibernautas muito frequentes apresentem a percentagem mais elevada de respostas positivas, o mesmo não se verifica quando analisamos a resposta que reporta a um interesse regular ou frequente dos progenitores pelo que os filhos fazem na Internet – aí, a percentagem mais alta vai para os utilizadores regulares, se bem que que com uma diferença miníma.


4.2.10. Com quem utilizam a Internet?


Em casa navego com?

(variáveis; percentagens segundo respostas positivas e negativas)

 

Não

Sim

Irmãos

42

38

Amigos

43

46

Pais

60

28

Sozinho

6

82

Tabela 63


A actividade da navegação ‘on-line’ é, sobretudo, realizada sem qualquer companhia. Oitenta e dois por cento dos inquiridos refere navegar sozinho, ao passo que 46% referem que convidam os amigos para aceder à ‘Web’ do seu PC.

Os irmãos podem ainda ser uma hipótese de partilha da ligação, pois reúnem 38%, no entanto, as respostas negativas ultrapassam as positivas em 4%.

Sessenta por cento dos adolescentes assegura não partilhar a ligação com os seus pais.



É entre os rapazes que se regista o maior número de respostas que indicam utilizações solitárias: 85% dos inquiridos do sexo masculino garante navegar sozinho, as raparigas ficam-se pelos 78%. São os alunos mais velhos que mais referem aceder à Internet sozinhos: 91%, contra os 75% que declaram o mesmo, mas que nasceram durante ou após 1985.


4.2.11. Qual o local de consulta, em casa?


Os jovens (43%) apontam uma assoalhada da casa, que serve de escritório, como o local privilegiado para ter o computador, deduzindo-se, portanto, que seja igualmente o local onde se efectua o acesso à Rede.

É, ao que tudo indica um local neutro, embora comum. Logo de seguida, com 37%, vem o próprio quarto, que permite uma total autonomia de navegação e sobretudo, a total privacidade. Dezassete por cento refere ainda a sala, ou a sala de estar, portanto, um espaço comum. Treze por cento indica o quarto de um dos irmãos (possivelmente o mais velho) e 3% ainda menciona o quarto dos pais.

Durante as entrevistas, alguns entrevistados lembravam que o computador estava localizado num local comum, ou mesmo no quarto de um dos irmãos, não tanto pela Internet, mas porque o PC era um instrumento de trabalho, que servia vários membros da família.

Apenas 28% das raparigas inquiridas aponta o seu próprio quarto como local onde se encontra o computador, ao passo que a percentagem para os inquiridos do sexo masculino atinge os 48%. É, igualmente, entre as raparigas que se verificam as maiores percentagens de respostas a indicar o quarto de um irmão ou irmã como local onde se encontra o PC.

45% dos jovens que dispõem de uma ligação à Rede no lar tem o PC num espaço que serve de escritório, e 37% apontam o seu quarto como o local onde está o computador. Em ambos os casos são locais que permitem privacidade e autonomia durante as ligações.


4.2.12. Quem utiliza mais a Internet?



Quem utiliza mais a Internet em casa?

(variáveis; percentagens totais, segundo distribuição geográfica e género)

 

 

Lisboa

Coimbra

Raparigas

Rapazes

Jovens

62

60

64

61

62

Pais

9

8

11

10

8

Tanto uns como outros

18

20

16

18

19

Tabela 64


Segundo os resultados do inquérito, são os jovens (62%) quem mais se serve da Internet em casa. Apenas 9% respondem que são prioritariamente os pais a utilizar a Rede. Dezoito por cento dos inquiridos afirma que a ligação ao Mundo Virtual é tão utilizada por jovens como pelos próprios pais. Onze por cento dos adolescentes deixam a resposta em branco.

Não se registam grandes variações entre as respostas de cibernautas ocasionais e frequentes ou entre rapazes e raparigas.



4.2.13. Quais são as motivações de utilização?


Em casa, utilizo a Internet para?

(Natureza da actividade; percentagem total, segundo distribuição geográfica e faixa etária)

 

 

Lisboa

Coimbra

*Velhos

*Novos

Trabalhos Escolares

4

4

4

5

3

Lazer

42

38

47

38

45

Trab. Escolares e lazer

42

41

42

48

37


Tabela 65


Em casa, tal como na escola, os jovens utilizam a Rede tanto para fazer trabalhos escolares como para lazer. Quarenta e dois por cento dos inquiridos mencionam tanto o lazer como os trabalhos escolares, igual percentagem indica apenas o lazer, uma minoria de 4% assegura utilizar a ‘web’ em casa apenas para a realização dos trabalhos escolares e 12% não se pronuncia acerca desta questão.


Embora seja entre os estudantes de Coimbra (47%) e os alunos mais novos (45%) que se encontram as respostas que apresentam os valores mais elevados, relativamente à actividade de lazer, as percentagens que reportam a ambas as actividades (trabalhos escolares e lazer) são muito aproximados em Lisboa e Coimbra.


4.2.14. Quais são as repercussões desta nova prática?


Segundo os resultados do inquérito, os jovens não alteraram substancialmente os seus hábitos com a introdução de um novo meio de comunicação. A maior parte dos jovens garante continuar a fazer as mesmas coisas, com a mesma frequência com que fazia anteriormente. Há, contudo, uma actividade que uma percentagem considerável dos estudantes refere com maior frequência após ter Internet em casa: ouvir música.


Quarenta e sete por cento dos jovens garante ver tanta televisão como anteriormente; 55% afirma continuar a requisitar cassetes de vídeo com tanta frequência como anteriormente, e 29% afiança manter os hábitos de jogar com a consola.

Números que parecem revelar a manutenção dos hábitos antigos, mas quando confrontados com os resultados dos jovens que afirmam ver menos televisão (36%), garantem utilizar menos o vídeo-gravador (27%) e jogar menos com a consola (26%) revelam que os valores obtidos nas respostas que confirmam a conservação dos hábitos podem não representar a supremacia dos velhos meios de comunicação perante a Internet. Embora apenas 3% dos estudantes inquiridos afirmem ver mais televisão, ver mais cassetes de vídeo e jogar mais com a consola, e apesar da percentagem dos que não responderam ser na ordem dos 11 a 13%, cremos ser necessário encarar estes resultados com alguma cautela.

No caso da "caixa que mudou o mundo" são os utilizadores mais frequentes que afiançam dedicar-lhe menos atenção desde que se iniciaram nas navegações da 'Web" - 51% dos utilizadores frequentes afirmam ver menos televisão, enquanto que a percentagem dos utilizadores regulares que sustenta o mesmo se fica pelos 31% e no caso dos cibernautas ocasionais se ficam pelos 19%. Curiosamente, são também as raparigas (embora com uma pequena margem de 3%) que declaram ver menos televisão desde que têm Internet em casa; 35% dos rapazes declaram dedicar menos tempo &agrave;s emissões televisivas, 38% das raparigas diz o mesmo. As percentagens mais altas estão também do lado dos alunos mais velhos - 44% nasceram antes ou durante o ano de 1984, e 30% nasceram durante ou após 1985. Se nos debruçarmos pela faixa etária segundo o género a distinção ainda é mais visível: 51% das raparigas com mais de 14 anos vê menos televisão, a percentagem dos seus colegas do sexo masculino fica-se pelos 36%.

No entanto, entre os que não mudaram os seus hábitos de telespectador, os resultados consoante o género são muito aproximados - 50% dos rapazes e 49% para as raparigas. O mesmo se passa relativamente à faixa etária, que apresenta um diferencial percentual de 1%, com 50% dos jovens com menos de 15 anos a afirmarem verem idêntico número de horas que anteriormente e 49% dos alunos com mais de 14 anos a assegurarem o mesmo. Como é de esperar, são os utilizadores ocasionais (65%) que mais afirmam ver o mesmo número de horas de televisão após terem um acesso à Rede em casa.

Os alunos do 5º nível de escolaridade dizem ver menos televisão (63%) após terem uma Internet no domicílio, e os dos 2º e 4º níveis são os que apresentam os valores mais altos (60 e 55%, respectivamente) na resposta que mantém o número de horas de "tele-atenção".


A Internet parece ter tido menor influência no tempo gasto a ver cassetes de vídeo: 55% dos inquiridos afirma dedicar o mesmo tempo, ao passo que 27% dizem ter passado a ver menos tempo. É em Coimbra que o número de estudantes que diz utilizar o vídeo-gravador tanto como antes de ter Internet é mais elevado, atingindo os 68%, enquanto que em Lisboa o valor se fica pelos 44%. A diferença percentual entre as raparigas e rapazes que dizem utilizar o leitor de vídeo tanto como na era pró-Internet é de 10%, com a 59% das raparigas e 49% dos rapazes a assinalar a opção "tanto como antes". São os rapazes quem mais diz dedicar menos tempo às cassetes de vídeo desde que possui ligação à Internet no lar. Embora com uma ligeira diferença de 4%, ainda assim, 29% dos rapazes assegura utilizar menos o vídeo, e 25% das raparigas declara o mesmo.

É entre os alunos mais velhos que as percentagens de quem menos vê cassetes de vídeo é maior (35%, contra os 21% dos jovens com menos de 15 anos). Os alunos do 5º nível garantem não dedicar tanto tempo ao vídeo-gravador (50%), e os do 1º nível são os que dizem ter passado a ver mais cassetes desde que têm acesso à Rede. No perfil dos utilizadores verifica-se que os utilizadores frequentes declaram dedicar menos tempo às cassetes de vídeo e os ocasionais referem dedicar o mesmo tempo ou até mais tempo (4%).


No que diz respeito às consolas de jogos de vídeo a percentagem dos alunos que diz jogar menos fica-se pelos 26%, os que garantem manter as mesmas horas estão 3% acima - chegando aos 29%. Curiosamente, a percentagem mais elevada está nas respostas dos jovens que dizem "não ter televisão" - 30% das respostas. Destes, metade são raparigas (40%), e os rapazes ficam-se pelos 20%.

Os utilizadores mais frequentes dizem jogar menos com a consola (36%), enquanto que os valores vão descendo à medida, que vamos diminuindo a frequência da navegação - 15% nos ocasionais e 24% para os regulares. Não espanta, portanto, que os jovens que passaram a jogar mais consola desde que têm Internet em casa, sejam os utilizadores ocasionais (8%), embora os valores dos alunos que tenham passado a jogar mais consola seja quase insignificante: 3%. Ainda relativamente às consolas, os resultados de rapazes e raparigas aproximam-se bastante nas respostas dos que dizem ter posto mais vezes de lado a consola para estar na Internet: 26% raparigas, a percentagem dos rapazes sobe 1%. No entanto, o mesmo já não se verifica quando analisamos a opção “tanto como antes” – aqui, são os rapazes que têm a percentagem mais elevada: 38%, enquanto que as raparigas se ficam pelos 21%.



Mais de metade (63%) dos jovens inquiridos afirma não ter alterado os seus hábitos de leitura após ter ligação à ‘Web’ no lar. Quinze por cento diz ler menos que anteriormente e 11% dizem ler ainda mais.

A grande percentagem dos que começou a prestar mais atenção aos livros situa-se em Coimbra (15%, contra os 8% de Lisboa). Em consonância com estes resultados, é em Lisboa que estão 19% dos alunos que lêem menos com o acesso à Rede em casa; dez por cento estão em Coimbra. O diferencial percentual entre os resultados obtidos consoante as duas cidades fica-se nos 7%, com 67% dos estudantes de Coimbra a dizer que mantêm inalterados os seus hábitos de leitura.

Segundo o inquérito, foram principalmente os rapazes que preteriram os livros para estar mais tempo na Internet: 20% dos inquiridos diz ler menos, a percentagem das raparigas a dar a mesma resposta fica-se pelos 10%. No mesmo sentido, 14% das estudantes garante ler mais do que anteriormente - quase metade dos 8% dos seus colegas rapazes.

Curiosamente, são os alunos mais novos (12%) que passaram a dar mais atenção à leitura, enquanto actividade lúdica; a percentagem dos alunos mais velhos que diz o mesmo atinge os 9%. No entanto, os jovens que continuam a ler tanto (ou tão pouco) quanto anteriormente são, claramente a maioria, qualquer que seja a faixa etária que consideremos: 67% no caso dos mais velhos, 59% para os mais novos.

Surpreendentemente, quem garante que os livros passaram a ocupar um lugar mais importante desde a introdução de uma ligação à Internet em casa, são os utilizadores frequentes, que atingem 14%, enquanto que os cibernautas ocasionais se ficam pelos 4% e os regulares pelos 11%.

No entanto, a percentagem das respostas que afiançam que a alteração dos hábitos de leitura levou à diminuição da leitura é muito aproximada, tendo variações percentuais reduzidas: 17% dos que preferem a Internet à leitura ‘navegam’ com muita frequência, 16% são cibernautas regulares 12% navegam ocasionalmente.


A música com a Internet


Alguns dos entrevistados falavam da música como a sua constante companhia; referiam que raramente desligavam o rádio e que ouviam música enquanto faziam, em simultâneo, outras actividades. Ouvir música é a actividade que faz sombra à Internet. Esta actividade detém a maior percentagem de respostas que indicam que os cibernautas passaram a fazer mais após terem internet em casa – 32%. E detêm a menor percentagem (em ex aequo com “ficar em casa”) dos que passaram a fazer menos; apenas 4% dos entrevistados indicam ter passado a ouvir menos música após ter Internet no lar. Destes, a maior parte são rapazes, do grupo dos inquiridos mais novos.

Em contrapartida, a percentagem dos alunos que responderam ouvir música com tanta regularidade como antes da Internet chegar aos seus lares não revela disparidades entre géneros, ou faixa etária. É, no entanto, visível, que é quem tempo passa na ‘Web’ que garante ouvir mais música: 49% do lado dos utlizadores frequentes, os ocasionais e regulares ficam-se pelos 22% cada.


Os jovens passam mais tempo em casa?


Uma grande fatia (73%) dos jovens inquiridos declara que o facto de ter uma ligação à Internet no lar, não alterou o tempo que passa em casa – 73% escolhem a opção “o mesmo que anteriormente”, enquanto que 12% afirmam ter passado mais tempo no domicílio desde que têm acesso à Rede no lar. São, sobretudo, os rapazes quem dá o maior número de resposta indicando manter os hábitos inalterados ou ter passado a ficar mais tempo em casa, em virtude da Internet. Os mais velhos dizem passar igual tempo em casa, enquanto que os mais novos dizem que estão mais tempo em casa desde que têm Internet. Não se verificam alterações substanciais em função do perfil do utilizador.


4.2.15. Fazem-se amigos na Internet?


Oitenta por cento das respostas que indicam a existência de novos amigos através da Internet, pertencem aos jovens que dispõem de uma ligação à Rede em casa. Os estudantes que tinham acesso à Rede no lar e que não fizeram novos amigos ficam-se pelos 17%. São também os que utilizam menos a Internet que não fazem amigos através dela.

Apenas 9% dos que declararam "não" à pergunta é que dizem navegar "com muita frequência” na Rede, ao passo que no grupo dos que criou novas amizades, esse número atinge os 88%.


Fiz novos amigos através da Internet?

(Fontes; percentagens totais e segundo distribuição geográfica e sexo)


Sem Internet

Com Internet

Sim

51

80

Não

44

17

Tabela 66


É entre os inquiridos do sexo feminino que se regista o maior número de respostas que indicam ter feito novos amigos através da Internet: 76% das raparigas respondem que sim, 67% dos rapazes dizem o mesmo. São também os alunos mais velhos que asseguram que entre os seus amigos mais recentes, alguns são conquistas cibernauticas: 83% dos jovens mais velhos asseguram ter feito novas amizades através da Internet, a percentagem nos mais novos fica-se pelos 62%.

SÍNTESE – UTILIZAÇÃO EM CASA


* Quarenta e cinco por cento dos jovens inquiridos afirma ter acesso à Internet em casa;


* Segundo o inquérito, é mais comum os rapazes terem uma ligação à Internet em casa (47%), do que as raparigas (41%);


* Trinta e nove por cento dos jovens inquiridos possui uma ligação à Internet, em casa, há mais de um ano;


* Quarenta e quatro por cento dos inquiridos indica que a sua ligação não tem limite de horas de acesso à Internet, permitindo-lhes uma ligação ilimitada pelo mesmo valor;


* Setenta e sete por cento dos jovens afirma servir-se da ligação à Internet que tem no lar; 12% di nã utilizar;


* Durante a semana, 39% dos jovens que usa a Internet em casa navega menos de meia hora. Apenas 5% se mantém na ‘net’ mais de duas horas;


* Vinte e oito por cento dos jovens que usa a Internet em casa indica estar entre uma a duas horas na rede durante o fim de semana, e 25% diz mesmo estar mais de duas horas ligado;


* Os cibernautas que têm a possibilidade de aceder à Rede no lar preferem os sítios ‘Web’ ligados às artes e espectáculo, reunindo 80% das preferências;


* O segundo tema mais votado pelos cibernautas com Internet no lar é a comunicação em linha;


* Apesar de a diferença não ser muita, não deixa de ser interessante verificar que todos os auxiliares de navegação, sem excepção, são mais utilizados por quem tem Internet em casa;


* Com Internet no lar ou não, as principais fontes de endereços ‘Web’ são os amigos;


* Os jovens que possuem ligação à ‘Web’ em casa, mencionam igualmente os motores de busca como fonte e o ‘Internet Relay Chat’ como fontes de endereços de páginas electrónicas;


* 44% dos jovens garante que os progenitores não interferem com o tempo dispendido na ‘Web’;


* Segundo o inquérito, 46% dos pais dos inquiridos querem saber o que é que os seus filhos estão a fazer enquanto estão ligados à Net. (…)No entanto, a percentagem das respostas negativas, que indicam que os pais não procuram saber o que os filhos fazem durante as suas navegações chega aos 42%;


* Oitenta e dois por cento dos inquiridos refere navegar sozinho, ao passo que 46% referem que convidam os amigos para aceder à ‘Web’ do seu PC;


* Sessenta por cento dos adolescentes assegura não partilhar a ligação com os seus pais;


* Os jovens (43%) apontam uma assoalhada da casa, que serve de escritório, como o local privilegiado para ter o computador, deduzindo-se, portanto, que seja igualmente o local onde se efectua o acesso à Rede. É, ao que tudo indica um local neutro, embora comum. Logo de seguida, com 37%, vem o próprio quarto;

* Apenas 28% das raparigas inquiridas aponta o seu próprio quarto como local onde se encontra o computador, ao passo que a percentagem para os inquiridos do sexo masculino atinge os 48%;


* Segundo os resultados do inquérito, são os jovens (62%) quem mais se serve da Internet em casa. Apenas 9% responde que são prioritariamente os pais a utilizar a Rede;


* Em casa, tal como na escola, os jovens utilizam a Rede tanto para fazer trabalhos escolares como para lazer. Quarenta e dois por cento dos inquiridos menciona tanto o lazer como os trabalhos escolares, igual percentagem indica apenas o lazer, uma minoria de 4% assegura utilizar a ‘web’ em casa apenas para a realização dos trabalhos escolares;


* A maior parte dos jovens garante continuar a fazer as mesmas coisas, com a mesma frequência com que fazia anteriormente. Há, contudo, uma actividade que uma percentagem considerável dos estudantes refere com maior frequência após ter Internet em casa: ouvir música;


* Mais de metade (63%) dos jovens inquiridos afirma não ter alterado os seus hábitos de leitura após ter ligação à ‘Web’ no lar. Quinze por cento diz ler menos que anteriormente e 11% diz ler ainda mais;


* Ouvir música é a actividade que faz sombra à Internet. Esta actividade detém a maior percentagem de respostas que indicam que os cibernautas passaram a fazer mais após terem internet em casa – 32%;


* Uma grande fatia (73%) dos jovens inquiridos declara que o facto de ter uma ligação à Internet no lar, não alterou o tempo que passa em casa – 73% escolhe a opção “o mesmo que anteriormente”, enquanto que 12% afirma ter passado mais tempo no domicílio desde que tem acesso à Rede no lar;


* Oitenta por cento das respostas que indicam a existência de novos amigos através da Internet, pertencem aos jovens que dispõem de uma ligação à Rede em casa;



* É entre os inquiridos do sexo feminino que se regista o maior número de respostas que indicam ter feito novos amigos através da Internet: 76% das raparigas respondem que sim, 67% dos rapazes dizem o mesmo.





4.3. UTILIZAÇÃO NA ESCOLA



4.3.1. Quantos adolescentes já usaram a Internet na escola?

4.3.2. Com que frequencia se utiliza a Internet na escola?

4.3.3. Em que contextos se utiliza a Internet na escola?

4.3.4. Quais são as motivações da utilização da Internet na escola?




4.3.UTILIZAÇÃO NA ESCOLA


4.3.1. Quantos jovens j&aacute; usaram a Internet na escola?


A maior parte (83%) dos jovens que respondeu ao inquérito já teve algum contacto com a Internet no estabelecimento de ensino que frequenta. Raparigas e rapazes, com menos ou mais de 15 anos, possuindo ou não ligação à Internet em casa, em Lisboa ou em Coimbra, quase todos já utilizaram os computadores da escola para navegar na ‘World Wide Web’.


Ano do Primeiro contacto com a Rede na escola

(ano; percentagem segundo distribuição geográfica)

 

Lisboa

Coimbra

Setembro 1999

15

26

Ano anterior ou antes

64

61

Nunca utilizou antes

16

9

Tabela 67


Como se pode verificar na tabela 1, tanto em Lisboa como em Coimbra, a grande maioria dos estudantes aponta uma data anterior ao ano de 1999 como início do contacto com o mundo virtual na escola. A diferença cresce ligeiramente (de 3% passa para 11%) quando nos referimos a uma data mais recente, como é o início do ano lectivo (Setembro 1999). Relativamente aos alunos que indicaram nunca ter utilizado a Internet, detecta-se uma diferença percentual de 7% entre Lisboa e Coimbra. O quadro é muito semelhante se tomarmos em consideração as variáveis género ou faixa etária.


Ano do Primeiro contacto com a Rede na escola

(ano; percentagem segundo nível de escolaridade)

 

1

2

3

4

5

Setembro 1999

27

27

20

16

10

Ano anterior ou antes

40

58

68

71

79

Nunca utilizou antes

24

11

6

12

10



Tabela 68


As diferenças são mais facilmente detectáveis quando tomamos em consideração o nível escolar dos inquiridos: 6% dos adolescentes a frequentar o 3º nível de escolaridade afirmam nunca ter acedido à Internet na escola; se falarmos do 1º nível, a percentagem sobe para os 24%, enquanto os restantes níveis (2º, 4º e 5º) oscilam entre os 10 e 12%. Cinco por cento dos jovens que não têm computador em casa afiançam nunca ter ‘navegado’ nos computadores da escola enquanto que a percentagem dos que garante o mesmo, mas tem PC em casa, chega aos 11%. Outro aspecto curioso é o dos valores segundo os perfis de utilizador: estejamos a falar de um utilizador ocasional ou de um frequente as margens não variam muito. Concluindo: segundo os resultados, não é porque o aluno é um cibernauta experiente que navega mais na escola; a distância entre os utilizadores ocasionais e regulares e os frequentes fica-se por uns meros 2%: dos últimos 11% garantem nunca ter ‘teclado’ nos computadores da escola, enquanto que 13% dos ocasionais e regulares dizem o mesmo.


Ano do Primeiro contacto com a Rede na escola

(ano; percentagem segundo género)

 

Raparigas

Rapazes

Setembro 1999

26

13

Ano anterior ou antes

61

57

Nunca utilizou antes

13

13

Tabela 69


O número de raparigas que menciona Setembro como o mês que marca o início de utilização na escola é também mais elevado do que o dos rapazes que sustenta o mesmo, com uma diferença percentual de 13%. No entanto, a percentagem dos que afirma nunca ter utilizado a Internet no estabelecimento escolar não varia em função do sexo: em ambos os casos, 13% assegura nunca ter 'navegado' através de uma ligação escolar. Relativamente à faixa etária, verifica-se que em ambos os casos (sexo feminino e masculino), são os mais novos que 'navegam' há mais tempo. Os alunos com menos de 14 anos escolhem maioritariamente as opções "Setembro deste ano" ou "nunca utilizou na escola".


Ano do Primeiro contacto com a Rede na escola

(ano; percentagem segundo perfil de utilizador)

 

Ocasional

Regular

Frequente

Setembro 1999

31

14

9

Ano anterior ou antes

55

68

77

Nunca utilizou antes

13

13

11



Tabela 70


A maioria (77%) dos alunos que afiança ser um grande utilizador da 'Web' indica o "ano passado" como data em que começou a utilizar a ligação da escola. Idêntica situação é a dos alunos que referem ser ‘cibernautas’ "regulares", com (68%) dos alunos a indicar o “ano anterior” como início das navegação, e o mesmo se passa com os cibernautas fortuitos - 55% dos quais indica igualmente "o ano passado" à pergunta do inquérito. Detecta-se que a percentagem dos alunos que afirma nunca ter utilizado na escola é semelhante qualquer que seja o perfil do utilizador (ocasional, regular, muito frequente). O mesmo já não se verifica quando falamos dos estudantes que apontam a data de Setembro, dos quais apenas 9% afirmam ser utilizador "muito frequente", contra os 31% que se encontram no perfil de utilizador ocasional.

Ano do Primeiro contacto com a Rede na escola

(ano; percentagem segundo faixa etária)

 

Mais velhos

Mais Novos

Setembro 1999

16

24

Ano anterior ou antes

71

57

Nunca utilizou antes

11

14


Tabela 71

O resultado dos dados segundo a faixa etária revela que os alunos mais velhos se iniciaram há mais tempo: 71% assinalam a data mais antiga como o início da utilização na Internet no estabelecimento de ensino, enquanto que os alunos que cuja data de nascimento é após 1985 se fica pelos 57%. A percentagem dos alunos que afirma nunca ter acedido à 'net' na escola é superior (apenas por 3%) entre os alunos mais novos, que detêm 14% das respostas, enquanto que os seus colegas, nascidos durante ou antes de 1984 apresentam resultados de 11%.



4.3.2. Com que frequência se utiliza a Internet na escola?


A maior parte (57%) dos jovens cibernautas sustenta não ter utilizado a Internet na escola, desde Setembro de 1999. Destes, 24% dizem "nunca" ter 'navegado' no estabelecimento de ensino, desde o início do ano lectivo, ao passo que 32% afirmam fazê-lo "raramente".

Como já vimos a escola foi, para um grande número de jovens o primeiro local de acesso à Rede, na maior parte das vezes, fora de um contexto de aula. Contudo, segundo os resultados do inquérito, não obstante de ter sido o local onde, pela primeira vez, contactaram com a ‘Web’, para muitos desses alunos, a experiência repetiu-se esporadicamente, e para outros não mais se voltou a concretizar.


Desde Setembro de 1999, na escola, já utilizei a Internet....

(frequência; percentagens totais)

Não

57

Nunca

24

Raramente

32

Sim

39

Ocasionalmente

26

Regularmente

8

Muito frequentemente

5

Tabela 72


O panorama não varia muito qualquer que seja a perspectiva. Em termos de distribuição por cidades, os alunos lisboetas são em menor número quando se trata do "nunca utilizou", mas os números não sofrem grandes alterações ao analisarmos o quadro do “sim”. Quer a resposta seja "raramente", "regularmente" ou "muito frequentemente", as percentagens são iguais, quer seja em Lisboa ou Porto. Os números vão baixando proporcionalmente à frequência de utilização da Internet - isto é, à medida que temos percentagens mais baixas, verificamos que estamos perante as respostas que indicam menor frequência no acesso à Rede.

A assiduidade com que os rapazes e as raparigas utilizam a 'Web' na escola é muito semelhante. As diferenças mais elevadas verificam-se ao nível dos alunos que dizem não ter acedido à Rede no estabelecimento escolar desde Setembro: as raparigas constituem 60%, enquanto que os rapazes se ficam pelos 52%, mas a diferença não é considerável, o mesmo se verificando ao nível etário: qualquer que seja a idade, as respostas aproximam-se.


Desde Setembro de 1999, na escola, já utilizei a Internet....

(frequência; percentagens segundo perfil de utilizador)

 

Ocasional

Regular

Frequente

Não

68

46

54

Nunca

26

19

32

Raramente

43

27

22

Sim

32

50

43

Ocasionalmente

27

28

25

Regularmente

3

17

6

Muito frequentemente

1

5

13


Tabela 73


Curioso é que o facto de ter ou não ligação em casa não parece ser muito relevante, ou pelo menos, não parece ser uma forte condicionante para que os alunos optem pela utilização nas instalações escolares. Naturalmente, como se pode observar na tabela 7, são os cibernautas ocasionais que lideram a fasquia dos não utilizadores (68%) na escola, embora a diferença não seja muita, tendo em conta que os utilizadores "frequentes" têm uma diferença de 14 pontos percentuais relativamente aos alunos que afirmam não ter utilizado a Internet na escola desde Setembro.



4.3.3. Em que contextos se utiliza a Internet na escola?


Os jovens inquiridos indicam utilizar a Internet na escola sobretudo fora das aulas. Apenas 28% refere navegar nas aulas e mais de metade dos alunos garante mesmo “nunca” ter utilizado a Rede numa aula. É sobretudo nos tempos livres que os alunos se dedicam a explorar a ‘Web’ na escola.


Segundo as respostas dos jovens inquiridos, os docentes portugueses ainda não têm por hábito utilizar a 'Web' como recurso pedagógico, uma vez que apenas 28% dos adolescentes refere a sala de aula como local de acesso à Rede no estabelecimento de ensino. Mais de metade dos estudantes acedeu à Internet durante um período de actividades livres, sendo que, apenas 4% indicam o horário escolar como ocasião para navegar com "muita frequência".

É em Lisboa (55%) que os estudantes mais dizem que "nunca" a Internet terá sido utilizada como recurso pedagógico, enquanto que em Coimbra a percentagem se fica pelos 31%. O mesmo se passa se nos referirmos aos alunos que referem o momento da aula como uma oportunidade "muito frequente" para surfar na Internet: 8% em Coimbra, contra 1% em Lisboa. É, portanto, em Lisboa (64%) que os tempos livres são um momento crucial para a utilização, muito embora não deixem de ser muito relevantes em Coimbra (46%).

Numa análise mais profunda, constata-se que dos alunos que referem nunca ter acedido à Internet na escola, durante os seus tempos livres, 28% são de Coimbra, e apenas 3% em Lisboa, confirmando o que a primeira análise nos indica, isto é, que em Coimbra os alunos referem ter mais oportunidades de contacto com a Rede, enquanto recurso pedagógico, do que em Lisboa.

As diferenças consoante o género são quase imperceptíveis. Em alguns casos as distâncias entre os resultados apurados das respostas dos rapazes e raparigas são de 1% e a variação máxima vai atinge somente os 4%. Apenas no caso dos jovens que indicam os tempos livres como oportunidades “muito frequentes” de navegação na escola, a disparidade assume proporções maiores: 9% das raparigas di-lo, enquanto que a percentagem dos rapazes vai até aos 19%. De resto, as diferenças não são particularmente marcadas.

Curiosas são as alterações das respostas consoante a faixa etária: 3% dos inquiridos, com idades acima dos 14 anos, portanto, do grupo dos mais velhos, afirma “nunca” ter acedido à Internet (na escola) durante os seus tempos livres, enquanto que na faixa etária abaixo dos 14, chegam aos 23%. Será que os mais velhos têm outras preferências para se divertirem, que não passam pela ‘Web’? Podemos lembrarmo-nos que 11% dos estudantes mais velhos indicaram nunca ter utilizado a Rede na escola, no entanto, foram os mais novos quem mais refere “nunca ter utilizado, nem visto” a ‘net’.

Quem tem computador em casa sente-se mais atraído pelas actividades multimédia fora do lar. Ora veja-se: 48% dos que afirmaram utilizar a Internet na escola, durante os seus tempos livres não têm PC no lar. Os que responderam o mesmo, mas que possuem PC em casa são 58% (mais 10%). O mesmo se verifica quando falamos de ter um computador com acesso à Rede. São os que têm acesso à ‘Web’ em casa quem mais escolhe a ‘net’ como actividade para passar os tempos livres. A tendência inverte-se (embora ligeiramente) quando fazemos a micro-análise e verificamos a resposta dos que referem utilizar a ‘Web’ “muito frequentemente” nos seus tempos livres: 16% não tem ligação no domicílio, enquanto que 12% tem.

São os rapazes (19%, contra 9% das raparigas) mais velhos quem mais refere frequentar a Rede “com muita frequência, na escola, durante os seus períodos livres”.

Em contrapartida, no que diz respeito aos adolescentes que asseguram “nunca” frequentar a ‘net’ durante os seus tempos livres na escola, são maioritariamente raparigas, do grupo das mais novas. A maior parte (22%) não tem PC no lar.


4.3.4. Quais são as motivações da utilização da Internet na escola?


Os jovens inquiridos estabelecem um equilíbrio entre as actividades de lazer e trabalho, quando estão a navegar na Rede na escola. Trinta e oito por cento dos jovens refere essa opção, logo seguida da opção “lazer” exclusivamente, que conta com 33%. As actividades escolares recolhem 24% dos inquiridos.


Na escola, utilizo a Internet para....

(motivação; percentagens totais e segundo distribuição geográfica)

 

Total

Lisboa

Coimbra

Trabalhos Escolares

24

17

32

Lazer

33

38

28

Lazer e trab. Escolares

38

40

36



Tabela 74


É em Coimbra que os adolescentes afirmam que a actividade principal que desenvolvem quando 'navegam' nos PC’s da escola é especialmente para trabalho. Na cidade dos estudantes, o número atinge os 32%, em Lisboa fica-se pelos 17%, o que não é de estranhar, uma vez que é em Coimbra que os alunos utilizam mais a Internet como recurso pedagógico na sala de aula.

São também os alunos que não têm ligação à 'Web' no lar que mais utilizam a Internet na escola: 27% dos que asseguram fazer, sobretudo, “trabalhos escolares” na escola não têm acesso à Internet no domicílio, ao passo que os que têm ficam-se pelos 21%.



Na escola, utilizo a Internet para....

(frequência; percentagens segundo perfil de utilizador

 

Ocasional

Regular

Muito Frequente

Trabalhos Escolares

29

24

16

Lazer

35

30

41

Lazer e Trab. Escolares

41

36

42

Tabela 75


Como se pode observar na tabela 9, os utilizadores "muito frequentes” são os que menos utilizam a Internet na escola para trabalhos escolares, sendo os que atingem os valores mais elevados na utilização para o lazer.


São os alunos mais novos (nascidos durante ou após 1985) que asseguram utilizar a Internet na escola especialmente com objectivos pedagógicos. Os mais velhos lideram a opção do lazer (36%), embora a distância entre mais velhos e mais novos se fique por uns insignificantes 4%.


Na escola, utilizo a Internet para....

(frequência; percentagens segundo níveis de escolaridade)

 

1

2

3

4

5

Trabalhos Escolares

14

31

33

22

16

Lazer

28

33

34

31

42

Lazer e Trab. Escolares

46

31

28

44

42

Tabela 76


Relativamente aos níveis de escolaridade, quem, em primeiro lugar, elege o "lazer", como principal objectivo, durante a utilização na escola, é, sem qualquer margem para dúvida, o quinto nível, com 42%, enquanto que, por exemplo, os estudantes do primeiro nível não chegam aos 30%. Já na área dos recursos pedagógicos, são os níveis intermédios (com especial incidência nos 2º e 3ºs níveis) que apresentam os valores mais elevados. Contudo, as maiores proporções estão na escolha que recai, quer no lazer, quer nos afazeres escolares.


Segundo os resultados do inquérito, os alunos das escolas portuguesas aproveitam as ligações escolares tanto para o lazer como para os trabalhos escolares. Os trabalhos escolares ocupam a última escolha, com uma diferença percentual de 9 pontos em relação ao lazer. O facto de muito jovens ainda não possuirem uma ligação à Internet no lar poderá ser uma explicação. Importante será também não esquecer que, segundo os resultados do inquérito, a Internet ainda não é um recurso pedagógico cujo uso esteja banalizado entre os docentes, pelo que a maior parte dos estudantes acaba por ter contacto com a 'Web' em períodos fora do horário escolar, aproveitando por isso, para explorar o potencial lúdico-recreativo da Rede.


SÍNTESE – UTILIZAÇÃO NA ESCOLA



* A maior parte (83%) dos jovens que respondeu ao inquérito já teve algum contacto com a Internet no estabelecimento de ensino que frequenta;


* A maior parte (57%) dos jovens cibernautas sustenta não ter utilizado a Internet na escola, desde Setembro de 1999;


* A assiduidade com que os rapazes e as raparigas utilizam a 'Web' na escola é muito semelhante;


* Os jovens inquiridos indicam utilizar a Internet na escola, num contexto exterior às aulas. Apenas 28% refere navegar nas aulas e mais de metade dos alunos garante mesmo “nunca” ter utilizado a Rede numa aula. É, portanto, nos tempos livres que os alunos se dedicam a explorar a ‘Web’;


* É em Lisboa (55%) que os estudantes mais dizem que "nunca" a Internet terá sido utilizada como recurso pedagógico, enquanto que em Coimbra a percentagem se fica pelos 31%;


* Quem tem computador em casa sente-se mais atraído pela utilização da Internet fora do lar;


* Os jovens dizem utilizar a Internet na escola para actividades de lazer e de trabalho escolar, conjuntamente (38%), opção logo seguida da opção “lazer” exclusivamente, que conta com 33%. Os trabalhos escolares, como item autónomo, recolhe 24% das respostas dos inquiridos;


* Em Coimbra os alunos referem ter mais oportunidades de contacto com a Rede, enquanto recurso pedagógico, do que em Lisboa;


* Quem tem computador em casa sente-se mais atraído pelas actividades multimédia fora do lar;


* Os jovens inquiridos estabelecem um equilíbrio entre as actividades de lazer e trabalho, quando estão a navegar na Rede na escola;


* Os alunos das escolas portuguesas aproveitam as ligações escolares tanto para o lazer como para os trabalhos escolares. Os trabalhos escolares ocupam a última escolha, com uma diferença percentual de 9 pontos em relação ao lazer.

5. ALGUMAS CONCLUSÕES DA INVESTIGAÇÃO EM PORTUGAL


As conclusões da investigação realizada em Portugal não poderão ser extrapoladas para o país pois o conjunto de jovens que foram objecto do estudo não são uma amostra rigorosa dos jovens portugueses. De facto, alguns condicionalismo da investigação internacional, nomeadamente a necessidade de escolher apenas duas cidades e, dentro destas, a escolha de escolas onde as tecnologias de informação utilizadas fossem, pelo menos, medianas, terá retirado alguma possibilidade de afirmar um caráter mais geral às conclusões desta investigação.

Existe porém um factor de validade externa muito importante neste estudo. Feito em países muito diferentes, em condições específicas de desenvolvimento da internet muito distanciadas, mesmo com alguma variação metodológica nas abordagens, existe porém um conjunto de dados que apontam para determinadas regularidades na relação dos jovens de todos os países com a internet ( a internet é revolucionária, dizem, ou, por exemplo, o lado diversão que ressalta na utilização da net pelos jovens, ou na concepção de que a internet não prejudica o desenvolvimento das línguas maternas). Discussões recentes da equipa de investigação apontaram para a convicção que metodologias quantitativas mais afinadas não teriam trazido, provavelmente, uma compreensão mais fina do fenómeno estudado, podendo, no entanto, dar-lhe maior validade interna e externa.


1 Papel da escola


Ressalta deste estudo uma primeira constatação: a escola portuguesa tem um papel paradoxal na relação dos jovens com a internet.


Paradoxal pois o primeiro lugar de contacto para os jovens interrogados é a escola (41%) sendo o lar apenas responsável de 20% dos primeiros contactos. Pode dizer-se mesmo que a escola representa um local de forte democratização para a internet em Portugal juntos dos jovens inquiridos pois, no momento da investigação, 83% dos inquiridos já havia tido algum contacto com a internet na escola que frequentam. Ou seja, a escola em Portugal , tem sido um lugar de desenvolvimento prioritário para colocar os jovens em relação com a internet, o que não acontece em todos os países ou regiões (por exemplo, o estudo espanhol, centrado na Andaluzia, não constata este papel iniciador da escola.)


Mas paradoxal pois a escola tem, em geral, uma abordagem fraca, sem profundidade, da internet. Podemos mesmo questionar como é possível que 16 em cada 100 dos jovens interrogados nunca tenha tido um contacto com a internet, ou seja, como explicar a infoexclusão desta minoria pela escola? Mas esta abordagem soft não resulta apenas desta exclusão. Resulta também de uma utilização sem regularidade e de uma não utilização sistemática assumida na prática pedagógica quotidiana.


Exclusão

Lúcia, Nível 3, entrevista 11

A jovem Lúcia nunca utilizou a Internet, nem nunca viu alguém fazê-lo.

(os itálicos, nesta parte do texto, significam que são excertos das entrevistas-ver da página 143 a 202, onde se encontram transcritas as entrevistas).


Sem regularidade

Se olharmos para o número de jovens que, em Janeiro de 2000, havia utilizado a internet na escola, desde Septembro de 1999, verificamos que são apenas 15% os que o declaram ter feito. Ou seja, são poucos os que desde o início do ano lectivo assumem essa utilização, são muitos (83%) os que tiveram um contacto na escola contando com a acumulação dos anos (64% teve um contacto no ano anterior ou antes).


Roberta, Nivel 1, entrevista 1

“A primeira vez que utilizei a Internet foi no quinto ano, numa aula de informática, na Biblioteca. Jogámos um jogo em rede umas com as outras. Foi noutra escola, em Loures. Aí tinhamos que marcar e estava lá sempre um professor.”

Na escola que frequenta actualmente nunca acedeu à Internet, porque, para além de ter Internet em casa, os seus professores raramente apelam ao uso da rede como recurso pedagógico, o que a seu ver é incorrecto, dado que “poderia ser uma coisa muito interessante”.


Elias, nível 3, entrevista 8

Na escola praticamente não usa a internet, salvo na aula de história.


Utilização regular

Nas entrevistas pode verificar-se que a utilização regular, embora rara na escola, pode encontrar-se sobretudo entre utilizadores que não têm acesso à internet em casa.


Renato, nível 3, entrevista 10

Frequentava o sexto ano quando acedeu à World Wide Web pela primeira vez. O motivo foi um trabalho para a escola, (do qual não se recorda o tema) e esta foi o local da primeira viagem virtual. De resto, ainda é na escola que Renato mantém um uso mais regular.


Pouca utilização da internet nos tempos lectivos como recurso pedagógico

Essa pouca utilização é acompanhada frequentemente por comentários dos jovens que consideram ser desejável maior frequência e aproveitamento, como recurso pedagógico, da internet.


Susana, Nível 5, entrevista 14

Em todo o caso, a julgar pelos professores de Carolina, estes não valorizam a Internet como recurso pedagógico e são “totalmente alheios; não usam, nem incentivam”, lamenta. De resto, nunca navegou na escola, pois tem em casa.  


Salomé, Nível 5, entrevista 16

Salomé compreende que estes não recomendem ‘sites’ quando grande parte dos colegas não tem ligação em casa, mas confessa ter gostado das poucas experiências que teve em que a Internet era um recurso escolar, e lamenta que essas ocasiões não se repitam com mais frequência.


Luísa, Nivel 1, entrevista 3

Há também uma professora que, por vezes, leva a turma até à sala de informática: a de História. “A professora quer que façamos pesquisas pois estamos a fazer um CDRom e eu faço pesquisa sobre Hollywood, que é o meus tema. “(…). Porém, a estratégia de usar a Internet como um recurso pedagógico é exclusiva da professora de História e Luísa agradece: ”acho muito engraçado – é uma aula diferente”. Os restantes professores continuam a deixar a Internet de fora da sala de aula.



Utilização intensa

Mesmo assim alguns jovens assumem uma utilização intensa embora nem sempre exclusivamente pedagógica. Vejamos o caso da jovem anterior:


Luísa, Nivel 1, entrevista 3

Luísa é uma presença habitual na sala de informática da sua escola. Sempre que pode, vai verificar se o computador está desocupado para poder surfar na ‘World Wide Web’. Nunca se deparou com restrições em relação ao tempo que passa em frente ao computador, nem ao número de vezes que vai à sala. Primeiro que tudo, vai ver a caixa do correio, pois tem o hábito de escrever aos amigos as palavras que ficam por dizer frente a frente. O mesmo se passa no ‘chat’– em geral, conversa com os colegas e não com desconhecidos.


Nalguns casos, há uma utilização intensa numa só disciplina, como neste exemplo:


Francisco, nível 3, entrevista 9

…na escola a professora de matemática recorre bastante à Internet como recurso pedagógico: durante as aulas propõe aos alunos que visitem ‘sites’ cujos conteúdos incluem “jogos relacionados com a matéria que estamos a dar”, ou então, simplesmente deixa-os “pesquisar o que nos apetece”. O que lhes apetece salvo seja.... há actividades proibidas: como por exemplo, o ‘mIrc’. Luís nunca “falou” naquele programa, mas já viu outros colegas fazerem-no. Na escola é proibido usar, porque, segundo ele, houve “uma bronca relacionada com o teor das mensagens que as pessoas trocavam”. Mas voltando às aulas de matemática: são as únicas em que se usa o ‘PC’, o que para Francisco é motivante: “se ela (a professora) gosta da ‘net’ e eu também, logo temos algo em comum, o que me motiva mais para a disciplina dela”, conclui.


Este exemplo mostra, de viva voz, como um um jovem reconhece alguma partilha de identidade com um seu professor, predispondo-o tal partilha para uma maior motivação na aprendizagem.


Utilização dos alunos como monitores

Num caso, um entrevistado refere a valorização das suas capacidades na internet, sendo utilizado como monitor na sala de informática.


Rogério, nível 5, entrevista 13

No ano passado foi monitor de Internet na sua escola: estava uma hora por semana na sala de informática para esclarecer as dúvidas dos que se iniciavam na Internet. Apesar de as preferências dos colegas irem para os programas de ‘chat’ não concorda com a exclusividade do uso da net, nas escolas, para pesquisa. É que: “o chat não é o fim do mundo e as pessoas devem conciliar o trabalho com o entretenimento”.


Alguns outros aspectos serão de salientar, nomeadamente


* O acesso à internet está quase sempre mais ligado a um espaço não lectivo do que aos espaços lectivos: uma sala de informática, um Centro de Recursos, uma biblioteca, mostrando também a importância destes espaços como locais de auto-aprendizagem. Este estado actual dos dispositivos de consulta coloca a questão de saber se não teria sentido, para levar a cabo pedagogias de diferenciação, ter um ou algum equipamento no interior das próprias salas de aula de modo a permitir consultas a pequenos grupos de trabalho e a consultas focalizadas nas disciplinas (o que algumas Escolas praticam como a Escola Secundária Camões, em Lisboa).


* As condições de utilização variam de escola para escola. Nuns casos existe alguma vigilância noutras parece não existir qualquer entrave estando os alunos quase entregues a si próprios (um entrevistado afirma mesmo que há alunos que faltam às aulas para acederem à internet).


* Também os conteúdos em acesso são nalguns casos mais livres, noutros mais controlados. Há alguns entrevistados que falam na utilização de jogos e de chat pelos alunos o que, noutros países como o Canadá, se revela praticamente impossível. Os investigadores canadianos consideram esta situação, no seu país, como uma domesticação pedagógica excessiva da internet. Trata-se de um domínio difícil para as escolas dados os riscos da navegação livre (contacto fácil com conteúdos pornográficos, por exemplo, ou a prática do chat como forma de encontros directos –ver depoimento anterior).


2. A internet em casa


A percentagem dos jovens interrogados que declara ter acesso à (45%) internet no lar é muito elevada. Tão elevada que representa um resultado mais alto do que é admitido para o nível de equipamento informático, nesse ano, nos lares portugueses bem como no acesso à internet. Assim na evolução da percentagem de posse de computador nas famílias os indicadores estatísticos publicados pelo Observatório das Ciências e das Tecnologias em Março de 2002 dão 14% de lares equipados em 1997, 27% em 2000 e 39% em 2001. As ligações à internet são de 2% em 1996, 6% em 1997 mas em 2000 são 22% e em 2001 seriam já 30% (Mata, 2002).

Noutro local já pusemos em relevo uma possível explicação para os dados da nossa investigação estarem inflacionados neste aspecto. Lembremos que tratámos dados apenas em escolas de Lisboa e Coimbra, escolas com algum equipamento informático, sendo provavelmente também a sua localização no interior das cidades explicativa de um predomínio de classes medias, mais estáveis economicamente e, por isso, mais predispostas a investigar no computador e na internet como equipamento doméstico. No entanto, nas entrevistas, ouvimos alguns casos de jovens com famílias operárias ou de serviços pouco qualificados revelarem terem já computador e, nalguns casos, terem mesmo acesso à internet ou terem uma expectativa forte de a vir a ter em breve. Trata-se de um sector que revela uma expansão fortíssima: basta acentuar que os utilizadores da internet, em 1999, seriam 2% e em 2001 seriam já 30%.


A iniciativa de se equipar com a internet pode vir dos pais, normalmente quando estes estão em profissões ligadas ao ensino.

Ricardo, nível 1, entrevista 4

A iniciativa de colocar uma ligação à Internet em casa foi dos pais.


Roberta, nível 1, entrevista 1

A família, de quatro pessoas, tem três computadores em casa, porque o pai, professor de uma Faculdade em Lisboa, “fartou-se que todos utilizassem o computador dele e acabou por comprar mais dois computadores”, sendo que um está no seu quarto.


Noutros casos, esta iniciativa parental não existe. Existem mesmo entraves da família para que a ligação à net se efective.

Francisco, nível 3, entrevista 9

É o principal utilizador do computador que tem em casa, embora, por vezes o pai também faça “algumas coisas”. Ainda não tem Internet em casa, porque o pai desconfia da utilidade que Francisco daria à rede. Receia que o filho fosse buscar aquelas imagens pouco convenientes para um jovem da sua idade: “o senhor sabe”, explica timidamente, referindo-se às imagens pornográficas. Mas este ano muita coisa mudou e acredita que conseguiu convencer o pai que não tem interesse “nessas coisas”.


Há casos em que a dificuldade económica é apontada como o motivo da ausência.


Renato, nível 3, entrevista 10

Convencer a família a comprar um computador não foi fácil, mas desde que adquiriram um 486, que o Renato o elegeu o melhor amigo, logo seguido da rádio e da televisão. No entanto, a ligação à Internet faz-se sempre do exterior do domícilio (na escola, ou em casa de amigos). A ligação ao mundo, através de um Personnal Computer levanta objecções por parte da mãe, que argumenta que a modernização do computador e a ligação à Internet acarretariam custos muito elevados.


Nalguns casos são os jovens os desencadeadores deste equipamento, quase sempre com argumentos ligados aos trabalhos escolares, embora neste caso também exista um argumento de escolha de um modo de estar:

Susana, nível 5, entrevista 14

“Pedi para ligar a ‘net’ em casa porque achei que era importante para o meu dia-a-dia e para os trabalhos da escola”, lembra.


Nas entrevistas os jovens que ainda não possuem internet afirmam, com alguma regularidade, que estão convictos que acabarão por a vir a ter, argumentando quase sempre, junto dos pais, com o benefício para as actividades escolares e, mais raramente, com a comparação com os outros (vizinhos ou amigos que já estão equipados).


3. Credibilidade


Na parte quantitativa deste estudo pode verificar-se que os jovens confiam na informação que a internet contém. Porém, nas entrevistas, questionados, acabam por hierarquizar os graus de confiança atribuindo quase sempre maior credibilidade a sites oficiais ou institucionais.


Susana, nível 5, entrevista 14

Confia na informação que encontra na rede, mas Susana sublinha que, para si, tudo depende da fonte: “dou maior credibilidade a páginas de museus, escolas ou jornais”, exemplifica.


Ricardo, nível 1, entrevista 4

Se for a uma página oficial tem mais confiança que se for à página pessoal de alguém.


Joaquim, nível 3, entrevista 5

“Tenho alguma desconfiança em relação às informações da Internet: qualquer pessoa pode meter informação na internet e não há quem controle o rigor das informações. Há sites em que confio mais como o da MTV ou da CNN.”


Tiago, nível 3, entrevista 6

Tiago diz que se pode confiar na maior parte das informações, embora algumas sejam completas mentiras. Em alguns casos tem absoluta confiança como no site da NBA. “A confiança depende de quem faz e de eu ter alguma informação sobre quem faz.”


Mesmo os sites institucionais chegam a ser questionados, embora muito raramente, pois pode haver interesses que distorçam a informação.


Joana, nível 3, entrevista 7

A informação que se obtém através da Internet merece-lhe uma credibilidade com reservas: “é de confiar assim-assim”, contudo, desvaloriza a questão: “é assim em todo o lado”. Quando questionada acerca da fiabilidade da informação veiculada pela MTV a sua resposta é o silêncio, seguido de “talvez”. Apressa-se a explicar: “não é que a estação ponha coisas falsas no ar.... nem é por mal, mas às vezes, pode acontecer (um erro), ou mesmo coisas que lhes convêm”. Admite que o grau de credibilidade depende do site onde consta a informação: se for o site de um cidadão anónimo as reservas serão maiores do que as que levanta no caso da informação vir de um jornal.


Trata-se de um aspecto muito interessante que pode ser um dos pontos maiores de entrada da educação para os media no mundo da internet. Há uma intervenção a ser feita junto dos jovens para se reflectir sobre a credibilidade das fontes da informação a partir de experiências de consulta da internet.


4. O futuro


Sobretudo nas entrevistas foi possível compreender com clareza que os jovens não consideram viável e realista um cenário illichiano de uma sociedade sem escola que a internet ajudaria a construir. Os jovens, quase sempre, referem a necessidade do contacto com os professores e com os colegas sentindo a necessidade da relação para construir a aprendizagem e para acompanhar o seu crescimento pessoal. Mesmo assim, num ou noutro caso, há a antevisão de um futuro sem escola:


Lucília, nível 5, entrevista 15


Está convencida que o futuro da escola, tal como a conhecemos hoje, também está comprometido. E explica: uma vez generalizado o uso da Internet em casa, e podendo ver-se uma pessoa do outro lado estão reunidas as condições para que as deslocações ao estabelecimento escolar deixem de ser necessárias.  A ideia parece não lhe agradar muito, pois sublinha que vai faltar o convívio entre os colegas e os professores.


Mas o pensamento mais comum é o de considerar a escola imprescindível.


Francisco, nível 3, entrevista 9


Francisco acredita também que a escola é insubstituível, pelo menos, pela Internet. Explica que o que se diz entre os alunos não corresponde bem ao que eles sentem: “até podemos dizer que é aborrecido estar na escola e ter de aturar os stôres,” mas não será bem assim, porque na verdade parece que “toda a gente precisa da seca dos professores”. Afinal, é através dos stôres que “captamos a matéria”. Por isso, nem quer pensar na escola virtual, mesmo com a hipótese de “ser ao vivo” - resposta de Luís não deixa dúvidas: “nunca seria a mesma coisa”.


Ricardo, nível 1, entrevista 4


(…) considera que “a Internet nunca pode substituir a escola porque a escola é um sítio muito importante para fazer amigos. É mais divertido e mais fácil aprender na escola que na Internet pois na escola está-se em contacto directo com os professores e com os colegas e na internet não.”


Luísa, nível 1, entrevista 3


Mas há coisas que a net nunca irá substituir, pelo menos segundo as perspectivas desta jovem: a escola, é um dos exemplos, porque “precisamos sempre de um professor para explicar a matéria”. As lojas são outro aspecto que, por enquanto, ainda não têm em Luísa uma potencial cliente: primeiro tem que “ver e só depois” se decide pela compra. Supõe-se pois, que quando Luísa diz ver significa ver e tocar, algo que não é possível através da Internet.


Chegam a apontar-se mesmo fragilidades de uma escola que hipoteticamente se viesse a basear na internet.


Tiago, nível 3, entrevista 6


“A internet nunca substituirá a escola: a escola é … a escola. Na escola aprendemos tudo. Na internet aprende-se mas não tanto. Um professor que der aulas na internet nem sequer sabe se o aluno lá está ou se se foi embora e ele está a falar para o boneco,” diz.


7. COMPARAÇÃO INTERNACIONAL

Projet de synthèse internationale

Nota: este texto é incluído em francês mas está a ser traduzido para futura inclusão em português.

INTRODUCTION


• Un écart important dans les taux d'utilisation des différents pays

Globalement, il semble que l'écart le plus significatif entre les populations étudiées se situe entre le Québec d'un côté et les 5 pays européens de l'autre, et concerne le nombre de jeunes se déclarant utilisateurs d'Internet : si 99% des Québécois déclarent avoir déjà utilisé Internet au moins une fois, les jeunes européens ne sont que 71% en moyenne, avec des disparités importantes allant de 82% pour les Portugais à 37% pour les Andalous. L'analyse des usages déclarés d'Internet, et à plus forte raison de son appropriation, ne concerne donc qu'un nombre parfois limité de jeunes.

Cet écart conduit également à s'interroger sur la manière dont se sont construites les représentations que ces jeunes ont d'Internet. On peut penser qu'au Québec, c'est plutôt à travers ce qu'ils ont expérimenté que s'est forgée leur représentation du réseau, alors que dans les pays européens, les discours médiatiques semblent jouer un rôle important.






REPRÉSENTATION


Des perceptions modérées


Engouement sans fascination

Dans tous les pays concernés par l'enquête, les adolescents qualifient très majoritairement Internet de "révolutionnaire", mais en utilisant ce terme plutôt dans le sens d'une évolution radicale que d'une véritable révolution. Loin des discours encore de mise, souvent excessifs tant dans le panégyrique que dans l'anathème, les jeunes, autant dans la perception qu'ils ont d'Internet que dans l'usage qu'ils en font, témoignent d'une modération qui s'accorde assez logiquement avec l'impression partagée qu'Internet, quoique reconnu technologiquement comme “ révolutionnaire ”, s'intègre facilement au quotidien et sans perturbation majeure.




Internet, c'est un outil “ extraordinaire ”, mais ce n'est pas une panacée

La très grande majorité des jeunes ont une perception extrêmement positive d'Internet ; cet outil, par les pratiques qu'il permet, leur paraît pleinement justifié et souhaitable : ceux qui y ont accès n'envisagent pas de s'en passer ; ceux qui n'en disposent pas aspirent à pouvoir en disposer un jour. Jugement majoritairement favorable et enthousiaste donc, mais non absolu ; loin d'être une panacée, Internet possède aussi ses limites aux yeux des adolescents. C'est en particulier ce que déclarent les jeunes Françaises, qui émettent des avis plus mesurés que les garçons.



Internet

pour se divertir et pour communiquer


Un moment de détente avant tout

Les jeunes considèrent Internet avant tout comme un instrument de divertissement, même s'ils en reconnaissent l'intérêt comme outil d'apprentissage et professionnel. Cette perception se retrouve dans tous les pays, à l'exception toutefois de l'Espagne où les jeunes semblent davantage associer Internet à des activités plus sérieuses. Elle recouvre autant une réelle pratique du loisir (celle du jeu ou du chat, par exemple) que celle d'activités autrement plus complexes (telles que la recherche d'informations, la rédaction de courriers électroniques, etc) mais qu'Internet permet d'aborder de façon détendue. Cette caractérisation désigne moins ce qu'on peut faire avec Internet que la manière plaisante de le faire ; c'est là le grand attrait d'Internet.


Un outil au service de leur envie de communiquer

Par sa rapidité, sa facilité, les possibilités d'aller à la rencontre de l'inconnu, la communication apparaît aux jeunes comme l'aspect le plus séduisant d'Internet. Parmi la diversité des actions possibles, la dimension communicative tient une place considérable dans la perception que ces jeunes ont du réseau, même si l'utilisation qu'ils en font reste souvent bien en deçà de ce qu'ils imaginent.



La fiabilité de l'information


Le réseau est immense et infini

Les jeunes sont souvent convaincus qu'Internet recèle énormément de savoirs et d'informations — il faut toutefois savoir chercher — ; ils comparent volontiers le Net à une mégabibliothèque, une encyclopédie sans limites et en constante expansion.


L'information qu'on trouve sur Internet est fiable…autant que dans les autres médias

Les jeunes interrogés ont un a priori favorable vis à vis d'Internet et sont près des deux-tiers à faire confiance aux informations qui circulent sur le réseau (les trois-quarts des Portugais). Pourtant, ils ne leur font pas une confiance aveugle et sont à peu près aussi nombreux à juger nécessaire un contrôle des sites. La plupart d'entre eux ont entendu parler de "dangers" liés à Internet, mais plus rares sont ceux qui y ont été confrontés directement. Le plus souvent, leur perception d'un "danger" provient des discours médiatiques et parentaux et la crainte qu'ils éprouvent est d'autant plus grande qu'ils connaissent mal Internet : moins les jeunes l'utilisent et moins ils lui font confiance.

Les jeunes n'interrogent pas spontanément la crédibilité et la fiabilité de l'information ; pour eux, la question ne se pose pas plus pour Internet que pour les autres médias (le livre, la presse, la télévision…), exception faite des pages personnelles, lieu d'expression et d'opinions individuelles, dont ils reconnaissent la nature subjective. Pour le reste, ils s'en remettent au “ bon sens ”.

Mais lorsqu'on leur donne des exemples de dangers et qu'on les pousse dans leur réflexion, ils admettent volontiers qu'il faudrait non pas interdire les sites, mais plutôt informer les jeunes (toujours les plus jeunes qu'eux), en évitant de mettre tous les "risques" sur le même niveau : en France et au Potugal, par exemple, ils considèrent comme moins préoccupante la présence de sites pornographiques ou pédophiles que celle de sites racistes.




Chacun plutôt dans sa langue

L'anglais prédomine sur le Web ? En fait, les jeunes estiment qu'il y a assez de sites dans les différentes langues pour ne pas se sentir “ à l'étranger ” sur le réseau, pour ne pas voir sa langue maternelle menacée. La connaissance de l'anglais leur semble souhaitable, mais pas essentielle ; l'anglais est considéré comme un outil utile pour naviguer, pour se servir d'Internet; mais les contenus qu'on y cherche ou qu'on produit - en particulier sur les chat - se rencontrent aussi dans la langue de chacun.

Contrairement aux médias traditionnels (la presse, la radio, la télévision), Internet permet un “ libre-échange ” des langues : la question de savoir en quelle langue on navigue ne se pose pas.



Internet,

un complément plus qu'un concurrent


Le commerce en ligne pour certains, pas pour eux

Les adolescents expriment beaucoup de méfiance et de réticence face au commerce électronique (téléachat). Et même s'ils partagent l'idée que cette fonction commerciale est appelée à se développer, en particulier pour ceux qui ont des difficultés à se déplacer, très peu sont prêts actuellement à faire confiance à ce type de transaction financière, ou à abandonner leurs sorties dans les magasins avec les amis ou certains membres de leur famille. Ils sont ainsi peu nombreux à activer les encarts publicitaires sur les sites Web.


L'école irremplaçable

Dans aucun des pays concernés Internet n'est perçu comme pouvant tenir lieu de substitution d'école. Sept jeunes sur dix, et particulièrement les filles, se prononcent contre l'idée qu'Internet pourrait remplacer l'école.


La télé préservée

Six jeunes sur dix ne pensent pas qu'Internet puisse remplacer la télévision, mais on note sur cette question des disparités importantes entre le Québec (69%) et l'Espagne (46%). Il est possible que cet écart soit lié au fait que les Québécois interrogés sont tous des utilisateurs alors qu'à peine 4 Andalous sur 10 ont déjà utilisé Internet.

Les non-utilisateurs pensent que l'attrait d'Internet pourrait faire passer la télévision au second plan. Les données concernant l'usage d'Internet confirment qu'un jeune utilisateur sur trois déclare regarder moins souvent la télévision, quelque soit le pays concerné.



UTILISATION


• La variation des pratiques


La pratique diffère suivant l'âge et le sexe ; elle évolue surtout avec la connaissance d'Internet

Filles et garçons ont beaucoup de pratiques identiques : les unes et les autres sont très nombreux à déclarer visiter des sites Internet (91%), utiliser les outils de recherche (91%), chercher des images (87%), envoyer du courrier électronique ((72%), et peu nombreux à laisser des commentaires sur les sites visités (30%), répondre à des sondages ou à des questionnaires (26%), créer des pages Web (25%), participer à des groupes de discussion (25%), cliquer sur des messages publicitaires (21%), commander des produits (11%). Cependant, les filles ont une prédilection plus marquée que les garçons pour le chat, et les garçons pour le téléchargement de musique et d'extraits vidéo.

Au Québec, les plus jeunes garçons jouent et téléchargent des jeux ; les plus vieux se consacrent davantage à la visite de sites et à la recherche d'informations… Ces différences ont toutefois tendance à s'estomper avec le temps et la pratique régulière d'Internet. On y retrouve plutôt une variété d'usages de plus en plus individuels et personnalisés.

En France, deux grands groupes aux représentations et aux pratiques distinctes émergent :

- d'un côté les usagers faibles ou nuls, les plus jeunes (moins de 15 ans) et plutôt les filles,

- de l'autre côté, les grands usagers, les plus âgés (15-17 ans) et plutôt les garçons.

Les jeunes du premier groupe ont découvert Internet récemment, à la maison ou à l'école, et l'utilisent peu. Leur pratique prend place essentiellement dans le cadre familial, et ressemble souvent à une balade sur le Web dépourvue d'objectifs très précis. Internet est pour eux un objet passionnant aux possibilités multiples, qui reste un peu mystérieux dans son fonctionnement. C'est dans ce groupe que se manifestent le plus souvent des réserves, parfois de l'inquiétude, devant un phénomène qu'ils ne maîtrisent pas, dont ils ont des échos parfois négatifs et dont ils mesurent mal l'incidence sur la vie quotidienne dans les années à venir.

Les jeunes du deuxième groupe, en particulier les plus de 15 ans, ont découvert Internet il y a un an et plus, plutôt chez des amis. Ils se caractérisent avant tout par la multiplicité de leurs activités sur Internet : ils pratiquent aussi bien le Web que le chat, consultent, impriment, téléchargent, communiquent en fonction de leurs besoins et de leurs envies du moment, sont seuls ou avec des amis selon l'activité qu'ils pratiquent… Pour eux, Internet est à la fois un outil très utile, une source de loisir, une mine d'informations, un moyen de s'ouvrir sur le monde. C'est dans ce groupe que l'on trouve le plus de jeunes portant les jugements les plus positifs et les plus affirmés sur Internet – ils le trouvent révolutionnaire, facile, fiable, indispensable – et réfutant le plus fort les arguments évoquant les dangers d'Internet.


• Le contexte des pratiques


La pratique est plutôt individuelle, mais elle n'est pas solitaire

Les jeunes déclarent massivement (88%) être seuls face à l'écran. Au Québec tout particulièrement, les parents sont très rarement conviés, les frères, sœurs ou amis sont tolérés comme une faveur qui leur serait accordée. Mais la pratique solitaire n'implique pas la solitude ni l'impression d'isolement.

Elle n'est pas non plus une pratique exclusive : un jeune sur deux déclare également aller sur Internet avec des amis.

En France, les jeunes vont fréquemment seuls sur Internet, en particulier les grands utilisateurs qui, tous, le pratiquent seuls à un moment ou à un autre. Mais cette pratique en solitaire n'est jamais exclusive d'une pratique accompagnée : un petit utilisateur sur quatre n’est jamais seul face à son écran et plus des trois-quart des gros utilisateurs déclarent aller aussi sur Internet avec des amis. On ne peut donc pas dire que la pratique d'Internet couperait les jeunes de leur environnement amical et familial, elle est très loin d'apparaître comme une activité exclusivement solitaire. Les partenaires privilégiés des jeunes Français diffèrent selon leur degré de pratique : les petits utilisateurs choisissent de préférence leur entourage familial, les utilisateurs plus confirmés s’associent à leurs amis, qui prennent une place de plus en plus importante avec l'augmentation de la pratique. Au total, ce qui est marquant en France, c’est que plus on utilise Internet et plus on multiplie les cas de figure.


Un contôle parental peu perçu par les jeunes

D'après ces jeunes, une fois prise la décision d'accepter le branchement, les parents interviennent peu sur l'usage que font leurs enfants d'Internet, qui, pourtant, deviennent souvent les premiers utilisateurs du Net à la maison.

En France, c'est le temps passé sur Internet que semblent contrôler les parents (mais un parent sur deux seulement, pour des raisons de coût), plutôt que les sites visités ou, encore moins, les activités d'ordre communicationnel.


On échange entre pairs à propos d'Internet, on n'en discute pas avec les parents

Les discussions sur Internet se développent majoritairement entre pairs aux dépens des relations “ intergénérationnelles ”.



• La liberté et le contrôle


Le plaisir d'Internet : le pouvoir de piloter

L'attrait du Net — ce qui le distingue des médias traditionnels comme la télévision, dont les “ programmes sont imposés ” sans interaction possible — repose, pour les utilisateurs les plus avertis, sur la possibilité qu'il offre de pouvoir agir et diriger soi-même, à son gré, le mode de consultation désiré. La diversité des opérations possibles (de la navigation au téléchargement, du chat à la création de pages Web) et la variété des modes d'opérations laissent à l'internaute qui possède une bonne pratique le pouvoir de piloter ses choix.



• La réalité des pratiques


Malgré l'immensité du réseau, une tendance à tisser de “ petites toiles personnelles ”

L'usage tend à restreindre le champ des possibles. Chacun tisse sa petite toile : on ratisse les mêmes sites connus ; on chatte avec les proches ; on explore peu de nouveaux domaines. A une exception près, la possibilité de se faire de nouveaux amis : en Italie, en France et au Québec, quatre jeunes sur dix déclarent s'être fait des amis sur Internet, alors qu'ils sont au moins les trois quarts à l'affirmer au Portugal et en Espagne.

L'activité dominante de ces jeunes, qu'elle soit d'ordre encyclopédique ou communicationnel, consiste beaucoup plus à revisiter des terrains connus qu'à tenter l'exploration de nouvelles parties du réseau. On est souvent très loin de l'image du jeune internaute qui, grâce au branchement Internet à la maison, communique avec des correspondants du monde entier ou passe son temps à explorer de nouveaux domaines de connaissance.

Ainsi, en France, on constate un décalage entre les représentations que les jeunes ont d'Internet, l'utilisation qu'ils en font réellement, et celle qu'ils prêtent à tel ou tel public. Ils jugent "révolutionnaires" les possibilités de communication à travers le monde entier, mais utilisent souvent le courrier électronique et le Chat pour rester en contact avec des parents ou des amis. Ils estiment qu'Internet est (ou sera) un outil de travail très utile, au moins dans certaines professions, mais s'en servent avant tout comme d'un divertissement. Ils ne sont généralement pas prêts à faire leurs achats en ligne, mais soulignent l'intérêt du commerce électronique pour les personnes âgées et handicapées. Ils apprécient particulièrement la richesse documentaire potentielle du réseau, et pourtant limitent généralement leur consultation du Web à un petit nombre de sites.


Voyage en Internet : souvent une suite de lieux sans liens

Les jeunes ont peu la mémoire des sites visités et de leurs pérégrinations sur le Net. Ils passent d'un site à un autre sans souci du “ chemin ” pour s'y rendre. La très grande majorité a une idée plutôt vague de l'architecture de l'ensemble ; les jeunes naviguent “ sans carte ” et sans crainte de se perdre. Ils privilégient le recours direct aux adresses http plutôt que l'aide des moteurs de recherche, sauf en France ; ils utilisent peu le marquage par signet. Une flânerie paradoxale : on emprunte le parcours le plus court sans objectif précis à atteindre. Chez les petits utilisateurs, le surf renvoie à une consommation instantanée, éphémère et sans trace. En France, les filles semblent avoir des modes de consultation moins variés que les garçons. Elles sont beaucoup moins nombreuses à trouver un site en écrivant une adresse, en l'imaginant ou en utilisant les signets.

Ils découvrent de nouveaux sites principalement grâce à leurs amis (76%), mais aussi à travers les médias audiovisuels et la presse écrite (70%), et, au Québec uniquement, grâce à leurs enseignants (43%). La famille ne joue pas ici un rôle majeur.



• Conformisme et consommation


Internet, pour faire encore plus la même chose

Pour la majorité des adolescents, Internet est loin d'être un lieu d'exploration et d'exploitation des ressources alternatives à la culture commerciale. Ils fréquentent peu les sites personnels, communautaires ou associatifs. S'ils restent amateurs de sites liés à leurs passe-temps favoris (musique, cinéma, jeux), ils se contentent généralement de prolonger sur Internet les relations qu'ils entretiennent avec des entreprises phares de l'industrie du divertissement largement sponsorisées par les grandes marques de vêtements et d'équipements sportifs (production musicale, cinéma, jeux vidéo, mode, sport professionnel, y compris les grandes chaînes de télévision et de radio). Il s'agit avant tout d'une fréquentation passive plutôt que d'une consommation raisonnée qui les laisse réticents.


APPROPRIATION

• Les lieux d'accès


C'est surtout à la maison que ça se passe 

L'élément le plus déterminant des relations entre l'adolescent et Internet est incontestablement la présence ou non d'un branchement à la maison. Cet accès permet au jeune d'utiliser Internet beaucoup plus souvent et plus régulièrement ; la pratique est plus soutenue et plus sophistiquée. Les conditions mêmes de cet accès plus libre, plus autonome, plus individuel, diffèrent notablement de ce qu'offre le milieu scolaire.

On note qu'en France, l'utilisation à la maison s'appuie plus facilement qu'à l'école sur des pratiques de groupes, et que les amis jouent un rôle déterminant, puisqu'ils peuvent fournir un accès commode à Internet pour un jeune sur deux.



• La place des médias traditionnels


Internet et les autres médias, partenaires plus qu'adversaires : une cohabitation sans expropriation

Un peu moins de télévision et de vidéo, mais plus de musique, la part de la lecture et des sorties restant presqu'inchangée… Le plaisir de naviguer ne remplace pas les plaisirs différents que procurent la télévision, le cinéma ou la lecture. Internet n'occupe pas la place des autres médias, il s'y ajoute et les complète. Qui plus est, Internet cohabite bien avec la musique : on peut l'écouter pendant qu'on navigue, on peut la télécharger (MP3).



• L'intégration d'Internet


Un décalage en fonction de l'ancienneté de l'implantation

Au Québec, “ révolutionnaire ” sans révolution, Internet — malgré sa nouveauté et l'ampleur rapide de son déploiement — est remarquablement absorbé, et sans perturbations, par l'environnement normal et quotidien du jeune ; il devient vite une occupation parmi les autres. Il s'intègre aux activités courantes sans s'y substituer. Le temps consacré à Internet provoque plus un déplacement qu'un remplacement des habitudes.

En revanche en France, même si les jeunes interrogés sont très nombreux à estimer qu'Internet prendra sa place tout naturellement, sa pratique reste une activité hors du commun pour la majorité d'entre eux.



• Le statut d'Internet


Un engouement modéré ; une fascination raisonnable

Les usages excessifs sont l'exception ; l'effet de dépendance est infime. La grande majorité des adolescents a une perception et une utilisation modérées et raisonnables d'Internet ; en outre, cette modération “ croît avec l'usage ”. Ce seraient bien les jeunes qui s'approprient Internet et non Internet qui s'emparerait des jeunes.


"L'aura Internet"


La perception d'Internet est à ce point positive qu'il n'est pas exagéré de parler de "l'aura Internet" pour résumer l'attrait qu'exerce sur eux ce "nouveau média". Même chez ceux qui se disent, au départ, peu attirés par les nouvelles technologies et le monde des ordinateurs, Internet jouit d'un statut particulier.

En raison de sa convivialité et de sa polyvalence, Internet peut répondre aux besoins et aux goûts de chacun. Internet offre, de l'avis des jeunes, toutes ces possibilités à la fois. Il n'est donc pas surprenant que ce soit sur le mode du superlatif, et avec beaucoup d'enthousiasme, que la très grande majorité des jeunes nous parlent de possibilités quasi illimitées qu'offre Internet, selon eux.




• La place et le rôle de l'école


Internet à l'école : appropriation en cours…

C'est à l'école que plus de la moitié des jeunes ont découvert Internet. Mais, au-delà de ce rôle d'initiation, l'intégration d'Internet dans les pratiques pédagogiques est encore très irrégulière. Malgré les investissements consentis et hormis les écoles dont l'informatique est la spécialité, la présence active d'Internet à l'école est souvent tributaire d'un enseignant engagé et convaincu. Appropriation en outre limitée, car les stratégies d'apprentissage développées à l'école autour d'Internet semblent, aux yeux des jeunes, confiner ces approches au milieu scolaire exclusivement, disjointes en cela du champ des pratiques extra-scolaires.


Internet à la maison et à l'école : deux mondes différents

À la maison, on a plus facilement la liberté d'accéder à Internet quand on veut et pour y faire ce qu'on veut ; à l'école, Internet n'est accessible qu'à certaines heures pour y mener des activités bien précises et encadrées (recherche documentaire, construction de pages Web) alors que d'autres sont le plus souvent interdites (chat, téléchargement, jeux). Deux contextes d'usage différents, qui s'ignorent plus qu'ils ne se complètent.


Internet et l'école : que l'écran n'efface pas le tableau ni le prof

Les jeunes souhaitent tous une présence renforcée d'Internet à l'école, autant comme outil d'apprentissage que parce qu'ils estiment essentiel d'en bien connaître le mode d'emploi, condition nécessaire à leur future intégration professionnelle. Les adolescents sont convaincus qu'une grande part de leur acquisition du savoir peut passer par Internet, à l'école ou ailleurs. En revanche, ils sont également très conscients du fait qu'Internet ne peut remplacer physiquement l'école dans sa structure classique (classe, professeur et tableau) ; pour eux, l'école est une occasion de socialisation que la virtualité du Net ne peut remplacer.


CONCLUSION


• Permanence et diversités du portrait internaute



Depuis 1997, pas de changements majeurs, mais des ajustements

Malgré la croissance soutenue du nombre de branchements et des facilités d'accès, nous constatons une relative constance dans le profil des perceptions et des attitudes des jeunes observés durant ces trois années. Les tendances en développement qui émergeaient dans la première étude se précisent aujourd'hui comme une réalité plus concrète et plus clairement énoncée par les jeunes eux-mêmes. Les éléments nouveaux avancés dans la présente enquête permettent de nuancer et d'affirmer davantage les résultats précédents, sans les modifier fondamentalement ni les contredire.


Pas de portrait type du jeune internaute, mais des traits dominants et des variations importantes

Les conditions et les lieux d'accès et de pratiques (le fait que le jeune dispose ou non d'un branchement chez lui ; le fait que le jeune ait l'occasion d'une pratique plus ou moins intensive à l'école) engendrent des approches d'Internet très distinctes. Le sexe, l'âge, le niveau de pratique et la familiarisation plus ou moins acquise face à Internet sont autant de variables qui influencent les modes d'usage, les objectifs recherchés et la manière de les atteindre. Ainsi en France, plus on pratique et plus l'usage se diversifie. On constate également que les filles sont de moins grandes consommatrices d'Internet.




REFERÊNCIAS


Browning, Gary, Halcli, Abigail, Webster, Frank (Editores), Understanding contemporary society: Theories of the present, London, sage Publications, 2000

Cabral, Manuel Villaverde e Pais, José Machado, (Coordenadores), Jovens Portugueses de Hoje, Oeiras, Celta, 1998

Castells, Manuel, La galaxie Internet, Paris, Fayard, 2001

Flichy, Patrice, L’imaginaire d’Internet, Paris, Editions La Découverte, 2001

Lévy, Pierre, Cyberdémocratie, Paris, Éditions odile Jacob, 2002

Mata, João (Coord), Sociedade de Informação: Principais indicadores estatísticos-Portugal, Lisboa, Observatório da Ciência e da Tecnologia, Ministério da Ciência e da Tecnologia, Março 2002

Schneidermann, Daniel, Les folies d’Internet, Paris, Fayard, 2000

Sennet, Richard, L’uomo flessibile: Le conseguenze del nuovo capitalismo sulla vita personale, Roma, Feltrinelli, 1999

Valentini, Giovani, Media Village: L’informazione nell’era di Internet, Roma, Donzelli Editore, 2000


ANEXOS


ENTREVISTAS


Nas entrevistas foi decidido escolher os entrevistados nos níveis 1, 3 e 5 e sendo 16 o número de entrevistas que realizámos.

Confrontámos os entrevistados com uma escala dce zero a dez para estes se situarem face à internet e a outras tecnologias e recursos (livro, televisão, telefone, etc).

Mudámos também os nomes dos entrevistados que estes por vezes revelam dados sobre o modo de utilizar que não deveriam ser reconhecidos, bem como não revelámos dados que identificariam facilmente os entrevistados no seu meio (preferimos por exemplo, professor na universidade a Professor na Faculdade de…, ou, veio de um país de língua portuguesa à identificação concreta do país).


ENTREVISTA 1

NOME: Roberta

NÍVEL: 1

TIPO DE UTILIZADOR: Regular – no domicílio


Roberta vive com os pais e com o irmão. A família, de quatro pessoas, tem três computadores em casa, porque o pai, professor de uma Faculdade em Lisboa, “fartou-se que todos utilizassem o computador dele e acabou por comprar mais dois computadores”, sendo que um está no seu quarto. Do seu primeiro contacto com a ‘net’, na aula de informática, até hoje muito mudou na sua forma de ‘surfar’.  Actualmente, em sua casa, todos acedem à ‘web’: o pai e a mãe, professora do ensino secundário, maioritariamente por razões profissionais, Roberta e o irmão para procurar informações para trabalhos escolares e como meio de entretenimento.

Utilização


“A primeira vez que utilizei a Internet foi no quinto ano, numa aula de informática, na Biblioteca. Jogámos um jogo em rede umas com as outras. Foi noutra escola, em Loures. Aí tinhamos que marcar e estava lá sempre um professor.”

Na escola que frequenta actualmente nunca acedeu à Internet, porque, para além de ter Internet em casa, os seus professores raramente apelam ao uso da rede como recurso pedagógico, o que a seu ver é incorrecto, dado que “poderia ser uma coisa muito interessante”.

Desde o seu primeiro contacto com a ‘net’ até hoje, muita coisa mudou e sente que, apesar de ‘navegar’ pouco, a eficácia da sua utilização evoluiu: “já faço pesquisas com maior facilidade”. De resto,  essa é a principal razão das suas ciber-visitas: “buscar imagens e informações para trabalhos e músicas com acordes”, porque toca guitarra. Para encontrar o que procura, utiliza em especial os motores de busca portugueses ‘Clix’ e ‘Sapo’ e por vezes, o internacional ‘Altavista’. Talvez por isto não veja a ‘World Wide Web’ como uma ameaça à língua portuguesa. Afinal, até pode haver mais sites em inglês, mas a maioria dos que ela visita são em português.

Na dimensão do entretenimento, chegou a ‘teclar’ com pessoas de outros locais e mesmo a jogar em rede, mas estes hábitos não estão dentro das suas preferências: “foi engraçado”, diz sem grande entusiasmo, e esclarece que nunca fez “amigos na Internet”. Tal como nunca usou a ‘net’ em casa de amigos, até porque sozinha “está mais à vontade”. Roberta explica: “posso procurar o que quero, escolher o que pretendo visitar, onde quero ir”. E como escolhe os sites a visitar? Para além dos resultados dos motores de busca, “há também as sugestões do meu pai e de alguns amigos e os links que encontro nos diversos ‘sites’ que visito” e aos quais acaba por regressar “por causa da actualização”. É também com o auxílio do pai que visita ‘sites’ em alemão.  “Por vezes utilizo o correio electrónico para falar com amigos da escola.”


Representação


Na opinião de Roberta, a Internet serve para “comunicar com pessoas de outros locais e para arranjar informação para trabalhos”. Para além disso, pela Internet consegue-se mais informação do que através da televisão, melhora-se a comunicação entre as pessoas, através do ‘e-mail’, dos ‘chats’ e dos ‘newsgroups’ e muito embora ainda não tenha ultrapassado os livros, também é bastante agradável aprender a partir dela. Concorda plenamente com a ideia de que, de alguma forma, a Internet representa uma revolução.

Roberta apenas lhe atribui sete valores numa escala que vai até dez, somente um valor a mais do que atribui à televisão. É que apesar da própria reconhecer que, “na ‘net’ se controla e com a televisão é-se controlado”, numa alusão clara à possibilidade de interactividade, tão característica da Internet, esta ainda apresenta vários defeitos: “os anúncios virtuais bloqueiam frequentemente o ‘pc’, os ‘downloads’ nem sempre são seguros” e não é muito fácil aprender a usar, na opinião desta jovem. A acrescentar a estas desvantagens, refere ainda que alguma da informação que lhe chega electronicamente não é de todo fiável, como por exemplo os ‘e-mails‘ correntes, alguns com virus, embora no geral até confie “bastante na informação” que encontra na rede. Independentemente da confiança que tem nos conteúdos ‘on-line’, Roberta vê com agrado que os sítios com teor potencialmente perigosos sejam controlados, “por causa das crianças...”, justifica. O controlo deveria ser exercido por uma espécie de “polícia internacional da Internet”, já que Portugal ainda está “um pouco atrasado”.


No topo da lista, com dez valores, Roberta posiciona o livro, pois é a “melhor forma de comunicação é mais bem feita” e também a melhor forma de aprender. Um dos ultimos livros que leu foi um dos livros da colecção “Uma aventura”. Ex aequo com o livro está a rádio (10) porque dá “informação actual, embora sem imagem”. Contudo, Roberta confessa apenas usar a rádio para ouvir música. Um degrau abaixo, com nove valores está o cabo, pois dá “canais com outras coisas”. O cinema aparece de seguida, com oito valores. Vai ver os filmes que gosta, mas não se declara fã. Na base da tabela está o vídeo gravador, ao qual atribui 5 valores: “utilizo de vez em quando para gravar programas, mas não acho nada de especial”, justifica.

Roberta acredita que, num futuro próximo, a Internet vai substituir a a televisão, e usar a rede será tão natural quanto hoje é usar o telefone: “porque os métodos de informação e a segurança vão melhorar”, sublinha. No entanto, apesar de acreditar que a Internet irá representar um papel fundamental no quotidiano, não acredita que possa substituir a escola e o contacto pessoal com os professores e os colegas: “era bom, mas acho que não é possível”.


Apropriação:


Desde que tem Internet em casa que os fins-de-semana de Roberta sofreram algumas alterações, pois pelo menos quatro horas são dedicadas ao computador e às ciber-visitas, tempo, sem dúvida, roubado à televisão: “desde que tenho net, vejo menos tv”, garante Roberta pois na net pode escolher o que quer ver. A leitura é que não saiu prejudicada, já que dedica o mesmo tempo à leitura dos seus livros favoritos. Outro dos hábitos que ainda não se alterou foi o do consumo: continua a ir aos locais habituais, mas, “se lhes derem segurança” é muito provável que adira às compras on-line, uma vez que há “mais variedade”.

Durante a semana raramente vai à Internet, pois quando chega das aulas vai estudar, e depois descansa, ou sai com os amigos.



ENTREVISTA 2

NOME: Gertrudes

NÍVEL: 1

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizadora ocasional


Há um ano que os pais de Gertrudes decidiram ceder aos seus pedidos e adquiriram um computador. Sendo filha única, apenas partilha o PC com os pai, motorista de profissão. A mãe, porteira, não utiliza. Nas suas palavras, o computador tem servido, sobretudo, “para passar textos e jogar um bocadinho”. Embora o “PC” esteja preparado para efectuar ligações à Internet, ainda não activaram o serviço.


Utilização:


As suas visitas à World Wide Web contam-se pelos dedos de uma mão: “uma ou duas vezes”. A primeira experiência, foi em casa de uma colega. O local visitado foi o chat “do aeiou”. Foi a amiga que controlou todo o processo, porque ela “não percebia muito bem”. De resto, a sua experiência ficou-se por ali: pelo acesso partilhado com amigas, quando as visitou, pois nunca utilizou a net na escola.


Representação:


Embora o seu conhecimento da Internet seja escasso, dá-lhe a avaliação máxima, numa escala de zero a dez; não tanto porque seja sua convicção, mas pelas opiniões que recolhe entre alguns amigos “dizem que é bom”. Atribui os mesmos dez valores à rádio, porque tem “notícias, programas e música”. A televisão fica ex aequo com a ‘net’ e com a rádio, porque: “não faz a mesma coisa, mas também ajuda”.

Um degrau abaixo na escala, ficam o livro e o cinema, com nove valores. No primeiro, encontra “histórias interessantes, por vezes verdadeiras, que ajudam a perceber a vida real”. No cinema agrada-lhe o “ambiente em geral” e o facto de ser uma actividade social, que partilha com os amigos e que foge à rotina: “não se vai ao cinema todos os dias, ao passo que a televisão e a ‘net’ são actividades diárias”.

O cabo e o telefone merecem sete valores. Embora não seja assinante da televisão por cabo, sabe que tem “mais canais”, o que significa mais variedade. Mas não há bela sem senão... e mais variedade representa mais tempo à procura do canal ideal. Ao telefone fala sobretudo com os colegas da escola, por isso, não lhe reconhece muitas potencialidades “é interessante, mas não tanto. Fala-se com os colegas da escola”. Exactamente o mesmo que experimentou quando foi ao ‘chat’, por isso, não estranha a ideia de que, futuramente, o telefone seja substituído pela Internet. O vídeo-gravador é o que fica na base da classificação – seis valores: “não uso”, explica.

Embora não tenha uma opinião definida acerca do que representa a Internet no actual paronama, garante que será mais agradável aprender com a ‘net’ do que com os livros, porque, muito embora estes “também ajudem”, por vezes as imagens dos livros “dizem muita coisa, mas não explicam nada”. E para explicar só mesmo o professor, por isso, garante que a ‘net’ nunca poderá substituir a escola... pelo menos na totalidade. Mas isto, só por si, não justifica que a ‘net’ seja uma perda de tempo, pelo contrário: a única excepção é o ‘chat’ – que pode ser considerado uma perda de tempo, senão na totalidade, pelo menos “um bocadinho”, mas mesmo aqui, a sua opinião não é sólida, pois encontra aspectos positivos: “arranjam-se novos amigos e conversa-se mais”. Não concorda que a rede seja apenas uma forma de diversão: “também podemos pesquisar informação”, se bem que, por vezes, não seja fácil encontrar o que se pretende: “há temas mais escondidos, que têm que se procurar com mais cuidado”, mas nada que alguns conhecimentos de informática não possam resolver, afirma. Mas sendo difícil encontrar o que se quer, não é complicado aprender a utilizar: “a minha amiga explicou-me e eu achei fácil”. No que diz respeito ao idioma, esta jovem acredita que não é preciso saber inglês para navegar na rede. A sua experiência diz-lhe que o português é a língua que se precisa para poder usar a rede, dado que era o idioma dominante de todos os sítios virtuais que visitou. E esta facilidade de utilização (nas suas diferentes dimensões) legitima o controlo dos “sites” cujos contéudos possam ser considerados potencialmente perigosos. Justifica a censura pelo fácil acesso com que os mais novos chegam a todo o tipo de informação: “há gente mais nova que eu e que pode ir ver estes sites”, e pegando no exemplo dos sites que exaltam temas como o racismo, Gertrudes lembra que existe o risco de os utilizadores se tornarem “mais violentos”.

Quanto à sociedade de consumo, esta jovem crê que a Internet vá substituir a televisão e até, quem sabe, os grandes centros de consumo. A ideia de fazer compras através da Internet não lhe causa qualquer espanto, uma vez que: “não dá tanto trabalho como ter que sair à rua” e a perspectiva não lhe traz desconfianças: “em geral, pode confiar-se na informação”.


Apropriação:


“Local onde podemos conversar e conhecer outras pessoas”, esta é a dimensão da Internet que destaca, baseada na sua própria experiência. “Por exemplo, nas salas de conversação podemos conhecer novas pessoas, marcar encontros, etc.”, diz. E é fiável? Gertrudes apoia-se na experiência alheia: “algumas amigas minhas já conheceram outras pessoas e correu tudo bem”. Por isso, não vê grandes perigos no uso do ‘chat’ para fazer amigos, pelo contrário, até acha “bem”. A outra faceta da rede é a pesquisa de informação para trabalhos escolares, mas esta dimensão não a conhece pessoalmente.



ENTREVISTA 3

NOME: Luísa

NÍVEL: 1

TIPO DE UTILIZADOR: Regular – fora do domícilio



Luísa ainda não tem um computador, mas não foi a falta deste que a impediu de se iniciar nas navegações virtuais. Embora o primeiro contacto tenha sido na escola, no início do ano lectivo, os lugares de utilização não se cingem ao estabelecimento escolar. Actualmente, também acede à Internet em casa de algumas amigas.

Os pais de Luísa não têm possibilidades de comprar um computador pessoal, assim, vai ‘surfando’ na escola.


Utilização:


Luísa é uma presença habitual na sala de informática da sua escola. Sempre que pode, vai verificar se o computador está desocupado para poder surfar na ‘World Wide Web’. Nunca se deparou com restrições em relação ao tempo que passa em frente ao computador, nem ao número de vezes que vai à sala. Primeiro que tudo, vai ver a caixa do correio, pois tem o hábito de escrever aos amigos as palavras que ficam por dizer frente a frente. O mesmo se passa no ‘chat’– em geral, conversa com os colegas e não com desconhecidos.

Outra das suas actividades favoritas é navegar na rede à procura de imagens do seu filme favorito – o Titanic bem como a outros sites de artes e espectáculos. Embora não ande na ‘net’ exclusivamente à procura de música, sempre que passa no site da MTV (Music Television) procura novas músicas. De resto, a MTV é um é um dos exemplos dos “sites” que visita, que não está em português. Daniela garante que o inglês é a segunda língua dominante dos locais por onde passa mais tempo, logo a seguir ao português, que continua a ser o idioma da maior parte dos seus favoritos: Portugalmail, Sapo, Cusco. A acrescentar a estes, vai visitando sites, que lhe são aconselhados por amigos, e os que vai encontrando ao acaso.

Há também uma professora que, por vezes, leva a turma até à sala de informática: a de História. “A professora quer façamos pesquisas pois estamos a fazer um CDRom e eu faço pesquisa sobre Hollywood, que é o meus tema. Descobrir na ‘net’ é algo que faz com regularidade suficiente para poder descrever a operação ao detalhe. A sua grande dificuldade é escolher a informação, no meio de tantos resultados obtidos pelos motores de pesquisa que utiliza - o Cusco e o Sapo. Porém, a estratégia de usar a Internet como um recurso pedagógico é exclusiva da professora de História e Luísa agradece: ”acho muito engraçado – é uma aula diferente”. Os restantes professores continuam a deixar a Internet de fora da sala de aula.


Representação:


“A Internet para mim é ver a outra parte do mundo. Permite conhecer o mundo de uma forma diferente, sob todos os aspectos. Encontar-se sobretudo mais informação”, garante a jovem. Por isso mesmo, Luísa é contida: na escala de zero a dez, fica-se pelos oito, quando se pede para avaliar a rede pois “há muita gente ao mesmo tempo e muitas vezes, isso traduz-se em problemas no acesso”. Exactamente os mesmos valores que atribui ao telefone, que serve para “falar com outras pessoas sem estar ao pé delas”, embora sem imagem. O vídeo-gravador é pontuado com os mesmos oito valores: Luísa destaca a possibilidade de ver um programa em diferido. Por último, o cabo, ao qual também avalia com oito valores, porque o compara com a Internet: “dá-nos informações sobre quase todo o mundo”, justifica. Descendo na tabela, encontramos a rádio, à qual atribui sete valores, porque “serve para divertir e descontrair ”. De seguida, encontramos a televisão e o livro (seis e meio sete), não lhe despertando o último grande entusiasmo. Quanto à televisão, define-a como uma “forma de comunicar com outras pessoas”, uma das facetas que reconhece na Internet, com a diferença do volume de informação: “na net há muito mais” e é menos diversificada que a “net”.

Discorda totalmente que a rede seja uma perda de tempo, até porque associa a ‘net’ a diversão, mesmo quando a utiliza por razões escolares: “desde que seja na net, é diversão”. Mas esta forma inovadora de diversão não está acessível a todos: é necessário ter algumas competências, pelo menos a julgar pela opinião desta jovem, que aprendeu a ‘navegar’ com os amigos, sendo relativamente fácil aprender a usar a rede. O facto de “não ser complicado” descobrir a informação não faz Luísa defender um controlo dos conteúdos potencialmente perigosos, porque “fazem parte do dia-a-dia e se existem não se deve fugir deles, deve-se encará-los de frente”. A navegação cibernáutica implica liberdade e responsabilidade, justifica. Baseada nesta premissa, defende que cabe aos jovens “decidir o que querem fazer”. E porque podem decidir o que ver, é igualmente possível a escolha de páginas que utilizem apenas um determinado idioma. Luísa utiliza sobretudo o português, por isso, a ideia de que a ‘net’ possa constituir uma ameaça à sua língua materna não lhe merece grande crédito.

Apesar do futuro ser uma incógnita, Luísa crê que, tendo em conta o crescente número de utilizadores, a médio prazo o uso da Internet será comparável ao uso que fazemos do telefone actualmente. Nesta perspectiva, a Internet irá substituir a televisão, até porque “oferece o mesmo” que a caixinha mágica e... “ainda mais”. O que não oferece, pelo menos a esta jovem, é credibilidade em toda a informação que se pode obter, pelo menos, não em toda – “alguma sim, outra não”.

Mas há coisas que a net nunca irá substituir, pelo menos segundo as perspectivas desta jovem: a escola, é um dos exemplos, porque “precisamos sempre de um professor para explicar a matéria”. As lojas são outro aspecto que, por enquanto, ainda não têm em Luísa uma potencial cliente: primeiro tem que “ver e só depois” se decide pela compra. Supõe-se pois, que quando Luísa diz ver significa ver e tocar, algo que não é possível através da Internet.


Apropriação:


Não tendo computador em casa, Luísa apenas altera os seus hábitos na escola. Os tempos livres na escola são ocupados no sala de informática. Também criou o hábito trocar uns dedos de conversa com os amigos, através do correio electrónico. Agrada-lhe a ideia das pesquisas virtuais, mas até agora, somente uma professora lho exigiu.


ENTREVISTA 4

NOME: Ricardo

NÍVEL: 1

TIPO DE UTILIZADOR: Regular – no domicílio



“Tenho computador desde há 9 anos e já tive vários desde então.” Usa muito frequentemente o computador e a internet. O computador está no escritório. Usa tanto ele como irmão e os pais usam também muito para trabalho.


Representação


Define a Internet como “um conjunto de computadores ligados pelo telefone: posso trocar informações entre computadores que estão ligados uns aos outros.”

Segundo Ricardo, “a Internet é revolucionária porque permite ver informações de todo o tipo e dá para enviar dados de um sítio para outro. Antes da internet não dava para trocar de software por telefone.”

Também acha que é mais agradável aprender com a Internet. Pode copiar textos e modificá-los enquanto num livro não se pode modificar.

A Internet não é uma perda de tempo pois “perder tempo é estar a fazer uma coisa que não gosto. Na Internet estou a fazer o que gosto”, diz.

Fala o mesmo que falava antes com os pais. Diz que aprendeu facilmente a usar a Internet. Concorda que a Internet é uma forma de diversão embora também procure coisas que ajudem para trabalhos, fazer pesquisas.

Julga que é necessário controlar os sites racistas e pornográficos pois sobretudo os sites racistas ofendem grupos de pessoas.

“Os livros são mais eficazes para fazer pesquisas porque as pessoas têm mais confiança em ver a informação nos livros que na Internet. Na Internet podemos pôr o que quisermos; nos livros as editoras só publicam o que é correcto. “

Se for a uma página oficial tem mais confiança que se for à página pessoal de alguém.

Pensa que para usar a Internet é preciso conhecer o mínimo de informática (o mínimo é para a Internet saber ligar o computador, saber o ícone onde entrar, usar o teclado e o rato, por exemplo.

Assegura que é preciso conhecer bem o inglês porque grande parte das páginas está em inglês.

“No futuro ter Internet é tão natural como ter telefone ou televisão (daqui a 20 anos pelo menos na Europa) porque as pessoas vão começar a achar que precisam de ter Internet em casa. No futuro será mais fácil arranjar emprego se se souber usar Internet e computador. Acha que vou ter uma profissão em que será necessário Internet. No futuro a televisão, as notícias, vão passar a estar na Internet. Agora tal não é possível porque são formatos muito pesados, mas com o avanço tecnológico passará a estar tudo lá.”

Por último considera que “a Internet nunca pode substituir a escola porque a escola é um sítio muito importante para fazer amigos. É mais divertido e mais fácil aprender na escola que na Internet pois na escola esta-se em contacto directo com os professores e com os colegas e na internet não.”



O Ricardo classifica a Internet com 10. “Tenho consciência que há pornografia, racismo, violência. Também há excesso de informação e informação incorrecta: principalmente no chat há dicas mal feitas para registar nicks. Estas coisas más não tiram as coisas boas da internet: tem lá tudo o que eu preciso. Mesmo se precisar comprar qualquer coisa (um livro, um CD) vou lá e encomendo. Também tem informação bem dada para fazer trabalhos.”

À televisão dá 7 : “A televisão também pode ser muito boa, dá-nos informações todos os dias sobre o mundo mas passa programas que são uma perda de tempo.”

Ricardo classifica o telefone também com 10. “Não uso muito o telefone (salvo quando estou na internet) mas é uma coisa boa porque permite falar a distância com muito boa qualidade.”

“Ao livro dou 10: dá-nos informações e ajuda a pensar, ajuda a imaginação.”

“Não uso muito o gravador de video (7) mas se precisamos de gravar qualquer coisa tem utilidade. Mas não é tão importante como o telefone e a Internet.”

Ao cabo deu 9. “Permite ver canais estrangeiros, compreender outras línguas mas não é perfeito porque há muitos canais desinteressantes. Há alguns interessantes como Odisseia, Hollywood, Eurosport.”

Da rádio (6) tem uma ideia um pouco negativa. “Já está a passar à história, as pessoas já não se usam tanto a rádio. Ouço mais quando vou no carro.”

“Gosto muito de cinema (10). Quando vou ao cinema vejo filmes que são melhores que aqueles que passam na televisão. Não é a qualidade da imagens, são bons filmes.” Vai ao cinema com os amigos.


Utilização


“Tenho Internet há uns 3 anos. Pedi aos meus pais e eles, passado um tempo, instalaram. Antes usava no trabalho do meu pai, na Universidade. Aliàs “a primeira vez que usei foi no trabalho do meu pai, tinha 8 anos. Lembro que o meu pai deu umas dicas e eu procurei umas imagens sobre a origem do universo para um trabalho da escola.”

“Hoje uso de maneira muito diferente: procuro outras coisas como programas, dicas para jogos, faço chat, tenho email. Mando muitos emails aos meus tios e amigos da escola. De vez em quando conheço pessoas nos chats e depois envio-lhes emails.”

Em casa os pais deixam usar normalmente a internet. Não censuram “pois têm confiança em mim. Mas se eu estiver a ver uma coisa que eles não gostam a partir daí não deixam usar sem vigilância. ”

“Quando chego a casa estudo, faço os trabalhos de casa e à noite e durante as férias (vou várias vezes à net) vai um bocado à net (chat). Vejo televisão ao jantar. Agora estou a deixar de fazer tanto chat pois já estou a ficar desinteressado. Faço também pesquisas sobretudo para trabalhos para a escola. Ainda há pouco fiz um trabalho sobre a camada de ozono. Fui lá tirei, tratei o texto, umas imagens e fiz um trabalho. Mas na escola usa raramente. Não usa a sala de Internet. Mas, às vezes, vamos à sala de computadores com a professora de química. Outros professores não, não costumam. Interessa-se mais por coisas ligadas à ciência.

“Os meus sites preferidos são sites de Flash em que posso ver vídeos de animação em duas dimensões, o site do Benfica, MP3 (programa que permite tirar música da Internet); Winamp (programa que permite ler as músicas).”

Em resumo o João vê mais os sites de música e ciência.

Nunca ou raramente imprime as páginas que consulta.

Descobre os sites sozinho, vê em revistas ou nas próprias páginas através dos links.

Já fez amigos na Internet (no chat). Uma das pesssoas deu-me o email, eu dei o meu e depois trocamos correspondência. Mas nunca pessoalmente.



Apropriação:


“Chego a casa, estudo, janto e à noite vou à net, vou aos chats. Ao fim de semana 2 ou 3 horas é o tempo que eu utilizo. Durante a semana muito menos. Durante as férias, vou várias vezes ao dia.” Os pais já avisaram para usar menos a Internet por ser cara. Também estou com os meus amigos. Ao jantar vejo televisão . Antigamente ía mais aos chats que agora – acho que estou a perder o interesse. Faço várias pesquisas – sobretudo para a escola, mas não só.

Já fez amigos na Internet. “Estava num chat e comecei a conversar com pessoas e trocámos mails”.

Interrogado sobre se quem tem net em casa fala menos com a família, respondeu: “eu continuo a partilhar o que vejo e descubro na net”.

A mim dá-me mais confiança ler uma informação num livro do que na net – aqui qualquer um pode por informação, num livro, não.

Com Internet passou a ver menos televisão, quando se tem net em casa – dantes via mais. “Comecei a usar mais o Pc, a deixar mais a televisão.”

É mais fácil aprender na escola do que através da net, porque temos os professores.




ENTREVISTA 5

NOME Joaquim

NÍVEL 3

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador pouco frequente




Vive com uma irmã de 20 anos e com os dois pais. Tem computador em casa já há 3 anos, mas não tem Internet. Já pediu aos pais que lha instalassem mas estes dizem que é caro. “Tenho-lhes dito que a internet me daria jeito para os trabalhos e acho que vou acabar por os convencer”.

“O que faço mais com o computador é jogar mas também faço trabalhos para a escola, quer eu quer a minha irmã”. O computador foi comprado para ela mas agora está no quarto do Joaquim porque ocupava muito espaço no quarto da irmã.



Utilização


“Uso em aulas da Área Escola e História. Nesta disciplina estamos a fazer um CD sobre os acontecimentos do século. Eu fiz uma parte sobre a formação da União europeia.”

“Fora das aulas venho, por vezes, à sala da Internet (dou o meu nome, o meu nº, a minha turma). Não posso ir para onde quero,” diz. “Nunca ninguém me disse nada mas há sítios que eu não penso sequer em visitar tais como sítios pornográficos”.

Não manda mensagens, não utiliza o chat. Em geral, procura informações (sobre o Europeu por exemplo) bem como consulta sites de música (Vox Pop), específicos de bandas, chego mesmo a ouvir música baixinho, quando consulta na escola. Usa motores de busca como o Sapo e Alta Vista sendo que, quase sempre, há mais informação do que a que se pode consultar. “Outra forma que tenho de chegar a sites é ver em revistas e anotar.”

Por vezes procura imagens para imprimir e pôr nos cadernos. Faz download de níveis para alguns jogos, mas não joga com outras pessoas, nem compra coisas na Internet. Já fez uma página mas nunca a carregou pois não estava muito bem feita.

Usa sites em português e em inglês, clica no hipertexto quando lhe interessa, na maior parte dos casos não sabe moradas e não usa favoritos.

Não fez amigos através da Internet e não usa em casa de amigos nem nos empregos dos pais.



Representação


Para o Joaquim a Internet é informação (notícias, trabalhos de outras pessoas…) que as pessoas podem ir buscar a partir dos computadores e é algo que também serve para comunicar (chatrooms).

Joaquim classifica a Internet com 7 pois “sendo útil, é muito lenta”.

A televisão (6) é muito diferente: “na Internet vamos onde quisermos, vemos o que queremos, na televisão temos que ver o que nos dão”.

Telefone “dou 9 pois é uma forma comunicar que pode ser transportada para qualquer lugar”.

Livro (10) : “Gosto muito de ler. Dá-me prazer. Gosto de histórias medievais e gregas, como por exemplo, o Ivanhoe.”

TV cabo: 7 tem importância porque permite transportar a Internet.

Rádio 7: usa para ouvir música>

Gravador de vídeo: 5.

Cinema classifica com 4 pois não é muito importante para si.




Para Joaquim “a Internet é revolucionária porque permite que as pessoas fiquem mais cultas, permite aceder facilmente a toda a informação. Permite aprender mais facilmente que os livros, pois há mais liberdade.”

Afirma que a Internet não é perda de tempo, só se perde tempo a encontrar.

Concorda que, embora não a use para esta finalidade, esta permite melhorar a comunicação entre as pessoas pois podem estar várias pessoas a falar ao mesmo tempo.

“Não concordo que se controlem os sites pois deve haver liberdade de expressão mas que reconhece dever haver censura para as crianças mais pequenas.”

Está em desacordo que a Internet ameace a língua e acha que as comunidades portuguesas se devem impor na rede.

Pensa que, no futuro, as pessoas terão Internet como têm hoje telefone.

Acha que a Internet vai ter um papel importante na organização social no futuro e até no trabalho na maior parte dos trabalhos (vai ser necessário conhecer e dominar a Internet)

A Internet não substitui a televisão: vão juntar-se mas não vão substituir-se.

“Tenho alguma desconfiança em relação às informações da Internet: qualquer pessoa pode meter informação na internet e não há quem controle o rigor das informações. Há sites em que confio mais como o da MTV ou da CNN.”



ENTREVISTA 6

NOME: Tiago

NÍVEL 3

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador regular



Tem computador em casa há cerca de um ano. “Eu dizia que precisava do computador para os trabalhos da escola e eles acabaram por mo dar.” Não tem Internet.

Utiliza o computador muito frequentemente, mesmo todos os dias: (4 a 5 horas ao fim de semana, 1 a 2 horas durante a semana, embora haja dias em que não utiliza. O pai usa raramente para passar textos. Tiago usa o PC tanto para lazer como trabalhos de casa. O computador está num sítio de trabalho na entrada da casa.


Utilização


Já utilizou Internet várias vezes sobretudo em casa de amigos mas também na escola. A primeira vez foi entre há 6 meses e um ano.

“Quando uso a internet em casa do meu amigos costumamos ir para o MIRC e para páginas de que gostamos. Às vezes um tem a iniciativa de ver uma página. Então escreve, procura. Outras vezes é o outro.”

“Na escola uso a internet só para trabalhos, sobretudo na área escola. Eu e um colega iamos para a net enquanto os outros ficavam a resumir textos e a fazer outras coisas para os trabalhos. Às vezes vou à biblioteca também.”

“Quando uso a sala de Internet é para lazer, principalmente para procurar sites de música ( grupo Limp Bizkuit), imagens de skate board e também carrego música (MB3) e vejo vídeos.”

Não comunica (não usa chat nem caixas de correio) e também nunca criou páginas pois isso dá muito trabalho, já ouviu dizer.

Os seus sites preferidos são: o site da NBA, Portugal radical (skate) e jogos de computador mas gosta muito mais de música. Volta frequentemente a sites já visitados pois podem ter imagens novas e “pois sei já sei que são bons.” Utiliza mais frequentemente sites ingleses porque a qualidade é melhor. O motor de busca que utiliza mais é o Sapo: “ponho, por exemplo, skate e aparecem muitas páginas.” Utiliza raramente os bookmarks.

Descobre os sites por vezes através dos professores, revistas, televisão, jornais, por outros sites, pelos amigos e por sorte.

Vai ter Internet nas férias pois já convenceu os pais com os argumentos que os amigos já têm e que dá jeito para os trabalhos.



Representação


Internet (10): “Tudo o que eu quero está lá e os defeitos são mínimos.”

Televisão 3 ou 4: “Não costumo ver muita televisão. Há muita publicidades e os programas não são muito atractivos. Na televisão não falam muito sobre aquilo de que mais gosto (música e desporto). Na Internet há mais informação sobre o que gosto. Na televisão estou mais parado, na Internet estou mais activo.”

“Ao telefone dou 7 pois é importante para contactar com os amigos que estão longe, combinar coisas….”

Livro (7): “Gosto de ler sobretudo livros de aventuras.”

Vídeo gravador (5): “Uso-o sa para gravar jogos de NBA.”

TV cabo (6): Há canais de música que gosta.

“À rádio dou 10 pois não passo sem música, a música é tudo.”

“Costumo ir ao cinema (7), gosto sobretudo de comédia e terror.


Tiago acha que a Internet é revolucionária pois pode fazer-se tudo sem sair de casa. Já comprou CDs pela Internet mas vindos de Portugal.

As pessoas irão trabalhar e comprar mais através da Internet no futuro.

Julga que é mais agradável aprender com a Internet do que com os livros pois é mais variado. Na internet há texto mas também pode haver video, imagens.

Não é uma perda de tempo mas uma tarde parado a ver televisão é uma perda de tempo. “Na internet até podemos estar a falar com a pessoa que está ao lado.”

“A internet permite comunicação entre as pessoas pois podemos falara 2, a 3, a 10, a 20, a 50. Falo com pessoas do Porto, de Lisboa. Nunca fiz amigos pela Internet mas conheço quem já fez.”

“É muito fácil aprender a usar a Internet. Aprendi sozinho, aprendi depressa e não encontrei grandes dificuldades”, diz.

Encontra sempre o que quer “porque a Internet é muito vasta, tem tudo, há sempre muitas páginas sobre o mesmo assunto”. Acha que a satisfação pode não ser completa mas encontra-se sempre alguma coisa.


“A internet não é apenas entretenimento pois pode aprender-se com ela”, diz. Ao ser-lhe pedido que concretizasse lembrou que já tinha feito uma página na escola que foi mandada para a Expo e, “para a fazermos, tivemos que aprender muita coisa”.

Deveriam controlar-se sites, principalmente os racistas que não deviam existir; os pornográficos também deviam ser controlados, mas nem tanto. Mas os miúdos não deviam ver nem uns nem outros”, diz.

A Internet não é uma ameaça à lingua pois a língua portuguesa está a crescer na internet, há cada vez mais sites em português.

Acha que não é indispensável a Internet para trabalhar no futuro porque continua a haver cartas, faxes e contacto real para fazer negocios, por exemplo. “Mas se um estiver em Portugal e outro na China, então a Internet pode dar uma boa ajuda.”

Tiago diz que se pode confiar na maior parte das informações, embora algumas sejam completas mentiras. Em alguns casos tem absoluta confiança como no site da NBA. “A confiança depende de quem faz e de eu ter alguma informação sobre quem faz.”

“A internet nunca substituirá a escola: a escola é … a escola. Na escola aprendemos tudo. Na internet aprende-se mas não tanto. Um professor que der aulas na internet nem sequer sabe se o aluno lá está ou se se foi embora e ele está a falar para o boneco,” diz.


ENTREVISTA 7

NOME: Joana

NÍVEL 3

TIPO DE UTILIZADOR: Regular - domícilio


Foi há cinco anos, no dia da Criança, que Joana e a irmã viram o pai chegar a casa com um computador. A mãe, professora, foi a principal incentivadora da ideia, mas o pai, designer, considerou que a informática poderia ser de grande utilidade na sua actividade profissional. Joana garante que não influenciou a mãe mas que a ideia lhe agradou.

Até à data, havia um outro computador em casa, mas era “dos pequeninos”: servia, essencialmente, para a irmã (na altura com seis anos) pintar e para “escrever umas coisas”, mas não havia uma impressora. Com a chegada do novo computador, outras dimensões de utilização foram exploradas e actualmente, o “PC” é dividido entre os pais e as filhas. Afirma usar o computador tanto para lazer como para a realização de trabalhos. O contacto regular com a Internet começou no Centro de Recursos Escolares da escola (CRE), neste ano lectivo (2000/2001).



Representação


A possibilidade e a facilidade em comunicar são os pontos chave que Joana aponta na definição da Internet: “é uma forma de comunicação entre as pessoas que estão longe”. A possibilidade de aceder a diferentes tipos de informação é outra dimensão que Joana destaca: “pode-se conhecer o mundo inteiro: podemos ir buscar informação acerca de quase tudo e que, de outra forma, não teríamos qualquer acesso”. Resume a ideia com a frase: “é através da net que eu tomo conhecimento da maior parte das coisas que acontecem pelo mundo”.

Tem, inclusivé, uma noção temporal da democratização da Web – “por exemplo, os anúncios televisivos mencionam sempre o endereço – coisa que não acontecia há um ano. O que significa que as pessoas e empresas estão, cada vez mais, a aderir à net”, conclui. Mas apesar de todos os aspectos positivos, numa escala de zero a dez, a Internet não tem nota máxima – Joana justifica o nove: “em alguns casos também é má”. E nessas situações “devia estar sob controlo”, embora reconheça a dificuldade de fazer tal fiscalização: “a net é de tal maneira internacional que é difícil controlar”. É complicado controlar a informação, e nem sempre se pode confiar na sua veracidade. É essa a sua experiência na área da meteorologia: “uma vez, disseram que ía chover em Lisboa”. A informação que se obtém através da Internet merece-lhe uma credibilidade com reservas: “é de confiar assim-assim”, contudo, desvaloriza a questão: “é assim em todo o lado”. Quando questionada acerca da fiabilidade da informação veiculada pela MTV a sua resposta é o silêncio, seguido de “talvez”. Apressa-se a explicar: “não é que a estação ponha coisas falsas no ar.... nem é por mal, mas às vezes, pode acontecer (um erro), ou mesmo coisas que lhe conveem”. Admite que o grau de credibilidade depende do site onde consta a informação: se for o site de um cidadão anónimo as reservas serão maiores do que as que levanta no caso da informação vir de um jornal.




Utilização


Foi através de uma amiga, há cerca de nove meses, que Joana teve o primeiro contacto com a World Wide Web. As utilizações seguintes tiveram lugar no Centro de Recursos Escolar (CRE) da sua escola; actualmente, o local habitual para navegar é em casa dos pais ou de uma tia. Embora a principal motivação para activar a ligação em casa tenha sido a necessidade profissional do pai, Joana assume que também contribuiu para a situação actual: “mostrei-me interessada”.

A decisão foi consensual, o pai “estava informado” e por isso, sabia que a Internet podia ser de grande utilidade para ele e para o resto da família. A única objecção dava (e ainda dá) pelo nome de “MIRC” (My Internet Relay Chat) - “mas acho que é por causa dos vírus”, justifica Joana, que agora, para “andar no MIRC” tem que ir para casa da tia, que “até é mais velha” que a mãe.... De resto, Joana não vê qualquer perigo no My Internet Relay Chat: “vamos para lá, temos um nick – que é o nosso nome, de maneira diferente -, e depois as pessoas escolhem-nos para falar”. Em geral, o diálogo é à noite por razões logísticas: “é quando há mais gente” e quando tem tempo – porque precisa de “estudar e jantar” e não porque tenha qualquer restrição horária – nem no que respeita às horas a que acede, nem quanto à duração da navegação. As incursões (quase diárias) da Joana ao MIRC - na escola e em casa -, foram interrompidas pelas provas globais. Os fins-de-semana são dias sem viagens virtuais– unicamente porque vai para a quinta dos avós e lá não tem Internet.

A utilização na escola é variada, mas não se limita à pesquisa para trabalhos escolares, até porque, a expressão ‘motores de busca’ é desconhecida para ela. Na lista dos seus favoritos estão os sites da Music TV (MTV) e da RFM (na altura da entrevista não consegue explicar porque escolheu estes). Neste momento, escolheria o mIRC e um da Sony para ir buscar músicas. Primeiro ouve as canções e depois pede ao pai para fazer o download para o computador.

Em casa, o acesso é, muitas vezes, partilhado (em simultâneo) com o pai, que prefere estar a seu lado, sempre que Joana se liga à Internet – “não porque ache que eu possa estar a fazer algo que não é apropriado, mas para não deixar entrar vírus”, garante.

Actualmente, vai à net, pelo menos, duas vezes por semana: após o lanche, dedica-se ao estudo, e depois, a Internet concorre com a televisão: “ou vou para a net, ou fico a ver televisão”.

Durante algum tempo, foi no meio escolar que o acesso era mais regular “há uns tempos sempre que tinha um furo ía para o CRE” -, o único local da escola que permite o uso da Internet. O Centro de Recursos não coloca limites no acesso – só no que diz respeito aos contéudos – o acesso ao mIRC está condicionado a uma palavra passe, que não é divulgada, ficando o cobiçado programa fora dos sites de acesso. Joana não vê com bons olhos a restrição, pois considera que condiciona as oportunidades daqueles que não podem aceder à net em casa. A questão da navegação durante as aulas parece-lhe descabida. No entanto, Joana sugere que a utilização da Internet como um recurso pedagógico, pode ser uma forma dos professores se protegerem da falta de conhecimentos que aparentam ter nessa área.

Joana acredita que para usar a Internet é preciso ter alguns conhecimentos de inglês, pois muita da informação disponibilizada está em inglês. No entanto, não encara isto como uma ameaça à língua portuguesa. O crescente uso de abreviaturas na linguagem cibernáutica também não lhe parece um atentado à integridade da sua língua materna, se bem que põe em hipótese que “as pessoas se desabituem de escrever correctamente e comecem a dar mais erros”. Do outro lado estão as melhorias no conhecimento do inglês, pelo facto da informação estar frequentemente nessa língua.

Quanto à evolução da utilização da Internet, Joana crê que dentro de alguns anos, utilizar a net será tão natural quanto hoje é usar o telefone, porque todas as tecnologias têm um tempo para se “divulgar, impor e expandir”. Mas esta perspectiva não faz com que Joana acredite que a Internet crie silêncios entre as pessoas - pelo menos a julgar pela experiência em sua casa, na qual as pessoas continuam a falar tanto, umas com as outras, quanto antes da era Internet.

De resto, não é só na comunicação interpessoal que parece não ter havido alterações. Nos hábitos de consumo televisivo, a Internet não veio alterar nada, muito embora não haja comparações entre os dois meios mediáticos: “na televisão as coisas são estáticas”. A ideia de a Internet poder substituir totalmente a televisão deixa-a hesitante: “não sei”, conclui.

Por tudo isto, Joana está totalmente contra a ideia de que a Internet possa ser uma perda de tempo – mesmo quando está no mIRC – afinal, o programa permite “melhorar a comunicação entre as pessoas” e quando se está longe fisicamente, a Internet é um meio de “aproximar as pessoas e de lhes permitir uma comunicação rápida e eficaz”.

Apesar de todas as inovações, Joana considera que as potencialidades da Internet estão a ser sobrevalorizadas, por isso, afirma estar parcialmente de acordo com a ideia de que a Web seja revolucionária.

É mais agradável aprender com a net do que com os livros? A resposta é um lacónico: “é diferente”. Joana levanta a questão do hábito: “Talvez aprendamos rápido com os livros, porque estamos habituados desde crianças. Na net a apresentação é diferente”.

A ideia de a escola poder ser substituída pela Internet suscita-lhe muitas dúvidas. A ter lugar, a substituição não seria para breve – talvez só como um complemento na pesquisa, mas o papel do docente está garantido: “é o professor que nos tem que ensinar”. Até porque reconhece as dificuldades da auto-gestão das actividades pedagógicas: “se tivesse que estudar em casa através da net, se calhar não iría á escola tantas vezes – isto é, podia ir lá, como podia não ir, a não ser que a minha mãe mo dissesse”. Por último, confessa que ía sentir muita falta dos amigos e de ver gente.

E é também a ideia do isolamento que a leva a ter dúvidas perante a perspectiva de, futuramente, passar a fazer compras através da visita às lojas virtuais – a imagem desperta-lhe alguma simpatia (o pai fê-lo uma vez, porque tinha “partido o ombro e não podia ir ao supermercado”), mas o facto de privar os clientes do contacto com os outros clientes assusta-a.


“Se os meus pais tirassem a net eu iría para casa da minha tia”, diz entre risos, para comprovar o seu acordo com a ideia de que uma vez que se comece a utilizar a Internet, não dá para passar sem ela.

Apesar de ser “viciante”, para esta jovem, a Internet parece ter sido um mais um hábito mediático a acrescentar aos já existentes. Nas classificações, o telefone, o rádio e o cinema têm um empate técnico: nove valores. O telefone e a Internet “aproximam as pessoas”, privilegiando assim, a dimensão humana, a comunicação interpessoal. No cinema, onde vai com as amigas, “o écrã é muito maior” e o ambiente permite uma maior envolvência com o filme. A rádio, continua presente – constantemente - por vezes, o dia inteiro -, mesmo que esteja a estudar.

Ao cabo dá oito valores, porque privilegia a variedade. À televisão, só por si, dá um sete, porque “não dá para tirar informação - os programas não são nada de especial”.

Tirando o vídeo-gravador, que afirma não lhe despertar qualquer interesse, é o livro que merece menos valores. Na escala de zero a dez, Joana dá nota positiva quase à tangente: seis; alega que é demasiado exigente e que a maior parte dos livros não lhe agrada.



ENTREVISTA 8

NOME: Elias

NÍVEL : 3

TIPO DE UTILIZADOR: Regular – domicílio



Tem um irmão com 19 anos e vivem ambos com os pais que não são portugueses. Veio para Portugal há apenas dois anos. Percebe inglês muito bem. Tem computador há um ano que lhe foi dado como prenda de passagem de ano, embora este esteja no quarto do irmão. Os pais usam pouco o computador e a internet. Usam sobretudo para ler os jornais do país de origem.



Representação


A Internet é o mundo todo no computador. É muito boa para aprender sobre todo o mundo.

O Elias classifica a Internet com 9. “Acho que faltam jogos. Podem tirar-se “demos” mas não podemos carregar o jogo completo. A internet é muito positiva pela aprendizagem.”

“A televisão (9) é quase tão importante como a Internet pois também se aprende. Mas há diferenças: na televisão há mais notícias e só há melhor desporto. Mas na Internet está lá tudo.”

“O telefone (5) só uso para mensagens rápidas, não uso para comunicar mais longamente.”

Não gosta muito dos livros (6) embora reconheça que se aprende muitocom eles. Usa muito o gravador de vídeo (7) para ver filmes e fazer gravações de coisas que passam na televisão.

O cabo (8) é “muito importante em Portugal há apenas 4 canais”. A rádio dá 7 pela música. De cinema (4) não gosta muito do escuro e ficam-lhe a doer os olhos


Acha que a Internet é revolucionária porque, segundo Elias, está constantemente a melhorar.

Diz que “se aprende mais com os livros porque os livros têm mais filosofia, sendo por isso muito importantes na vida. Na Internet aprendem-se as coisas de agora mas nos livros aprende-se para a vida.”

A Internet não é perda de tempo mas a televisão é um bocadinho perda de tempo. A Internet permite melhorar a comunicação entre as pessoas pois podemos conhecer pessoas com quem nunca falámos. “Mas fala-se menos com as pessoas à nossa volta porque estamos concentrados.”

“Eu para encontrar as coisas ou já sei o site ou pesquiso nos motores de busca (sapo, altavista).”

“Estou de acordo com o controle a sites racistas, violentos e pornográficos porque o que se aprende lá não faz bem às pessoas. Nunca me aconteceu ver sites desses mas sabe que se aprendem coisas negativas.”

Não acha que a Internet seja uma ameaça para a língua portuguesa: se alguém quer ver um site português vê, se prefere inglês vê inglês.

Desde que tem Internet passa um bocadinho menos tempo a ver televisão.

Acha que não é preciso saber muito de informática para usar a Internet.

No futuro acha que quase todas as pessoas vão usar a Internet como já usam a televisão e o telefone.

Nunca usou para comprar e acha que a Internet não será muito usada para isso.


Utilização


“Utilizo a internet sobretudo em casa e desde há cerca de um ano, quase sempre acompanho pelo irmão. “ As primeiras vezes foi procurar jornais do seu país para ler. Agora usa mais para aquilo que precisa. Ás vezes procura umas coisas novas que não são muito necessárias mas é raro.

“Interessa-me muito informação sobre o meu país. Às vezes também procuro sites de desporto mas não é muito usual.”

Não manda mensagens mas o meu irmão manda. Também não usa chat.

Na escola praticamente não usa a internet, salvo na aula de história.


Os seus sites preferidos são um jornal do seu país, o da NBA, a Eurosport.

Acontece pouco voltar a sites já visitados.

Às vezes procura novos sites aconselhado pela professora de história, mas nunca foi aconselhado pelos pais

Não usa sites em português, pois prefere inglês.

“Os meus pais não acompanham, não limitam, dizem só para eu não me deitar tarde. Mas isto é principalmente por causa dos jogos de computador.”

Nunca fez amigos na Internet



“Confio na informação da Internet. Confio em tudo o que vejo pois julgo que não há mentiras na Internet.”

A Internet não substitui a escola porque há amigos e os professores ajudam a aprender. Na internet aprende-se sozinho.



ENTREVISTA 9

NOME: Francisco

NÍVEL: 3

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador reagular– fora do domícilio


Francisco é filho único de um casal de enfermeiros. É o principal utilizador do computador que tem em casa, embora, por vezes o pai também faça “algumas coisas”. Ainda não tem Internet em casa, porque o pai desconfia da utilidade que Francisco daria à rede. Receia que o filho fosse buscar aquelas imagens pouco convenientes para um jovem da sua idade: “o senhor sabe”, explica timidamente, referindo-se às imagens pornográficas. Mas este ano muita coisa mudou e acredita que conseguiu convencer o pai que não tem interesse “nessas coisas”.


Utilização


Um dia estava em casa de um colega e como este teve que se ausentar, por um breve período, achou que a Rede seria uma boa distracção para o Francisco. Ainda se lembra o que fez: “ele deixou-me na página do Altavista”. Foi a primeira vez que acedi à Internet.” Talvez por ter sido a sua primeira experiência, ainda hoje gosta de utilizar o ‘Altavista’ para encontrar o que procura: “ouvi dizer que era o melhor motor de busca”, acrescenta. Mas na verdade, os seus hábitos de cibernauta são muito variáveis. Tanto pode visitar o ‘site’ da ‘MTV’ como pode ir a um “site” de matemática. Tudo depende da situação. Por exemplo, na escola a professora de matemática recorre bastante à Internet como recurso pedagógico: durante as aulas propõe aos alunos que visitem ‘sites’ cujos conteúdos incluem “jogos relacionados com a matéria que estamos a dar”, ou então, simplesmente deixa-os “pesquisar o que nos apetece”. O que lhes apetece salvo seja.... há actividades proibidas: como por exemplo, o ‘mIrc’. Francisco nunca “falou” naquele programa, mas já viu outros colegas fazerem-no. Na escola é proibido usar, porque, segundo ele, houve “uma bronca relacionada com o teor das mensagens que as pessoas trocavam”. Mas voltando às aulas de matemática: são as únicas em que se usa o ‘PC’, o que para Francisco é motivante: “se ela (a professora) gosta da ‘net’ e eu também, logo temos algo em comum, o que me motiva mais para a disciplina dela”, conclui.


De resto, as suas utilizações na escola não são particularmente regulares, embora o acesso aos computadores seja possível “desde que haja algum livre” na sala de informática. Resultado: acaba por partilhar o computador com o primo, que já tem ligação à Internet, ou esporadicamente, com alguns amigos, outras vezes sozinho.


Sozinho ou acompanhado ‘navega’ pela Internet recorrendo aos motores de busca para encontrar o que procura: preferencialmente o ‘Altavista’, mas também os portugueses “Sapo” e “Clix”. Nem sempre tudo corre bem e por vezes não é fácil encontrar o que se procura, mas lembra que foi aprendendo experimentando. Garante que não é preciso nada de especial, nem saber grande coisa de informática. “Basta que se saiba usar um rato e um teclado”.



Representação


No início não “percebia nada” e quando as páginas não abriam ficava “muito espantado”, recorda entre risos. Desde a sua primeira utilização, já lá vão dois anos e a ideia que tinha da net foi-se alterando. O facto de ser “muito recente” e de o número de utilizadores não parar de crescer, para além do papel de fonte de informação muito desenvolvida, justificam o adjectivo de “revolucionária”. Tendo em conta que socialmente desempenha um papel fundamental ao permitir “o acesso a muita informação”, recusa a ideia de que a Internet possa ser considerada uma perda de tempo. Até porque “ninguém se liga à net sem querer, há sempre coisas novas para descobrir”.


Para Francisco a Internet é uma “via de comunicação e informação de certos assuntos”. No entanto, acha que as pessoas ainda se estão a habituar e a ‘net’ ainda terá que evoluir, não explicando, porém de que forma. Comparativamente com a televisão, Francisco refere que esta transmite acontecimentos que “estão a acontecer na actualidade e relaciona-os com o arquivo existente”, o que a seu ver “já é bom”. Mas a Internet é “muito mais vasta” e permite pesquisar sobre o que quer que seja, esteja ou não a acontecer na actualidade. Por isso, “ a Internet é o melhor meio de comunicação”, assegura. O único inconveniente que encontra é “o custo” e confessa a sua preferência pelos livros em detrimento da rede, quando tem que fazer investigação para trabalhos. Na verdade, nunca usou a ‘net’ para investigar o que quer que fosse de trabalhos escolares, mas pelo que ouve, crê que os livros são melhores, até porque o factor antiguidade lhes confere credibilidade. À ‘World Wide Web’, considerada por Francisco como o “melhor meio de comunicação”, Francisco dá oito valores, numa escala de zero a dez, porque “apesar de estarem a ser construídas milhares de páginas diariamente, ainda não tem tudo”, e acrescenta que o grande defeito é “a lentidão”. Mas tendo em conta que Francisco considera a Internet como o melhor meio de comunicação existente, que “tem tudo o que a televisão tem e mais ainda”, entra em contradição ao atribuir exactamente os mesmos oito valores à televisão, que segundo ele, não pode “melhorar mais do que já está”. O cabo merece igualmente oito valores, uma vez que “dá mais canais, e mais informação”, afirma, mas lembra o incómodo de, com frequência, essa informação “estar noutras línguas”. O telefone merece sete valores, os mesmos que o vídeo-gravador e a rádio. Ao primeiro aponta o defeito de não possuir imagem (pelo menos os que utiliza), do segundo destaca a capacidade de conferir liberdade ao reproduzir os programas escolhidos em diferido: “podemos deixar a gravar e ir fazer outra coisa”, assinala. Da rádio nota os seus tempos áureos: “já teve mais importância do que tem hoje”. Evoca igualmente os tempos de Abril, pois tem “ideia” de que a história da democracia portuguesa passa pela rádio: “acho que tudo começou com uma música do Zeca Afonso”. No topo da tabela está o livro, isolado, que não sendo o melhor meio de comunicação é, segundo Francisco, o melhor meio de informação. Diz que o único senão é o tempo que pode demorar uma pesquisa. No entanto, não está bem certo, pois não tem por hábito recorrer à sabedoria encadernada: “nunca consultei uma enciclopédia, mas acho que devemos procurar no índice ou no sumário e calculo que se perca muito tempo a encontrar o que se quer”. Em todo o caso, não é um fã da leitura: “raramente leio por prazer; os meus pais bem me tentam incentivar, mas continuo a não gostar”.


Prefere outras formas de entretenimento, tais como a Internet. Sabe que não é apenas entretenimento, mas para ele tem sido sobretudo isso. Relativamente aos conteúdos potencialmente perigosos, a sua opinião é a de que “devemos ter acesso a toda a informação”. E a haver qualquer tipo de censura em relação a esses ‘sites’ tem que partir dos pais. A sua experiência nesta área foi partilhada com o primo, que lhe mostrou uma página onde se podiam assistir a autópsias ao vivo: “era um bocado nojento”, lembra.


No que diz respeito à língua portuguesa, Francisco não considera que a Internet possa constituir qualquer ameaça à sua língua materna, uma vez que, apesar de pôr em hipótese que haja uma “habituação ao inglês”, acredita que ninguém “esquece a língua mãe”.


Quanto à importância da Internet no futuro, não lhe parece que seja essencial conhecer a rede para trabalhar. O mesmo já não diz da informática, que a seu ver, será essencial dominar.


O papel da televisão está também assegurado, a julgar pela vontade de Francisco: é que por enquanto, ainda detém o monopólio da qualidade das imagens. E para ilustrar recorda quando viu um jogo de futebol através da Internet: “dava para perceber quando é que era golo, mas a qualidade da imagem era medíocre”. Este é o único ponto em que a ‘net’ está em desvantagem, porque, para ele, a informação que encontra na ‘net’ tem o mesmo valor que a informação que obtém através da televisão, portanto, o problema da credibilidade das fontes não se coloca: “penso que não vão mentir na Internet...”, confessa, embora não muito convicto. Acaba por admitir que depende da origem da informação: por exemplo, confia totalmente na informação que está no site da MTV.


Francisco acredita também que a escola é insubstituível, pelo menos, pela Internet. Explica que o que se diz entre os alunos não corresponde bem ao que eles sentem: “até podemos dizer que é aborrecido estar na escola e ter de aturar os stôres,” mas não será bem assim, porque na verdade parece que “toda a gente precisa da seca dos professores”. Afinal, é através dos stôres que “captamos a matéria”. Por isso, nem quer pensar na escola virtual, mesmo com a hipótese de “ser ao vivo” - resposta de Luís não deixa dúvidas: “nunca seria a mesma coisa”.


Apropriação


Desde que terminaram as provas globais que Francisco passa todo o seu tempo livre a jogar no computador. É que a partir de agora já não se vai “dar matéria” e este jovem adora jogos informáticos - e no seu computador tem uma variedade imensa. Por enquanto, ainda não tem Internet em casa, por isso, vai ‘navegando’ aqui e acolá, nunca ultrapassando uma hora de navegação: “em parte por causa do dinheiro”. Nos locais de acesso gratuito, como a escola, o tempo dispendido na sala de informática tem que corresponder à duração de uma aula, ou seja, cinquenta minutos – menos é possível, mais é que já não.


Nunca deixou de estar com os amigos ou fazer algo que já tivesse planeado por andar a ‘surfar’. E é a pensar na sua experiência que não concorda que a Internet afaste as pessoas umas das outras.




ENTREVISTA 10

NOME: Renato

NÍVEL 3

TIPO DE UTILIZADOR: Regular - fora do domícilio (escola)



Há oito anos, Renato chegou de um pais de língua portuguesa para se instalar em Portugal com a mãe, deixando o pai, reformado, no seu país natal, ao qual só volta de dois em dois anos. A família é grande, mas está dividida. Duas irmãs ficaram no seu país, a viver com o pai e uma em Portugal com a mãe. Divide a casa com a mãe, padrasto e a irmã, para além da filha do padrasto.

Convencer a família a comprar um computador não foi fácil, mas desde que adquiriram um 486, que o Renato o elegeu o melhor amigo, logo seguido da rádio e da televisão. No entanto, a ligação à Internet faz-se sempre do exterior do domícilio (na escola, ou em casa de amigos). A ligação ao mundo, através de um Personnal Computer levanta objecções por parte da mãe, que argumenta que a modernização do computador e a ligação à Internet acarretariam custos muito elevados. Assume-se como fã de futebol e os sites relativos ao tema (bem como os relativos ao seu país de origem) estão entre os seus favoritos. Para ele, a Internet é muito mais importante do que as pessoas dizem.


Utilização


Frequentava o sexto ano quando acedeu à World Wide Web pela primeira vez. O motivo foi um trabalho para a escola, (do qual não se recorda o tema) e esta foi o local da primeira viagem virtual. De resto, ainda é na escola que Renato mantém um uso mais ou menos regular. Mas as condições não são as ideais: “há restrições na utilização”. Embora não seja proibido o famoso mIRC não é visto com bons olhos pelos funcionários que supervisionam o acesso ao serviço, e a prioridade na utilização dos computadores vai para os trabalhos da escola. Ilustra com um exemplo: “no outro dia estava a ver uma revista brasileira e disseram-me que só podia fazer pesquisa para trabalhos escolares”. O jovem estudante não vê com bons olhos estas restrições, pois o MIRC é apenas “mais uma forma de conhecer a Internet”. A ideia de poder usar a Internet durante as aulas desperta-lhe simpatia: “Se tivéssemos um computador ligado à net nas aulas, não precisávamos de carregar tanto peso nas costas. Podíamos consultar os livros na net, gravávamos o trabalho em disquete e levávamos para casa”. Mas enquanto a realidade ainda não é esta, vai navegando pelos sites dos jornais do seu país, que lhe trazem novas do seu país e pelos sites sobre futebol. Os chats ainda são um território por explorar. Por vezes deixa comentários nos sites que visita.


Representação


“Um local que contém inúmeras informações”, esta é a frase com que Renato define a Internet. Para este jovem, o mundo das viagens virtuais dá para “fazer tudo” – ou melhor: “quase tudo”. A grande vantagem é a liberdade de pesquisa, dado que não existem restrições horárias, nem fronteiriças: “conseguimos ter informação sobre tudo, a qualquer hora”. Outro aspecto positivo é a melhoria na comunicação entre as pessoas. Com a chegada da Internet, as possibilidades de comunicar com as pessoas que estão do outro lado do mundo (e que, por vezes, nem se conhecem) multiplicam-se e fazem o velho telefone parecer um objecto ultrapassado. Porém, reconhece existirem alguns perigos – pelo menos para os utilizadores mais novos, ou para os mais incautos. A protecção baseia-se na consciência com que cada cibernauta utiliza a Internet. Se isso não suceder, os pais devem ter um papel regulador, de modo a que os filhos não entrem em águas perigosas e se sintam tentados pelas atracções que a vida de um pirata informático pode suscitar. A consciência a que se refere Renato é o bom senso de não entrar (clandestinamente) em páginas estatais - do FBI e do governo, mais concretamente. Só que estes perigos são desencadeados pelo próprio utilizador, por isso, não é a Internet que é perigosa, pelo contrário, a ideia que tem da Internet é “muito positiva”. Além de positiva, a Internet representa uma verdadeira revolução. A possibilidade da simultaneidade do acesso e da distribuição da informação pela ‘aldeia global’, justificam a opinião; de resto, acredita que a net é “mais importante do que as pessoas dizem”. Para os sites com conteúdos potencialmente perigosos (como pornografia, racismo e outros), avança com a hipótese de um “computador central, que controlaria o que as pessoas dizem na net”. Funcionaria como uma coligação de governos, constituída por um representante de cada país. Por último, os conteúdos analisados por cada um dos representantes seria analisado por um ‘computador central’. A sugestão é radical, mas legitima-a com base na ideia de que estando “numa comunicação global, não se pode excluir certos grupos”.

No que diz respeito à interacção da Internet com a escola, concorda com a ideia de que é mais agradável aprender através da Internet, do que dos livros. A justificação baseia-se na interactividade: “na net podem sublinhar-se palavras, trocá-las de sítio e fazer o print. Nos livros, só temos as palavras - estáticas, que por vezes nem se entendem“. Contudo, a Internet não representa, necessariamente, uma sentença de morte para livros, até porque é a estes que dá a nota máxima. Para ele, o livro e a net complementam-se: a variedade, a mudança e as diferentes possibilidades são essenciais, porque “se fosse só na net, às tantas ficaríamos cansados”. Ainda assim, garante que é mais cómodo pesquisar na Web: “a informação está toda dentro da mesma ‘caixa’, ao passo que com o livro, a informação está espalhada por vários volumes”.

Talvez por isto, Renato acredite que a Internet poderá vir a substituir a escola, ou pelo menos, o actual modelo escolar, que está muito “desorganizado”. Perante o possível cenário, enumera as vantagens: “se não pudéssemos ir à aula, podíamos gravar, e assistir”. A única desvantagem seria a “falta dos colegas”, ou talvez não, já que eles estariam lá: “através dos chats”. Contudo, o contacto através de um chat é mais pobre – “não dá para gozar com a cara deles.... “, ou pelo menos, não da mesma forma. E nesta perspectiva não surpreende que esteja convicto que, futuramente, os conhecimentos de Internet sejam essenciais para o sucesso profissional das pessoas – com uma ressalva: “não em todas as profissões”.

No entanto, pelo menos neste momento, ainda não há condições para que a Internet substitua a escola, até porque “nem tudo o que encontramos na net é totalmente fiável”. Existem graus de credibilidade: por exemplo: dá menos valor ao que encontra num site individual do que lê na página oficial de um jornal. Mas a dúvida facilmente se dissipa, basta “confirmar a informação através de outro site”.


Continuando nas vantagens, Renato afirma pertencer a um dos grupos específicos para quem o acesso à Internet traria grandes benefícios; por exemplo, se ele e o pai e ele tivessem vídeo-conferência seria mais fácil terem um contacto visual e, em simultâneo, conversar, já que, só o pode ver de dois em dois anos, quando vai ao seu país. Mas mesmo se estivessem na mesma casa, a comunicação seria sempre melhor porque poderiam aceder juntos à informação e depois comentá-la, partilhando pontos de vista.

Por tudo isto, discorda totalmente que a net seja uma perda de tempo. Pelo contrário: “é super útil”, enquanto meio privilegiado de entretenimento, enquanto motor de pesquisa, enquanto meio de comunicação bilateral, para comunicar com os amigos e também com os desconhecidos: “se pudesse falar todos os dias com uma pessoa que não conheço, seria mais fácil contar-lhe todos os segredos, porque não teria medo de me desiludir ou que essa pessoa me traísse”, explica. A ideia da metamorfose e do anonimato (“se houvesse algum problema, mudava o nick”) são fortes atractivos para este jovem. A a acrescentar há a facilidade de utilização – “embora haja certas coisas que têm que saber para poder utilizar: se se quiser aceder à página de um jornal, ou se sabe o endereço ou se sabe como procurá-lo num motor de busca”. Mas nestes conhecimentos básicos necessários à utilização não consta o inglês: “não é necessário saber muito de inglês”. E por isso mesmo, compreende-se que não veja a Internet como uma ameaça à língua portuguesa. Afinal, há portugueses na net e comunicam em português – mas os que existem não chegam para garantir ao mundo lusófono um espaço significativo no mundo virtual. A solução passaria pelo aumento do número de cibernautas portugueses, mas o problema é que “há muita gente que nem sequer tem computador”, o que constitui um “problema da Nação”. Para colmatar esse problema, o Estado teria que oferecer incentivos à aquisição de computadores, assim, os portugueses usariam mais “o PC e a Internet”. Será pois, neste contexto, que baseia a sua crença de que, futuramente, os hábitos de consumo passarão pelas lojas virtuais e pelo comércio electrónico, dado que “já não se justifica ter grandes lojas, com luzes e uma série de coisas, uma vez que se tem acesso às mesmas coisas, com a vantagem, na Innternet, do tempo que não se perde”.

Ainda assim, tem dúvidas quanto ao papel que a televisão digital irá desempenhar no futuro, não acreditando “totalmente que a Internet vá substituir a televisão”, dado que com a introdução da tecnologia digital “vamos poder deixar de lado o computador”.


Renato interiorizou as metáforas da Internet. Utiliza-as mesmo para definir o seu grau de utilizador: “eu era um marujo”. E de marujo evoluiu para marinheiro: “não entendia porque era http://, agora já sei, e até já consigo procurar outras coisas”.

Numa escala de zero a dez, a Internet leva nove valores, só sendo ultrapassada pelo livro (embora não o eleja como um dos seus três melhores amigos). O valor traduz o que o estudante considera conhecer: “não dou o máximo, porque não conheço o máximo das potencialidades”. À televisão (o seu “terceiro amigo”, antecedido pela rádio e pelo computador) dá seis valores. É que na televisão só se vê “o que permitem, enquanto que na net se tem acesso a tudo”. Sublinha, igualmente, o aspecto da interactividade: “a gente interage com a própria acção e podemos dar a nossa opinião”. Mesmo o cabo, onde as hipóteses podem ser muitas, não permite a liberdade total. Lembra que a Internet já contém em si a televisão, pois “dá para ver televisão e dá para enviar mensagens”.

Face a estas novas formas de comunicar, o telefone merece apenas quatro valores, pois está “a ficar um pouco ultrapassado”. Igualmente superado está o vídeogravador: o que tem em casa está “avariado e ninguém se preocupou em procurar assistência técnica”.

O livro e a rádio são os meios que reunem a melhor nota (dez valores). O livro porque permite desenvolver mentalmente a “história da maneira que o escritor quis”, a rádio porque lhe “dá inspiração”. Se bem que Renato tenha uma explicação etnológica para o facto: “o meu povo é um povo musical”. Os jornais, em particular, os desportivos, são a “Internet em papel”, pois são meios de obter informação.


ENTREVISTA 11

NOME: Lúcia

NÍVEL: 3

TIPO DE UTILIZADOR: não utilizadora



Lúcia vive com a avó. Tem três irmãs - uma de três, outra de sete anos e a mais nova com seis meses. A mãe reside noutro país da União Europeia, juntamente com duas das filhas. Tem computador em casa, mas uma anomalia técnica não lhe permite utilizá-lo. Uma grande parte do seu dia é ocupado com a escola. De regresso a casa, dedica um pouco do seu tempo ao estudo e a seguir ao jantar, a telenovela preenche uma hora antes de dormir. Apesar de não haver telenovela durante o fim-de-semana, o sábado e domingo são os dois dias em que afirma passar mais tempo em frente à televisão.


A jovem Lúcia nunca utilizou a Internet, nem nunca viu alguém fazê-lo. Porém, tem noção que as irmãs, que vivem no estrangeiro, têm acesso à Web e é por causa delas que defende um controlo efectivo dos conteúdos “potencialmente perigosos” da Internet.


Lúcia sente dificuldade em definir algo que não usa, por isso, é com algum esforço que vai fazendo associações: segundo ela, a Internet tanto pode ser definida como uma enciclopédia, um dicionário ou um divertimento. Crê que há quem navegue para “pesquisar e descobrir coisas”, mas na verdade, para ela, a World Wide Web ainda continua a ser um território totalmente inexplorado, que não figura nem mesmo nas conversas diárias: “as pessoas com quem falo não utilizam muito”, portanto, a ‘rede mundial’ não é um dos temas dominantes. Daí que, numa escala de zero a dez, a ‘web’ mereça apenas cinco valores, consequência do seu princípio do equilíbrio: “nem muito, nem pouco”. Curiosamente, à televisão atribui exactamente a mesma nota, porque, segundo ela, “não tem mais que a Internet – fornece notícias”. Mas há grandes diferenças entre a televisão e a rede, e uma delas incide, precisamente, no livre acesso a conteúdos pontencialmente perigosos, no último caso. É peremptória: “a pornografia devia ser controlada” para que as pessoas mais novas que ela não pudessem assistir. Quanto à segregação racial, a sua opinião é que devia haver muita informação contra o racismo na Internet, porque em Portugal já existe muito racismo e as crianças mais novas não compreendem: “eu sei, porque a minha irmã, que está no estrangeiro, tem net e ela não compreende”.

Não sabe se a Internet representa ou não uma revolução, mas acredita que é “muito útil para descobrir coisas”. Ignora se ter Internet melhora a comunicação entre as pessoas, ou se decretará a morte da televisão, mas está certa de que não irá ameaçar o papel dos professores no processo pedagógico: “temos que aprender e isso não se consegue através de um computador, mas sim com os professores”. Contudo, Lúcia é da opinião que o mundo está em “permanente evolução”, e como tal, encara com normalidade a possibilidade de, futuramente, o domínio da Internet ser condição “sine qua non” para poder desempenhar uma profissão. E se no futuro a Internet será essencial, actualmente, a ideia que tem quanto à necessidade de saber informática para poder navegar na web é relativa: “é preciso pelo menos alguns conhecimentos sem os quais as pessoas não podem utilizar a rede”.

Quanto à melhoria das condições de comunicação entre as pessoas através da ‘net’, Lúcia está parcialmente de acordo, pois valoriza a comunicação frente a frente, mesmo o telefone “é uma chatice”. E é precisamente por preferir o contacto pessoal, que atribui apenas três valores à invenção de Bell. Ex aequo com a Internet estão o vídeo-gravador e o cinema. Na verdade, nunca utilizou o primeiro e o cinema não lhe suscita grande entusiasmo. Um pouco acima, mas não muito (seis valores), o cabo veio introduzir variedade no panorama televisivo: “mais notícias, mais novelas, mais filmes”. Subindo na classificação, encontramos o livro, que se for de banda desenhada merece sete valores, mas se o conteúdo for relativo ao programa escolar a classificação desce para cinco.

A rádio é o que merece melhor classificação – o seu gosto por música e a diversidade radiofónica, que inclui notícias, “apesar de não poder responder e falar”, justificam os nove valores que atribuiu.



ENTREVISTA 12

NOME: Leandro

NÍVEL: 5

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador regular - domicílio



Há cinco anos que Leandro tem computador em casa. Mas ainda só passou um ano desde que tem “um razoável”, com ligação à Internet. Partilha-o com o irmão e ambos alegaram razões escolares para convencer os pais da importância da aquisição. Embora não se recorde da ideia que tinha da ‘net’ antes de começar a utilizá-la,  sabe que sua concepção da rede se foi alterando à medida que as utilizações íam aumentando, contudo, acha que o senhor “sabe-tudo” ainda não nasceu, por isso acredita que ainda tem muito para aprender.


Utilização


O seu primeiro contacto com a ‘net’ foi há cerca de meio ano. Actualmente, ainda mantém o hábito de ‘surfar’ sozinho e as suas preferências vão para os sites de música. Mas cada dia de utilização é diferente: “às vezes vou ter com os amigos, há alturas em que faço ‘downloads’, outras vezes faço trabalhos”, ilustra. Em geral, guarda as horas nocturnas para a ‘navegação’ – os custos assim obrigam: “é mais barato” e costuma ficar por lá até às duas, três da manhã, mas “não é todos os  dias”, sublinha.


Por vezes, os pais impõem-lhe restrições quanto ao tempo que passa ligado: “perguntam o que estou a fazer na ‘net’, mas nunca houve qualquer tipo de conflito”. De resto, os pais estão completamente alheios ao mundo da ‘web’. E ainda bem para ele, já que costuma andar nos sites que têm códigos para desbloquear telemóveis e talvez o pai, funcionário de um organismo policial do Estado, não achasse grande graça. No entanto, embora já tenha desbloqueado telemóveis, não crê estar a cometer uma ilegalidade: “já se faz muito, por isso não é ilícito...”, justifica.


Representação


A Internet é uma “rede de comunicação internacional, que nos coloca a par de tudo o que se passa no mundo”, afirma, e acrescenta, em tom misterioso “há quem diga que quem tem Internet tem tudo”. Por tudo, quer também dizer: “cultura, jogos, códigos para desbloquear telemóveis, códigos de acesso a todos os tipos de coisas, etc”, explica. Para ele é absurdo estabelecer comparações com a televisão, que é apenas uma “forma de passar o tempo”, ao passo que no computador se comunica com pessoas de “todo o mundo”. Na televisão “ouvimos e pronto”, acrescenta. Esclarece que na ‘net’ consegue fazer um infindável número de coisas: tirar músicas, ‘cracks’ para jogos, etc. Por isto tudo, acredita que a Internet veio revolucionar a forma de pensar e de agir de algumas pessoas. Pessoas que deixaram de fazer determinado tipo de coisas e passaram a fazer outras tais como aprender através da Internet e não apenas através dos livros. Acha mesmo que a informação na ‘net’ talvez seja mais completa em termos de conteúdos e discorda que seja uma perda de tempo. Acrescenta ainda que melhora a comunicação entre as pessoas, pois “encurta as distâncias”, tal como o telefone, ao qual dá oito valores numa escala de zero a dez.  Mas nem tudo são rosas no mundo virtual: há coisas complicadas, como por exemplo, ir “a alguns sites buscar algumas coisas”, explica. Curiosamente, não coloca na lista dos perigos os sites cujos conteúdos possam ser considerados potencialmente perigosos, até porque não encontra razões para que haja qualquer controlo em relação a esses mesmos conteúdos. E apesar de estar consciente de que se deixasse de ter acesso à Internet “seria mau”, a importância que lhe dá traduz-se em oito valores, numa escala de zero a dez. Não acredita que a Internet seja uma ameaça à língua portuguesa, mas acha que é preciso saber informática para poder usar a ‘net’. E embora ache que a ‘web’ está mais perto de Deus que do Demónio, não vê como seria possível a rede substituir a escola: “não é possível substituir os professores, nem os amigos”, argumenta.  A seguir à Internet, atribui sete valores ao cabo e ao cinema. O livro, o vídeo-gravador e a televisão merecem apenas cinco valores.



Apropriação


Leandro privilegia as ligações em casa, à noite, por razões monetárias. Em geral acede sozinho. Afirma que desde que tem ‘net’ que passou a dedicar menos tempo à televisão: “só serve para ver jogos de futebol”, enquanto que na rede. Leandro fala com os amigos e pesquisa informação. Na escola é raro usar: os professores não incentivam o uso como recurso pedagógico e os computadores estão sempre ocupados. Mas quando calha um ‘pc’ estar vago, vai trocar dois dedos de conversa para os ‘chats’. Até agora, apesar de a Internet ser algo que considera muito positivo, mudar-lhe-ía algo: “torná-la-ía mais rápida”.


ENTREVISTA 13

NOME: Rogério

NÍVEL: 5

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador regular - fora do domicílio

Não tem ‘net’ em casa, mas sabe que pode ser um vício, e acha que os cibernautas tendem a deixar de comunicar com a família, mas compara o problema aos vícios televisivos: “há ceias de Natal, em que não há diálogos, as pessoas passam o tempo todo a olhar para a televisão”.


No ano passado foi monitor de Internet na sua escola: estava uma hora por semana na sala de informática para esclarecer as dúvidas dos que se iniciavam na Internet. Apesar de as preferências dos colegas irem para os programas de ‘chat’ não concorda com a exclusividade do uso da net, nas escolas, para pesquisa. É que: “o chat não é o fim do mundo e as pessoas devem conciliar o trabalho com o entretenimento”.



Utilização


Não consegue precisar há quanto tempo se tornou um ‘cibernauta’, mas garante que terá sido “há mais de dois anos“. A primeira vez que visitou a ‘net’ foi para “criar um e-mail, ir ao chat e enviar ‘sms’ para telemóveis”, mas com o passar do tempo, e agora que está “num nível de escolaridade mais avançado” a utilização ultrapassou a dimensão do entretenimento. Quando faz trabalhos já não usa ”exclusivamente enciclopédias”, explica. Agora inclui a Internet na lista bibliográfica que acompanha os seus trabalhos escolares: “a noção que tinha da net foi-se alterando com o tempo - tornou-se mais vasta”, garante.


Rogério sabe que há amigos seus que “só querem a net para estar no ‘irc’, mas ele junta-lhe o lado “enciclopédico” - para as pesquisas, embora também frequente alguns dos canais do ‘mirc’.  


Tece algumas críticas às condições de acesso na sua escola: “na sala dos alunos havia três computadores, e acho que há uns meses que um está avariado, por causa de uma trovoada”, conta. Por outro lado, acredita que a utilização não está a ser rentabilizada, porque há “crianças que vão para lá para jogar” e devia usar-se mais “para cultura”. A acrescentar a isto, aponta o elevado número de estudantes, revelando situações preocupantes: “há pessoas que faltam às aulas para ir para lá e não dão oportunidade aos que mais necessitam”.


Representação


“Com a Internet comunicar tornou-se mais fácil: agora podemos falar com qualquer pessoa, de qualquer ponto do planeta, a qualquer hora. Podemos saber as notícias e estar permantemente informados” e isso representa uma revolução, assegura.

Luís está convicto que o futuro passa pela rede e que não se pode desviar dela nem um milímetro: “daqui a algum tempo não se conseguirá fazer nada sem a Internet”, sublinha. Por um lado, acredita que é bom, mas lembra que é preciso “usar comedidamente”, porque há pessoas que estão totalmente viciadas: “é preciso saber não exagerar”, alerta.

Apesar deste senão, considera que a Internet podia ser um meio de ajudar a melhorar a grave situação de analfabetismo, na qual o país vive. Por isso, defende uma maior promoção do uso da Internet: “devia haver melhores condições de acesso na escola, para as crianças começarem logo a pegar em algo que vai ser o nosso futuro”, advoga.

Até porque se trata de uma “forma divertida de aprender – comparativamente com os livros”, sustenta. Volta “à questão do analfabetismo e da suposta “livro-fobia” portuguesa para justificar que, talvez seja mais agradável aprender através de um computador do que de um livro. Segundo este jovem, poucas pessoas lêem livros, “a não ser de banda desenhada”. Mas isto coloca o problema da aprendizagem da utilização: é fácil aprender? “Portugal é um país de analfabetos e se não se sabe trabalhar com um computador e se não se sabe escrever correctamente, então é muito difícil aprender a usar a net”, pergunta. No entanto, acha que é possível, embora, provavelmente, seja “um processo longo”.


Talvez não tão longo quanto a decisão de controlar os sítios, cujos conteúdos possam ser considerados potencialmente perigosos: “hoje em dia vêem-se crianças de 15 anos a ver pornografia e isso devia ser controlado”, defende. A sua posição difere no que diz respeito ao racismo: “deviam ser mostradas precisamente para mostrar as causas do mau convívio”. O que significa que acredita na capacidade de manutenção dos valores sociais através da observação das injustiças.

No que diz respeito às alterações linguísticas provocadas pela ‘net’, não considera que a rede constitua uma ameaça à sua língua materna: “é um meio universal e apesar de ser necessário saber inglês se se quiser ‘teclar’ com pessoas de outros países, trabalha-se com todas as línguas”. A ideia é reforçada pelo facto de acreditar que em muitos ‘sítios’ se fala português. Ele próprio usa dois motores de busca para as suas pesquisas: um português –  o ‘sapo’ e outro internacional – ‘Altavista’.

Geralmente confia nas informações que encontra ‘on-line’, mas lembra que “toda a gente comete erros” e acrescenta que “há sempre pessoas maldosas que gostam de enganar”. E talvez baseado nesta premissa afirma não gostar de comprar ‘on-line’. Para ele, o produto tem que ser concreto e não virtual: “tenho que ver para crer”, sustenta.  

Segundo Rogério, globalmente, a ‘World Wide Web’ é positiva, mas na escala de zero a dez, não passa dos oito: “não dou dez porque nada é perfeito”, começa por explicar, e acrescenta que não dá nove porque “a ‘rede’ não tem só vantagens: depois de se experimentar não se quer outra coisa”, conclui remetendo para o problema do vício.

Por outro lado, obrigar as ciranças a estar agarradas ao computador só para trabalhar não lhe “parece bem”, em especial porque “as coisas devem ser moderadas e equilibradas” e propõe um limite de “20 a 30 minutos dedicado ao ‘chat’ e o resto para pesquisa”.

Acima da Internet, Rogério classifica o livro, ao qual atribui nove valores: “valorizo mais o livro, mas estando num país de analfabetos, as pessoas procuram mais a net do que os livros”, justifica. É sua convicção que “90% dos portugueses não chega a ler um livro por mês”.

Um nível abaixo da Internet, com sete valores, posiciona a televisão porque “é o meio de informação mais acessível para estar em contacto com o mundo”, e lembra que nem todos têm dinheiro para ter um computador, quanto mais Internet. Tal como o computador, a televisão também “impede as pessoas de conviver”. Ex aequo com a televisão estão o telefone e o cabo. O primeiro porque apesar de “muito bom”, considera lamentável o facto de as pessoas não saberem moderar o uso das novas  tecnologias, aludindo à “febre dos telemóveis”. No caso do cabo, a primeira preocupação de Rogério é poder gerar “ainda mais falta de convívio” e, por outro lado, “tem uma grande actualidade e dá-nos um pouco de tudo através dos canais temáticos”.

Na opinião de Rogério, o gravador de vídeo (6) é “mal divulgado”, pois também serve para “recordar momentos de família e há colecções documentais que estão em cassete”, por isso a falta de divulgação é a única explicação que encontra para que a utilização maioritária seja o visionamento de filmes. Em último, estão a rádio, que usa só para “ouvir música” e o cinema, do qual não é fã.



Apropriação


Rogério liga-se à rede na escola ou na biblioteca municipal, para ‘teclar’ ou pesquisar. Tanto pode falar com “pessoal de Coimbra”, como vai até alguns canais ingleses para conversar com pessoas de outros países. No entanto, o seu grupo de amigos virtual é constituído sobretudo, maioritariamente, por pessoas de Coimbra, com quem chega a organizar jantares.

Como durante o dia não tem tempo para ir à net, pois precisa “de estudar”, desloca-se à noite até à sua escola: “não só para ‘surfar’, mas também por causa dos programas de escrita”. Para além de alguns serões, aproveita uma hora do seu almoço, quando o horário lhe dá duas horas. O que sabe aprendeu experimentando e com a ajuda de alguns amigos. Em situação alguma um dos seus professores usou a net como recurso pedagógico. Para explicar que acha natural que assim seja, lembra uma situação em que um colega “plagiou um texto que estava na net” e foi descoberto pela professora, que lhe disse para não usar mais a Internet.

Também já aconteceu usar em casa dos amigos, embora esporadicamente e só para ‘chats’: “pode clonar-se e criar dois nicks diferentes”, explica. A dois: “puxa mais pela imaginação” e acaba-se por fazer mais brincadeiras, garante. Mas ao nível da pesquisa, e apesar do episódio do plágio descoberto pela professora, continua a utilizar a ‘web’ como recurso escolar: “a personalidade não vai ser afectada”, defende, “a forma de estudar pode ficar um pouco alterada, mas a relação com os outros é a mesma”, argumenta. E explica: “ainda este ano usei para fazer um trabalho sobre o Padre António Vieira e sobre Eça de Queirós, porque tem grande variedade de imagem e dá para fazer montagem. Mesmo ao nível de texto é muito bom, porque não são muito extensos e em geral aproveito-os para introdução e a partir daí faço uma biografia maior com textos meus”.


ENTREVISTA 14

NOME: Susana

NÍVEL: 5

TIPO DE UTILIZADOR: utilizadora regular - domicílio




“Pedi para ligar a ‘net’ em casa porque achei que era importante para o meu dia-a-dia e para os trabalhos da escola”, lembra. Hoje, continua a achar que “é cada vez mais importante”, até porque lhe permite ter uma relação privilegiada no acesso à informação. Filha de um professor e de uma enfermeira, Susana é filha única e a principal utilizadora do computador da casa, já com ligação à Internet.

Considera que os hábitos de utilização não se alteram consoante o sexo, mas acredita que os jovens privilegiam a dimensão do entretenimento: “jogos e programas de conversas” exemplifica. Contudo, nunca experimentou uma conversa on-line.



Utilização


Susana é peremptória: “aprendi através de amigos, não adquiri nenhum manual de utilização de Internet”. Foi fácil, portanto. Mais difícil é definir ou explicar a Internet: “algo fundamental actualmente e no futuro; fonte de conhecimento e de divertimento; algo com muitas potencialidades”, elucida.

As suas incursões na rede começaram há cerca de um ano, em casa, e desde aí acha que a sua opinião não mudou: “comecei por usar como fonte de conhecimentos e continuo a ‘navegar’ para esse fim”, justifica.

Após um ano de ‘navegações’ ainda não tem sites favoritos, mas o  motor de busca que mais utiliza é o ‘Yahoo!’ e também o português ‘sapo’.

Tal como Susana, o pai utiliza a Internet como fonte de conhecimento. Tanto este como a mãe gostam de saber o que ela procura ‘on-line’: “não para controlar mas para conhecerem os meus interesses”, garante.

Já fez vários trabalhos escolares baseados em materiais que encontrou na Internet, por isso, acredita ter uma “relação privilegiada com os conhecimentos”, que advém do acesso facilitado à ‘Web’. Em todo o caso, a julgar pelos professores, estes não valorizam a Internet como recurso pedagógico e são “totalmente alheios; não usam, nem incentivam”, lamenta. De resto, nunca navegou na escola, pois tem em casa.  


Representação


A Internet é revolucionária porque permite alcançar “um mundo de conhecimentos vastíssimo, muito mais rapidamente”, justifica. É igualmente revolucionária porquanto, contrariamente ao que acontece com a televisão, o espectador tem “o poder da escolha da informação, já não somos espectadores passivos, mas activos, escolhemos o que queremos encontrar”, conclui. Por isso, a Internet nunca pode ser uma perda de tempo. Bom, nunca não, Susana coloca uma ressalva: “depende das intenções com que se acede”. Também isto justifica que a ideia de controlar os sítios com contéudos potencialmente perigosos não mereça o seu apoio incondicional, mas moderado: “certas pessoas não deviam poder aceder a esse tipo de ‘sites’, mas o público em geral, quando visita esses sítios já sabe o que o espera”; portanto, cada um sabe de si.


E com toda a sua dimensão revolucionária, a Internet apenas merece um sete, na escala de zero a dez: é que “também tem os seus riscos”, alega. A televisão e a rádio merecem cinco valores, porque a Internet tem “muito mais potencialidades” e permite uma pesquisa personalizada”.


Acima da Internet estão o livro e o cinema, com oito valores: “gosto de ler e de manusear os livros”, explica; o cinema permite experimentar “emoções que não se sentem na Internet”. E é por continuar a gostar de folhear os livros e de ver os filmes acompanhada, que também acredita que a Internet dificilmente poderá substituir a escola: “pode ser um excelente apoio e contribuir para a nossa educação, mas o convívio entre os alunos é insubstituível”, defende.


O telefone, o cabo e o vídeo-gravador estão todos no patamar dos seis valores, segundo a avaliação desta jovem. O primeiro porque “também permite conversar com as pessoas e é um instrumento fundamental no nosso dia-a-dia”, fundamenta; o segundo porque como tem um “grande número de canais” possibilita mais informação; o último porque o utiliza frequentemente para gravar e rever filmes e documentários.




Apropriação


Susana afirma aceder à Internet aleatoriamente - quando tem possibilidade (temporal) ou interesse. Em geral depois de regressar das aulas põe o estudo em primeiro lugar e só depois, caso lhe apeteça, é que vai ‘navegar‘. Esta rotina tem uma excepção: quando tem trabalhos escolares altera a metodologia: primeiro vai à ‘net’ e depois trabalha a informação que encontrou. Confia na informação que encontra na rede, mas Susana sublinha que, para si, tudo depende da fonte: “dou maior credibilidade a páginas de museus, escolas ou jornais”, exemplifica.


Como o computador está num lugar comum da casa – o escritório -, conciliam o tempo entre os utilizadores. Garante que não há qualquer limitação quanto ao tempo dispendido, até porque “todo o conhecimento que a Internet faculta é muito importante”, defende Susana, que acredita que esta ideia é partilhada pelos pais. Mas se por um lado defende que a rede é uma excelente fonte de informação, por outro, assegura que não está viciada e que facilmente passaria sem as visitas virtuais: “posso procurar noutros lados”. E porque é que não o faz sempre? Porque “na Internet é mais fácil”.



ENTREVISTA 15

NOME: Lucília

NÍVEL: 5

TIPO DE UTILIZADOR: Utilizador ocasional – fora do domícilio



Lucília está num curso de tecnologias da Comunicação e quer continuar os seus estudos na área de informática. O computador pessoal, que já tem há cerca de quatro anos, foi uma conquista do irmão, embora actualmente seja utilizado por todos. O pai, professor de electrotecnia, usa-o por razões profissionais e a mãe, educadora de infância, para uso pessoal. Foi com a prima que partilhou o seu primeiro contacto com a rede: “fomos a um ‘chat’ – comunicar em directo”, lembra.



Utilização


“Sinto que não sei muito sobre a ‘net’ e que deveria haver mais tempo dedicado ao assunto, durante as aulas”, constata Lucília, que já falou com os pais para poder ter Internet em casa, mas ainda não foi bem sucedida: “agora as coisas estão difíceis” e em termos financeiros o momento não é o mais oportuno, ter-lhe-ão explicado.


No entanto, na escola o uso do computador é banal. Devido ao curso que frequenta, tem duas disciplinas nas quais o uso do ‘pc’ é imprescindível, portanto, acaba por usá-lo quase todos os dias - mas nem sempre a utilização contempla a navegação na Internet. A última vez que fez pesquisa na Internet foi para um trabalho sobre o rio Mondego. Naquela altura a utilização foi partilhada com outros colegas. Mas já utilizou sozinha e com amigos, mas das duas prefere a última, é que “há mais convívio”.



Representação


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