ISSN: 1646-3137  
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JORGE PEDRO SOUSA, O MUNDO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO: A GUERRA DO GOLFO NA IMPRENSA PORTUGUESA DE EXPANSÃO NACIONAL

A GUERRA DO GOLFO NA IMPRENSA PORTUGUESA DE GRANDE EXPANSÃO

(2ª versão mais alargada de "A COBERTURA IMAGÉTICA DA GUERRA DO GOLFO NA IMPRENSA PORTUGUESA")

Jorge Pedro Sousa, Universidade Fernando Pessoa

1. Introdução

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 1991. 16h30. Nas bases sauditas onde estão estacionadas as forças norte-americanas é dada ordem para o início da operação Tempestade no Deserto, destinada a libertar o Koweit, então na posse das tropas iraquianas do Presidente Saddam Hussein. Este líder iraquiano, apesar das sucessivas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e das sanções impostas pela organização, não deu ordem de retirada ao seu exército. Chegava, finalmente, a hora dos 605 mil homens e mulheres da força multinacional enfrentarem os 504 mil soldados iraquianos que se presumia estarem estacionados nas posições defensivas montadas pela máquina de guerra do Iraque (ver: Sousa, 1992). Saddam Hussein tinha, provavelmente, cometido um erro, ao desprezar a ameaça "americana" (aliada) de libertação do Koweit através do uso da força, opção legitimada pelo Conselho de Segurança da ONU.

A ofensiva terrestre é lançada a 24 de Fevereiro. Em 48 horas, os aliados atingem Koweit City. Saddam acentua a articulação que quer estabelecer entre a religião e a guerra, exortando as tropas a expulsar os "novos cruzados" e apelando à jihad, a guerra santificada ou "justa" dos muçulmanos, procurando confundir política com religião, tanto quanto tinha tentado colar a causa palestiniana e o sentimento árabe anti-israelita à causa iraquiana. Dia 26, Hussein ordena a retirada incondicional das suas tropas do Koweit, mas reclama vitória e continua a disparar mísseis, dois contra Israel e um contra uma caserna militar americana na Arábia Saudita, que provoca dezenas de mortos, que os jornalistas são impedidos de filmar ou fotografar. Os iraquianos, que abandonam o Koweit numa imensa caravana automóvel, são surpreendidos na "auto-estrada da morte" por um bombardeamento aliado que pode ter provocado dezenas de vítimas. A 28 de Fevereiro, Bush anuncia o cessar-fogo e declara a derrota de Hussein, que aceita o clausulado da resolução 678 do Conselho de Segurança da ONU. Mas Saddam não se considera derrotado. Pelo contrário, declara-se vencedor, argumentando que, durante o período de ocupação, o Koweit não tinha sido mais do que uma província iraquiana, de acordo com a alegada legitimidade histórica e a ideologia pan-arabista.

Quando o conflito irrompeu, pensava-se que a comunicação social se encontrava a postos. No final do conflito, chegou-se à conclusão de que se soube menos sobre a Guerra do Golfo do que sobre qualquer outra guerra moderna precedente (Katz, 1992: 9; para exemplos de quanto se desconhece sobre a Guerra do Golfo, consultar, a título exemplificativo: Sousa, 1992).

No início do conflito, prometia-se a guerra em directo nos ecrãs de televisão, uma cobertura tão exaustiva como nunca tinha sucedido. A CNN, por exemplo, preparou-se para estar em directo a partir de vários pontos do Globo, de Bagdad a Washington, e foi ela que, verdadeiramente, anunciou à aldeia global, unida pela televisão mundializada, o início da Guerra do Golfo. Porém, a anunciada guerra em directo ficou muito longe das expectativas criadas. Parafraseando Katz (1992: 5), "toda a gente" viu o mesmo do muito pouco que houve para ver da Guerra do Golfo. E o pouco que houve para ver não foi mais do que uma mão pouco cheia de aspectos de uma Guerra que os repórteres e especialistas convidados, frequentemente militares, diziam estar em marcha, numa progressão emotiva de eventos, frequentemente mediáticos, susceptível de atrair audiências (Katz, 1992: 8).

A cobertura jornalística do conflito veio, assim, a ser significativamente criticada, especialmente depois da euforia ter passado. Várias vozes se ergueram contra a ausência de contexto, recuo, edição efectivamente jornalística da informação e, principalmente, contra os perigos de manipulação dos jornalistas e do público, provocados, sobretudo, pelo directo televisivo multilocalizado e em contínuo, durante o qual se recuperou, com sucesso propagandístico, o enquadramento de sentido (frame) da Segunda Guerra Mundial (v.g.: Katz, 1992; Sousa, 1992; Woodrow, 1991). Deste modo, transformou-se a Guerra do Golfo, conforme salienta Katz (1992: 6), num conflito do bem contra o mal, em que Saddam foi comparado a Hitler e em que os curdos gaseados pelas tropas iraquianas foram comparados aos judeus assassinados nos campos da morte pelas SS. Várias vozes se ergueram ainda contra as meias-verdades propagandeadas pelos militares e políticos beligerantes e engolidas como verdades totais por alguns jornalistas e algum público (como a meia-verdade segundo a qual a guerra era cirúrgica, quando a maioria das bombas caídas sobre o Iraque era gravitacional, tal e qual como as da Segunda Guerra Mundial); várias vozes se ergueram igualmente contra a censura que constrange os "direitos" a ver e a saber, contra o funcionamento em pools e também contra a "intoxicação", provocada, sobretudo, pela difusão jornalística das imagens fornecidas pelos militares, sem qualquer recuo, edição ou contrastação de fontes e informações; várias vozes se ergueram também contra os simulacros, fossem eles, entre outros, os simulacros das imagens vídeo ou os simulacros dos debates, como opor um general da força aérea a um da infantaria em vez de um pacifista a um intervencionista. (ver, por exemplo: Katz, 1992; Sousa, 1992; Woodrow, 1991) Chamou-se a esta guerra, em que virtual e real se fundiram frequentemente nos ecrãs de televisão e até, por que não, na rádio e na imprensa, a esta guerra em directo sem o ser, a esta guerra de simulacros, a esta guerra travada não apenas no terreno mas também nos ecrãs de TV, a esta guerra travada mundialmente em torno das imagens que os media construíam dela mesma, a esta guerra onde as novas tecnologias militares são, em parte, as novas tecnologias da informação e da comunicação, a esta guerra onde acontecimento e recepção por vezes quase coincidem, a primeira guerra pós-moderna (Virilio, 1992; Perniola, 1991; Cádima, 1991; Orihuela, 1991).

Em consonância com o exposto, este trabalho tem por objectivo avaliar a forma como a imprensa portuguesa de grande expansão tratou o conflito do Golfo, entre 17 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 1991 (período estendido até 2 de Março nos semanários). Tentei testar, principalmente, as seguintes hipóteses:

1.      Apesar, ou até por força, dos constrangimentos à liberdade jornalística motivados pela excepcionalidade de uma situação de guerra e pelo contexto da Guerra do Golfo e, eventualmente, devido ao papel da imprensa face ao imediatismo da rádio e da televisão, ponho por hipótese que a cobertura realizada pela imprensa portuguesa de grande expansão, de acordo com as tendências que se iam desenhando no jornalismo desde os anos oitenta (ver, por exemplo: Barnhurst e Mutz, 1997), tendeu para a análise e a documentação, especialmente nos semanários e nos diários "de elite" Público e Diário de Notícias, embora sem abandono da opinião e do discurso descritivo/reportativo, formas tradicionais de enunciação jornalística nos news media impressos;

2.      Tendo sido a Guerra do Golfo, em grande medida, uma guerra de imagens e, sobretudo, uma guerra de imagens na TV (ver, por exemplo: Sousa, 1992; Cádima, 1991; Woodrow, 1991), ponho por hipótese que a imprensa se ressentiu dessa contingência, tendo usado relevantemente a imagem para fazer passar a informação;

3.      Secundariamente, ponho também por hipótese que, face não só aos constrangimentos impostos pelos beligerantes à movimentação dos jornalistas (ver, por exemplo: Sousa, 1992; Ledo Andión, 1993) mas também às novas tecnologias que permitem e incentivam o jornalismo infográfico (ver, por exemplo: Ledo Andión, 1993), a imprensa tenha recorrido relevantemente, por um lado, a imagens extraídas dos ecrãs de televisão e, por outro lado, ao jornalismo infográfico.

Procurei, igualmente, averiguar o grau de dependência que a imprensa portuguesa sentiu de produtores e fornecedores de conteúdos sobre a Guerra do Golfo (com todos os problemas que tal facto pode potencialmente acarretar, nomeadamente quando a informação tem origem em agentes interessados, neste caso, sobretudo políticos e militares). Tive também por objectivo verificar se existiram enviusamentos na cobertura jornalística que a imprensa portuguesa fez do conflito, que tenham tornado essa cobertura mais ou menos favorável a um dos lados em confronto, embora seja sempre de esperar a existência de desvios, mesmo que não intencionais (bias). Um outro desiderato do presente trabalho consistiu em procurar saber se o público foi advertido das circunstâncias em que a cobertura da guerra se estava a desenrolar, nomeadamente das sujeições à censura e a constrangimentos como o funcionamento em pools.

 

2. Metodologia

Face às hipóteses apresentadas, aos objectivos delineados e às conclusões dos diversos estudos publicados sobre a cobertura jornalística da Guerra do Golfo, procurei responder às seguintes perguntas de investigação (research questions):

RQ1: Qual foi o relevo dado à Guerra do Golfo na imprensa portuguesa?

RQ2: De que tipo foi o discurso jornalístico predominante: descritivo, documental, analítico ou opinativo?

RQ3: Até que ponto a imprensa portuguesa dependeu da produção externa em detrimento da produção própria?

RQ4: Até que ponto os líderes políticos tiveram acesso directo à imprensa através de artigos de opinião de cunho próprio?

RQ5: O tom das peças editadas favoreceu algum dos lados beligerantes?

RQ6: Quais foram os temas abordados?

RQ7: Quais foram as fontes citadas e qual a sua relevância?

RQ8: Qual foi o tipo e a relevância da cobertura imagética da Guerra do Golfo?

RQ9: Até que ponto a imprensa portuguesa dependeu da produção externa em termos de cobertura imagética do conflito?

RQ10: Quais os conteúdos da cobertura imagética da Guerra? Será que se traduziu essencialmente numa espécie de catalogação quase publicitária do arsenal norte-americano, a exemplo do que aconteceu nos EUA (Griffin e Lee, 1995)?

RQ11: Qual o cuidado posto em colocar o público a par da censura e dos constrangimentos à cobertura jornalística sobre a Guerra?

Para responder a essas questões, metodologicamente enveredei por uma análise de conteúdo e morfológica (número e superfície ocupada - em cm2- pelas peças jornalísticas sobre o conflito), de seis jornais diários vespertinos (Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro), quatro jornais semanários (O Independente, Expresso, O Jornal e Semanário) e uma revista de informação geral (Sábado). Escolhi os quatro diários portugueses vespertinos de maior tiragem (Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e O Correio da Manhã) e, por razões de proximidade geográfica e de avaliação do comportamento da imprensa pertencente a empresas em crise, os jornais do Porto O Primeiro de Janeiro e O Comércio do Porto. Entre os semanários, seleccionei, igualmente, os de maior tiragem (Expresso, a "instituição" do jornalismo português, O Independente e o Semanário) e um jornal que atravessava uma crise, que acabaria por ditar o desaparecimento do título (O Jornal). A Sábado era, à época, a única revista semanal de informação geral publicada em Portugal.

Durante a análise morfológica, fiz aproximações numéricas, às décimas ou às unidades, quando trabalhei, respectivamente, com percentagens e com a aferição da superfície ocupada, pois, tal opção, por um lado, facilita o tratamento da informação e a apreensão da mesma e, por outro lado, não interfere com a avaliação das grandes tendências da cobertura, que é, afinal, aquilo que está em causa nesta pesquisa (as aproximações que fiz são desprezíveis em termos de análise das tendências). Incluí na análise morfológica suplementos sobre a Guerra do Golfo e alguns cadernos e revistas regulares dos jornais estudados com informação sobre o tema em causa, sempre que disponíveis. Quando houve mais do que uma edição diária do mesmo jornal, fenómeno que ocorreu no primeiro dia do conflito, foi feita a análise morfológica das diferentes edições, incluindo-se nos dados finais os elementos recolhidos na primeira edição e os elementos que diferenciavam cada nova edição da anterior.

Defini, a priori, para todos os títulos, as seguintes categorias de análise:

a.       Ao nível do tipo de peças publicadas:

- Peças integral ou essencialmente descritivas/reportativas (as notícias sobre os factos da guerra e os factos correlacionados com ela);

- Peças integral ou essencialmente documentais (artigos que providenciam informação explicativa sobre o background do conflito, os equipamentos militares e os exércitos, etc.);

- Peças integral ou essencialmente analíticas (artigos que analisam a situação e o seu contexto a partir de dados, procurando interpretar e explicar o que se passa ou prever o que se passará);

- Peças integral ou essencialmente opinativas (peças que enunciam uma opinião sobre o conflito, o seu contexto ou as suas repercussões);

- Origem das peças sobre a Guerra (produção própria - incluindo colunistas, correspondentes e colaboradores regulares- ou não própria, jornalística ou não jornalística, nacional ou estrangeira, produção originária de revistas militares);

- Artigos de opinião de líderes políticos (portugueses, americanos e de outros países Ocidentais, iraquianos e de outros países);

- Peças cujo tom tivesse sido tendencialmente positivo ou negativo para o Iraque ou para a intervenção e a Coligação;

- Tema principal das peças (incluindo peças sobre censura e constrangimentos à cobertura jornalística da Guerra do Golfo);

- Fontes citadas nos textos (para averiguação da sua relevância e representatividade, fiz uma contagem das orações a elas atribuídas directamente ou sob a forma de paráfrase, em dois números dos semanários e sete dos diários, tendo tido, para estes últimos, a preocupação de estudar as fontes ao longo das edições de jornais durante uma semana construída).

b.      Ao nível das imagens:

- Imagens sobre a Guerra;

- Tipos de imagens: fotografias, cartoons, infográficos ou imagens obtidas a partir da TV; estabeleci uma única categoria para mapas e infográficos por dois motivos: por um lado, os mapas podem considerar-se uma modalidade de infográficos; por outro lado, geralmente os mapas que surgiram na imprensa estavam povoados de vários infográficos de outro tipo, nomeadamente infográficos icónicos e simbólicos;

- Origem das imagens (produção própria ou não própria, jornalística ou não jornalística, nacional ou estrangeira, produção oriunda de revistas militares);

- Conteúdo principal das imagens (sem distinção do tipo de imagem);

- Imagens com menção a censura.

Há uma questão metodológica que merece reparo: os dados sobre os quais trabalhei foram recolhidos por uma equipa de estudantes e recuperados da minha dissertação de licenciatura (1992), onde, por sua vez, se encontra informação recolhida não apenas por pessoas contratadas por mim, mas também por um colega. Apesar da instrução prévia a que foram sujeitos e do esforço de harmonização que empreendi, o facto de terem sido pessoas diferentes a recolher a informação em diferentes jornais pode ter gerado uma relativa subjectividade na classificação de peças e imagens nas categorias previamente estabelecidas. Este fenómeno poderá ter tido alguma repercussão, embora julgue que mínima, nos resultados finais da análise morfológica com categorias pré-estabelecidas, método que escolhi para este trabalho. Mas esses hipotéticos desvios, ainda que se tenham verificado, não parecem ter interferido no desenho das grandes tendências da cobertura da imprensa portuguesa na Guerra do Golfo, que é, afinal, aquilo que interessa definir com esta pesquisa.

A título de reparo metodológico, convém, igualmente, salientar que na avaliação do espaço ocupado por cada peça englobei o espaço ocupado pelas imagens nela incluídas, o que corresponde à soma de texto, imagens e espaços brancos da peça. Porém, o inverso não se verificou. Isto é, o espaço ocupado pelas imagens tratou-se única e exclusivamente do espaço efectivamente ocupado pelas imagens.

Por outro lado, quando me refiro a "países da Coligação", nas ocasiões em que não os individualizo, refiro-me geralmente aos países que mais se salientaram na sua intervenção e/ou que foram envolvidos no conflito devido, em primeiro lugar, à sua proximidade geográfica (como é o caso do Reino Unido e da França, entre os primeiros, e da Arábia Saudita ou do Egipto, entre os segundos).

Finalmente, quero referir que os dados sobre os jornais Correio da Manhã e Jornal de Notícias, que se encontram nas tabelas 4 a 8 dizem apenas respeito às edições entre os dias 8 e 28 de Fevereiro de 1991, pois não foi possível consultar os restantes jornais. Os dados globais disponíveis sobre esses periódicos, expostos nas tabelas 1 a 3 e nas tabelas sobre a cobertura imagética do conflito, foram recuperados da minha dissertação de licenciatura (Sousa, 1992).

 

3. Contextualização histórica

O Iraque de Hussein foi o primeiro estado a tentar explorar o fim da Guerra Fria. Presumivelmente, Saddam calculou que a desregulação nas relações internacionais que se perspectivava lhe permitiria anexar o rico emirato vizinho, que, conjuntamente com a Arábia Saudita e o Paquistão, era dos principais concorrentes do Iraque no financiamento de actividades integristas. (Al-Ahnaf e Étienne, 1991) Saddam, militante do Partido Baas (pan-arabista e anti-ocidental), teria, inclusivamente, salientado que "o caminho para Jerusalém passa por Meca", além de ter criticado os hábitos perversos das monarquias do Golfo, como a contratação de prostitutas ocidentais de luxo. (Al-Ahnaf e Étienne, 1991) Aliás, a 8 de Fevereiro de 1980, o presidente do Iraque divulgou uma carta em que anunciava as suas intenções unitárias. Porém, o Ocidente, demasiado preocupado com o Irão de Khomeiny, não o ouviu. Nem se apercebeu, como Amin Maalouf (1990) fez notar, de que a agitação no Médio Oriente era mais política do que religiosa.

Ao invadir o Koweit, o Iraque justificou-se não apenas com o fácil argumento de que o Koweit roubava petróleo ao Iraque, usando perfuradoras especiais, mas também com a postura ideológica baasista, que considera a unidade da nação árabe como sendo mais importante do que os estados parcelares, maioritariamente criados pelas potências coloniais, mormente o Reino Unido e a França. Além disso, o Iraque foi beber aos escritos de vários historiadores árabes, que consideram a anexação como um acto legítimo à luz da história. Eles baseiam as suas asserções no facto de o actual Koweit, desde os tempos das longínquas civilizações mesopotâmica, babilónica, assíria/pérsica e parta, nunca ter estado separado do actual Iraque até ao século XIX. Inclusivamente, entre 1871 e 1899, período durante o qual a região iraquiana de Bassorá foi convertida em província, no seio do Império Otomano, o emir do Koweit ainda dependia de Bassorá. De facto, o emirato só se começa a assumir como entidade individual em 1899, quando encarregou o Reino Unido da sua representação diplomática, e é apenas em 1961 que se torna independente, apesar dos protestos iraquianos e árabes em geral, que vêem no acto apenas uma manobra das antigas potências coloniais, destinada a assegurar-lhes algum controlo sobre o petróleo. Aliás, em 1938 e 1939, o próprio Conselho Legislativo do Koweit tinha defendido a fusão com o Iraque, independente desde 1930 e membro da Sociedade das Nações desde 1932. A própria independência koweitiana só foi mantida, no próprio ano em que foi alcançada, devido à protecção concedida pelos soldados britânicos face à ameaça de anexação iraquiana. E só em 1963 é que o Iraque reconhecerá o Koweit como país independente, muito antes de Saddam Hussein e das suas teses pan-arabistas chegarem ao poder. Em 1977, verificou-se uma nova desavença entre os dois países, devido à reivindicação territorial que o Iraque fazia das estratégicas ilhas koweitianas de Boubiane e Warba, que acabaram por lhe ser alugadas, condição que satisfazia os interesses iraquianos.

Provocada pelo combate ao fundamentalismo xiita que ameaçava a estabilidade iraquiana no Sul do país e pelos eternos problemas em torno da delimitação das fronteiras na explosiva região do Chatt al-Arab, onde se situam, em Oum Qsar, as únicas instalações portuárias iraquianas por onde se pode fazer o escoamento de petróleo, a guerra Irão-Iraque trouxe a este último país as simpatias ocidentais (Al-Ahnaf e Étienne, 1992). Mas levou igualmente Saddam Hussein a considerar que tinha prestado um serviço a todos os países da região, pelo que exigiu o perdão das dívidas que o Iraque tinha contraído nesse período; quis também que a relação preço/quota de petróleo definida pela OPEP para o Iraque permitisse ao país fazer face aos desafios da reconstrução nacional e assumir um lugar destacado no mundo árabe. Para que esta última condição se concretizasse, fortaleceu decisivamente as Forças Armadas, especialmente à custa de equipamento soviético, mas também ocidental (como se verificou durante a Guerra do Golfo). (Al-Ahnaf e Étienne, 1992) Talvez não estivesse mesmo longe dos horizontes de Saddam assumir a liderança do mundo árabe contra Israel, acusado de possuir territórios árabes indevidos, de controlar crescentemente os vitais recursos aquíferos da região, etc. (Al-Ahnaf e Étienne, 1992)

É neste contexto que, pelos finais dos anos oitenta, devido ao torpedeamento koweitiano das quotas e preços fixados pela OPEP, se começam a deteriorar significativamente as relações entre o poderoso país de Saddam e o pequeno e apetecido emirato conservador, cuja imensa riqueza, repartida pelos pequeno número de habitantes, se devia unicamente ao petróleo, e cujas fronteiras e legitimidade histórica desde sempre tinham sido contestadas pelo Iraque. A posse do Koweit daria aos iraquianos uma fatia significativa do petróleo mundial e, em princípio, ampliaria consideravelmente a influência do país no mundo. Hussein manda, então, invadir o emirato, a 2 de Agosto de 1990. Todavia, ao fazê-lo, apesar de alegar que o Koweit fazia parte do território iraquiano, viola também uma das regras básicas da Liga Árabe: a de que nenhum país membro recorreria à força para resolver diferendos. O Koweit invoca ainda em sua defesa a sua condição de nação independente, internacionalmente reconhecida (inclusivamente pelo Iraque), e os tratados que ao longo da história reconheciam a soberania koweitiana sobre o seu próprio território, tais como os tratados de Sèvres e de Lausanne, no âmbito dos quais os turcos otomanos desistiram de reclamar a soberania sobre o emirato.

A forma como a situação evoluiu posteriormente é conhecida. Liderados pelos EUA e motivados, certamente, por razões políticas, económicas e militares, vários países, legitimados pelas decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas, desencadearam as operações Escudo no Deserto e Tempestade no Deserto, que culminaram com a libertação do Koweit, em Fevereiro de 1991. Mas Saddam não foi derrubado nem foi exigido o desmembramento do Iraque, já que a potencial instabilidade daí resultante poderia ser mais explosiva do que a manutenção da integridade do país.

No rescaldo da guerra, os xiitas do Sul do Iraque revoltam-se, sendo reprimidos pelas tropas fiéis a Saddam. No Norte do Iraque, os curdos são beneficiados por um estatuto especial de protecção, outorgado pelas Nações Unidas e garantido pelas potências ocidentais. A ONU declara a manutenção do embargo económico e militar ao Iraque (que se mantém até hoje), destinado, principalmente, a forçar os líderes iraquianos a desmantelar os programas de armamento químico, biológico e nuclear. Apenas se exclui o auxílio humanitário, no âmbito de um programa das Nações Unidas que autoriza a "troca" de petróleo por alimentos, medicamentos e outros bens essenciais. O Norte e o Sul do Iraque são, igualmente, declarados zonas de interdição aérea, de forma a proteger as populações iraquianas que, historicamente, mais "dores de cabeça" têm dado a Hussein, os curdos e os xiitas. Porém, desde 1991 a esta parte que Saddam Hussein não se tem proibido de testar as potências da coligação internacional e a determinação das Nações Unidas. Além do esmagamento da revolta xiita no Sul (beneficiando do aparente beneplácito de um Ocidente que também está longe de simpatizar com o fundamentalismo xiita), os iraquianos intervieram militarmente no Curdistão, dispararam mísseis em direcção à fronteira com o Koweit e a Arábia Saudita, realizaram manobras militares nas fronteiras com esses países, levaram tropas a ultrapassar a fronteira koweitiana com o argumento de que iam buscar material abandonado após a operação Tempestade no Deserto, fixaram nos radares, e tornaram alvos para mísseis, os aviões da coligação internacional que fiscalizam as zonas de interdição aérea, "jogaram" constantemente ao "rato e ao gato" com os inspectores da ONU que, no terreno (incluindo nos célebres palácios presidenciais de Hussein), verificam o cumprimento, pelo Iraque, das resoluções das Nações Unidas, nomeadamente daquelas que obrigam o país a desmantelar os seus arsenais convencionais, químicos e biológicos e a colocar um fim aos programas de armamento, especialmente de armamento convencional, químico, biológico e nuclear. Alguns países da coligação internacional, nomeadamente os EUA e o Reino Unido, já intervieram militarmente no Iraque, destruindo infra-estruturas militares e locais suspeitos de albergar armas ou de integrarem os programas rearmamentistas iraquianos. Mas algumas dessas intervenções têm sido criticadas por alguns países da comunidade internacional, nomeadamente aquelas que, eventualmente, se assemelham mais a gestos destinados a desviar as atenções dos problemas de Bill Clinton do que a medidas oportunas, ponderadas e consensuais.

 

4. Revisão de literatura

Uma parte significativa das obras que se debruçaram sobre o exercício do jornalismo durante a Guerra do Golfo procura, criticamente, por um lado descrever a manipulação e os constrangimentos que os jornalistas enfrentaram (sobretudo a negação do acesso ao teatro de operações, o sistema de escolta militar, a censura e a revisão militar das peças e o funcionamento em pools - em que um jornalista produz informação para vários); por outro lado, atenta nas consequências dessa cobertura junto do público e procura revelar factos desconhecidos do conflito, dos seus antecedentes e das suas implicações. (v. g. Cary e Duffy, 1992; Darwhish e Alexander, 1991; Guerra e Curral, 1991; Marinho, 1993; Perniola, 1991; Queirós, 1991; Rojo, 1991; Sousa, 1992; Woodrow, 1991; Bennett e Paletz, 1994).

Vários artigos dão conta da mesma situação (tal como "Gulf war: A one note chorus", publicado na Extra, em Maio de 1991; ou "Triunfo sem vitória: A história desconhecida da Guerra do Golfo Pérsico", publicado na Revista do jornal Expresso, a 25 de Janeiro de 1992). Outros estudos falam da fuga ao espírito da liberdade de imprensa, evidenciada pelo controle político-militar sobre os jornalistas e pela guerra da propaganda (Smith, 1993; Blanchard, 1991), embora académicos como Cooper (1996) salientem que esse controle não violou o princípio da liberdade de imprensa, nomeadamente numa época em que o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e difusão promove a instantaneidade da cobertura.

A propaganda de guerra é dissecada em vários textos (v.g. Jowett, 1993 a; 1993 b). Alguns livros procuram oferecer-nos, sobretudo, o contexto histórico do conflito, justificando-se com a falta de profundidade e com os constrangimentos da cobertura mediática (v.g. Bulloch e Morris, 1991; Al-Ahnaf e Étienne, 1992). Outros ainda dão uma panorâmica da situação e tentam antever as consequências da guerra sob o prisma das relações internacionais e dos princípios da estratégia (v.g. Carvalho, 1991). Outras obras, embora não se reportando directamente ao conflito, colaboram para a compreensão de algumas das razões que estiveram na sua génese (v.g. Maalouf, 1990). Produziram-se também vários artigos e livros que se centraram na cobertura jornalística do conflito sob o prisma das Ciências da Comunicação, entendidas de uma forma globalizante. Por exemplo, Keeble (1997) analisa a Guerra do Golfo sob a perspectiva do mito, salientando que, mais do que por culpa de uma conspiração massiva, a cobertura da Guerra do Golfo deu do conflito a imagem que deu por acção de uma série de forças profundas de raiz política, histórica, cultural e ideológica. Mas outros trabalhos merecem, igualmente, uma descrição mais sistemática.

Katz (1992), conforme já foi dito, apresenta um ensaio onde reflecte sobre a dissonância entre a cobertura de guerra prometida e a cobertura efectivamente produzida e onde critica o imediatismo na difusão jornalística de informação. Na mesma linha, Hallin e Gitlin (1993) propõem uma visão da cobertura da Guerra do Golfo Pérsico que assenta na cultura popular, consistindo numa celebração da comunidade, do poderio técnico e do profissionalismo. McLeod, Eveland e Signorielli (1994) sugerem mesmo que, em vários casos, o público americano, geralmente confiante na liderança do Presidente, do Congresso e dos militares, criticou os media nacionais por uma actividade mediática que terá sido percepcionado como uma ameaça às acções dos EUA durante a Guerra.

A ideia da celebração da comunidade e do seu poder enquanto fonte de um processo de formação de um consenso na sociedade americana sobre a necessidade da intervenção militar está presente num artigo de Jeffords e Rabinowitz (1994). Para estes autores, os diversos géneros mediáticos (jornalismo impresso, telejornalismo, fotojornalismo, radiojornalismo, talk shows, sitcoms, etc.) onde se expressaram formulações discursivas sobre a Guerra do Golfo terão contribuído para a reconstrução da História, para o controle da disseminação da informação, para a criação de um consenso nacional e para a solidificação da identidade da América. Porém, segundo Peer e Chestnut (1995), a televisão norte-americana terá apoiado mais o discurso oficial do que os jornais, que se terão revelado mais independentes, havendo, assim, razões para se examinar a autonomia jornalística em função dos diferentes media. Não obstante, estudos como os de Bennett e Manheim (1993), Fico e Soffin (1994) ou Rusciano (1993), referenciados abaixo, foram particularmente críticos para o comportamento da imprensa (escrita) dos Estados Unidos, considerando a cobertura que ela fez da Guerra do Golfo tendencialmente circunscrita aos pontos de vista, interpretações e enquadramentos (isto é, aos frames) oficiais.

Mancini (1992) tenta provar que a cobertura da Guerra do Golfo em Itália demonstra a emergência de dois modelos opostos no jornalismo italiano. Um deles radicaria na confrontação político-ideológica e o outro na comercialização da informação. O primeiro seria, sobretudo, sustentado pela imprensa e o segundo pela televisão. A existência destes dois modelos antagónicos criaria confusão, ambiguidade, polémica, diferenciação e divisão entre os jornalistas.

Um inquérito feito por El-Sarayrah e Ayish (1992) aos jornalistas estrangeiros que trabalharam na Jordânia para cobrir a Guerra do Golfo revelou que a maioria eram homens ocidentais, na casa dos trinta-quarenta anos, que trabalhavam a tempo inteiro para estações de televisão e que possuíam um curso superior. 45% tiveram ajuda dos jornalistas locais. 38% contactaram sobretudo fontes privadas e 25% usaram simultaneamente fontes privadas e oficiais. 55% discordaram da ideia de que a cobertura da Guerra do Golfo estava a ser distorcida. Na cobertura efectuada, 35% dos jornalistas valorizaram os aspectos políticos da crise, 15 % os humanitários e 10% os militares. A língua foi considerada o principal obstáculo ao trabalho jornalístico.

Kelliner (1992) sustenta que foi através da propaganda, da desinformação e da "propagação de mentiras" através dos news media, particularmente da televisão, que a Administração Bush conseguiu criar apoio público para a intervenção militar americana. No estudo, as versões da guerra apresentadas na televisão e nos órgãos jornalísticos de grande difusão são sistematicamente comparadas com as versões dos media alternativos, de forma a revelar as distorções, a desinformação e as falsidades que os principais news media apresentaram como verdades. No mesmo sentido, Mould (1996) sustenta, após ter estudado a cobertura da batalha de Khafji (única ofensiva das tropas iraquianas, que conseguiram ocupar, durante 36 horas, a cidade saudita fronteiriça com o mesmo nome), que os jornalistas que não estavam "no sistema" realizaram um trabalho superior àqueles que estavam. Todavia, segundo o mesmo autor, a surpreendente ofensiva iraquiana levou os militares norte-americanos a rever as tácticas de gestão de informação, isto porque os militares norte-americanos se revelaram incapazes de fornecer rapidamente informação fidedigna, precisa e credível aos jornalistas "do sistema". Assim, foram expandidas as pools e aumentado o número diário de briefings (Mould, 1996).

Num livro editado por Mowlana, Gerbner e Schiller (1992), 34 autores de 18 países criticam as imagens veiculadas pelos news media dominantes. Para eles, essas imagens contribuíram para orquestrar, com sucesso, a ideia do triunfo e para atingir resultados que a aplicação da razão à realidade não alcançaria.

Jensen (1992) examina, num artigo publicado no Journal of Communication Inquiry, a noção de objectividade jornalística, aplicada à cobertura da Guerra do Golfo, tendo concluído que a ideologia da objectividade dominante nos media de elite tende a esconder mais do que a revelar.

Segundo Young (1992), durante a Guerra do Golfo, os meios jornalísticos americanos e australianos não corresponderam ao direito público a conhecer, na linha do que teria já ocorrido nos conflitos das Falklands, de Granada e do Panamá. Para o autor, o direito público à informação foi subordinado aos interesses dos poderes político e militar, que pretenderam criar e manter apoio público para um novo tipo de intervenção armada: a guerra limitada, contrastante com as grandes guerras nacionalistas do passado. Esse apoio público à intervenção bélica teria beneficiado do imediatismo da cobertura e do seu carácter predominantemente imagético, que teriam dado uma mais valia de credibilidade a um trabalho jornalístico que não a mereceu.

Para Gottschalk (1992), as constrições à cobertura jornalística da Guerra do Golfo nos EUA decorreram não apenas da acção da Administração Bush, mas também das tendências que se foram desenhando na sociedade norte-americana desde os finais dos anos setenta, que teriam criado um vácuo institucional e permitido uma "presidência imperial": a inexistência de partidos políticos efectivamente alternativos ao Democrático e ao Republicano; a emergência de um público furioso, volátil e potencialmente belicoso; a nova relação que as tecnologias estabeleceram entre a realidade e o público; e a valorização da imagem em detrimento dos valores da verdade e da integridade.

A ideia de que a televisão desempenha um papel de crescente importância na diplomacia internacional e na guerra, conforme terá sido visível durante o conflito do Golfo, é defendida por O’Hefffernan (1993). Para ele, a TV tem-se tornado num sistema comunicacional chave em situações de conflito, desde a Guerra do Vietname, dada a sua capacidade de alegadamente influenciar as correntes de opinião pública. A TV global apenas teria acrescentado força e redimensionado esse fenómeno à escala planetária, pelas seguintes razões: 1) abriria as portas aos interesses privados e étnicos, que conseguiriam, assim, influenciar a política externa dos diferentes países; 2) reduziria o tempo de análise e apressaria os processos de tomada de decisão; 3) diluiria o secretismo na diplomacia, dando espaço a todas as partes, inclusivamente para comentar os pontos de vista e interpretações das partes contrárias; e 4) contribuiria para inscrever temas multinacionais nas agendas de política estrangeira dos diversos estados.

McLeod et al. (1993), num inquérito efectuado aos habitantes de New Castle, descobriram que a função dos media jornalísticos mais valorizada pelo público durante a Guerra do Golfo foi a provisão de informação, o que vai ao encontro de um estudo anterior, conduzido por Peled e Katz. McLeod et al. (1992) evidenciaram ainda que os habitantes de New Castle atribuíram aos órgãos jornalísticos as funções de explicação dos significados, redução da tensão e reforço da solidariedade. Snyder (1993), num inquérito efectuado a habitantes do estado norte-americano do Connecticut, descobriu que as pessoas mais críticas dos media eram aquelas que mais se opunham à Guerra. Porém, no mesmo estudo o autor descobriu que essa atitude crítica não estava significativamente correlacionada com o conhecimento sobre a crise do Golfo Pérsico, enquanto o envolvimento nas notícias estava.

Lo (1994) salienta que os adolescentes asiáticos que mais conhecimentos denotavam sobre a crise no Golfo foram aqueles que acompanharam a cobertura jornalística pela imprensa, e não aqueles que a acompanharam pela televisão.

Em estudos separados, Gutstadt (1993) e Milavbsky e Galceran (1993) descobriram que as preferências públicas norte-americanas para a aquisição de informação sobre a Guerra do Golfo foram para a televisão, tendo a CNN sido a fonte privilegiada, nomeadamente durante as primeiras 24 horas do conflito e durante as primeiras 24 horas da ofensiva terrestre, embora a sua audiência tivesse decaído depois desses picos, atingindo o nível anterior ao conflito uma semana após o cessar-fogo. Os autores sustentam também que o interesse pelas notícias foi temporário, quer nas televisões, quer nas rádios e na imprensa, e que diversos inquéritos demonstraram que o público creu na cobertura efectuada pelos jornalistas. As conclusões de Pan (1994) apontam, igualmente, para a preferência que o público norte-americano concedeu à TV, particularmente à CNN, enquanto fonte privilegiada de informação sobre a crise no Golfo Pérsico, talvez porque, segundo Kaid (1994), essa estação televisiva tenha privilegiado as reacções ao acontecimento (17,3% das peças) e as acções militares (15,6% das peças), tendo consagrado mais de 29,3 horas de programação ao conflito (entre 16 de Janeiro e 1 de Março de 1991). Wicks e Walker (1993) demonstram mesmo que a CNN se centrou significativamente mais no acontecimento do que na sua análise, ao contrário da NBC, da CBS e da ABC.

Shinar e Stoicu (1992) concluíram, por seu turno, que a performance dos media ocidentais na cobertura da Guerra do Golfo sugere que eles operam sob o controle de forças sociais e de factores psicológicos. Todavia, enquanto o controle social em benefício da ideologia dominante, que teria sido exercido pelos news media ocidentais durante a Guerra do Golfo, teria funcionado, o mesmo não se teria passado no passado com os meios jornalísticos dos antigos países socialistas, que não teriam conseguido impor um controle ideológico à sociedade, apesar dos longos anos que duraram os regimes socialistas na Europa de Leste.

Para Tiffen (1992), a Guerra do Golfo demonstra que a propaganda tem-se tornado uma segunda frente de batalha nas guerras contemporâneas e que os meios jornalísticos, mais velozes, imediatos e intensos do que em guerras precedentes, por consequência, têm-se tornado numa arena, em dois sentidos: em primeiro lugar, a sua cobertura torna-se inevitavelmente um alvo para críticas intensas, embora contraditórias, devido às demandas incompatíveis dos grupos em conflito; em segundo lugar, intensifica-se o conflito entre o desejo militar de controlar a informação e o desejo jornalístico de reportar os eventos de acordo com critérios próprios. Segundo o autor, o sucesso evidenciado pelos militares norte-americanos no controle dos media durante o conflito do Golfo decorreu, essencialmente, dos triunfos no campo de batalha, de onde se extrai a ideia de que, se as forças aliadas tivessem fracassado ou tido um elevado número de vítimas, a cobertura poderia ter sido diferente daquilo que foi.

Hadenius (1992) efectuou uma análise qualitativa do discurso jornalístico predictivo sobre a evolução da Guerra do Golfo em três diários de Estocolmo, tendo descoberto que os jornais criaram uma sensação de medo imediatamente antes da Guerra, enfatizando o facto de que forças inexoráveis estavam a colocar a Suécia perante uma guerra sem paralelo na história. O autor descobriu ainda que, apesar de os militares suecos terem escrito artigos onde procuravam contrabalançar essa sensação de medo, os jornais continuaram a acenar, sem exame atento aos relatórios militares, com um cenário de pesadelo, evocando a possibilidade da ocorrência sem precedentes de actos terroristas e prevendo uma guerra terrestre longa, sangrenta e ameaçadora. Hadenius (1992) realça, ainda, que a competição entre os órgãos de comunicação social suecos favoreceu o sensacionalismo em detrimento do equilíbrio judicioso e que a televisão e os tablóides tenderam a simplificar as notícias, apelando mais aos sentimentos do que à razão. Por outro lado, o autor conclui, igualmente, que a necessidade jornalística de dar à informação sobre a Guerra do Golfo um ângulo local contribuiu para distorcer a cobertura, já que os órgãos jornalísticos suecos enfatizaram os fenómenos que poderiam afectar directamente a Suécia, tais como o terrorismo, secundarizando a cobertura da Guerra em si.

As relações públicas como uma arma da guerra moderna é o tema de um estudo de Hiebert (1993), para quem os campos de batalha incluem, nos dias de hoje, uma frente doméstica mediática que os profissionais de relações públicas associados a políticos e militares procuram gerir. Embora, segundo Hiebert (1993), a propaganda sempre tenha sido parte da guerra, o que foi novo durante a operação Tempestade no Deserto foi a escala sem precedentes a que ela se produziu, numa tentativa de obtenção de apoio público. O autor argumenta, igualmente, que o Iraque perdeu não apenas a guerra militar mas também a guerra mediática, devido, neste último caso, à incapacidade e falta de experiência do país nas práticas clássicas de relações públicas, nomeadamente definição de estratégias políticas, relações com os jornalistas, relações comunitárias, relações com os funcionários administrativos e gestão de crises.

A "teoria" do agenda-setting serviu de base a uma pesquisa de Haney (1993), levada a cabo nos Estados Unidos. O pesquisador descobriu que a hipótese de que os jornais tendem a ser agenda-setters mais poderosos do que a televisão foi fracamente suportada no que respeita ao agendamento de temas sobre a Guerra do Golfo na agenda pública. Por outro lado, o autor descobriu que a hipótese de que é o público que, em certa medida, define a agenda mediática, tendeu a ser confirmada durante o conflito. Todavia, o autor argumenta que os jornais desempenharam um papel mais forte enquanto co-definidores da agenda pública quando foram dissecadas "estórias" específicas sobre a crise do Golfo Pérsico.

Em Desert Storm and the Mass Media, Greenberg e Gantz (1993) editam uma série de ensaios e estudos sobre os discursos protagonizados pela comunicação social durante a crise do Golfo Pérsico. Por exemplo, Gunter e Wober (1993) demonstram que a cobertura da Guerra do Golfo no Reino Unido, dominada pela televisão, provocou a falência dos esquemas de programação, com as notícias sobre a crise a alterarem os horários ou até a forçarem ao cancelamento de programas. Por outro lado, segundo os autores, as imagens das tropas a montarem guarda aos aeroportos terão contribuído para as pessoas ficarem sensação de que a crise rondava as suas casas.

Gantz e Greenberg (1993), por seu turno, realçam que a difusão de notícias sobre o início das hostilidades foi universal e imediata, tal como se esperava, devido ao valor noticioso do acontecimento e à proximidade de alguns jornalistas do local da acção. Porém, as notícias dos ataques de mísseis iraquianos contra Israel, embora rápida e extensivamente difundidas, não foram divulgadas nem universal nem imediatamente. Os autores interpretam o fenómeno argumentando que a notícia teria sido considerada de menor valor noticioso do que o romper da Guerra, pelo que se trataria de um fenómeno previsível.

Num interessante estudo sobre o papel da comunicação interpessoal e as notícias, Greenberg, Cohen e Li (1993) evidenciaram que as pessoas foram mais activas nos locais de trabalho e de comércio do que em casa no que respeita à obtenção de informação inicial sobre o conflito, recorrendo à comunicação interpessoal. Porém, a utilização de contactos interpessoais para obtenção de informação sobre a Guerra decresceu, em favor da rádio e da televisão, à medida que as hostilidades se prolongavam.

Um dado relevante sobre a cobertura da Guerra do Golfo na imprensa norte-americana foi revelado por Fan (1993). Segundo este autor, 46% das notícias sobre o conflito difundidas pela Associated Press e pelo USA Today continham pelo menos um parágrafo onde se tomava posição sobre a verosimilhança da cobertura.

Cheney (1993), por seu turno, realça a utilização da metáfora do estado-pessoa no discurso jornalístico sobre a Guerra, salientando que os news media difundiram a ideia, implícita ou explicitamente, de que, tal como uma criança agressiva e retardada deve ser, respectivamente, punida e observada e controlada, também um país agressivo e atrasado o deve ser.

Analisando os dados de inquéritos efectuados nos Estados Unidos, em Israel e no Reino Unido, Cohen (1993) demonstra que o público dos três países percepcionou o conflito do Golfo como sendo mais severo, complexo e intenso na realidade do que nas notícias, demonstrando, assim, que as pessoas tendem a dissociar os fenómenos reais das suas versões mediáticas.

Na Austrália, Blood (1993) descobriu que a maioria dos cidadãos, particularmente a maioria dos apoiantes do Partido Conservador, apoiava a causa Aliada e a opção militar, sendo a televisão e os jornais os media a que mais se recorreu para se obter informação sobre o conflito. Inversamente, segundo Boyd (1993), nos países árabes terá sido a rádio o medium dominante, tendo-se, inclusivamente, assistido a um aumento acentuado da escuta de rádios ocidentais de onda média e de onda curta. Porém, Al-Makaty, Boyd e Tubergen (1994) descobriram que enquanto os cidadãos sauditas urbanos consideraram as fontes jornalísticas ocidentais mais credíveis acerca daquilo que se passava no Golfo, os cidadãos rurais confiavam mais nas prédicas dos líderes religiosos durante as preces das sextas-feiras, nas cassetes áudio e nas discussões com membros da família mais próxima.

Arant e Warden (1993) analisaram o debate entre jornalistas e militares americanos sobre as restrições impostas à cobertura da Guerra do Golfo, tendo descoberto que ambos os grupos concordavam que os esquemas de reportagem aplicados durante esse conflito deveriam ser reavaliados. Porém, os dois grupos discordavam sobre o papel dos news media na sociedade, particularmente em tempo de guerra. Aliás, Small (1993) faz notar que os valores, as normas e o desenho colectivo da estrutura e da política para os sistemas de comunicação tendem a ser objecto de avaliações críticas em tempos de crise, conforme sucedeu durante a Guerra do Golfo.

Krosnick e Brannon (1993) demonstraram que a performance do Presidente Bush depois da Guerra foi avaliada pelos cidadãos norte-americanos tendo mais em consideração a eficácia do Presidente na gestão do conflito do Golfo do que o seu desempenho doméstico e ao nível das restantes relações internacionais. Parker (1995) chega a uma conclusão semelhante, embora tenha realçado que as avaliações positivas do desempenho de Bush e do Congresso, a confiança no governo federal e as expectativas para o desenvolvimento económico tinham regressado aos níveis anteriores ao despoletar da crise dez meses depois do fim da Guerra do Golfo. Este dado poderá ter trazido como consequência o incentivo político às acções militares em alturas de baixa popularidade, conforme parece ter sucedido durante a actual presidência de Clinton.

Na mesma linha de Krosnick e Brannon (1993), Sigelman et al. (1993) mostraram que o facto de as notícias sobre a Guerra serem optimistas ou pessimistas não tinha grande influência na opinião que os norte-americanos faziam da crise do Golfo e, portanto, do desempenho do Presidente Bush. Porém, tanto os jornalistas, como as fontes militares, como os actores principais Bush, Powell e Schwarzkopf foram mais credíveis e tidos por honestos, conhecedores e dignos de confiança para os norte-americanos que adquiriram informação sobre a Guerra predominantemente pela televisão do que para aqueles que foram buscar essa informação aos jornais (Pinsdorf, 1993). Os americanos que obtiveram informação sobre a guerra predominantemente pela televisão, centrada no acontecimento e não no contexto, terão também apoiado mais a intervenção armada e a política externa de Bush do que aqueles que obtiveram informação sobretudo através de outros meios jornalísticos (Iyengar e Simon, 1993).

Denton (1993) discorre sobre a televisão enquanto instrumento de guerra, argumentando que a TV se tornou num recurso estratégico e numa arma essencial durante a Guerra do Golfo. Para o autor, ao mostrar as "realidades" da guerra (que ele apelida de "história instantânea"), a televisão americana terá contribuído para a construção da ideia de que a guerra estava a ser vencida, tornando-se, portanto, numa peça-chave para os militares, envolvidos não apenas na frente de batalha, mas também numa frente de propaganda interna. Denton (1993) salienta, igualmente, que a ausência de um genuíno debate aberto antes da guerra terá contribuído para o consenso nacional favorável à intervenção militar que o governo e os militares desejavam e necessitavam. Assim sendo - conclui o autor- existe uma diferença substancial entre um debate nacional aberto e a cobertura mediática de um acontecimento, sendo, portanto, duvidoso que o telejornalismo possa funcionar como um árbitro desse debate.

Kellner (1993) aborda igual temática, realçando, ainda, que, na imprensa dos EUA, a demonização de Saddam e a glorificação das tropas e da tecnologia norte-americanas representa o aproveitamento propagandístico de formas de enquadramento (frames) impressos na cultura popular, como aconteceu na II Guerra Mundial, com a demonização de Hitler e das Forças Armadas Alemãs e a representação jornalística da acção militar norte-americana como uma luta do bem contra o mal. Kirton (1994) contextualiza dentro da recuperação do mesmo mito/frame imperante na II Guerra Mundial a acção da imprensa canadiana em favor da intervenção das Forças Armadas do Canadá. Porém, Hibbard e Keenleyside (1995) sustentam que a imprensa canadiana não se terá vergado ao Governo antes da Guerra do Golfo de forma a preparar o público para a participação canadiana na intervenção armada, ao contrário do que a imprensa norte-americana terá feito. Já Rojo (1995), analisando o diário espanhol El Pais, considera que o jornal também demonizou Saddam Hussein, através da contraposição das categorias do "nós" (inclusivo) e do "eles" (exclusivo), que levariam, recuperando conceitos de Foucault, à divisão e rejeição. O El Pais terá criado, inclusivamente, uma imagem do Presidente iraquiano onde ele aparece como o estrangeiro, o estranho, o ser irracional, o homem mau, a besta e a personificação do mal.

Essa noção da divisão entre o "nós" e o "eles" subjaz também a uma pesquisa de Liebes (1992). Ao comparar o tratamento que as televisões americanas e israelitas fizeram da Intifada e da Guerra do Golfo, o autor conclui que, quando o país de um jornalista está em guerra, ele tende a usar frames diferentes na avaliação, selecção, descrição e análise dos acontecimentos. Mais concretamente, os jornalistas de um país em guerra tendem, segundo Liebes (1992), a extirpar o lado oposto, a moderar o sofrimento infringido ao seu próprio lado, a atribuir força idêntica a ambos os lados, a personalizar o seu lado, a demonizar o lado "deles" e a descontextualizar e desculpabilizar as acções agressivas tomadas pelo seu lado. O pesquisador conclui, assim, que os sentimentos de pertença a uma nação e de lealdade se impõem à própria ideologia profissional dos jornalistas, que tendem a aceitar múltiplas pressões quando o seu país está envolvido numa guerra.

No mesmo tom, Bennett e Manheim (1993) salientam que um jornal como o The New York Times circunscreveu o debate e o comentário editorial aos temas propostos pelos meios oficiais. Assim, o alcance da cobertura teria ficado dentro das fronteiras estabelecidas pelo poder político-militar. Consequentemente, os autores concluem que o público não teve acesso a um leque de opiniões e análises suficientemente amplo para permitir uma avaliação mais ponderada da política intervencionista da Administração Bush. Este fenómeno ter-se-á também verificado nos principais jornais do estado norte-americano do Michigan, onde mais de dois terços das principais "estórias" sobre a Guerra não eram equilibradas em termos de contrastação de pontos de vista (Fico, Ku e Soffin, 1994); aliás, a Guerra do Golfo terá sido um dos temas que menos contrastação teve na imprensa de âmbito nacional dos EUA (Fico e Soffin, 1995). Hackett e Zhao (1994) relevam, inclusivamente, que três news frames interpretativos - o inimigo dentro de portas, ódio marginal e controvérsia legítima- enquadraram o tratamento noticioso dos protestos contra a Guerra nos Estados Unidos. A postura do movimento americano contra a guerra, segundo os autores, terá mesmo sido apresentada, tendencialmente, de forma defensiva, como se esse movimento procurasse a legitimação.

Reese e Buckalew (1995) alinham pelo mesmo diapasão. Ao analisarem uma televisão local norte-americana, constrangida pelas suas ligações à comunidade envolvente e pela necessidade de audiência, estes autores encontraram a existência de vários "frames de referência" rotineiramente usados na cobertura da Guerra do Golfo, que serviram para apoiar a política da Administração Bush e para criar uma "ilusão de triunfo". Por exemplo, os "frames de referência" rotineiramente usados opuseram o patriotismo à oposição à guerra e lidaram com os protestos contra a Guerra como uma ameaça à ordem social. Durante o conflito, patriotismo e Forças Armadas foram mesmo estreitamente conectados.

De forma semelhante aos estudos anteriores, Griffin e Lee (1995) demonstram que a cobertura fotojornalística da Guerra do Golfo na Time, na Newsweek e no U.S. News & World Report assentou num limitado leque de imagens, que enfatizaram, sobretudo, uma catalogação do arsenal norte-americano.

A comparação entre os discursos do The New York Times e do Times of India levou Rusciano (1993) a concluir que este último jornal terá sido mais plural e universal na colecta de opiniões sobre a Guerra do Golfo. Porém, ambos os periódicos convergiram após as primeiras oito semanas da crise e ambos enfatizaram a componente moral da condenação da ocupação militar iraquiana do Koweit, realçando o isolamento do Iraque.

Tal como Jowett (1993 a; 1993 b), que sustenta que a propaganda político-militar durante a Guerra do Golfo não foi mais sofisticada do que a da I Guerra Mundial, Woodward (1993) relembra que desde sempre os governos intervieram sobre a imprensa em tempo de guerra. Porém, para o autor, a ausência no terreno e a falta de atenção anteriores à crise protagonizadas pela imprensa norte-americana em relação ao Koweit, Iraque e Arábia Saudita terão contribuído tanto para a capacidade de controle da cobertura jornalística evidenciada pelo Pentágono quanto contribuiu a rejeição da liberdade de imprensa nesses mesmos países.

Um outro autor que discorreu sobre a censura e a actividade jornalística ao longo da História foi Blanchard (1991). Ele salienta que nunca a performance da imprensa custou uma vitória aos Estados Unidos, mas que, pelo contrário, a censura custa a liberdade de imprensa à nação americana. Todavia, ele adverte que são sempre de esperar censura e constrangimentos à cobertura jornalística dos conflitos bélicos. Burch (1995), por seu turno, diz que as questões da ética e da deontologia profissional dos jornalistas têm de ser rapidamente reavaliadas, pois os avanços tecnológicos geram uma dinâmica que tende a ultrapassar essa discussão. A cobertura imediaticista da Guerra do Golfo, protagonizada, sobretudo, pela CNN, fornece a Burch (1995) a âncora da sua argumentação.

Savarese (1993) focou-se na orientação da imprensa europeia imediatamente antes da intervenção militar no Golfo Pérsico, tendo concluído que a cobertura da crise evoluiu segundo estádios previsíveis: 1) surpresa; 2) interesse; 3) rotina; 4) expectativa e espera; e 5) fluxo de informações semelhante às dos acontecimentos mediáticos. Segundo o autor, a imprensa europeia dividiu-se no seu apoio ou no seu repúdio à intervenção militar e, contrariamente às hipóteses colocadas, nem sempre a imprensa tida por mais "conservadora" se revelou mais favorável à intervenção militar e mais "militarista" do que a imprensa tida por "progressista"; pelo contrário, a imprensa "progressista" foi, por diversas vezes, mais favorável à intervenção armada do que a "conservadora".

Kaid (1993) comparou os conteúdos das primeiras páginas de cinco grandes jornais mundiais - Washington Post, London Times, Le Monde, Asahi e Allgemeine Zeitung- , tendo descoberto que o Allgemeine Zeitung foi aquele que inseriu na "um" maior número de "estórias" sobre a Guerra do Golfo, enquanto o Asahi foi aquele que editou menos "estórias" acerca do conflito. O estudo demonstra também uma grande uniformidade de temas e termos em todos os jornais; todavia, o Le Monde foi o único periódico a enfatizar as questões morais que cercavam o conflito, incluindo se se devia ou não intervir militarmente.

A credibilidade das informações e as referências à censura foram correlacionadas por Newhagen (1994 a). Este autor descobriu que as notícias com menção ao facto de terem sido sujeitas a censura eram, apesar disso, moderadamente credíveis entre o público norte-americano (o que pode ser preocupante). Num outro estudo, Newhagen (1994 b) faz referência ao facto de a presença de um censor oficial que nega ou procura alterar os dados difundidos sobre uma ocorrência tende a provocar uma sobrecarga cognitiva que reduz o pensamento elaborado sobre essa ocorrência. O mesmo autor descobriu também que as "estórias" onde um censor oficial negava ou procurava alterar informações eram, geralmente, as peças mais intensas, mais críticas e mais negativas (Newhagen, 1994 c). A CNN terá sido, na versão de Newhagen (1994 c) a estação televisiva que mais "estórias" difundiu com a presença de censores oficiais, apesar de as peças, nessa televisão, tenderem a ser menos intensas, menos críticas e menos negativas do que nas grandes redes nacionais de televisão dos EUA (ABC, CBS e NBC).

Os cartoons representando Saddam Hussein publicados no Washington Post, no Atlanta Constitution, no Chicago Tribune e na Newsweek entre 1 de Agosto de 1990 e 31 de Março de 1991 foram analisados por Conners (1998). Este autor demonstra que as representações cartoonísticas do Presidente iraquiano oscilaram entre as figuras do agressor e do criminoso, sendo mesmo frequentemente desumanizado, encarnando figuras de animais, incluindo aranhas e aves. Conners salienta, assim, que os cartoonistas americanos trabalharam, principalmente, no sentido de garantir suporte para a intervenção americana no Golfo Pérsico e para o Presidente Bush, embora registe que o Presidente americano foi, por vezes, representado como fraco, indeciso e impaciente. Concluindo, o autor destaca que embora Hussein tenha sido representado como o inimigo, o Presidente Bush não foi representado como o herói da Guerra.

Baroody (1998) realizou um estudo interessante sobre as consequências de uma cobertura de guerra em que os jornalistas estavam fisicamente ausentes do teatro de operações, algo que contrariaria, inclusivamente, um traço nítido da cultura jornalística norte-americana (e mundial): estar no local certo no momento certo. Para este autor, essa condição particular da cobertura da Guerra do Golfo influenciou as visões do mundo do público em geral e condicionou a luta simbólica em torno dos significados do conflito.

Todas as circunstâncias e que rodearam a cobertura jornalística da Guerra do Golfo e os seus efeitos terão tido, pelo menos, uma consequência: os jornalistas debateram a sua profissão e redefiniram os contornos para uma prática mais apropriada em tempo de guerra. É esta a conclusão de Zelizer (1992), que aborda a questão realçando o quanto os jornalistas ocidentais debateram o valor, as vantagens e as desvantagens de reportar uma guerra em "tempo real", remando contra a censura e diversos outros constrangimentos, de que o funcionamento em pools é apenas um exemplo. Posso dizer que a minha conclusão é a mesma. Digo-o fundamentando-me naquilo que li, vi e ouvi e na minha própria experiência profissional enquanto estudante de jornalismo e jornalista no período da Guerra do Golfo.

 

 

5. Resultados

Os resultados do estudo são sistematicamente apresentados nas tabelas a seguir inseridas.

A.     Situação nos jornais diários

 

Tabela 1

Informação sobre a Guerra do Golfo nos jornais diários

 

 

Jornal

N.º total

de peças sobre a Guerra

Média diária de peças sobre a Guerra

Espaço

total ocupado por informação sobre a Guerra

(cm2)

Média diária do espaço total ocupado por informação sobre a Guerra

(cm2)

Correio da

Manhã

1.315

(18,4%)

30,6

592.923

(10,5%)

13.788,9

O Comércio do Porto

1.178

(19,7%)

27.4

313.891

(14,9%)

7.299,8

Diário de Notícias

1.359

(15,9%)

31.6

494.424

(12,2%)

11568,2

Jornal de Notícias

1.247

(14,2%)

29

380.455

(12,7%)

8.847,8

O Primeiro de Janeiro

1.011

(17,2%)

23,5

246.093

(11,9%)

5723,1

Público

1.308

(19,3%)

30,4

521.203

(21%)

12.121,1

Nota: A negro carregado, entre parênteses, indica-se a percentagem do n.º de peças sobre a guerra e a percentagem do espaço que elas ocupam no total da informação.

 

 

Tabela 2

Tipo de peças sobre a Guerra do Golfo nos jornais diários (n.º de peças)

 

Jornal

Peças essencialmente descritivas/

reportativas

Peças

essencialmente documentais

Peças

essencialmente analíticas

Peças

essencialmente opinativas

Correio da Manhã

1.214

(92,3%)

51

(3,9%)

12

(0,9%)

38

(2,9%)

O Comércio do Porto

1.016

(86,2%)

95

(8,1%)

18

(1,5%)

49

(4,2%)

Diário de Notícias

901

(66,3%)

159

(11,7%)

136

(10%)

163

(12%)

Jornal de Notícias

1.089

(87,3%)

73

(5,8%)

46

(3,8%)

39

(3,1%)

O Primeiro de Janeiro

882

(87,2%)

51

(5,1%)

21

(2,1%)

57

(5,6%)

Público

966

(73,8%)

155

(11,9%)

105

(8%)

82

(6,3%)

Nota: A negro carregado, entre parênteses, indica-se a percentagem, em função do total de peças sobre a Guerra.

 

Tabela 3

Tipo de peças sobre a Guerra do Golfo nos jornais diários (espaço ocupado em cm2)

 

Jornal

Peças essencialmente descritivas/

reportativas

Peças

essencialmente documentais

Peças

essencialmente analíticas

Peças

essencialmente opinativas

Correio da Manhã

494.605

(83,4%)

67.258

(11,3%)

9.260

(1,6%)

21.800

(3,7%)

O Comércio do Porto

237.348

(75,6%)

47.236

(15%)

10.149

(3,2%)

19.158

(6,2%)

Diário de Notícias

186.422

(37,7%)

104.146

(21,1%)

93.272

(18,9%)

110.584

(22,3%)

Jornal de Notícias

269.340

(70,8%)

53.934

(14,2%)

20.631

(5,4%)

36.550

(9,6%)

O Primeiro de Janeiro

192.844

(78,4%)

23.836

(9,7%)

12.837

(5,2%)

16.576

(6,7%)

Público

277.462

(53,2%)

94.966

(18,2%)

92.461

(17,7%)

56.314

(10,9%)

Nota: A negro carregado, entre parênteses, indica-se a percentagem, em função do espaço total ocupado por peças sobre a Guerra.

 

Tabela 4

Origem das peças sobre a Guerra nos jornais diários

 

 

Ori-gem

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

178

109.820

1.178

313.891

1.359

494.424

292

161.994

1.011

246.093

1.308

521.203

Não men-ciona-da e

inde-

termi-

nável

 

143

(80,3%)

 

87.747

(79,9%)

 

990

(84%)

 

246.087

(78,4%)

 

810

(59,6%)

 

175.212

(35,4%)

 

216

(74%)

 

120.550

(74,4%)

 

644

(63,7%)

 

109.779

(44,6%)

 

407

(31,1%)

 

156.216

(29,9%)

Produ-ção pró-pria ou mista

 

27

(15,2%)

 

16.893

(15,4%)

 

124

(10,5%)

 

44.328

(14,1%)

 

405

(29,8%)

 

165.375

(33,4%)

 

40

(13,7%)

 

16.468

(10,2%)

 

180

(17,8%)

 

58.260

(23,7%)

 

 

759

(58%)

 

301.430

(57,8%)

Produ-ção não pró-pria

jorna-lística

nacio-nal

 

 

-

 

 

-

 

 

26

(2,2%)

 

 

13.530

(4,3%)

 

 

4

(0,3%)

 

 

1.950

(0,4%)

 

 

15

(5,1%)

 

 

11.990

(7,4%)

 

 

89

(8,8%)

 

 

33.912

(13,8%)

 

 

48

(3,7%)

 

 

 

18.718

(3,6%)

Produ-ção jorna-lística

estran-geira

 

6

(3,4%)

 

4.389

(4%)

 

 

12

(1%)

 

3.800

(1,2%)

 

93

(6,8%)

 

94.575

(19,1%)

 

4

(1,4%)

 

1.292

(0,8%)

 

57

(5,6%)

 

36.168

(14,7%)

 

 

87

(6,7%)

 

41.316

(7,9%)

Produ-ção não pró-pria

não

jorna-lística

nacio-nal

 

 

 

-

 

 

 

 

-

 

 

 

5

(0,4%)

 

 

 

1.204

(0,4%)

 

 

 

46

(3,4%)

 

 

 

55.850

(11,3%)

 

 

 

1

(0,3%)

 

 

 

402

(0,2%)

 

 

 

32

(3,2%)

 

 

 

6.180

(2,5%)

 

 

 

3

(0,3%)

 

 

 

1.655

(0,3%)

Produ-ção não pró-pria

não

jorna-lística

estran-geira

 

 

 

1

(0,6%)

 

 

 

214

(0,2%)

 

 

 

20

(1,7%)

 

 

 

4.754

(1,5%)

 

 

 

1

(0,1%)

 

 

 

1.462

(0,4%)

 

 

 

16

(5,5%)

 

 

 

11.292

(7%)

 

 

 

9

(0,9%)

 

 

 

1.794

(0,7%)

 

 

 

3

(0,3%)

 

 

 

1.868

(0,4%)

Revis-tas

milita-res

1

(0,6%)

577

(0,5%)

1

(0,08%)

188

(0,06%)

-

-

-

-

-

-

-

-

*Dados apenas referentes ao período entre 8 e 28 de Fevereiro de 1991.

 

Tabela 5

Artigos de opinião sobre a Guerra de líderes políticos nos jornais diários

 

 

Arti-gos

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

1

214

25

5.957

10

8.775

17

11.694

10

3089

6

3.523

Líde-res

políti-cos de Portu-gal

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

5

(20%)

 

1.203

(20,2%)

 

10

(100%)

 

8.775

(100%)

 

1

(5,9%)

 

402

(3,4%)

 

9

(90%)

 

2.556

(82,8%)

 

3

(50%)

 

1.655

(46,8%)

Líde-res

políti-cos dos

EUA e outros

países

oci-den-tais

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

13

(52%)

 

 

 

2.623

(44%)

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

13

(76,4%)

 

 

 

10.203

(87,2%)

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

0

(0%)

 

 

 

2

(33,3%)

 

 

 

1.036

(29,4%)

Líde-res

políti-cos

do Iraque

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

2

(8%)

 

 

296

(5%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

2

(11,8%)

 

803

(6,9%)

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Líde-res

políti-cos de outros países da Coli-gação

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

1

(4%)

 

 

289

(4,8%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

1

(5,9%)

 

 

286

(2,4%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

Líde-res

políti-cos

de Israel

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Líde-res

políti-cos de outros países e da ONU

 

 

1

(100%)

 

 

1

(100%)

 

 

4

(16%)

 

 

1.546

(25,9%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

1

(10%)

 

 

533

(17,2%)

 

 

1

(16,7%)

 

 

832

(23,8%)

*Dados apenas referentes ao período entre 8 e 28 de Fevereiro de 1991.

 

Tabela 6

Tom predominante das peças sobre a Guerra nos jornais diários

Tom

predo-minan-te

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

Tom positi-vo para o Iraque

1

(0,6%)

1.339

(1,2%)

9

(0,8%)

3.144

(1%)

5

(0,4%)

4.022

(0,8%)

6

(2%)

1.118

(0,7%)

18

(1,8%)

7.785

(3,2%)

20

(1,5%)

8.346

(1,6%)

Tom negati-vo para o Iraque

6

(3,4%)

1.849

(1,7%)

43

(3,6%)

12.960

(4,1%)

4

(0,3%)

3.290

(0,7%)

15

(5,1%)

6.844

(4,2%)

84

(8,3%)

38.568

(15,6%)

46

(3,5%)

25.702

(4,9%)

Tom positi-vo para a Coli-gação e a inter-venção

 

 

9

(5%)

 

 

4.821

(4,4%)

 

 

17

(1,4%)

 

 

 

7.246

(2,3%)

 

 

11

(0,8%)

 

 

11.700

(2,4%)

 

 

6

(2%)

 

 

2.144

(1,3%)

 

 

 

46

(4,5%)

 

 

24.270

(9,9%)

 

 

72

(5,5%)

 

 

48.612

(9,3%)

Tom negati-vo para a Coli-gação e a inter-venção

 

 

1

(0,6%)

 

 

313

(0,3%)

 

 

3

(0,2%)

 

 

2.538

(0,8%)

 

 

0

(0%)

 

 

0

(0%)

 

 

4

(1,4%)

 

 

2.828

(1,7%)

 

 

15

(1,4%)

 

 

7.320

(3%)

 

 

33

(2,5%)

 

 

19.490

(3,7%)

Nota: as percentagens foram calculadas em função do número total de peças sobre a Guerra e do espaço que elas ocuparam.

*Dados apenas referentes ao período entre 8 e 28 de Fevereiro de 1991.

 

Tabela 7

Conteúdo principal das peças sobre a Guerra nos jornais diários

 

 

Tema

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º*

Espaço*

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

1

5

(2,7%)

5.798

(5,3%)

10

(0,8%)

3.772

(1,2%)

18

(1,3%)

16.938

(3,4%)

12

(4,1%)

9.354

(5,8%)

29

(2,9%)

10.120

(4,1%)

18

(1,4%)

13.794

(2,6%)

2

2

(1,1%)

1.748

(1,6%)

4

(0,3%)

1.496

(0,5%)

3

(0,2%)

610

(0,1%)

5

(1,7%)

2.956

(1,8%)

24

(2,4%)

8.528

(3,5%)

16

(1,2%)

8.752

(1,7%)

3

6

(3,4%)

6.746

(6,1%)

3

(0,2%)

958

(0,3%)

17

(1,2%)

14.916

(3%)

9

(3%)

8.021

(5%)

19

(1,9%)

6.875

(2,8%)

12

(0,9%)

8.524

(1,6%)

4

7

(3,9%)

8.670

(7,9%)

10

(0,8%)

3.312

(1%)

51

(3,7%)

34.118

(6,9%)

11

(3,8%)

8.466

(5,2%)

28

(2,8%)

9.843

(4%)

43

(3,3%)

28.798

(5,5%)

5

2

(1,1%)

1.386

(1,3%)

5

(0,4%)

2.492

(0,8%)

4

(0,3%)

2.560

(0,5%)

1

(0,3%)

766

(0,5%)

2

(0,2%)

2.120

(0,9%)

10

(0,8%)

2.422

(0,5%)

6

16

(9%)

14.523

(13,2%)

4

(0,3%)

2.110

(0,7%)

12

(0,9%)

6.968

(1,4%)

2

(0,7%)

1.802

(1,1%)

13

(1,3%)

6.180

(2,5%)

23

(1,7%)

14.771

(2,8%)

7

3

(1,7%)

2.310

(2,1%)

2

(0,2%)

660

(0,2%)

1

(0,07%)

731

(0,1%)

3

(1%)

860

(0,5%)

6

(0,6%)

2.102

(0,8%)

12

(0,9%)

8.906

(1,7%)

8

10

(5,6%)

6.580

(6%)

8

(0,7%)

6.838

(2,2%)

22

(1,6%)

14.718

(3%)

0

(0%)

0

(0%)

11

(1,1%)

6.840

(2,8%)

19

(1,4%)

13.626

(2,6%)

9

2

(1,1%)

295

(0,3%)

16

(1,3%)

10.052

(3,2%)

41

(3%)

20.541

(4,1%)

3

(1%)

1.792

(1,1%)

16

(1,6%)

4.745

(1,9%)

31

(2,4%)

12.794

(2,4%)

10

8

(4,5%)

6.238

(5,7%)

16

(1,3%)

8.992

(2,9%)

37

(2,7%)

16.081

(3,2%)

6

(2%)

3.252

(2%)

16

(1,6%)

6.503

(2,6%)

23

(1,7%)

12.098

(2,3%)

11

1

(0,6%)

513

(0,5%)

7

(0,6%)

4.560

(1,4%)

33

(2,4%)

11.231

(2,3%)

3

(1%)

1.393

(0,8%)

11

(1,1%)

2.004

(0,8%)

29

(2,2%)

6.075

(1,2%)

12

0

(0%)

0

(0%)

8

(0,7%)

2.604

(0,8%)

7

(0,5%)

2.194

(0,4%)

1

(0,3%)

1.295

(0,8%)

6

(0,6%)

2.205

(0,9%)

16

(1,2%)

7.920

(1,5%)

13

7

(3,9%)

3.161

(2,9%)

18

(1,5%)

4.808

(1,5%)

22

(1,6%)

10.210

(2%)

11

(3,8%)

6.414

(3,9%)

15

(1,5%)

4.673

(1,9%)

24

(1,8%)

9.924

(1,9%)

14

2

(1,1%)

1.220

(1,1%)

15

(1,3%)

5.998

(1,9%)

43

(3,2%)

19.798

(4%)

2

(0,7%)

1.073

(0,7%)

9

(0,9%)

4.656

(1,9%)

35

(2,7%)

13.112

(2,5%)

15

0

(0%)

0

(0%)

8

(0,7%)

1.630

(0,5%)

14

(1%)

9.920

(2%)

19

(6,5%)

9.713

(6%)

16

(1,6%)

7.890

(3,2%)

10

(0,8%)

1.984

(0,4%)

16

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,1%)

1.950

(0,4%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

5

(0,4%)

1.200

(0,2%)

17

0

(0%)

0

(0%)

5

(0,4%)

1.998

(0,6%)

7

(0,5%)

4.225

(0,8%)

3

(1%)

1.185

(0,7%)

5

(0,5%)

1.420

(0,6%)

6

(0,4%)

2.636

(0,5%)

18

3

(1,7%)

1.715

(1,6%)

5

(0,4%)

1.368

(0,4%)

9

(0,7%)

4.338

(0,9%)

3

(1%)

1.452

(0,9%)

3

(0,3%)

816

(0,3%)

2

(0,1%)

1.206

(0,2%)

19

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

7

(0,5%)

4.703

(0,9%)

2

(0,7%)

277

(0,2%)

1

(0,1%)

648

(0,3%)

1

(0,07%)

2.032

(0,4%)

20

1

(0,6%)

858

(0,8%)

2

(0,2%)

192

(0,06%)

4

(0,3%)

2.194

(0,4%)

3

(1%)

824

(0,5%)

4

(0,4%)

2.900

(1,2%)

4

(0,3%)

1.816

(0,3%)

21

0

(0%)

0

(0%)

1

(0,08%)

56

(0,01%)

5

(0,4%)

3.046

(0,6%)

1

(0,3%)

84

(0,05%)

2

(0,2%)

350

(0,1%)

4

(0,3%)

1.367

(0,3%)

22

2

(1,1%)

2.506

(2,3%)

2

(0,2%)

1.036

(0,3%)

7

(0,5%)

4.570

(0,9%)

5

(1,7%)

1.440

(0,9%)

5

(0,5%)

2.796

(1,1%)

10

(0,8%)

2.228

(0,4%)

23

0

(0%)

0

(0%)

1

(0,08%)

56

(0,01%)

3

(0,2%)

3.656

(0,7%)

3

(1%)

1.247

(0,8%)

5

(0,5%)

2.722

(1,1%)

7

(0,5%)

1.260

(0,2%)

24

17

(9,6%)

11.943

(10,8%)

29

(2,5%)

12.672

(4%)

28

(2%)

16.450

(3,3%)

4

(1,4%)

3.632

(2,2%)

32

(3,2%)

15.578

(6,3%)

30

(2,3%)

15.208

(2,9%)

25

4

(2,2%)

3.264

(3%)

24

(2%)

9.254

(2,9%)

66

(4,8%)

36.111

(7,3%)

14

(4,8%)

12.278

(7,6%)

58

(5,7%)

19.832

(8%)

48

(3,7%)

30.906

(5,9%)

26

3

(1,7%)

1.731

(1,6%)

38

(3,2%)

19.986

(6,4%)

54

(4%)

33.186

(6,7%)

25

(8,6%)

15.079

(9,3%)

41

(4%)

17.250

(7%)

27

(2,1%)

29.190

(5,6%)

27

2

(1,1%)

588

(0,5%)

25

(2,1%)

9.094

(2,9%)

14

(1%)

10.284

(2%)

1

(0,3%)

1.501

(0,9%)

15

(1,5%)

5.965

(2,4%)

27

(2,1%)

7.074

(1,3%)

28

2

(1,1%)

1.306

(1,2%)

4

(0,3%)

1.578

(0,5%)

8

(0,6%)

4.215

(0,8%)

1

(0,3%)

176

(0,1%)

6

(0,6%)

2.668

(1,1%)

6

(0,4%)

2.138

(0,4%)

29

2

(1,1%)

1.780

(1,6%)

15

(1,3%)

4.300

(1,4%)

6

(0,4%)

4.680

(0,9%)

5

(1,7%)

2.638

(1,6%)

6

(0,6%)

1.732

(0,7%)

20

(1,5%)

7.605

(1,4%)

30

2

(1,1%)

1.295

(1,2%)

9

(0,8%)

3.482

(1,1%)

2

(0,1%)

975

(0,2%)

3

(1%)

840

(0,5%)

2

(0,2%)

417

(0,2%)

6

(0,4%)

3.160

(0,6%)

31

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

4

(0,3%)

2.681

(0,5%)

2

(0,7%)

1.395

(0,9%)

4

(0,4%)

2.389

(1%)

5

(0,4%)

2.181

(0,4%)

32

1

(0,6%)

891

(0,8%)

6

(0,5%)

3.142

(1%)

12

(0,9%)

8.528

(1,7%)

4

(1,4%)

1.530

(0,9%)

6

(0,6%)

3.504

(1,4%)

6

(0,4%)

4.641

(0,9%)

33

0

(0%)

0

(0%)

14

(1,2%)

5.380

(1,7%)

5

(0,4%)

4.216

(0,8%)

0

(0%)

0

(0%)

3

(0,3%)

571

(0,2%)

16

(1,2%)

5.530

(1,1%)

34

0

(0%)

0

(0%)

3

(0,2%)

1.396

(0,4%)

2

(0,1%)

1.462

(0,3%)

1

(0,3%)

851

(0,5%)

4

(0,4%)

1.464

(0,6%)

2

(0,1%)

1.554

(0,3%)

35

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,2%)

833

(0,3%)

7

(0,5%)

5.176

(1%)

2

(0,7%)

982

(0,6%)

5

(0,5%)

2.785

(1,1%)

20

(1,5%)

9.600

(1,8%)

36

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

5

(0,4%)

3.656

(0,7%)

2

(0,7%)

1.062

(0,6%)

1

(0,1%)

551

(0,2%)

1

(0,07%)

858

(0,2%)

37

1

(0,6%)

429

(0,4%)

2

(0,2%)

446

(0,1%)

9

(0,7%)

6.043

(1,2%)

3

(1%)

4.404

(2,7%)

4

(0,4%)

1.993

(0,8%)

7

(0,5%)

1.864

(0,3%)

38

2

(1,1%)

1.345

(1,2%)

6

(0,5%)

1.450

(0,5%)

8

(0,6%)

6.775

(1,4%)

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,2%)

1.153

(0,5%)

6

(0,4%)

3.938

(0,7%)

39

10

(5,6%)

2.779

(2,5%)

25

(2,1%)

9.010

(2,9%)

12

(0,9%)

8.360

(1,7%)

4

(1,4%)

4.367

(2,7%)

16

(1,6%)

5.960

(2,4%)

16

(1,2%)

7.825

(1,5%)

40

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,2%)

850

(0,3%)

2

(0,1%)

2.194

(0,4%)

3

(1%)

787

(0,5%)

2

(0,2%)

820

(0,3%)

4

(0,3%)

2.746

(0,5%)

41

2

(1,1%)

802

(0,7%)

9

(0,8%)

4.340

(1,4%)

18

(1,3%)

14.694

(3%)

9

(3%)

4.858

(3%)

8

(0,8%)

2.628

(1,1%)

12

(0,9%)

4.502

(0,9%)

42

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,2%)

576

(0,2%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

0

(0%)

5

(0,4%)

1.790

(0,3%)

43

0

(0%)

0

(0%)

9

(0,8%)

3.224

(1%)

9

(0,7%)

4.875

(1%)

2

(0,7%)

1.160

(0,7%)

8

(0,8%)

1.448

(0,6%)

20

(1,5%)

4.344

(0,8%)

44

0

(0%)

0

(0%)

3

(0,2%)

1.480

(0,5%)

3

(0,9%)

3.456

(0,7%)

6

(2%)

2.898

(1,8%)

6

(0,6%)

2.340

(0,9%)

13

(1%)

12.198

(2,3%)

45

53

(29,8%)

17.400

(15,8%)

801

(68%)

156.480

(49,8%)

716

(52,7%)

105.200

(21,3%)

93

(31,8%)

37.890

(23,3%)

536

(53%)

55.109

(22,4%)

651

(49,8%)

184.926

(35,5%)

Lista de temas: 1) Arsenal aliado; 2) Arsenal iraquiano; 3) Acção ou descrição das Forças Armadas do Iraque; 4) Acção ou descrição das Forças Armadas da Coligação (excluindo Portugal); 5) Acção ou descrição das Forças Armadas Portuguesas; 6) Combate - Ponto de vista Aliado; 7) Combate - Ponto de vista iraquiano; 8) Combate - vários pontos de vista; 9) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos portugueses; 10) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos americanos; 11) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos da Coligação; 12) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos israelitas; 13) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos iraquianos; 14) Acções, intervenções e perfis de líderes políticos de outros países; 15) Acções, intervenções e perfis de líderes da ONU e outras organizações internacionais; 16) Acções, intervenções e perfis de líderes militares portugueses; 17) Acções, intervenções e perfis de líderes militares americanos; 18) Acções, intervenções e perfis de líderes militares da Coligação; 19) Acções, intervenções e perfis de líderes militares israelitas; 20) Acções, intervenções e perfis de líderes militares iraquianos; 21) Acções, intervenções e perfis de líderes militares de outros países; 22) Acções, intervenções e perfis de líderes religiosos cristãos; 23) Acções, intervenções e perfis de líderes religiosos muçulmanos; 24) Situação económica - análises, opiniões, descrições, conjecturas e prognósticos; 25) Situação política e político-militar/relações internacionais - análises, opiniões, descrições, conjecturas e prognósticos; 26) Situação militar - análises, opiniões, descrições, conjecturas e prognósticos; 27) Vida civil em Portugal (excluindo manifestações); 28) Vida civil nos EUA (excluindo manifestações); 29) Vida civil no Iraque (excluindo manifestações); 30) Vida civil nos países do Ocidente (excluindo manifestações); 31) Vida civil nos países não ocidentais da Coligação (excluindo manifestações); 32) Vida civil em Israel (excluindo manifestações); 33) Vida civil noutros países (excluindo manifestações); 34) Manifestações contra a guerra em Portugal; 35) Manifestações contra a guerra nos EUA e países ocidentais; 36) Manifestações contra a guerra nos países não ocidentais da Coligação; 37) Manifestações contra a guerra noutros países; 38) Manifestações no Iraque contra Israel e contra a intervenção aliada; 39) Destruição no Iraque; 40) Destruição nos países da Coligação; 41) Destruição em Israel; 42) Segurança e potenciais ou reais ameaças terroristas a Portugal; 43) Segurança e potenciais ameaças terroristas ao Ocidente em geral; 44) Censura e outros constrangimentos à cobertura jornalística da Guerra do Golfo; 45) Outro tema ou vários temas (situação global (política, militar, económica, etc.), acção da CNN e outros media, impacto ambiental da Guerra e dos incêndios nos poços petrolíferos, "aventuras e desventuras" dos jornalistas, cronologias, artigos documentais, artigos de opinião, etc.).

*Dados apenas referentes ao período entre 8 e 28 de Fevereiro de 1991.

 

Tabela 8

Fontes usadas nos jornais diários

(Amostra das edições dos dias 17 e 25 de Janeiro e 2, 10, 18 e 26 de Fevereiro de 1991)

Fontes

Correio da Manhã

O Comércio

do Porto

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

O Primeiro de Janeiro

Público

-

N.º de orações*

N.º de orações

N.º de orações

N.º de orações*

N.º de orações

N.º de orações

O próprio jornalista ou membro da direcção do jornal

766

(54,5%)

1.230

(57,8%)

2.056

(56%)

903

(47,8%)

960

(43,7%)

3.090

(67,6%)

O próprio colunista, articulista ou opinador

133

(9,5%)

201

(9,4%)

232

(6,3%)

138

(7,3%)

160

(7,3%)

230

(5%)

Líderes políticos portugueses

0

(0%)

168

(7,9%)

260

(7,2%)

21

(1,1%)

240

(10,9%)

180

(3,9%)

Líderes políticos americanos e ocidentais

99

(12,9%)

128

(6%)

134

(3,6%)

87

(4,7%)

280

(12,7%)

360

(7,9%)

Líderes políticos iraquianos

48

(3,4%)

84

(4%)

68

(1,8%)

42

(2,2%)

220

(10%)

74

(1,6%)

Líderes políticos israelitas

42

(3%)

20

(0,9%)

38

(1%)

21

(1,1%)

26

(1,2%)

30

(0,7%)

Líderes políticos de outros países da Coligação

6

(0,4%)

42

(2%)

70

(1,9%)

39

(2%)

44

(2%)

29

(0,6%)

Líderes políticos de outros países

0

(0%)

16

(0,7%)

78

(2,1%)

27

(1,4%)

20

(0,9%)

48

(1,1%)

Líderes militares portugueses

0

(0%)

6

(0,3%)

4

(0,1%)

0

(0%)

1

(0,04%)

0

(0%)

Líderes militares americanos e ocidentais

27

(1,9%)

32

(1,5%)

42

(1,1%)

27

(1,4%)

31

(1,4%)

80

(1,8%)

Líderes militares iraquianos

18

(1,3%)

6

(0,3%)

14

(0,4%)

27

(1,4%)

2

(0,09%)

8

(0,2%)

Líderes militares israelitas

3

(0,2%)

8

(0,4%)

22

(0,6%)

0

(0%)

0

(0%)

6

(0,1%)

Líderes militares de outros países da Coligação

0

(0%)

12

(0,6%)

26

(0,7%)

0

(0%)

10

(0,5%)

0

(0%)

Líderes militares de outros países

0

(0%)

0

(0%)

6

(0,2%)

15

(0,8%)

5

(0,2%)

10

(0,2%)

Fontes não identificadas portuguesas

0

(0%)

0

(0%)

20

(0,5%)

0

(0%)

18

(0,8%)

16

(0,4%)

Fontes não identificadas americanas e ocidentais

0

(0%)

0

(0%)

8

(0,2%)

81

(4,3%)

6

(0,3%)

20

(0,4%)

Fontes não identificadas iraquianas

6

(0,4%)

0

(0%)

6

(0,2%)

6

(0,3%)

3

(0,1%)

15

(0,3%)

Fontes não identificadas israelitas

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,1%)

6

(0,3%)

1

(0,04%)

14

(0,3%)

Fontes não identificadas de outros países da Coligação

0

(0%)

0

(0%)

28

(0,8%)

54

(2,9%)

1

(0,04%)

0

(0%)

Fontes não identificadas de outros países

15

(1,1%)

0

(0%)

8

(0,2%)

3

(0,2%)

0

(0%)

2

(0,04%)

Pessoas comuns portuguesas

18

(1,3%)

32

(1,5%)

30

(0,8%)

6

(0,3%)

8

(0,4%)

32

(0,7%)

Pessoas comuns americanas e ocidentais

18

(1,3%)

12

(0,6%)

8

(0,2%)

18

(0,9%)

25

(1,1%)

40

(0,9%)

Pessoas comuns iraquianas

24

(1,7%)

18

(0,8%)

6

(0,2%)

30

(1,7%)

6

(0,3%)

52

(1,1%)

Pessoas comuns israelitas

12

(0,8%)

16

(0,7%)

22

(0,6%)

9

(0,5%)

4

(0,2%)

28

(0,6%)

Pessoas comuns de outros países da Coligação

0

(0%)

8

(0,4%)

74

(2%)

3

(0,2%)

2

(0,09%)

0

(0%)

Pessoas comuns de outros países

0

(0%)

0

(0%)

6

(0,2%)

15

(0,8%)

2

(0,09%)

6

(0,1%)

Outras fontes portuguesas

0

(0%)

23

(1,1%)

6

(0,2%)

147

(7,8%)

20

(0,9%)

25

(0,5%)

Outras fontes americanas e ocidentais

66

(4,7%)

40

(1,9%)

110

(3%)

51

(2,7%)

49

(2,2%)

96

(2,1%)

Outras fontes iraquianas

57

(4%)

24

(1,1%)

24

(0,6%)

27

(1,4%)

13

(0,6%)

8

(0,2%)

Outras fontes israelitas

0

(0%)

0

(0%)

2

(0,1%)

0

(0%)

0

(0%)

28

(0,6%)

Outras fontes de outros países da Coligação

27

(1,9%)

0

(0%)

156

(4,2%)

39

(2%)

17

(0,8%)

4

(0,09%)

Outras fontes de outros países

21

(1,5%)

0

(0%)

108

(2,9%)

45

(2,4%)

21

(10%)

45

(1%)

*Dados apenas referentes aos dias 10, 18 e 26 de Fevereiro de 1991.

 

Tabela 9

Imagens da Guerra do Golfo nos jornais diários

 

 

 

 

 

Jornal

 

 

 

 

Imagens

(n.º total)

 

 

 

Imagens

(espaço ocupado em cm2)

% do espaço

de infor-mação

sobre a

Guer-ra ocupa-do por

ima-gens

 

 

 

 

Fotos

(n.º)

 

 

 

Fotos

(espa-ço)

(cm2)

 

 

 

Info-grá-ficos e mapas

(n.º)

 

 

Info-grá-

ficos e

mapas

(espaço)

(cm2)

 

 

 

Car-toons

(n.º)

 

 

Car-toons (espa-ço)

(cm2)

 

 

 

Ima-gens da TV

(n.º)

 

 

Ima-gens da TV

(espa-ço)

(cm2)

Correio da

Manhã

678

(15,8/

dia)

130.390

(3.032,3/

dia)

22%

646

(95,3%)

120.510

(92,4%)

22

(3,2%)

7.766

(5,9%)

2

(0,3%)

320

(0,3%)

8

(1,2%)

1.794

(1,4%)

O Comércio

do Porto

592

(13,8/

dia)

99.960

(2.324,7/

dia)

31,8%

583

(98,5%)

97.331

(97,4%)

2

(0,3%)

634

(0,6%)

0

(0%)

0

(0%)

7

(1,2%)

1.995

(2%)

Diário de Notícias

664

(15,4/

dia)

174.288

(4.053,2/

dia)

35,3%

511

(76,9%)

113.963

(65,4%)

92

(13,9%)

36.278

(20,8%)

35

(5,3%)

18.782

(10,8%)

26

(3,9%)

5.265

(3%)

Jornal de Notícias

622

(14,5

dia)

119.320

(2.774,9/

dia)

31,4%

559

(89,9%)

108.981

(91,3%)

33

(5,3%)

6.315

(5,3%)

5

(0,8%)

692

(0,6%)

25

(4%)

3.332

(2,8%)

O Primeiro

de Janeiro

480

(11,2/

dia)

81.700

(1.900/

dia)

33,2%

405

(84,4%)

54.016

(66,1%)

45

(9,3%)

22.340

(27,3%)

25

(5,2%)

4.554

(5,6%)

5

(1%)

790

(1%)

Público

599

(13,9/

dia)

137.547

(2.847/

dia)

26,4%

474

(79,1%)

101.424

(73,7%)

79

(13,2%)

22.411

(16,3%)

8

(1,3%)

1.510

(1,1%)

38

(6,4%)

12.202

(8,9%)

Nota: A negro carregado, entre parênteses, indica-se, nas duas primeiras colunas, a média diária; indicam-se igualmente entre parênteses, nas últimas oito colunas, as percentagens de fotos, de cartoons, de infográficos e mapas e de imagens da TV no total de imagens, em relação ao número e ao espaço ocupado.

 

Tabela 10

Origem das imagens de TV aproveitadas pelos jornais diários

 

 

Ori-gem

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de

Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

 

Públi-co

 

Públi-co

-

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

8

1.794

7

1.995

26

5.265

25

3.332

5

790

38

12.202

Não men-ciona-da e

inde-

termi-

nável

 

2

(25%)

 

 

763

(42,5%)

 

4

(57,1%)

 

1.704

(85,4%)

 

8

(30,8%)

 

1.300

(24,7%)

 

16

(64%)

 

1.917

(57,5%)

 

1

(20%)

 

216

(27,3%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Produ-ção nacio-nal

-

-

-

-

-

-

-

-

1

(20%)

213

(26,9%)

3

(7,9%)

812

(6,6%)

Produ-ção estran-geira

6

(75%)

1.031

(57,5%)

3

(42,9%)

291

(14,6%)

18

(69,2%)

3.965

(75,3%)

9

(36%)

1.415

(42,5%)

3

(60%)

361

(45,7%)

35

(92,1%)

11.390

(93,4%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Meios não jor-nalís-

ticos

oci-dentais

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Meios não jor-nalís-

ticos

iraqui-anos

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Meios não jor-nalís-

ticos

árabes/islâ-micos

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Meios não jor-nalís-

ticos

israe-litas

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

CNN

5

(62,5%)

926

(51,6%)

3

(42,9%)

291

(14,6%)

13

(50%)

2.925

(55,6%)

6

(24%)

921

(27,6%)

3

(60%)

361

(45,7%)

9

(23,7%)

1.289

(10,6%)

RTP

-

-

-

-

-

-

-

-

1

(20%)

213

(26,9%)

3

(7,9%)

812

(6,6%)

Outras

TV’s

oci-dentais

1

(12,5%)

105

(5,9%)

-

-

-

-

1

(4%)

225

(6,7%)

-

-

21

(55,3%)

8.841

(73,4%)

TV ira-quiana

-

-

-

-

5

(19,2%)

1.040

(19,7%)

2

(8%)

269

(8,1%)

-

-

4

(10,5%)

980

(8%)

Outras

TV’s árabes ou islâ-micas

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

 

-

1

(2%)

280

(1,4%)

TV’s

israeli-tas

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

0

(0%)

0

(0%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ima-gens TV com men-ção a censu-ra

 

1

(12,5%)

 

105

(5,9%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

2

(5,3%)

 

320

(2,6%)

Nota: quando me refiro a meios jornalísticos ou não jornalísticos ocidentais não incluo os portugueses.

 

Tabela 11

Origem dos mapas e infográficos nos jornais diários

 

 

Ori-gem

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

22

7.766

2

634

92

36.278

33

6.315

45

22.340

79

22.411

Não men-ciona-da e

inde-

termi-

nável

 

11

(50%)

 

2.254

(29%)

 

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

27

(29,3%)

 

11.822

(32,6%)

 

30

(90,9%)

 

5.851

(92,6%)

 

42

(93,3%)

 

21.526

(96,4%)

 

51

(64,5%)

 

16.621

(74,2%)

Produ-ção pró-pria

ou mista

 

-

 

-

 

2

(100%)

 

634

(100%)

 

-

 

-

 

-

 

-

 

1

(2,2%)

 

204 (0,9%)

 

2

(2,5%)

 

1.178

(5,2%)

Produ-ção não pró-pria

nacio-nal

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

 

 

-

 

 

-

 

1

(3%)

 

95

(1,5%)

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

Produ-ção estran-geira

11

(50%)

5.512

(71%)

 

0

(0%)

0

(0%)

65

(70,7%)

24.456

(67,4%)

2

(6,1%)

369

(5,9%)

2

(4,4%)

610

(2,7%)

26

(33%)

4.612

(20,6%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Meios não jor-nalís-

ticos

oci-dentais

 

 

-

 

 

-

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

7

(8,9%)

 

1.144

(5,1%)

Revis-tas milita-res oci-den-tais

 

1

(4,5%)

 

325

(4,2%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

7

(8,9%)

 

1.377

(6,1%)

Meios

jor-nalís-

ticos

oci-den-tais

 

10

(45,5%)

 

5.187

(66,8%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

65

(70,7%)

 

24.456

(67,4%)

 

3

(9,1%)

 

464

(7,4%)

 

2

(4,4%)

 

610 (2,7%)

 

12

(15,2%)

 

2.091

(9,3%)

Nota: quando me refiro a meios jornalísticos ou não jornalísticos ocidentais não incluo os portugueses.

 

Tabela 12

Origem das fotografias nos jornais diários

 

 

Ori-gem

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

646

120.510

583

97.331

511

113.963

559

108.981

405

54.016

474

101.424

Não men-ciona-da e

inde-

termi-

nável

 

318

(49,2%)

 

 

68.859

(57,1%)

 

445

(76,3%)

 

76.904

(79,1%)

 

202

(39,5%)

 

44.943

(39,4%)

 

290

(51,9%)

 

50.912

(46,7%)

 

206

(50,9%)

 

21.180

(39,2%)

 

40

(8,4%)

 

8.546

(8,4%)

Produ-ção pró-pria

14

(2,2%)

1.058

(0,9%)

66

(11,3%)

9.768

(10%)

53

(10,4%)

8.784

(7,7%)

106

(18,9%)

26.337

(24,2%)

55

(13,6%)

8.422

(15,6%)

71

(15%)

11.950

(11,8%)

Produ-ção não pró-pria

nacio-nal

 

18

(2,8%)

 

2.037

(1,7%)

 

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

68

(12,2%)

 

 

14.290

(13,1%)

 

 

-

 

 

-

 

26

(5,5%)

 

5.820

(5,7%)

Produ-ção estran-geira

296

(45,8%)

48.556

(40,3%)

72

(12,4%)

10.659

(10,9%)

256

(50,1%)

60.236

(52,9%)

95

(17%)

17.402

(16%)

144

(35,5%)

24.414

(45,2%)

 

337

(71,1%)

75.108

(74,1%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Meios não jor-nalís-

ticos

oci-dentais

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

4

(0,7%)

 

552

(0,5%)

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

Meios não jor-nalís-

ticos

iraqui-anos

 

 

-

 

 

-

 

2 (0,3%)

 

357

(0,4%)

 

 

-

 

 

-

 

3

(0,5%)

 

351

(0,3%)

 

 

-

 

 

-

 

1

(0,2%)

 

330

(0,3%)

Meios não jor-nalís-

ticos

israe-litas

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

Meios não jor-nalís-

ticos

árabes/islâ-micos

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

10

(1,8%)

 

 

 

2.176

(2%)

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

Revis-tas milita-res oci-den-tais

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

 

 

-

Meios

jor-nalís-

ticos

oci-den-tais

(inc. agên-cias)

 

 

 

292

(45,2%)

 

 

 

47.958

(39,4%)

 

 

 

70

(12%)

 

 

 

10.302

(10,5%)

 

 

 

256

(50,1%)

 

 

 

60.236

(52,9%)

 

 

 

78

(13,9%)

 

 

 

14.323

(13,1%)

 

 

 

144

(35,5%)

 

 

 

24.414

(45,2%)

 

 

 

335

(70,7%)

 

 

 

74.498

(73,5%)

Meios

jor-nalís-

ticos

iraqui-anos

(inc. agên-cias)

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

Meios

jor-nalís-

ticos

israeli-tas

(inc. agên-cias)

 

 

3

(0,5%)

 

 

382

(0,3%)

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

Meios

jor-nalís-

ticos

árabes/islâ-micos (inc. agên-cias)

 

 

 

1

(0,2%)

 

 

 

216

(0,2%)

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

 

-

 

 

1

(0,2%)

 

 

280

(0,3%)

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Fotos com men-ção a cen-sura

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

 

0

(0%)

Nota: quando me refiro a meios jornalísticos ou não jornalísticos ocidentais não incluo os portugueses.

 

Tabela 13

Conteúdo principal das imagens nos jornais diários

 

 

Conte-údo

Cor-reio da Manhã

Cor-reio da Manhã

O Co-mér-cio do Porto

O Co-mér-cio do Porto

Diário de Notí-cias

Diário de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

Jornal de Notí-cias

O Pri-meiro de Janei-ro

O Pri-meiro de Janei-ro

Públi-co

Públi-co

-

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

N.º

Espaço

(cm2)

TO-TAL

678

130.390

592

99.960

664

174.288

622

119.320

480

81.700

599

137.547

Mapas + info-grá-ficos

22

(3,2%)

7.766

(5,9%)

2

(0,3%)

634

(0,6%)

92

(13,9%)

36.278

(20,8%)

33

(5,3%)

6.315

(5,3%)

45

(9,3%)

22.340

(27,3%)

79

(13,2%)

22.411

(16,3%)

Arse-nal portu-guês

2

(0,3%)

612

(0,5%)

5

(0,8%)

892

(0,9%)

5

(0,8%)

877

(0,5%)

0

(0%)

0

(0%)

1

(0,2%)

315

(0,4%)

3

(0,5%)

2.520

(1,8%)

Arse-nal ame-ricano (excep-to se em com-bate)

 

 

53

(7,8%)

 

 

9.564

(7,3%)

 

 

39

(6,6%)

 

 

6.326

(6,3%)

 

 

26

(3,9%)

 

 

6.425

(3,7%)

 

 

18

(2,9%)

 

 

3.664

(3%)

 

 

25

(5,2%)

 

 

5.208

(6,4%)

 

 

60

(10%)

 

 

13.476

(9,8%)

Arse-nal da Coli-gação (excep-to se em com-bate)

 

 

36

(5,3%)

 

 

4.268

(3,3%)

 

 

35

(5,9%)

 

 

6.870

(6,9%)

 

 

35

(5,3%)

 

 

9.019

(5,2%)

 

 

10

(1,6%)

 

 

2.004

(1,7%)

 

 

5

(1%)

 

 

1.145

(1,4%)

 

 

6

(1%)

 

 

1.468

(1,1%)

Arse-nal ira-quia-no (excep-to se em com-bate)

 

 

 

28

(4,1%)

 

 

 

5.414

(4,2%)

 

 

 

4

(0,7%)

 

 

 

615

(0,6%)

 

 

 

8

(1,2%)

 

 

 

1.769

(1%)

 

 

 

18

(2,9%)

 

 

 

3.036

(2,5%)

 

 

 

27

(5,6%)

 

 

 

9.247

(11,3%)

 

 

 

4

(0,7%)

 

 

 

708

(0,5%)

Arse-nal israeli-ta

4

(0,6%)

416

(0,3%)

0

(0%)

0

(0%)

4

(0,6%)

946

(0,5%)

0

(0%)

0

(0%)

3

(0,6%)

545

(0,7%)

3

(0,5%)

750

(0,5%)

Arse-nal de outros países

8

(1,2%)

1.254

(1%)

0

(0%)

0

(0%)

8

(1,2%