ISSN: 1646-3137  
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JORGE PEDRO SOUSA, IMAGENS DA GALIZA NA IMPRENSA PORTUGUESA

IMAGENS DA GALIZA NA IMPRENSA PORTUGUESA

 

Jorge Pedro Sousa, Universidade Fernando Pessoa[1]

 

 

Sumário

 

Neste trabalho, o autor procura identificar e descrever as imagens actuais da Galiza projectadas pela imprensa portuguesa.  A pesquisa baseou-se predominantemente numa análise quantitativa do discurso, com categorias definidas a priori.  Para o efeito, foi construída uma amostra representativa de jornais e revistas portugueses, publicados em 1999.  Entre as principais conclusões, o autor salienta que a cobertura da Galiza é, contrariamente às expectativas, pontual e quase sempre relacionada com assuntos que dizem respeito a Portugal.  O discurso sobre a Galiza construído pelos media escritos é, por seu turno, tendencialmente objectivante e descritivo.  A construção de uma imagem positiva ou negativa da Galiza ou das relações entre Portugal e a Galiza depende, assim, mais do tema abordado do que da forma do discurso.  O futebol e os eventos culturais são os temas mais abordados no noticiário sobre a Galiza, mas também se encontram peças sobre as acessibilidades, o recrutamento de profissionais galegos do sector da saúde para trabalharem em Portugal, a economia e a política, entre outras.  O estudo revela também que quando os jornais estão sedeados a Norte a cobertura da Galiza tende a ser maior do que quando os jornais estão sedeados em Lisboa, o que evidencia a importância da proximidade enquanto critério de noticiabilidade.

 

 

1. Introdução

 

Este trabalho procura contribuir para o conhecimento das imagens da Galiza que foram construídas e difundidas pela imprensa portuguesa no final do segundo milénio.  A pesquisa teve, assim, por objectivo delinear essas imagens enquanto indicadores e índices das relações entre Portugal e a Galiza na transição para o século XXI.  A principal hipótese a testar no estudo foi a seguinte: se existe uma convergência de interesses e um aprofundamento das relações entre a Galiza e Portugal, particularmente entre a Galiza e o Norte de Portugal, e se existe um aumento recíproco do interesse que os seus habitantes nutrem uns pelos outros, então os meios jornalísticos não poderão deixar de fazer eco dessa situação.

Citando Marques de Melo et al. (1999: 5), "(...) a investigação sobre a contribuição do jornalismo a um processo de integração entre países deve estar direccionada a detectar os personagens e acontecimentos considerados suficientemente interessantes, significativos e relevantes para serem transformados em notícias."  Nesta linha, tendo em conta o objectivo do trabalho e a principal hipótese a testar, sistematizei várias perguntas de investigação e determinei as variáveis correspondentes a avaliar, conforme se expressa no quadro seguinte.

 

Perguntas de investigação e variáveis correspondentes a aferir (texto)

 

Research questions

Variáveis

× Qual é a relevância da informação sobre a Galiza?

× Quantidade de informação (número de artigos, média por edição, espaço ocupado)

× Quais são os temas que predominam na informação sobre a Galiza?

× Tema genérico (secção de inserção) e tema específico da peça

× Qual é o grau de dependência que os órgãos de comunicação social manifestam em relação à Agência Lusa e a outras agências no que respeita às informações sobre Galiza?

× Qual é o grau de protagonismo dos órgãos de comunicação social e dos seus colaboradores na recolha e processamento da informação sobre a Galiza?

 

 

× Serviço informativo a quem a peça é atribuída

× Peças de produção própria (correspondentes, colaboradores, enviados, etc.)

× Qual é a quantidade de peças sobre a Galiza que se geram no país e fora do país?

× Procedência da peça

× Serviço informativo a quem a peça é atribuída

× Qual ou quais são os agentes/protagonistas da informação sobre a Galiza?

× Qual é o grau de pluralismo na informação sobre a Galiza?

 

× Fontes citadas e número de orações atribuídas a cada fonte

× Qual é a relevância jornalística concedida às peças sobre a Galiza?

× Número de chamadas à primeira página

 

× Quais os géneros jornalísticos e as tipologias discursivas que dominam na informação sobre a Galiza?

× Géneros jornalísticos

×  Peças predominantemente descritivas, documentais, analíticas e opinativas/argumentativas

× Existe equilíbrio ou desequilíbrio geográfico nas peças sobre a Galiza?

× Localidades mencionadas nas peças

 

 

Uma vez que a informação sobre a Galiza englobava quase unicamente textos e fotografias[2], neste estudo apenas me debruço sobre essas duas facetas do discurso jornalístico impresso.  No que respeita à análise do discurso especificamente fotojornalístico sobre a Galiza, adaptei, para nortear a pesquisa, as perguntas de investigação referentes à informação textual, conforme revela o quadro a seguir inserido.

 

Perguntas de investigação e variáveis correspondentes a aferir (fotografias)

 

Research questions

Variáveis

× Qual é a relevância da informação fotográfica sobre a Galiza?

× Quantidade de fotografias (número de fotos, espaço ocupado)

× Quais são os temas que predominam na informação fotográfica sobre a Galiza?

× Qual ou quais são os agentes/protagonistas da informação fotográfica  sobre a Galiza?

× Qual é o grau de pluralidade informativa na informação fotográfica sobre a Galiza?

 

 

× Conteúdo principal das fotos

× Personalidades representadas nas fotografias (protagonismo)

× Qual é o grau de dependência que os jornais manifestam em relação à Agência Lusa e a outras agências no que respeita à informação fotográfica sobre a Galiza?

× Qual é o grau de protagonismo dos jornais e dos seus colaboradores na recolha e processamento da informação fotográfica  sobre a Galiza?

 

× Serviço informativo a quem a foto é atribuída

× Fotos de produção própria (correspondentes, colaboradores, enviados, etc.)

× Existe equilíbrio ou desequilíbrio geográfico nas fotos sobre a Galiza?

× Localidades fotografadas

 

 

Como as variáveis a avaliar se prestam à aplicação de métodos quantitativos, concedi prioridade metodológica à análise quantitativa do discurso.  Para efectuar esta análise, a informação foi, normalmente, contabilizada em número de peças e em cm2, conforme é habitual neste tipo de pesquisa (cf. Marques de Melo et. al., 1999: 4; cf. Marques de Melo, 1972), sendo classificada por categorias definidas a priori.  Para efeitos de aferição do número de peças, apenas considerei as peças jornalísticas; do mesmo modo, apenas considerei o espaço ocupado pelas peças de cariz jornalístico, desprezando o espaço ocupado por publicidade -ainda que predominantemente de cariz informativo- e propaganda, bem como o espaço ocupado por cartas ao director.  Há ainda a destacar que para a definição das categorias para a análise de conteúdo tomei em consideração que essa mesma análise procuraria responder às perguntas de investigação formuladas.

Parece-me notório que a definição de grande parte das categorias para análise quantitativa do discurso é clara e habitual[3] neste tipo de pesquisa.  Desta forma, em meu entender não é necessário traduzir em que consistem exaustivamente todas as categorias per si, nomeadamente quando as categorias se referem:

· às chamadas à primeira página (as chamadas à primeira página definem a categoria);

· à secção do jornal onde a peça surge (neste caso, a secção -que geralmente corresponde a uma editoria da redacção- define a categoria);

· aos temas específicos da informação (o tema da informação define a categoria);

· às fontes (o tipo de fonte define a categoria);

· à produção da peça (quem produz a peça define a categoria);

· e às localidades mencionadas nas peças (as localidades mencionadas definem a categoria).

A explicitação das categorias que, em meu entender, possam oferecer dúvidas, surge no quadro a seguir inserido.

 

Definição de categorias para análise do discurso

 

Categorias

Explicitação

 

Peças sobre a Galiza

Peças jornalísticas que abordem exclusivamente acontecimentos ocorridos na Galiza, personalidades galegas, problemáticas que tenham surgido na Galiza, ideias geradas por galegos, etc.

Peças sobre Galiza - Portugal

Peças jornalísticas que abordem acontecimentos que envolvam simultaneamente a Galiza e Portugal, mesmo que também envolvam outros países, pessoas individuais e colectivas dos dois países, acções de pessoas individuais e colectivas de um dos países no outro país, etc.

 

Peças sobre Galiza - Outros Países

Peças jornalísticas que, sem se referirem a Portugal, abordem acontecimentos que envolvam simultaneamente a Galiza e outros países (incluindo o resto de Espanha), pessoas individuais e colectivas da Galiza e outros países, acções de pessoas individuais e colectivas da Galiza noutro país e vice-versa, etc.

 

Ângulo dominante das peças com menção à Galiza na amostra: peças neutras

Peças jornalísticas cujo ângulo dominante ou tema é tendencialmente neutro em relação à Galiza ou peças jornalísticas em que existe um certo equilíbrio entre as partes da peça cujo ângulo é potencialmente negativo para a Galiza e as partes da peça cujo ângulo é potencialmente positivo para a Galiza.  A título de comentário, a distribuição das peças por categorias referentes ao ângulo dominante pode ser vista como um tanto ou quanto subjectiva e, em certas peças, pode efectivamente sê-lo.  Mas se uma peça, por exemplo, fala de uma reunião inócua do governo galego, ela pode considerar-se, em meu entender, como sendo tendencialmente neutra.

Ângulo dominante das peças com menção à Galiza na amostra: peças positivas para a Galiza

 

Peças jornalísticas cujo ângulo dominante ou tema é tendencialmente positivo em relação à Galiza, como, por exemplo, uma notícia respeitante à adopção de medidas de defesa da floresta, uma reportagem sobre a pujança empresarial galega, etc.

Ângulo dominante das peças com menção à Galiza na amostra: peças negativas para a Galiza

 

Peças jornalísticas cujo ângulo dominante ou tema é tendencialmente negativo em relação à Galiza, como, por exemplo, notícias respeitantes ao tráfico de droga na Galiza e aos clãs de traficantes galegos, etc.

Ângulo dominante das peças com menção à Galiza na amostra: peças positivas para a imagem das relações Portugal - Galiza

 

 

Peças jornalísticas cujo ângulo dominante ou tema contribua para o estreitamento das relações entre Portugal e a Galiza, como uma notícia sobre o estabelecimento de um acordo comercial, uma notícia sobre a construção de uma ponte, etc.

Ângulo dominante das peças com menção à Galiza na amostra: peças negativas para a imagem das relações Portugal - Galiza

 

 

Peças jornalísticas cujo ângulo dominante ou tema tenda a prejudicar as relações entre Portugal e a Galiza, como um editorial criticando as afirmações de um governante ou outro responsável de um dos países sobre o outro país.

Géneros jornalísticos: nota/notícia breve

Relato sucinto e descritivo de um acontecimento, geralmente não tendo mais de dois ou três parágrafos curtos, com ou sem citações directas e/ou parafraseadas de outras fontes que não o jornalista, e que traz informação nova.

 

 

Géneros jornalísticos: notícia desenvolvida ou reportagem

Relato desenvolvido e aprofundado de um acontecimento, em geral predominantemente descritivo, embora possa ter facetas analíticas e até opinativas, e que possui, geralmente, citações directas e/ou parafraseadas de outras fontes que não o jornalista.  Admitiram-se nesta categoria diversos géneros de reportagem: reportagem retrospectiva de acontecimento, reportagem de acção, reportagem de personalidade ou perfil, etc.  As notícias desenvolvidas e reportagens normalmente trazem informação nova, mas, por vezes, recuperam informação antiga para contextualizarem os assuntos e permitem-se apontar pistas quanto às suas consequências.

 

 

 

Géneros jornalísticos: entrevista

Peça jornalística susceptível de permitir a um ou mais entrevistados dirigirem-se directamente ao leitor através das respostas que dão às perguntas de um jornalista, embora o jornalista oriente a entrevista em função das perguntas que coloca, de forma a trazer a público informação nova e pertinente.  Admitiram-se nesta categoria diversos géneros de entrevista: por um lado, entrevistas em "pergunta-resposta" ou em "discurso indirecto"; por outro lado, entrevistas de declarações, entrevistas de personalidade, entrevistas-inquérito, etc.   Geralmente, na entrevista é o entrevistado e não o jornalista que está em foco, pelo que a maior parte do texto tem origem no primeiro.

Géneros jornalísticos: peça de opinião ou análise

Peças jornalísticas interpretativas cuja maioria das orações é de teor analítico ou opinativo, sendo, portanto, normalmente artigos de opinião ou análise, editoriais, etc.  Geralmente, são peças que não trazem informação nova, antes se debruçam sobre dados conhecidos que ainda não tenham sido interpretados e correlacionados.

 

Géneros jornalísticos: peça documental

Peças jornalísticas que funcionam como background informativo e documental para notícias, reportagens, entrevistas, etc.  Por exemplo, uma cronologia dos factos históricos que antecederam determinado acontecimento pode considerar-se uma peça documental, tal como, por exemplo, uma peça que descreva as armas de exércitos ou forças policiais.

Géneros jornalísticos: outro tipo ou tipologia mista

Peças jornalísticas que misturam diferentes tipologias.  Por exemplo, uma reportagem pode integrar uma cronologia histórica dos factos que antecederam o acontecimento, etc.

Peça essencialmente descritiva ou documental

Peça jornalística onde a maior parte das orações é descritiva, isto é, serve para descrever alguma coisa, como um facto, um acontecimento ou uma ideia.  Também se incluíram aqui as citações (directas ou sob a forma de paráfrase), uma vez que citar alguém é transcrever aquilo que foi dito dizendo-se quem o disse, o que pode ser considerado uma forma de descrição.

 

 

 

 

Peça essencialmente analítica

Peça jornalística interpretativa onde a maior parte das orações é analítica, isto é, onde a maior parte das orações serve para interpretar dados factuais, afirmações, etc. que são disponibilizados sob uma forma descritiva e rigorosa.  A análise pode considerar-se, segundo Pinto (1997), como estando a meio caminho entre a descrição e a opinião, pois a análise baseia-se sempre em factos, que são rigorosamente interpretados e a partir dos quais se extraem conclusões.  A análise não tem, necessariamente, uma intenção persuasiva e privilegiadamente argumentativa, tal e qual como acontece num artigo científico.  Numa análise, interpretam-se e relacionam-se dados de forma rigorosa e precisa, estruturam-se e organizam-se informações, orientando assim o leitor, como acontece quando se interpretam os resultados de um inquérito ou de uma sondagem no jornalismo de precisão.

 

Peça essencialmente opinativa

Peça jornalística interpretativa e argumentativa, elaborada com intuitos essencialmente persuasivos, onde a maior parte das orações é de cariz opinativo.  A opinião distingue-se da análise, na óptica de Pinto (1997), porque as opiniões não necessitam de se fundamentar em factos precisos e rigorosos.  A opinião pode, inclusivamente, ser de cariz especulativo e livre.

Fonte de informação explícita

A fonte é expressamente identificada.

 

Fonte de informação implícita

A fonte não é expressamente identificada, mas consegue-se identificá-la sem que paire qualquer dúvida no espírito do leitor (por exemplo, por já ter sido referenciada na peça).  Não deve, portanto, ser confundida com uma fonte anónima, pois o discurso é produzido por uma fonte identificável, embora esta não seja denominada.

 

Número de aparições de uma fonte numa peça

Número de vezes que uma fonte informativa é referida, explícita ou implicitamente, numa peça, sem que haja lugar a interrupções significativas no seu discurso por outra fonte, mesmo que se trate do jornalista.  Como é óbvio, só foram contabilizadas aparições de uma entidade quando ela funcionou efectivamente como fonte de informação.  Por outras palavras, não foram contabilizadas as simples referências a entidades, mas unicamente as referências a entidades que funcionam como fontes de informação.

 

Além das variáveis a aferir, outros motivos levaram-me a conceder prioridade metodológica à análise quantitativa do discurso, nomeadamente o rigor que ela introduz na pesquisa e o facto de:

 

"Ao invés de entrevistar o leitor sobre os seus hábitos de leitura, utiliza-se o processo inverso, ou seja, analisar aquilo que é oferecido ao leitor, assumindo que aquilo que o leitor lê no jornal da sua escolha reflecte suas atitudes e valores em relação ao facto noticiado[4].  (...)

Outra vantagem deste tipo de pesquisa é o facto de trabalhar com valores essencialmente quantificáveis, definidos por categorias estabelecidas e comprovadas em estudos similares.  Desta forma, a colecta de dados é baseada na mensuração de textos e as conclusões expressas em forma numérica, o que facilita o cruzamento de informações e a elaboração de tabelas e gráficos explicativos, além de permitir com facilidade a reavaliação e comprovação de todo o projecto ou parte dele." (Marques de Melo et al., 1999: 4)

 

Torna-se imprescindível salientar que não foram classificados dados em várias das categorias de análise quantitativa do discurso definidas a priori.  Para facilidade da apreensão dos dados, essas categorias não surgem nas tabelas de resultados inseridas neste trabalho.  Nessas tabelas apenas surgem as categorias de análise nas quais foram classificadas informações.  Por este motivo, as tabelas não traduzem a minúcia com que foram definidas as categorias de análise e, portanto, também não traduzem a extensão da pesquisa.  Por exemplo, foram definidas a priori quase uma centena de categorias para se classificarem as peças em função do seu tema específico, mas as tabelas de resultados foram construídas tendo unicamente em conta as categorias em que foram classificadas peças, pois de outra maneira surgiriam dezenas de células em branco.  Do mesmo modo, e igualmente a título exemplificativo, a responsabilidade pela produção das peças foi distribuída por cerca de trinta categorias, englobando as principais agências noticiosas e outros órgãos jornalísticos do mundo, incluindo da Galiza, de Portugal, dos Estados Unidos e da América Latina.  Mas só foram mencionadas na tabela as categorias nas quais se classificaram dados.  Se não o fizesse, as tabelas teriam, algo despropositadamente, dezenas de células em branco, tornando-se de leitura difícil.

Uma vez que, face aos meios disponíveis, seria impossível analisar toda a imprensa portuguesa, seleccionei para estudo jornais e revistas de informação geral tanto quanto possível representativos de diferentes modalidades de imprensa, englobando na amostra jornais e revistas de grande circulação e jornais de expressão regional ou local no Norte do país. 

No caso da imprensa regional e local, tentei seleccionar um diário nortenho não sedeado no Porto (Diário do Minho) e, para avaliar a importância da proximidade geográfica enquanto critério de noticiabilidade, um semanário regional tradicional sedeado próximo da fronteira galega (Falcão do Minho) e um semanário local tradicional sedeado numa povoação mais afastada da fronteira (o Jornal de Santo Thyrso, de Santo Tirso).  No que respeita à imprensa de grande circulação (tendo em conta que, quando falo de "grande circulação", penso unicamente no panorama da leitura de jornais em Portugal), seleccionei todos os jornais e revistas com tiragens superiores a 50 mil exemplares (excepto no caso da Grande Reportagem, que teve tiragens inferiores).  Segundo os dados da Associação Portuguesa Para o Controle de Tiragem[5], a circulação média diária dos jornais e revistas de grande circulação analisados, durante os três primeiros trimestres de 1999, foi a seguinte:

- Grande Reportagem: 48.500 exemplares (Janeiro de 1999);

- Visão: 80.397 exemplares;

- Expresso: 143.726 exemplares;

- Jornal de Notícias: 112.919 exemplares;

- Correio da Manhã: 76.845 exemplares;

- Diário de Notícias: 57.307 exemplares;

- Público: 53.715 exemplares;

A tiragem média do Jornal de Santo Thyrso, em 1999, ascendeu, segundo o proprietário, a cerca de três mil exemplares por edição.  Por sua vez, o Falcão do Minho, segundo a ficha técnica, tirou, em 1999, uma média de 14 mil exemplares por edição.

Nos casos do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público, que têm edições diferenciadas para o Norte e o Sul do país, seleccionei para análise as edições Porto/Norte.

Categorizando os jornais seleccionados, pode fazer-se a seguinte sistematização:

A) Jornais de grande circulação

a) Jornais diários de referência, qualidade ou "elite"

- Diário de Notícias (jornal centenário, sedeado em Lisboa; possui, no entanto, uma delegação de dimensão significativa no Porto);

- Público (jornal nascido no início dos anos 90, sedeado em Lisboa; possui, também, uma redacção de dimensão significativa no Porto).

b) Jornais diários de orientação "popular"[6]

- Jornal de Notícias (jornal centenário tradicional do Norte, sedeado no Porto; possui, igualmente, uma delegação de dimensão significativa em Lisboa);

- Correio da Manhã (jornal nascido nos anos 80, sedeado em Lisboa e com penetração quase exclusiva no Sul do país; a sua delegação no Porto tem uma dimensão relativamente reduzida).

c) Semanários

- Revista Visão (revista semanal surgida nos anos 90, de algum modo sucessora do semanário O Jornal, com penetração em todo o território nacional; tem sede em Lisboa, mas tem delegação no Porto; em 1999, a Visão foi a única revista semanal de informação geral e grande circulação publicada durante todo o ano em Portugal);

- Jornal Expresso (semanário de formato clássico, surgido no início dos anos 70, no período anterior à revolução que conduziu Portugal à democracia (25 de Abril de 1974); tem sede em Lisboa, mas possui uma redacção de dimensão significativa no Porto; de algum modo, o Expresso é a "instituição" do jornalismo português, particularmente no que respeita ao jornalismo político e económico).

B) Imprensa regional e local

- Diário do Minho (diário sedeado em Braga, com penetração em toda a região minhota);

- Falcão do Minho (semanário sedeado em Viana do Castelo, com penetração em toda a orla costeira minhota);

- Jornal de Santo Thyrso (semanário tradicional de circulação local, sedeado em Santo Tirso, pequena cidade próxima do Porto).

O estudo baseou-se numa amostra construída de 26 números (metade das semanas do ano) de cada jornal diário[7] e de doze números (um jornal por mês) do jornal Expresso e da revista Visão[8].  Estudei também todos os números da revista mensal de grande informação Grande Reportagem.  Portanto, gostaria de relembrar que os dados recolhidos dizem unicamente respeito à amostra de jornais e revistas analisados, pelo que as imagens da Galiza na imprensa portuguesa de grande circulação podem ser diferentes daquelas que aqui ficam registadas.  Contudo, estou convencido de que a forma como construí a amostra permitiu-me obter resultados fidedignos enquanto índices da situação geral, se exceptuarmos o destaque dado ao turismo religioso, já que 1999 foi o Ano Santo Xacobeo.

Sempre que tal iniciativa foi aceite, foi feita uma entrevista complementar a responsáveis editoriais dos órgãos de comunicação social estudados, através da qual se procuraram explicações para os resultados obtidos com a análise quantitativa.  Procurei, ainda, relacionar os dados obtidos com a rede[9] que os órgãos de comunicação social portugueses lançam na Galiza para "capturar" os acontecimentos, levando em linha de conta que, em 1999, os jornais e revistas analisados que possuíam correspondentes na Galiza eram unicamente o Jornal de Notícias (correspondentes em Vigo e Santiago de Compostela) e o Falcão do Minho (colaboradores regulares em Tui, Santiago de Compostela, Vigo e Corunha).

Entre os jornais e revistas que publicaram informação sobre a Galiza, só o jornal Falcão do Minho e o Diário do Minho apresentavam uma organização noticiosa diferente.  O Diário do Minho assemelhava-se a um jornal de grande circulação, excepto na estrutura da redacção, que, em 1999, não estava organizada em editorias (existia uma redacção global).  Por outro lado, enquanto o Diário do Minho e os jornais e revistas de circulação nacional analisados estão dotados de redacções profissionais (onde trabalham dezenas ou mesmo mais de uma centena de jornalistas, divididos por editorias e delegações), possuem redes de colaboradores no país e, por vezes, no estrangeiro, subscrevem o serviço de uma ou mais agências noticiosas, portuguesas e estrangeiras, têm serviços de agenda e secretariado para apoio aos jornalistas e inserem-se em grandes grupos empresariais, o Falcão do Minho é um pequeno jornal de expressão local, que apenas tem cerca de vinte páginas de formato tablóide por número, e onde apenas trabalham dois jornalistas profissionais.  Portanto, trata-se de um jornal feito, essencialmente, por pessoas que procuram fazer jornalismo por paixão, não sendo esta a sua ocupação principal.  O seu conteúdo é produzido essencialmente por colaboradores espalhados pelos vários concelhos minhotos, predominantemente na orla Atlântica, e pela Galiza.  Trata-se, também, de um jornal que segue, normativa e funcionalmente, o modelo de hierarquização e organização da redacção dos restantes jornais analisados, possuindo um director, um director-adjunto e um chefe de redacção.  No entanto, à semelhança do Diário do Minho, e ao contrário dos outros jornais sob estudo, o Falcão do Minho não está dividido em editorias nem tem editores de área, embora também se apresente nos quiosques dividido em  secções.  Os colaboradores do Falcão do Minho têm, portanto, ao contrário dos jornalistas profissionais dos grandes jornais, uma grande liberdade na escolha dos temas que abordam.  Deste modo, a construção da agenda no Falcão do Minho é um processo que resulta predominantemente da interacção de cada colaborador com o seu meio social próximo, enquanto nos grandes jornais a construção da agenda depende de múltiplos factores frequentemente estudados pela Teoria da Notícia (vd. Sousa, 2000), como as informações provenientes das fontes institucionais, as pressões externas, os resultados dos estudos de marketing, etc., além, obviamente, das sugestões dos próprios jornalistas (particularmente importantes no Expresso).  No entanto, o chefe de redacção do Falcão do Minho, José Passos Campainha, assegura[10] que é ele e a direcção do jornal que têm a última palavra sobre o que é publicado e o que é excluído.  Segundo a mesma fonte, o Falcão do Minho trabalha quase exclusivamente com a Agência Lusa de Informação, mas geralmente "apenas aproveita a informação com impacto regional e local". 

Para interpretar os dados recolhidos na pesquisa, baseei-me em vários conceitos estruturantes, fundamentais e fundacionais da Teoria da Notícia.  Assim, além da ideia de rede de captura de acontecimentos (news net), de Tuchman (1978), apliquei, na interpretação dos resultados da pesquisa, os conceitos de pesquisadores como Galtung e Ruge (1965) ou Wolf  (1987) sobre o processo de fabrico das notícias (newsmaking).  Por exemplo, se existe um processo de (re)aproximação entre Portugal (particularmente o Norte do país) e a Galiza, as notícias que representam esse processo na imprensa resultam, em princípio, de um processo de fabrico no seio do qual interagem, entre outros factores, critérios de noticiabilidade capazes de adicionar aos acontecimentos um valor susceptível de os tornar notícia (valores-notícia), por exemplo:

- Proximidade;

- Interesses nacionais, particularmente se existirem confrontos (desvio à norma) ou problemáticas;

- Intensidade e significância dos acontecimentos dentro do contexto em que a imprensa portuguesa está imersa;

- Número de pessoas envolvidas nos acontecimentos;

- Consequências e evolução possível dos acontecimentos, particularmente daqueles que já foram objecto de notícia;

- Estatuto das personalidades envolvidas nos acontecimentos.

Finalmente, registo que no levantamento bibliográfico que fiz em Portugal, não encontrei quaisquer trabalhos sobre o tema tratado nesta pesquisa.   Portanto, julgo que o presente trabalho é original.

 

 

2.  Eixos fundamentais das relações entre Portugal e a Galiza: visto de Portugal

 

Portugal e a Galiza estão historicamente ligados desde tempos imemoriais.  O Norte de Portugal confunde-se tanto com a Galiza que os romanos denominavam toda a região de Gallaecia.  Ambas as regiões fizeram parte das mesmas províncias, condado e reinos até aos séculos XII - XIII.  Na actualidade, fala-se mesmo da Euro-Região Norte de Portugal-Galiza, de tal forma estas entidades são convergentes e reciprocamente penetrantes.  Há até portugueses que chamam ao Norte de Portugal Galiza do Sul.  As raízes históricas comuns talvez continuem, afinal, a ser mais relevantes do que a centenária separação fronteiriça entre Portugal e Espanha.

O estreitamento de relações entre Portugal e a Galiza, particularmente entre o Norte de Portugal e a Galiza, desenvolveu-se, após séculos de separação fronteiriça, com a democratização peninsular dos anos setenta do século XX, com a descentralização administrativa de Portugal e de Espanha e com a adesão de ambos os países à União Europeia.  A Junta da Galiza, no quadro da Espanha das Autonomias, encontrou um parceiro na Comissão de Coordenação da Região Norte, embora este último órgão careça de legitimidade democrática, já que não é eleito.  Recorde-se, inclusivamente, que a proposta de regionalização de Portugal foi reprovada em referendo nacional pelos portugueses, pelo que dificilmente a Junta da Galiza poderá vir a encontrar no Norte de Portugal, pelo menos nos tempos mais próximos, um parceiro com idênticos poderes e idêntica legitimidade.  Mesmo assim, este obstáculo não tem impedido a reaproximação entre Portugal e a Galiza, que é impulsionada pela proximidade geográfica e acelerada pelos motores da história, da língua e da economia.  De facto, do meu ponto de vista, o quadro de relacionamento entre Portugal e a Galiza tem, efectivamente, sido traçado em torno de dois factores essenciais: o político-económico e o cultural-linguístico.  Poderia ainda adicionar um outro factor, o educativo, já que são cada vez mais os portugueses que optam pela Galiza para prosseguirem os seus estudos de graduação e pós-graduação.

Começando pela proximidade cultural e linguística, deve salientar-se que até à Idade Média português e galego eram indistintos, ou seja, eram uma mesma língua, o galaico-português.  Porém, o traçado de fronteira entre Portugal e Espanha fez com que de um e outro lado da fronteira a língua seguisse linhas evolutivas diferentes, tendo desembocado no galego e no português.  O tempo, contudo, não apagou algumas das semelhanças entre os dois idiomas, o que tem funcionado como um factor catalítico para as relações entre a Galiza e Portugal.  Assiste-se, mesmo, a uma redescoberta da língua portuguesa na Galiza e do galego em Portugal (particularmente no Norte do país), através das trocas culturais, com a música à cabeça.  No entanto, sendo a Galiza parte de Espanha, o castelhano sobrepôs-se ao galego como língua de utilização comum.  O galego chegou, inclusivamente, a ser proibido em vários períodos da história, nomeadamente durante o franquismo.  Por isso, quando se normativizou o galego, foi adoptada, por imposição do poder político, uma norma de padrão castelhano, contrariando não só os que desejavam adoptar o português como padrão ortográfico para o galego mas também aqueles que pretendiam uma norma intermédia, na qual se manteriam as idiossincrasias do galego dentro de um quadro normativo que recuperaria os elementos fundamentais do português.  Pode, provavelmente, dizer-se que, com esta norma, o galego caminha para uma situação de dialectização face ao castelhano.  No entanto, esta opção talvez venha a colocar em causa, futuramente, a própria sobrevivência da língua galega, que talvez pudesse ser melhor assegurada no quadro da Lusofonia, como vários linguistas, académicos e intelectuais galegos desejam, devido à convergência linguística do galego com o português.

Doutro ponto de vista, a economia tem impulsionado o processo de aproximação política entre a Galiza e Portugal, particularmente entre a Galiza e o Norte de Portugal.  São já fortes os laços que se estabeleceram entre municípios, organismos estatais e organizações não-governamentais de um e outro lado da fronteira.  Depois de muitos anos de afastamento, as estradas e auto-estradas, as pontes e outras infra-estruturas de que beneficiaram o Norte de Portugal e a Galiza não teriam sido lançadas tão céleres se as ligações comerciais e os movimentos transfronteiriços de pessoas não o tivessem tornado obrigatório.  Portugal é, hoje, segundo o presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, Braga da Cruz[11], o segundo destino das exportações galegas, podendo mesmo vir a tornar-se o primeiro num futuro próximo, superando a França.  O Observatório Urbano do Eixo Atlântico, organismo que associa dezoito cidades nortenhas e galegas que integram o Eixo Atlântico, divulgou que a taxa de crescimento das exportações galegas para Portugal atingiu, em 1999, 35%, enquanto que para a França foi de apenas 16%.  Estes números demonstram a vitalidade do espaço Euro-Regional que se vai constituindo entre o Norte de Portugal e a Galiza, beneficiando do capital de vizinhança e identidade cultural que marca positivamente a relação entre ambas as regiões.  É forte o desejo de comprometer as administrações regionais em projectos comuns de desenvolvimento.  No entanto, os frutos desta relação privilegiada ainda não são tantos quantos os esperados.

 

 

3. Resultados e discussão

 

3.1 Análise quantitativa

 

A pesquisa conducente à obtenção de respostas para as perguntas de investigação formuladas e para o teste das hipóteses levantadas permitiu o levantamento de diversos dados quantitativos, que foram sistematizados nas tabelas a seguir inseridas.  A este propósito, há algumas notas prévias a referir. 

Em primeiro lugar, a revista Grande Reportagem e o Jornal de Santo Thyrso não são referenciados porque, nas edições analisadas, não publicaram qualquer matéria respeitante à Galiza, embora a Grande Reportagem tenha inserido várias matérias referentes a Espanha, algumas das quais bastante extensas.  Este facto contrariou as minhas expectativas. 

Em segundo lugar, não foram classificados dados em todas as categorias definidas a priori para a análise quantitativa.  Portanto, para assegurar uma maior facilidade de leitura, na maior parte tabelas apenas são expressas as categorias nas quais foi classificada informação.  Exceptuaram-se desta opção as tabelas em que me pareceu importante referenciar todas as categorias para se fazerem comparações.

Em terceiro lugar, é necessário realçar que na classificação das peças por temas específicos ocorreram vários problemas.  Por exemplo, como classificar os Jogos do Eixo Atlântico?  Em "Desportos e Desportistas (excluindo futebol)" ou em "Actividades Conjuntas de Municípios Galegos e Portugueses"?  Neste caso, optou-se por classificar os Jogos na última das categorias referidas, devido à sua dimensão política e intermunicipal.  Um segundo exemplo, também relacionado com o Eixo Atlântico: como classificar uma notícia sobre o 1º Encontro da Fundação do Observatório Urbano do Eixo Atlântico?  Devido ao impacto macropolítico do encontro, optei por inserir a peça na categoria "Relações Políticas e Diplomáticas Galiza-Portugal", apesar de o Eixo Atlântico ser uma entidade intermunicipal.  Esta dificuldade de categorização repetiu-se em várias outras ocasiões, em todos os jornais.  De qualquer modo, creio que a análise qualitativa das peças, que inclui resumos das mesmas, compensa os problemas decorrentes da categorização. 

Em quarto lugar, os resultados devem ponderar-se tendo em consideração que 1999 foi o Ano Santo Xacobeo e o ano em que o Benfica jogou dois jogos com o Celta de Vigo para a Taça UEFA.  Portanto, os resultados relacionados, por um lado, com turismo religioso e peregrinações, Santiago de Compostela em geral, festivais, espectáculos, etc., e, por outro lado, com futebol, podem estar inflacionados em relação ao que é habitual.

Em quinto lugar, por vezes a classificação das fontes ofereceu algumas dúvidas.  Por exemplo, como categorizar cidadãos comuns protegidos pelo anonimato, que são identificados com as iniciais do nome e/ou com a idade e a profissão?  Numa reportagem do Público sobre a Quinzena de Misticismo do Arrábida Shopping, evento que contou com a presença de vários esotéricos, quiromantes, adivinhos, astrólogos e outros profissionais galegos do ramo, são citados vários clientes portugueses.  Estes são identificados pela idade e profissão, mas a sua identidade é protegida, sendo apenas usadas as iniciais do seu nome.  Neste caso, como noutros similares, classifiquei as fontes como "cidadãos comuns" e não como "fontes anónimas", já que estes cidadãos, apesar de serem fontes anónimas, foram citados por serem clientes dos místicos galegos.

Em sexto lugar, nem todos os jornais partilham o nome das secções (à excepção de Economia ou Desporto, por exemplo).  Por vezes, as próprias redacções têm editorias com nomes diferenciados de jornal para jornal.  No jornal Correio da Manhã, as notícias nem sequer se apresentam sob a denominação de determinadas categorias, embora a divisão temática do espaço seja visível.  Por isso, para efeitos deste trabalho, optei por denominar as secções pelos nomes mais usuais, classificando as peças de acordo com estas denominações.  Por exemplo, as peças da secção "De Norte a Sul" do Jornal de Notícias foram classificadas em "Local".  Este esforço de sistematização foi importante para se poderem fazer comparações.

Nas tabelas abaixo, nas células com quatro valores, se outra coisa não for dita, os dois primeiros números dizem respeito ao número de peças e respectiva percentagem enquanto o terceiro e o quarto números dizem respeito ao espaço ocupado por informação e respectiva percentagem.  Os valores foram arredondados à unidade, no caso do espaço ocupado em cm2, e às décimas, no caso das percentagens e das médias.  A única excepção a esta regra ocorreu quando os valores encontrados foram muito pequenos.  Nestas ocasiões, apresentam-se os valores sem arredondamentos ou com arredondamentos às centésimas ou inferiores.

 

 

SITUAÇÃO NOS JORNAIS DIÁRIOS

 

Tabela 1

Relevância da informação sobre a Galiza na amostra

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Público

Diário

do Minho*

Total de peças e espaço total ocupado por informação

5.074

1.992.155 cm2

100%

4.614

1.225.526 cm2

100%

4.412

1.326.780 cm2

100%

3.402

1.320.008 cm2

100%

2.244

599.384 cm2

100%

Peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

10

0,2%

4.689

0,2%

4

0,09%

1.315

0,1%

1

0,02%

442

0,03%

0

0%

0

0%

4

0,2%

3.977

0,7%

Peças sobre Galiza - Portugal

42

0,8%

18.650

0,9%

23

0,5%

6.721

0,5%

16

0,4%

4.123

0,3%

10

0,3%

3.088

0,2%

13

0,6%

3.349

0,6%

Totais de informação com referências

 à Galiza

52

1%

23.339

1,2%

27

0,6%

8.036

0,6%

17

0,4%

4.565

0,3%

10

0,3%

3.088

0,2%

17

0,8%

7.326

1,2%

Média das peças por edição

com informação com referências à Galiza

 

 

2

 

 

1

 

 

0,7

 

 

0,4

 

 

0,7

Média do

espaço ocupado

por edição

com informação com referências à Galiza

 

 

897,6 cm2

 

 

309 cm2

 

 

175,6 cm2

 

 

118,8 cm2

 

 

318,5 cm2

Percentagens da informação sobre a Galiza e Galiza/Portugal na informação com referências à Galiza

(em n.º de peças)

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

19,2%

 

Galiza-Portugal

80,8%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

14,8%

 

Galiza-Portugal

85,2%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

5,9%

 

Galiza-Portugal

94,1%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

0%

 

Galiza-Portugal

100%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

23,5%

 

Galiza-Portugal

76,5%

Percentagens da informação sobre a Galiza e Galiza/Portugal na informação com referências à Galiza

(em cm2)

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

20%

 

Galiza-Portugal

80%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

16,4%

 

Galiza-Portugal

83,6%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

9,7%

 

Galiza-Portugal

90,3%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

0%

 

Galiza-Portugal

100%

Galiza e Galiza- Outros Países (excluindo Portugal)

54,3%

 

Galiza-Portugal

45,7%

*Devido a impossibilidade de consulta dos jornais previamente seleccionados, apenas foram analisados 23 números do Diário do Minho (1999), alguns dos quais fora das datas inicialmente previstas: 04/01; 19/01; 03/02; 19/02; 26/02; 13/03; 12/04; 27/04; 12/05; 27/05; 05/06; 28/06; 05/07; 20/07; 03/08; 18/08; 01/09; 10/09; 11/10; 25/10; 09/11; 24/11; 10/12.

 

Tendo a amostra em consideração, é possível dizer que, em termos absolutos, existe pouca informação sobre a Galiza na imprensa diária portuguesa de grande circulação.  Das 19.746 peças contabilizadas na amostra, que ocupavam 6.463.853 cm2, apenas 123 (0,6%), ocupando 46.354 cm2 (0,7%), se referiam à Galiza.  Em termos relativos, a situação é variável.  O Jornal de Notícias, por exemplo, publicou uma média de duas peças diárias com informação com referências à Galiza.  Estas duas peças ocupavam, em média, 897,6 cm2, o que equivale a uma peça com 29,96 cm de lado.  Mas o Público publicou somente uma média diária de 0,4 peças com informação relacionada com a Galiza, que ocupavam, em média, 118,8 cm2, o equivalente a uma peça com apenas 10,9 cm de lado.  Aliás, a imprensa considerada como sendo "popular", neste caso o JN e o Correio da Manhã, a avaliar pela amostra, tem mais informação sobre a Galiza do que a imprensa considerada como sendo "de elite" (Público e Diário de Notícias).  Também o Diário do Minho, apesar de possuir uma vocação regional, aparentemente cobre mais a Galiza do que a imprensa "de elite". 

Os dados da tabela permitem igualmente concluir que a proximidade entre o local da sede de um jornal e a Galiza influencia a quantidade de informação sobre este país que é publicada.  O Diário do Minho, sedeado em Braga, e o Jornal de Notícias, sedeado no Porto, foram os jornais que dedicaram, em média, mais espaço informativo à Galiza (embora o Correio da Manhã tenha publicado mais peças por edição do que o Diário do Minho).  A proximidade revela-se, deste modo, como um critério de noticiabilidade influente para os jornais diários portugueses, quando se trata de cobrir a Galiza.

Os dados da tabela demonstram também que a Galiza tende a ser notícia apenas quando é associada a temáticas e acontecimentos que impliquem Portugal e/ou portugueses.  De facto, das 123 peças publicadas que faziam referências à Galiza, só 19 (15,4%), ocupando 10.423 cm2 (22,5%), não se referiam também a Portugal ou a portugueses.  Estes números demonstram que a Galiza, só por si, tende a não se impor, em termos informativos, à imprensa diária portuguesa.  Os dados contrariam as expectativas de quem esperava que a proximidade entre a Galiza e Portugal e a vitalidade dos laços económicos, políticos e culturais que ligam os dois países gerasse mais informação. 

O fenómeno atrás descrito assume proporções mais relevantes na imprensa nacional "de elite" do que na imprensa "popular".  De facto, o Público não publicou qualquer peça com informação exclusivamente sobre a Galiza nos jornais analisados.  O Diário de Notícias ficou-se apenas por uma peça.  No entanto, o Jornal de Notícias publicou dez peças (19,2% do total de peças com referências à Galiza, que ocupavam 20% do espaço dedicado a esta Autonomia), tendo o Correio da Manhã publicado quatro (14,8% do total de peças com referências à Galiza, que ocupavam 16,4% do espaço dedicado a este país).  O Diário do Minho, o único periódico regional diário que integrou a amostra, embora tenha inserido apenas quatro peças sobre a Galiza (contra 13 sobre Galiza - Portugal), consagrou mais espaço à informação exclusivamente sobre a Galiza (54,3%) do que sobre a Galiza e Portugal (45,7%).

A tabela 1 demonstra, finalmente, que o periódico nacional mais apropriado para obtenção de informação sobre a Galiza é o Jornal de Notícias, o grande diário do Norte de Portugal.  Uma em cada cem peças e 1,2% do espaço do JN, a avaliar pela amostra, referem-se à Galiza, ainda que, geralmente, a informação esteja associada a Portugal.  O facto de o JN ter correspondentes em Santiago de Compostela e Vigo, conforme demonstram as tabelas 18 e 19, não será alheio a esta situação.  Julgo, efectivamente, poder dizer que a proximidade, enquanto critério de valor-notícia, e a rede de captura de acontecimentos que o Jornal de Notícias lança no espaço funcionam quando se trata de produzir e difundir informação sobre a Galiza.

 

 

 

Tabela 2

Chamadas à primeira página de informação sobre a Galiza na amostra

(em número de chamadas)

 

 

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Público

Diário

do Minho

Total de chamadas

127

100%

139

100%

156

100%

203

100%

146

100%

Chamadas sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

 

1

0,8

 

0

0%

 

0

0%

 

0

0%

 

2

1,4%

Chamadas sobre a Galiza e Portugal

1

0,8%

2

1,44%

0

0%

0

0%

1

0,7%

Média de chamadas por edição com referência à Galiza

 

 

0,08

 

 

0,08

 

 

0

 

 

0

 

 

0,1

 

Os dados da tabela 2 demonstram que raramente a Galiza constitui matéria de primeira página na imprensa portuguesa.  Este fenómeno parece ser particularmente relevante no Público e no Diário de Notícias, apesar de serem considerados os jornais diários de "elite".  Pelo contrário, na chamada "imprensa popular" (Correio da Manhã e Jornal de Notícias) encontram-se mais referências de primeira página à Galiza.  Estes dados reforçam uma das grandes linhas de interpretação dos dados da tabela 1: a imprensa "de elite", ao contrário da imprensa "popular", concede pouca atenção à Galiza.

Esta tabela reforça também a ideia de que a imprensa regional sedeada próximo da fronteira tem uma sensibilidade noticiosa especial para com a Galiza: o Diário do Minho fez três referências de primeira página à Galiza (das quais duas se referiam exclusivamente a esta Autonomia) em apenas 23 edições analisadas, o que corresponde a uma média de 0,1 referências por edição (o que equivale a dizer que, em média, de dez em dez números do DM a Galiza é chamada à primeira página).

 

 

Tabela 3

Ângulo dominante das peças com referências à Galiza na amostra

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

52

23.339 cm2

100%

27

8.036 cm2

100%

17

4.565 cm2

100%

10

3.088 cm2

100%

17

7.326 cm2

100%

Peças tendencialmente neutras para a imagem da Galiza e das relações Portugal - Galiza

 

10

19,2%

7.084

30,3%

 

10

37%

2.667

33,2%

 

 

5

29,4%

2.244

49,2%

 

2

20%

453

14,7%

 

4

23,5%

819

11,2%

Peças tendencialmente negativas para a imagem da Galiza

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Peças tendencialmente positivas para a imagem da Galiza

5

9,6%

2.821

12,1%

3

11,1%

1.245

15,5%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

4

23,5%

3.977

54,3%

Peças tendencialmente positivas para a imagem das relações Portugal - Galiza

 

34

65,4%

12.812

54,9%

 

13

48,1%

4.014

50%

 

10

58,8%

2.068

45,3%

 

 

8

80%

2.635

85,3%

 

9

53%

2.530

34,5%

Peças tendencialmente negativas para a imagem das relações Portugal - Galiza

 

3

5,8%

622

2,7%

 

1

3,7%

110

1,4%

 

2

11,8%

253

5,5%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

Os dados expostos na tabela 3 mostram que, tendo a amostra em consideração, a imagem da Galiza projectada pela imprensa portuguesa, sem excepções, tende a ser positiva ou neutra.  Em concreto, só 4,9% das peças publicadas, que ocupavam 2,1% do espaço informativo com referências à Galiza, davam um cunho negativo à imagem das relações entre Portugal e a Galiza; inversamente, 69,9% das peças, que ocupavam 69,3% do espaço informativo dedicado à Galiza, davam uma imagem positiva da Galiza ou das relações entre Portugal e a Galiza.  Este carácter positivo da informação sobre a Galiza deve-se, no entanto, mais às temáticas das peças do que às características do enunciado, conforme é possível verificar pela análise qualitativa do discurso, igualmente realizada (ponto 3.2).

É de relevar que não se encontraram na amostra peças que dessem uma má imagem da Galiza e que raramente se encontraram peças que emprestam alguma negatividade à imagem das relações entre Portugal e a Galiza.  Aliás, este tipo de peças apenas se encontrou no Jornal de Notícias, no Correio da Manhã e no Diário de Notícias.

 

 

Tabela 4

Secção de inserção das peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países na amostra

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

10

4.689 cm2

100%

4

1.315 cm2

100%

1

442

100%

0

0 cm2

100%

4

3.977 cm2

100%

 

Internacional

 

 

1

10%

654

13,9%

0

0%

0

0%

1

100%

442

100%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Desporto

 

5

50%

2.793

59,5%

3

75%

1.245

94,7%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Cultura, espectáculos, media

 

3

30%

1.195

25,5%

1

25%

70

5,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

25%

141

3,6%

 

Local

 

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

25%

372

9,3%

 

Outra

secção

 

1

10%

47

0,9%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

3.464

87,1%

 

A tabela 4 demonstra que a informação sobre a Galiza inserida na designada "imprensa popular" (Jornal de Notícias e Correio da Manhã) se relacionou, principalmente, com Desporto (devido ao interesse com que em Portugal se segue a Liga Espanhola de futebol) e com Cultura/Espectáculos.  O Diário de Notícias publicou a sua única peça sobre a Galiza e Galiza-Outros Países na secção Internacional, até porque se tratava de uma notícia desenvolvida sobre as alianças eleitorais que se adivinhavam em Espanha.

O Diário do Minho não pode ser analisado de igual para igual com os diários nacionais, até porque não possui as mesmas secções.  Por isso, a maior parte da informação sobre a Galiza (peças sobre o Xacobeo) surgiu em "Outra Secção".  De qualquer modo, é interessante notar que uma das notícias sobre a Galiza publicadas no Diário do Minho surgiu na secção Local, o que evidencia a proximidade com que o Minho vê a Galiza.

 

 

Tabela 5

Secção de inserção das peças sobre Galiza - Portugal na amostra

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

42

18.650 cm2

100%

23

6.721 cm2

100%

16

4.123 cm2

100%

10

3.088 cm2

100%

13

3.349 cm2

100%

 

Política/

Nacional

 

4

9,5%

1.960

10,5%

6

26,1%

1.746

26%

1

6,3%

512

12,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Economia

 

 

3

7,1%

1.777

9,5%

1

0%

507

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Sociedade

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

3

18,8%

623

15,1%

1

10%

195

6,3%

0

0%

0

0%

Cultura, espectáculos, media

 

10

23,8%

3.738

17,4%

4

17,4%

407

6,1%

2

12,5%

439

10,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Desporto

 

 

14

33,3%

8.384

45%

9

39,1%

2.745

40,8%

5

31,3%

1.499

36,4%

2

20%

656

21,2%

3

23,1%

523

15,6%

 

Local

 

 

11

26,2%

2.791

15%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

4

40%

1.437

46,5%

8

61,5%

2.032

60,7%

 

Outra

secção

 

0

0%

0

0%

3

13%

1.316

19,6%

4

25%

975

23,6%

0

0%

0

0%

2

15,4%

794

23,7%

 

Suplementos

regulares

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

75

1,8%

3

30%

800

25,9%

0

0%

0

0%

 

Observando a tabela 5 constata-se que todos os jornais inseriram uma grande quantidade de informação com referências simultâneas à Galiza e a Portugal na secção de Desporto.  Este fenómeno decorre, principalmente, dos jogos efectuados entre o Benfica e o Celta de Vigo para a Taça UEFA, conforme se verificará adiante (ponto 3.2).  No entanto, mostra também que o futebol pode ser um elemento importante da aproximação entre os povos.

É visível ainda que os jornais do Norte, Jornal de Notícias e Diário do Minho, inserem uma parte significativa da informação sobre a Galiza e Portugal na secção Local, no que são acompanhados pela edição Porto do Público.  Este facto indicia, na minha opinião, a vitalidade das micro-relações que se estabelecem entre Portugal e a Galiza.  Além disso, este dado mostra que a Galiza está tão próxima do Norte de Portugal que uma parte relevante da informação sobre este espaço geográfico pode categorizar-se como sendo de carácter local.  As micro-relações, à escala local, fortalecem e dão consistência ao processo de reaproximação entre portugueses e galegos.

A informação sobre eventos culturais e espectáculos que envolveram portugueses e galegos foi particularmente relevante no Jornal de Notícias, a que se seguiu o Correio da Manhã e o Diário de Notícias.  Público e Diário do Minho não inseriram quaisquer informações nesta secção.  Estes dados contrariam as minhas expectativas, já que eu esperava que a imprensa "de elite" (Público e Diário de Notícias) inserisse mais informações nesta secção.

Igualmente ao contrário das minhas expectativas, é mais uma vez a imprensa "popular" (Jornal de Notícias, Correio da Manhã) a inserir mais informações sobre a Galiza e Portugal nas secções de Política/Nacional e de Economia.

 

 

Tabela 6

Tema específico dominante da informação sobre a Galiza e Galiza - Outros países (excluindo Portugal)

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Total

10

4.689 cm2

100%

4

1.315 cm2

100%

1

442 cm2

100%

0

0 cm2

100%

4

3.977 cm2

100%

Eleições,

campanhas,

partidos,

política partidária

1

10%

654

13,9%

0

0%

0

0%

1

100%

442

100%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Espectáculos multifacetados, grandes festas e festivais (incluindo Xacobeo 99)

1

10%

537

11,5%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

513

12,9%

Espectáculos musicais,

músicas e músicos,

concertos

2

20%

457

9,7%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Literatura, escritores,

críticos

literários

1

10%

248

5,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Turismo religioso, peregrinações a Santiago, Xacobeo 1999 (componente religiosa e histórica)

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

3.464

87,1%

 

 

Manifestações culturais locais

0

0%

0

0%

1

25%

70

5,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Futebol,

futebolistas

 

5

50%

2.793

59,5%

3

75%

1.245

94,7%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

A tabela 6 vem reforçar as conclusões extraídas com a análise da tabela 4.  Em concreto, os dados recolhidos mostram que o futebol, aparentemente, é o tema mais abordado pela imprensa "popular" portuguesa (Jornal de Notícias e Correio da Manhã) quando esta se reporta à Galiza.  Todavia, este interesse talvez se possa ter devido à carreira particularmente brilhante que o Celta de Vigo e o Deportivo da Coruña tiveram na Liga Espanhola nas épocas de 1998/99 e 1999/2000.  De qualquer maneira, a conclusão mais importante vem no seguimento dos dados gerais apresentados na tabela 1: existe pouca informação sobre a Galiza na imprensa portuguesa, sendo o Jornal de Notícias o periódico diário de expansão nacional que insere maior volume de informação sobre a Galiza.  Porém, o noticiário deste jornal sobre a Galiza resume-se, aparentemente, a futebol e a eventos culturais.  A política parece ser quase ignorada e a economia aparenta sê-lo ainda mais.

O Diário do Minho, provavelmente devido à sua inserção numa cidade ancestralmente marcada pela Igreja Católica, dedicou bastante atenção aos aspectos religiosos do Xacobeo 99, ao contrário do que, a avaliar pela amostra, ocorreu com os outros jornais.

 

 

Tabela 7

Tema específico  dominante da informação sobre Galiza - Portugal

 (em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Total

 

42

18.650 cm2

100%

23

6.721 cm2

100%

16

4.123 cm2

100%

10

3.088 cm2

100%

13

3.349 cm2

100%

Relações políticas e diplomáticas Galiza-Portugal (visão positiva ou neutra), cimeiras, reuniões

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

7,7%

358

10,7%

Relações macroeconómicas Galiza/Espanha-Portugal (visão positiva ou neutra)

3

7,1%

1.262

6,8%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

7,7%

738

22%

Relações macroeconómicas Galiza/Espanha-Portugal (visão negativa), conflitos ou crises nas relações macroeconómicas entre a Galiza e Portugal

 

 

1

2,4%

342

1,8%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

Relações políticas e diplomáticas Galiza/Espanha-Portugal (visão negativa), cimeiras, reuniões

 

0

0%

0

0%

 

1

4,3%

378

5,6%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

História comum de Portugal e da Galiza/Espanha, balanços das relações históricas, etc.

 

1

2,4%

302

1,6%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

Actividades autárquicas

1

2,4%

106

0,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

15,4%

342

10,2%

 

Relações CCRN-Xunta de Galicia

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

7,7%

244

7,3%

Projectos transfronteiriços, infra-estruturas comuns, acessibilidades

5

11,9%

1.780

9,5%

1

4,3%

209

3,1%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Convénios, acordos e actividades de organizações da sociedade civil galega ou portuguesa

4

9,5%

824

4,4%

0

0%

0

0%

1

6,3%

153

3,7%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Protestos

conjuntos de organizações da sociedade civil galegas e portuguesas

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

1

7,7%

230

6,7%

Fluxo de recursos humanos galegos para Portugal recrutamento de galegos para trabalho em Portugal (visão positiva ou neutra)

 

 

0

0%

0

0%

 

 

3

13%

1.363

20,3%

 

 

1

6,3%

230

5,6%

 

 

 

 

1

10%

195

6,3%

 

 

1

7,7%

274

8,2%

 

Êxitos na luta contra o narcotráfico

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

240

5,8%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Cooperação policial galaico-portuguesa

0

0%

0

0%

1

4,3%

110

1,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Venda de produtos agrícolas e similares portugueses na Galiza

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

512

12,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Venda de produtos agrícolas e similares galegos em Portugal

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

118

2,9%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Investimentos ou fluxos de capital, fusões e aquisições, dividendos, lucros das empresas, promoção empresarial (sentido Portugal-Galiza)

 

 

1

2,4%

708

3,8%

 

 

 

0

0%

0

0%

 

 

2

12,5%

421

10,2%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

Futebol e futebolistas (transferências, jogos, perfis...)

11

26,2%

6.620

35,5%

8

34,8%

2.299

34,2%

5

31,3%

1.499

36,4%

2

20%

656

21,2%

2

15,4%

262

7,8%

Desporto e desportistas (excluindo

 futebol)

3

7,1%

1.764

9,5%

1

4,3%

446

6,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Cinema,

 teatro,

actores

3

7,1%

1.388

7,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Músicos, dançarinos

músicas, dança, espectáculos musicais isolados, concertos

2

4,8%

1.020

5,5%

1

4,3%

40

0,6%

0

0%

0

0%

2

20%

719

23,3%

0

0%

0

0%

Artes plásticas, arquitectura, artesanato,

artistas,

exposições

3

7,1%

738

4%

1

4,3%

81

1,2%

1

6,3%

246

6%

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Espectáculos multifacetados de média ou grande dimensão, festivais

1

2,4%

335

1,8%

1

4,3%

141

2,1%

2

12,5%

439

10,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Espectáculos de pequena dimensão, pequenas festas e festivais

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

7,7%

68

2%

Literatura, escritores,

críticos

 literários

1

2,4%

257

1,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

10%

81

2,6%

0

0%

0

0%

Turismo,

locais

turísticos,

viagens

0

0%

0

0%

1

4,3%

182

2,7%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Turismo religioso, peregrinações

2

4,8%

1.204

6,5%

1

4,3%

540

8%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

3

23,1%

833

24,9%

Computadores, Internet,

Novas

Tecnologias

0

0%

0

0%

1

4,3%

145

2,2%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Assuntos de interesse humano não classificáveis noutras categorias, acontecimentos raros, comportamentos curiosos dos animais, etc.

 

 

0

0%

0

0%

 

 

2

8,7%

787

11,7%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

 

 

0

0%

0

0%

Astrologia, esoterismo, magia, bruxaria, superstição, curandeiros, tarot, numerologia, etc.

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

1

10%

770

24,9%

 

0

0%

0

0%

 

Outros

assuntos

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

265

6,4%

3

30%

667

14,2%

0

0%

0

0%

 

A tabela 7 mostra que o futebol teve particular relevância na cobertura que, em 1999, a imprensa portuguesa, no seu conjunto, concedeu aos acontecimentos que envolveram simultaneamente a Galiza e Portugal.  Os jogos entre o Benfica e o Celta de Vigo contribuíram significativamente para este destaque. 

Pode também dizer-se, pela análise da tabela 7, que a cobertura que a imprensa portuguesa, no seu conjunto, deu aos assuntos que implicaram simultaneamente a Galiza e Portugal foi tematicamente diversificada, com particular destaque para a imprensa "popular" (JN e Correio da Manhã).  Assim, as notícias publicadas no Jornal de Notícias repartiram-se por quinze categorias temáticas, enquanto as publicadas no Correio da Manhã se repartiram por treze categorias.  A seguir, em matéria de diversidade, surge o Diário de Notícias (peças inseridas em dez categorias temáticas), seguido do Diário do Minho (peças inseridas em nove categorias) e, finalmente, do Público (peças repartidas por seis categorias temáticas, embora em "Outros Assuntos" se incluíssem três notícias).

Entre outros factores de interesse que resultam da análise da tabela 7, parece-me que se podem sublinhar os seguintes pontos:

· O interesse manifestado pelo Jornal de Notícias em questões como os projectos transfronteiriços e as iniciativas da sociedade civil portuguesa e galega;

· O destaque, previsível, dado pelo Diário do Minho ao turismo religioso, associado ao Xacobeo 99, no que é seguido pelo JN, que sabe percepcionar o sentimento religioso do Povo português;

· A força que os eventos e produtos culturais têm no processo de aproximação entre a Galiza e Portugal, tal como é indiciado pela cobertura que a imprensa portuguesa, no seu conjunto, faz destas temáticas;

· O interesse com que a imprensa portuguesa seguiu o recrutamento de profissionais da saúde galegos para trabalharem em Portugal, muito embora pelo menos uma das notícias (sobre o recrutamento de enfermeiros galegos para trabalharem no Hospital da Feira) se tenha repetido em diferentes jornais, provavelmente devido à acção de "promotores" junto dos media;

· A cobertura um pouco inusitada que o Público fez de uma feira de misticismo num shopping de Vila Nova de Gaia, feira essa na qual participavam profissionais galegos do sector;

· A relativa e aparente falta de interesse com que são acompanhadas pela imprensa portuguesa as crescentes e intensas relações económicas e políticas entre a Galiza e Portugal.

 

 

Tabela 8

Género jornalísticos aplicados nas peças sobre a Galiza e Galiza - Outros países (excluindo Portugal)

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

10

4.689 cm2

100%

4

1.315 cm2

100%

1

442 cm2

100%

0

0 cm2

100%

4

3.977 cm2

100%

 

Nota/

notícia breve

 

2

20%

77

1,7%

2

50%

144

11%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

25%

141

3,5%

 

Notícia

desenvolvida

 

8

80%

4.612

98,3%

1

25%

277

21,1%

1

100%

442

100%

0

0%

0

0%

1

25%

372

9,4%

 

Reportagem

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

3.464

87,1%

Artigo

 de análise

de dados quantitativos

0

0%

0

0%

1

25%

894

67,9%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Analisando a tabela 9 podemos concluir que a cobertura da Galiza feita pela imprensa portuguesa em 1999 foi, geralmente, pouco profunda, baseando-se em notícias breves e desenvolvidas.  Entre os jornais que constituíram a amostra, só no Diário do Minho, por força da abordagem do Xacobeo 99, se encontraram duas peças com cunho de reportagem.

 

 

Tabela 9

Género jornalísticos aplicados nas peças sobre Galiza - Portugal

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

42

18.650 cm2

100%

23

6.721 cm2

100%

16

4.123 cm2

100%

10

3.088 cm2

100%

13

3.349 cm2

100%

 

Nota/

notícia breve

 

15

35,7%

2.284

12,2%

5

21,7%

419

6,2%

1

6,3%

75

1,8%

1

10%

81

2,6%

3

23,1%

192

5,7%

 

Notícia

desenvolvida

 

18

42,9%

9.447

50,7%

15

65,2%

5.140

76,5%

13

81,3%

3.456

83,8%

7

70%

1.995

64,6%

7

53,8%

1.625

48,5%

 

Reportagem

 

1

2,4%

707

3,8%

2

8,7%

953

14,2%

0

0%

0

0%

1

10%

770

24,9%

3

23,1%

1.532

45,7%

 

Entrevista

 

3

7,1%

2.956

15,8%

0

0%

0

0%

1

6,3%

246

6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Artigo de análise de dados quantitativos (sondagem, inquérito, etc.)

1

2,4%

1.084

5,8%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Coluna

 

1

2,4%

236

1,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Artigo

 

 

1

2,4%

395

2,1%

0

0%

0

0%

1

6,3%

346

8,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Outro tipo ou tipologia mista

 

2

4,8%

1.541

8,3%

1

4,3%

209

3,1%

0

0%

0

0%

1

10%

242

7,8%

0

0%

0

0%

 

Sobre a tabela 9 pode dizer-se o mesmo que se disse para a tabela 8, ou seja, a imprensa portuguesa fez, em 1999, uma cobertura essencialmente noticiosa e, portanto, com pouca contextualização e recuo, dos acontecimentos e temáticas que dizem respeito simultâneo à Galiza e Portugal (notícias breves ou desenvolvidas).  O Jornal de Notícias, ainda assim, salientou-se dos restantes, já que baseou a cobertura numa gama relativamente ampla de géneros jornalísticos, onde se incluíam entrevistas, um artigo, uma coluna e uma pequena reportagem.  São de salientar também as três reportagens publicadas pelo Diário do Minho.

 

 

Tabela 10

Tipo de texto das peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

10

4.689 cm2

100%

4

1.315 cm2

100%

1

442 cm2

100%

0

0 cm2

100%

4

3.977 cm2

100%

Peças maioritariamente descritivas

10

100%

4.689

100%

2

50%

144

11%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

513

12,9%

Peças maioritariamente analíticas

0

0%

0

0%

2

50%

1.171

89%

1

100%

442

100%

0

0%

0

0%

2

50%

3.464

87,1%

Peças maioritariamente opinativas

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Os dados da tabela 10 revelam que a tipologia textual das peças sobre a Galiza publicadas na imprensa portuguesa em 1999 foi diversificada.  Assim sendo, embora o Jornal de Notícias tenha publicado apenas peças de natureza maioritariamente descritiva, o Correio da Manhã e o Diário do Minho inseriram 50% de peças de natureza predominantemente analítica (que ocupavam, respectivamente, 89% e 87,1% do espaço informativo sobre a Galiza).  Todavia, no Correio da Manhã as peças analíticas referiam-se todas a futebol (análise da Liga Espanhola), enquanto no Diário do Minho as peças de teor analítico se debruçavam todas sobre as peregrinações a Santiago de Compostela.  Apenas o Diário de Notícias fez análise política (a peça mencionada na tabela dizia respeito à situação política pré-eleitoral em Espanha).

 

 

Tabela 11

Tipo de texto das peças sobre Galiza - Portugal

(em número de peças e espaço ocupado pelas peças, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

42

18.650 cm2

100%

23

6.721 cm2

100%

16

4.123

100%

10

3.088 cm2

100%

13

3.349 cm2

100%

Peças maioritariamente descritivas

33

78,6%

14.567

78,1%

14

60,9%

3.147

46,8%

15

93,8%

3.777

91,6%

7

70%

1.960

63,5%

11

84,6%

2.555

76,3%

Peças maioritariamente analíticas

7

16,7%

3.452

18,5%

9

39,1%

3.574

53,2%

1

6,3%

346

8,4%

3

30%

1.128

36,5%

2

15,4%

794

23,7%

Peças maioritariamente opinativas

2

4,8%

631

3,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Na imprensa portuguesa, a avaliar pela amostra estudada, a matriz textual da cobertura dos acontecimentos e temáticas que implicaram simultaneamente Portugal e a Galiza foi descritiva.  Inclusivamente, a maior parte dos textos predominantemente analíticos, sobretudo na imprensa "popular", foram publicados na secção de desporto (análise de jogos, da situação dos clubes, das competições e campeonatos, etc.).  

No Jornal de Notícias encontraram-se as duas únicas peças que apresentavam predominantemente texto opinativo. 

 

 

Tabela 12

Número total de fontes de informação explícitas nas peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países

(em número de fontes)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

Total de fontes explícitas citadas

19

100%

6

100%

5

100%

0

100%

11

100%

Fontes

galegas

8

42,1%

1

16,7%

0

0%

0

0%

6

54,5%

Fontes

portuguesas

11

57,9%

4

66,7%

1

20%

0

0%

4

36,4%

Fontes não identificáveis, anónimas, internacionais ou de outra nacionalidade

 

0

0%

 

1

16,7%

 

4

80%

 

0

0%

 

1

9,1%

 

Conforme revelam os dados da tabela 12, com excepção do Diário do Minho, os jornais citaram mais portugueses do que galegos nas notícias sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal).  Embora entre as fontes citadas estejam incluídos os próprios jornalistas que elaboraram as peças, normalmente portugueses, esse facto pode indiciar que a imprensa portuguesa tem uma visão etnocêntrica da Galiza e que há pouco espaço para os galegos se expressarem nas notícias que lhes dizem respeito.  As peças ficam, assim, mais sujeitas ao desvio (bias).

É interessante notar que os jornais do Norte (Diário do Minho e Jornal de Notícias) citam mais galegos, provavelmente devido à proximidade (e à rede de correspondentes que o JN possui na Galiza).

 

 

Tabela 13

Número total de fontes de informação explícitas nas peças sobre Galiza - Portugal

(em número de fontes)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

Total de fontes explícitas citadas

61

100%

56

100%

28

100%

18

100%

30

100%

Fontes

galegas

22

36,1%

8

14,3%

2

7,1%

7

38,9%

8

26,7%

Fontes

portuguesas

33

54,1%

37

66,1%

23

82,1%

11

61,1%

19

63,3%

Fontes não identificáveis, anónimas, internacionais ou de outra nacionalidade

 

6

9,8%

 

11

19,6%

 

3

10,7%

 

0

0%

 

3

10%

 

Pela análise da tabela 13 verificamos que a maior parte das fontes de informação encontradas nas peças sobre a Galiza e Portugal é portuguesa.  Este facto vai ao encontro das minhas expectativas: era previsível que a facilidade de contactos e a proximidade influenciassem a selecção de fontes.

O desequilíbrio entre o número de fontes portuguesas e de fontes galegas citadas é notório em todos os jornais, com excepção do Público.  Julgo que este dado permite reforçar a ideia de que a imprensa portuguesa faz uma cobertura relativamente etnocêntrica das notícias que implicam simultaneamente a Galiza e Portugal.

 

 

Tabela 14

Tipo e relevância das fontes usadas nas peças sobre a Galiza e Galiza - Outros países

(número de aparições nas peças e número de orações atribuídas à fonte)

 

Tipo

de fonte

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

O próprio jornalista, colaborador ou correspondente

18

54,5%

135

87,1%

4

66,6%

39

95,2%

2

33,3%

11

64,7%

0

0%

0

0%

11

55%

123

91,1%

 

Partido político, políticos em geral

4

12,1%

4

2,6%

0

0%

0

0%

4

66,7%

6

35,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Sindicatos, uniões, federações e confederações sindicais ou de trabalhadores, etc.

0

0%

0

0%

1

16,7%

1

2,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Organismos não governamentais, organizações da sociedade civil

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

5%

2

1,5%

 

Organizações religiosas, religiosos

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

5%

2

1,5%

Outros jornalistas, outros meios de comunicação, agências de notícias, etc.

8

24,2%

8

5,2%

1

16,7%

1

2,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

5%

1

0,7%

Intelectuais,

artistas,

escritores,

etc.

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

4

20%

5

3,7%

Outras fontes

(inclui desportistas e dirigentes desportivos)*

3

9,1%

8

5,2%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

10%

2

1,5%

 

Total

 

33

155

100%

6

41

100%

6

17

100%

0

0

100%

20

135

100%

Nota: o primeiro valor indicado nas células é o número de aparições do tipo de fonte nas notícias, sendo seguido pela respectiva percentagem; o terceiro valor refere-se ao número de orações atribuídas ao tipo de fonte nas notícias, sendo igualmente seguido pela respectiva percentagem.

*Por lapso, não foi originalmente criada uma categoria para desportistas e dirigentes desportivos, por isso esses profissionais, no decorrer da pesquisa, foram, por necessidade classificados na categoria "Outras Fontes".

 

 

Tabela 15

Tipo e relevância das fontes usadas nas peças sobre Portugal - Galiza

(número de aparições nas peças e número de orações atribuídas à fonte)

 

 

Tipo

de fonte

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

O próprio jornalista, colaborador ou correspondente

72

47,7%

475

67,8%

65

54,2%

219

69,9%

36

54,6%

126

60%

29

50,9%

81

63,3%

20

48,8%

78

56,1%

 

Colunista

1

0,7%

16

2,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Xunta de Galicia, Governo

7

4,6%

11

1,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

2,4%

3

2,2%

 

Funcionário

superior, CCRN

1

0,7%

1

0,1%

2

1,7%

7

2,2%

1

1,5%

7

3,3%

0

0%

0

0%

3

7,3%

11

7,9%

 

Autarca

2

1,3%

4

0,6%

7

5,8%

12

3,9%

0

0%

0

0%

1

1,7%

1

0,8%

4

9,8%

4

2,9%

 

Funcionário

local

1

0,7%

2

0,3%

1

0,8%

1

0,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

2,4%

3

2,2%

 

Partido político, políticos em geral

4

2,6%

9

1,3%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Iniciativa privada, empresários e industriais,

etc.

3

2%

12

1,7%

0

0%

0

0%

3

4,6%

7

3,3%

0

0%

0

0%

5

12,2%

8

5,7%

Organismos não governamentais, organizações da sociedade civil

2

1,3%

3

0,4%

1

0,8%

2

0,6%

0

0%

0

0%

3

5,7%

3

2,3%

2

4,9%

9

6,5%

 

Organizações religiosas, religiosos

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

4

9,8%

22

15,8%

Testemunhas, cidadãos comuns, vítimas, etc.

18

11,9%

69

9,8%

9

7,5%

13

4,2%

0

0%

0

0%

8

14%

18

14,1%

0

0%

0

0%

Outros jornalistas, outros meios de comunicação, agências de notícias, etc.

2

1,3%

5

0,7%

4

3,3%

4

1,3%

1

1,5%

2

1%

4

7,5%

5

3,9%

1

2,4%

1

0,7%

 

Intelectuais, artistas, escritores, etc.

9

6%

17

2,4%

0

0%

0

0%

13

19,7%

40

19%

8

14%

11

8,6%

0

0%

0

0%

Escolas, universidades, centros de investigação, investigadores, académicos, etc.

 

6

4%

25

3,6%

 

1

0,8%

2

0,6%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

 

0

0%

0

0%

Organizações

multinacionais

(União Europeia, ONU, NATO, etc.)

2

1,3%

3

0,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Outras fontes

(inclui desportistas e dirigentes desportivos)*

21

13,9%

49

7%

30

25%

53

16,9%

12

18,2%

28

13,3%

4

7%

9

7%

0

0%

0

0%

 

Total

 

151

701

100%

120

313

100%

66

210

100%

57

128

100%

41

139

100%

Nota: o primeiro valor indicado nas células é o número de aparições do tipo de fonte nas notícias, sendo seguido pela respectiva percentagem; o terceiro valor refere-se ao número de orações atribuídas ao tipo de fonte nas notícias, sendo igualmente seguido pela respectiva percentagem.

*Não foi originalmente criada uma categoria para desportistas e dirigentes desportivos, por isso esses profissionais foram classificados na categoria "Outras Fontes".

 

Pela exploração dos dados expostos nas tabelas 14 e 15 somos levados a concluir que, em 1999, os jornalistas que produziram a informação sobre a Galiza foram também as principais fontes dessa mesma informação.  Este facto pode evidenciar a tendência para a especialização que transparece do jornalismo actual, conforme evidenciaram autores como Pinto (1997), pois só jornalistas especializados, com elevado domínio das matérias de que tratam, podem enveredar por um jornalismo que se contrapõe ao "jornalismo de declarações" ou "jornalismo de citações".  No entanto, os jornalistas, embora principais fontes da informação que eles mesmo produziram, nem sempre enveredaram pela análise, como seria de supor, ficando-se pela descrição, de acordo com os dados das tabelas 10 e 11.

É interessante notar que o poder político reparte as citações com outros agentes da sociedade, com destaque para os desportistas (incluídos em "Outras Fontes"), intelectuais e artistas, etc.  Portanto, é possível dizer que a imprensa portuguesa incentivou uma certa polifonia no noticiário sobre a Galiza.  Os empresários são pouco citados, mantendo um low profile que não corresponde ao seu protagonismo no campo das relações entre Portugal e a Galiza.

 

 

Tabela 16

Espaços geográficos mencionadas nas peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

(em número de menções)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

Galiza como um todo

3

15%

2

40%

1

7,7%

0

0%

4

14,8%

Santiago

1

5%

0

0%

0

0%

0

0%

14

51,9%

Vigo

7

35%

1

20%

0

0%

0

0%

1

3,7%

La Coruña

4

20%

2

40%

0

0%

0

0%

0

0%

Ourense

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Tui

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Outra localidade galega

2

10%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Região ou regiões galegas

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Outras

situações

3

15%

0

0%

12

92,3%

0

0%

8

29,6%

Total

20

100%

5

100%

13

100%

0

100%

27

100%

 

A tabela 16 mostra que os jornais não tiveram um comportamento uniforme no que respeita à "geografia" das notícias sobre a Galiza e Galiza - Outros Países.  Vigo e La Coruña, por exemplo, são bastante enfatizados no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã devido à atenção com que foi seguida pela "imprensa popular" a carreira do Deportivo da Coruña e do Celta de Vigo na Liga Espanhola, em 1999.  Mas o destaque dado a Vigo no Jornal de Notícias também se prende com o interesse com que é seguida em Portugal a vida da maior cidade galega perto da fronteira, onde o JN tem, aliás, um correspondente. 

A cidade de Santiago de Compostela é bastante referida no Diário do Minho por causa da cobertura do Xacobeo 99.  No entanto, não se assiste, nos restantes jornais, a um enfoque privilegiado da sede do poder político galego.

 O Diário de Notícias faz referências unicamente à Galiza como um todo (além de referenciar várias localidades e Autonomias do resto de Espanha).  No global, poderá dizer-se que a cobertura noticiosa que a imprensa portuguesa fez da Galiza se centrou nos acontecimentos que ocorreram em algumas localidades específicas (Vigo, Coruña e Santiago de Compostela) ou em toda a Autonomia.

 

 

Tabela 17

Espaços geográficos mencionados nas peças sobre Galiza - Portugal

(em número de menções)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

Galiza

como um todo

17

10,2%

5

4,5%

9

14,3%

8

18,6%

11

11,6%

Santiago

8

4,8%

12

10,7%

5

7,9%

0

0%

6

6,3%

Vigo

38

22,8%

10

8,9%

11

17,5%

14

32,5%

5

5,3%

La Coruña

9

5,4%

2

1,8%

2

3,2%

0

0%

1

1,05%

Tui

4

2,4%

0

0%

0

0%

0

0%

1

1,05%

Outra localidade

galega

9

5,4%

6

5,4%

2

3,2%

0

0%

8

8,5%

Região ou

regiões da Galiza

2

1,2%

1

0%

0

0%

4

9,3%

0

0%

Portugal como um todo

4

2,4%

1

0,9%

2

3,2%

0

0%

7

7,4%

Lisboa

8

4,8%

11

9,8%

5

7,9%

4

9,3%

0

0%

Porto

5

3%

4

3,6%

3

4,8%

7

16,3%

4

4,2%

Braga

8

4,8%

4

3,6%

0

0%

2

4,7%

3

3,2%

Viana do

Castelo

4

2,4%

1

0,9%

0

0%

1

2,3%

3

3,2%

Vila Real

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

1,05%

Minho

9

5,4%

4

3,6%

2

3,2%

3

7%

2

2,1%

Trás-os-Montes

3

1,8%

1

0,9%

1

1,6%

0

0%

0

0%

“Norte”, Minho + Trás-os-Montes

6

3,6%

19

17%

2

3,2%

0

0%

5

5,3%

Região ou regiões portuguesas

(excluindo anteriores)

 

1

0,6%

 

2

1,8%

 

3

4,8%

 

0

0%

 

5

5,3%

Capital de distrito portuguesa (excluindo as anteriores)

 

1

0,6%

 

0

0%

 

0

0%

 

0

0%

 

1

1,05%

Outra localidade portuguesa do Minho

22

13,2%

5

4,5%

2

3,2%

0

0%

18

18,9%

Outra localidade portuguesa de Trás-os-Montes

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

3

3,2%

Outra localidade portuguesa

7

4,2%

6

5,4%

3

4,8%

0

0%

4

4,2%

Outras

situações

2

1,2%

18

16,1%

11

17,5%

0

0%

7

7,4%

Total

167

100%

112

100%

63

100%

43

100%

95

100%

 

Através da observação da tabela 17 podemos concluir que a imprensa portuguesa, no seu conjunto, não centralizou geograficamente a informação sobre a Galiza.  As capitais (Santiago e Lisboa) não são os espaços mais referenciados, embora sejam dos espaços mais referenciados.

É preciso também notar que o número de referências a Vigo e a Lisboa foi inflacionado pela realização dos jogos entre o Benfica e o Celta de Vigo para a Taça UEFA. 

O facto de o Jornal de Notícias possuir um correspondente em Vigo também terá contribuído para o elevado número de referências a esta cidade no JN.  Porém, e cruzando os dados com os da tabela 16, também é possível dizer que o facto de o JN ter um correspondente em Santiago não aumentou significativamente o número de referências à capital galega. 

 

 

Tabela 18

Produção das peças sobre a Galiza e Galiza – Outros países (excluindo Portugal)

(em número de peças e espaço ocupado, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

10

4.689 cm2

100%

4

1.315 cm2

100%

1

442 cm2

100%

0

0 cm2

100%

4

3.977 cm2

100%

Jornalista, editorialista, colunista ou colaborador do jornal em Portugal

1

10%

265

5,6%

4

100%

1.315

100%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

25%

1.992

50,1%

Correspondente ou colaborador do jornal na Galiza

6

60%

4.131

88,1%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Correspondente do jornal em Espanha

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

100%

442

100%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Outra situação

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

25%

1.472

37%

Não especificado nem directamente determinável

3

30%

294

6,2%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

2

50%

513

12,9%

 

A avaliar pelos dados da tabela 18, a maior parte da informação sobre a Galiza que, em 1999, foi publicada na imprensa portuguesa foi produzida pelos próprios jornais.  Neste contexto, a imprensa portuguesa não revelou ter uma grande dependência de agências noticiosas ou de outros meios.  No demais, os jornais portugueses tiveram um comportamento diferenciado quando cobriram acontecimentos relacionados com a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal).  Embora todos eles, com excepção do Diário de Notícias, tenham publicado peças elaboradas por jornalistas em Portugal, o Jornal de Notícias salienta-se por ter aproveitado os serviços dos seus correspondentes na Galiza.  Este aproveitamento permite um enfoque mais contextual, profundo e com conhecimento de causa dos acontecimentos e das temáticas que dizem respeito à Galiza.

 

 

Tabela 19

Produção das peças sobre Galiza - Portugal

(em número de peças e espaço ocupado, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

42

18.650 cm2

100%

23

6.721 cm2

100%

16

4.123 cm2

100%

10

3.088 cm2

100%

13

3.349 cm2

100%

Jornalista, editorialista, colunista ou colaborador do jornal em Portugal

18

42,9%

12.763

68,4%

22

95,7%

6.353

94,5%

9

56,3%

2.414

58,6%

10

100%

3.088

100%

2

15,4%

1.008

30,1%

Enviado

do jornal

à Galiza

0

0%

0

0%

1

4,3%

368

5,5%

3

18,8%

775

18,8%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Correspondente ou colaborador do jornal na Galiza ou em Espanha

9

21,4%

3.678

19,7%

0

0%

0

0%

1

6,3%

346

8,4%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Agência

Lusa

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

6,3%

230

5,6%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Outra situação

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

7,7%

520

15,5%

Não especificado

nem directamente determinável

15

35,7%

2.209

11,8%

0

0%

0

0%

2

12,5%

358

8,7%

0

0%

0

0%

10

76,9%

1.821

54,4%

 

É visível, atendendo à tabela 19, que os jornais portugueses dependeram essencialmente de si próprios para produzir o seu noticiário sobre a Galiza e Portugal.  A imprensa portuguesa, no que respeita ao noticiário sobre a Galiza e Portugal, revela-se, deste modo, bastante independente das agências noticiosas ou de outros meios de informação nacionais, estrangeiros ou internacionais.

Os contributos dos correspondentes do Jornal de Notícias na Galiza foram relevantes na produção de informação sobre a Galiza e Portugal.  O Diário de Notícias, por seu turno, apostou, por vezes, nas figuras do enviado e do correspondente.  O Correio da Manhã também enviou uma ocasião um jornalista à Galiza.  Ainda assim, a maior parte da informação sobre a Galiza e Portugal foi produzida neste último país. 

 

 

Tabela 20

Relevância da informação fotográfica com menção à Galiza na amostra

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

N.º de peças com informação relativa à Galiza

 

52

 

27

 

17

 

10

 

17

N.º de fotografias em peças relativas à Galiza

 

43

 

20

 

12

 

5

 

15

N.º médio de fotografias por peça

 relativa à Galiza

 

0,8

 

0,7

 

0,7

 

0,5

 

0,9

N.º médio de fotografias em peças com informação relativa à Galiza por número do jornal

 

 

 

1,7

 

 

 

0,8

 

 

 

0,5

 

 

 

0,2

 

 

 

0,7

Espaço ocupado por informação relativa à Galiza (cm2)

 

23.339 cm2

 

8.036 cm2

 

4.565 cm2

 

3.088 cm2

 

7.326 cm2

Espaço ocupado por informação fotográfica em peças relativas à Galiza (cm2)

 

 

5.884 cm2

 

 

 

2.123 cm2

 

 

1.465 cm2

 

 

735 cm2

 

 

1.840 cm2

 

Média do espaço ocupado em cada número por informação fotográfica em peças relativas à Galiza (cm2)

 

 

 

226,3 cm2

 

 

 

81,6 cm2

 

 

 

56,4 cm2

 

 

 

28,3 cm2

 

 

 

80 cm2

Percentagem do espaço com informação relativa à Galiza ocupado por informação fotográfica

 

 

 

25,2%

 

 

 

26,4%

 

 

 

32,1%

 

 

 

23,8%

 

 

 

25,1%

N.º de fotos e espaço ocupado (cm2) por informação fotográfica em peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

 

 

13

 

 

 

 

1.479 cm2

 

 

1

 

 

 

 

173 cm2

 

 

1

 

 

 

 

190 cm2

 

 

0

 

 

 

 

0 cm2

 

 

9

 

 

 

 

1.474 cm2

Percentagem do número de fotos sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal) e do espaço por elas ocupado no total de foto-informação relativa à Galiza

 

 

 

30,2%

 

 

 

25,1%

 

 

 

5%

 

 

 

8,1%

 

 

 

8,3%

 

 

 

13%

 

 

 

0%

 

 

 

0%

 

 

 

60%

 

 

 

80,1%

N.º de fotos e espaço ocupado (cm2) por informação fotográfica sobre Galiza - Portugal

 

30

 

 

 

4.405 cm2

 

19

 

 

 

1.950 cm2

 

11

 

 

 

1.275 cm2

 

5

 

 

 

735 cm2

 

6

 

 

 

366 cm2

Percentagem do número de fotos sobre Galiza - Portugal e do espaço por elas ocupado no total de foto-informação relativa à Galiza

 

 

69,8%

 

 

 

74,9%

 

 

95%

 

 

 

91,9%

 

 

91,7%

 

 

 

87%

 

 

100%

 

 

 

100%

 

 

40%

 

 

 

19,9%

 

Embora, em termos absolutos, o Jornal de Notícias se tenha salientado dos restantes jornais, já que apresentou uma média de 226,3 cm2 de foto-informação sobre a Galiza por número, em consonância, aliás, com os dados gerais apresentados na tabela 1, em termos relativos todos os jornais inseriram uma percentagem relevante de informação fotográfica no espaço informativo com referências à Galiza.  No mínimo, 23,8% do espaço informativo dedicado à Galiza (incluindo Galiza-Portugal) foi ocupado por imagens fotográficas (Público); mas no Diário de Notícias essa percentagem chega aos 32,1%.

É de salientar, igualmente, que, com exclusão do que aconteceu no Diário do Minho, a maior parte da foto-informação se refere a matérias que implicam simultaneamente a Galiza e Portugal.  No Público, aliás, toda a foto-informação se reporta a acontecimentos que envolveram simultaneamente a Galiza e Portugal.  Este facto, em princípio, resulta da proximidade: é mais fácil produzir foto-informação perto dos locais onde se encontram localizados os foto-repórteres.

O Jornal de Notícias (que foto-informativamente privilegiou os acontecimentos que envolveram a Galiza e Portugal) e o Diário do Minho (que foto-informativamente privilegiou os acontecimentos que envolveram unicamente a Galiza) foram os jornais que revelaram um comportamento mais balanceado na produção e difusão de informação fotográfica em peças com menção à Galiza.

 

 

Tabela 21

Secção de inserção das fotos das peças sobre a Galiza e Galiza - Outros Países (excluindo Portugal)

(em número de fotos e espaço ocupado, em cm2)

 

 

Jornal

de Notícias

Correio

da Manhã

Diário

de Notícias

Público

Diário

do Minho

 

Totais

 

13

1.479 cm2

100%

1

173 cm2

100%

1

190 cm2

100%

0

0 cm2

100%

9

1.474 cm2

100%

 

Internacional

 

1

7,6%

248

16,7%

0

0%

0

0%

1

100%

190

100%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Local

 

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

1

11,1%